domingo, 11 de fevereiro de 2018

Donald Trump contra os dogmas da globalização


Trump conseguiu os votos da classe operária das fábricas falidas, deslocalizadas e em crise.
O Partido Anti-Rússia dominado pelos democratas e pelo complexo militar-industrial entrou em pânico quando Trump deu a entender que a NATO era uma inutilidade.
A fragilização de Trump, levou-o a agarrar-se aos dogmas da Guerra Fria do Partido Anti-Rússia, por uma questão de sobrevivência política.
A NATO tem como objectivo vingar a Alemanha da derrota na II Guerra Mundial, é para isso que ela existe. Para Portugal a NATO é uma inutilidade perigosa.
Num misto de racionalidade e de delírio Trump colocou as Coreias à beira do aniquilamento nuclear.
Decidiu apoiar os delírios religiosos-militares do Estado de Israel e pode incendiar ainda muitíssimo mais mais o Médio-Oriente.

Trump demonstrou que nada é inevitável, quer para o bem quer para o mal, mas acentuou o seu lado reaccionário, com a perseguição aos emigrantes, com a apologia da tortura, com um novo militarismo sobre pressão do Partido Anti-Rússia, com o seu racismo e com a colocação em causa dos direitos das mulheres. Nada é inevitável do lado do Bem e também nada é inevitável do lado do Mal.


Iniciou políticas económicas proteccionistas cujo impacto ainda é difícil de prever.


 «O debate sobre a “reversão” das leis laborais, ou da legislação do arrendamento, é um dos mais interessantes espelhos sobre como se movem as correntes mais profundas da vida pública portuguesa e mostra como ainda não nos emancipámos dos anos da troika e da grande vitória ideológica que a direita mais radical teve nesses anos. Tem pouco a ver com o discurso público, embora tenha a ver com a ideologia, e traduz o papel perverso que tem a “economia” no debate político. Um dia alguém varrerá a “economia” do posto de comando, para se perceber como atrás dela havia política, e quase só política, que não ousava apresentar-se como tal. Se deixássemos a herança da obsessão com a “economia” – e esse seria o momento em que sairíamos verdadeiramente dos anos de lixo da troika – e voltássemos ao governo da polis, com a enorme complexidade das suas pulsões, desejos, silêncios e falas, interesses e símbolos, ascensões e quedas, veríamos a quantidade de coisas que não discutimos, ou, melhor, que nem sequer ousamos enunciar, quanto mais discutir. E o tempo vai sempre passando.
Deveríamos olhar para os EUA, o grande laboratório da política dos nossos dias, para perceber como quase tudo pode mudar muito rapidamente, quando aparece alguém, Trump neste caso, que rompe as convenções do discurso em todos os azimutes e mostra como o populismo moderno é o grande perturbador, perante uma direita conservadora e uma esquerda muito comprometida com os interesses, que ainda não percebeu o que lhe caiu em cima. Pode-se fazer uma análise marxista sobre Trump e reduzi-lo aos estereótipos do poder do capital, e não compreender a subversão que ele trouxe à vida pública mundial. E quando mais precisávamos de encontrar uma resposta, que tem que ser igualmente inovadora porque lida com um mundo sem precedentes, encontramos apenas alguns fragmentos de resposta, seja a ideia de que com Trump tem que se ser intransigente e não complacente, a importância de um papel mais agressivo dos media no escrutínio da governação ou a exploração do grotesco da personagem que os cómicos dos programas da noite fazem sem qualquer cansaço das audiências. E, em todos estes casos, Trump reage à ferida porque lhe dói. Nessa matéria, estou como Churchill face a Hitler e não como Chamberlain, comparando atitudes e não personagens.

Se quisermos compreender o que se passa, temos que discutir muita coisa pouco tangível no domínio da economia, mas densa no plano político. Perder um emprego numa fábrica e abrir uma banca de estrada, como aconteceu a muitos operários de Detroit, pode não significar uma grande perda de rendimentos, mas significa a perda de um sentimento de dignidade pessoal e profissional, e do mundo da relação com os pares no trabalho. Os da “economia” dizem-nos que isso até é bom, e depois encontram-se com o reforço do populismo e, no caso dos EUA, o voto da classe operária branca no milionário com sanitas de ouro, e uma grande receptividade ao discurso do inimigo, neste caso os emigrantes.» [ Pacheco Pereira, cit. in blog Entre as brumas da memória]

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