sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Vivemos numa época que se está a tornar muito perigosa


Vivemos tempos paradoxais. A melhor frase que eu ouvi nestes tempos paradoxais foi de uma mulher da Administração Trump, a dizer, preto no branco, que os Estados Unidos iriam bombardear a Rússia, antes que os russos ponham a funcionar mísseis de médio alcance muito perigosos. Há um texto em castelhano na revista Red Voltaire a explicar, pormenorizadamente, como funcionam novos mísseis russos muito perigosos. Eu não partilho as opiniões, a meu ver contraditórias, do jornalista e escritor francês Thierry Meyssan sobre Trump, que dirige a Red Voltaire. Thierry Meyssan é europeu ocidental apoiante de Trump e um especialista em teorias da conspiração. Não é preciso concordar com ele, mas Thierry Meyssan escreve muito bem e como jornalista fundamenta as suas teorias da conspiração.
O italiano Manlio Dinucci escreve no jornal marxista Il Manifesto e não é censurado na Red Voltaire, é traduzido.
Manlio Dinucci é contra a actual ocupação militar da Itália pelos Estados Unidos, por terem ganho a guerra contra Mussolini, em 1944, mas que perdura há 74 anos. E Dinucci explica que os europeístas falam contra o actual governo italiano por ter aumentado o défice, mas que nada dizem contra as despesas militares astronómicas da Itália, sob pressão dos Estados Unidos, da Alemanha e da França. No contexto da decadência intelectual vertiginosa dos jornais e revistas em Portugal, em papel e na net ou só net, e super-vertiginosa nas televisões portuguesas em sinal aberto ou só por cabo, o historiador Rui Tavares é daqueles que dentro da Esquerda, melhor fundamentam a sua opinião, e o seu alinhamento partidário é conhecido, ele próprio o lembra a quem ainda não souber.
Cito Rui Tavares, que como político da Esquerda, europeísta e apoiante da NATO, não costuma falar da opressão do povo italiano pela NATO.

A Red Voltaire também é traduzida para português


« Comentário de Rede Voltaire

Longe de ser uma questão de detalhe, o tratamento dado pela Letónia à sua minoria russa constitui o ponto central da acção política da NATO em toda a Europa Oriental.
Desde a independência dos Estados bálticos, proclamada em 1990, os Estados Unidos e a NATO instalaram aí as famílias dos seus agentes de rede stay-behind, recrutados no final da Segunda Guerra Mundial e exilados na zona da NATO. Tratava-se de famílias criadas no culto nazi e financiadas durante meio século pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido, quer directamente, quer através da Alemanha Federal.
Essas famílias divulgaram a ideia de que os soviéticos nunca lutaram contra o nazismo como ideologia, mas invadiram a Europa Oriental e Central para instalar aí o seu império. Os Colaboradores do nazismo nunca teriam aderido à ideologia hitleriana, mas ter-se-iam aliado aos nazis para defender o seu país do imperialismo soviético. Posteriormente, os crimes do regime soviético na Letónia seriam de uma natureza e de uma amplitude diferente daquela que ele cometeu noutras partes da União Soviética.
Nesta base, os grupos que reivindicam o nazismo e que têm uma ligação histórica com ele, desenvolveram-se, principalmente na Letónia, na Lituânia, na Estónia e na Ucrânia. A partir de 2005, por iniciativa e com o apoio da Presidente canadense naturalizada letã, Vaira Vīķe-Freiberga, as cerimónias nazis ou neonazis têm sido realizadas publicamente na Letónia e a ideologia do stay-behind tornou-se oficial [1].
O tratamento actual da minoria russa só pode ser compreendido, inserido neste contexto.
Thierry Meyssan
President de Réseau Voltaire

Tradução
Maria Luísa de Vasconcellos » [In Red Voltaire]



«RUI TAVARES
OPINIÃO
Sonâmbulos de novo
A mensagem clara é que abriu a época da caça e que toda a gente pode fazer o que quiser contra as suas oposições onde quiser, porque as grandes potências vivem bem com isso.
19 de Outubro de 2018, 6:13
O destino do jornalista saudita Jamal Khashoggi não é só provavelmente macabro; é sobretudo profético. Lembremos resumidamente quem ele era e qual é o seu caso: inicialmente um disciplinado jornalista no reino da Arábia Saudita, Khashoggi escolheu o caminho do exílio para poder falar mais livremente, e como residente permanente nos EUA escreveu crónicas críticas, mas ainda assim respeitosas, em relação ao todo-poderoso príncipe Mohammed bin Salman. Um dia entrou num consulado da Arábia Saudita na Turquia e não voltou a sair. A autoridades turcas alegam terem gravações — provavelmente obtidas através de espionagem contra a representação diplomática — provando que Khashoggi foi torturado, assassinado e desmembrado por uma equipa de 15 sauditas vindos do reino para a Turquia com vistos de turistas. Pelo menos um dos 15 já foi identificado como sendo um segurança próximo de Mohammed bin Salman. E acima de tudo a Arábia Saudita não apresentou até agora nenhuma explicação para o facto de Khashoggi ter entrado e nunca ter saído do seu consulado, nem sobre o que lhe terá acontecido lá dentro.

