terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Seria uma boa ideia pôr Ângela Merkel como presidenta formal do BCE?

"A irreverência muito conveniente dos Verdes Europeus



Para os Verdes Europeus, o grande problema do BCE é nunca ter tido uma presidente mulher. A ausência de escrutínio democrático do seu funcionamento ou a omissão do emprego como variável objetiva na condução da política monetária parecem ser problemas secundários.

Alguns argumentarão que não são problemas mutuamente exclusivos. Isto é, é possível reconhecer na falta de igualdade de género um problema e criticar de igual modo as questões que mencionei acima. Ainda que seja formalmente válido, assumir este argumento tem contornos, no mínimo, bizarros. Apontar a falta de igualdade de género a uma instituição cuja ação fundamental repudiamos não faz sentido. É como se alguém num regime ditatorial declarasse: “isto da comissão de censura é um escândalo, vejam lá que nunca teve uma presidente mulher!”

A menos que, tal como a experiência me leva a suspeitar, os Verdes Europeus não vejam nas atuais características do BCE um problema assim tão grande e optem por dar ares de grande arrojo e irreverência alertando para a falta de igualdade de género na sua administração, enquanto convenientemente esquecem tudo o resto.

Não há uma pinga de progresso. Só um jogo de luzes político que faz as delícias da burocracia ordoliberal de Bruxelas e Frankfurt."

[In blog Ladrões de Bicicletas, Diogo Martins]

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