E no meio de tudo isto aparece uma reportagem aparentemente bem fundamentada no Washington Post dizendo que a família real saudita e a Administração Trump nos EUA estão a trabalhar juntas para aparecerem com “uma justificação mutuamente aceitável” para o que aconteceu — ou seja, que estão a conspirar para mentir.

Porque é que isto tem importância, para lá da violação de direitos humanos em concreto e da ação criminal que é — alegadamente, para já — matar um jornalista? Nos tempos cínicos em que vivemos, é fácil olhar para o caso Khashoggi e encolher os ombros dizendo que assassinatos de jornalistas há em todos os continentes e que nunca ninguém julgou que o reino da Arábia Saudita fosse especialmente virtuoso em casos deste género. Porque é que este caso é tão grave?

Para dizer de uma forma simples: porque já começaram guerras por menos. O caso em apreço não é só grave por envolver a morte de um jornalista. É gravíssimo por ter ocorrido no território de um país estrangeiro e dentro de uma representação diplomática, abusando das imunidades e privilégios que estas têm. Já vivemos épocas assim, em que fomos arrastados para guerras onde morreram milhões por causa de temeridades semelhantes. E uma delas foi a época imediatamente anterior à I Guerra Mundial. Um livro que já citei aqui do historiador Christopher Clark, sobre “como a Europa entrou em guerra em 1914”, tem um título que descreve este fenómeno de forma particularmente feliz: Sonâmbulos. Ou seja, a Europa entrou em guerra sem saber como, porque o jogo entre potências foi ficando cada vez mais perigoso e, a certa altura, qualquer provocação poderia acender a faísca de um mega-conflito.

O único erro está em pensarmos que a I Guerra Mundial foi uma guerra europeia que se mundializou. Errado: a I Guerra Mundial foi uma guerra europeia e do Médio Oriente que se mundializou. A I Guerra Mundial começou nos Balcãs, fronteira histórica entre a Áustria e o Império Otomano, e sem queda do Império Otomano não haveria Iraque, nem Síria, nem Arábia Saudita, nem Turquia moderna. O que estes países têm em comum não é apenas terem estado todos nas notícias por causa de várias guerras — invasões, guerras civis, guerras através de terceiros — nos últimos anos. O que eles têm em comum é conhecerem bem a sua história e saberem como os seus Estados nasceram há menos de um século após um conflito no qual entrámos como sonâmbulos a caírem num buraco.

O resto é o oportunismo da época atual. A Rússia assassina impunemente os seus ex-espiões em território estrangeiro. A Arábia Saudita observa como Putin consegue matar quem lhe apetece onde lhe apetecer, toma devida nota, e faz o mesmo. O resto da comunidade internacional olha com espanto para os Estados Unidos minimizarem a necessidade de se saber o que se terá passado no consulado saudita. A mensagem clara é que abriu a época da caça e que toda a gente pode fazer o que quiser contra as suas oposições onde quiser, porque as grandes potências vivem bem com isso e as organizações internacionais estão de pés e mãos atados pelas grandes potências.

Lá vamos nós de novo, sonâmbulos. A continuar assim, alguém acredita que não está a aumentar a probabilidade de um dia destes um caso como o de Khashoggi dar verdadeiramente para o torto?

O autor escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

Historiador; fundador do Livre»
[In Público]

Elite do dinheiro brasileira paga milhões para milhões de mensagens contra Haddad

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Posts mais lidos - 1



A análise da realidade colectiva inconveniente, passada e presente é chocante

Nas redes sociais os inimigos dos taxistas só gostam de textos, fotos e vídeos de inimigos dos taxistas. Não querem ver nada dos amigos dos taxistas.
A análise da realidade colectiva, passada há uns tempos, passada recente e actual é chocante, mas não deixa de ser a realidade.
Lisboa, Terreiro do Paço, 1682

                          Lisboa, Terreiro do Paço, 1939


«OPINIÃO
A esquerda perde-se no seu labirinto. E o autoritarismo avança
E a esquerda mais progressista limita-se a reagir, tentando preservar o mínimo (estado social, emprego, educação, saúde), e abraçando questões identitárias, mas não criando uma base comum de luta aglutinadora.
Ignorantes, incultos, fascistas. Estas foram algumas das designações que se leram por aí a mimosear os muitos brasileiros que votaram em Bolsonaro. Nos últimos anos com as lideranças autoritárias, musculadas e populistas a afirmarem-se em todo o mundo, de Trump a Orbán, tem sido sempre assim. Identificamos os sintomas. Alerta-se para os perigos. E quando a realidade se abate sobre nós culpabiliza-se quem aclamou estas figuras.»

“JUSTIÇA
Ex-presidente do BPP João Rendeiro condenado a cinco anos com pena suspensa”

«A reactividade não serve. É preciso mais. A começar pela autocrítica à esquerda. Assumir que, em parte, o que se vislumbra hoje é também responsabilidade sua. A direita moderada tem respondido ao estado de emergência permanente em que vivemos na última década continuando a acreditar no crescimento económico infindável, na especulação e na auto-regulação dos mercados — ou seja, mais do mesmo do que nos trouxe até aqui. Mas a esquerda também não tem sabido encontrar ideias alternativas de futuro, suficientemente mobilizadoras e universalistas.

E eis que esse vazio tem vindo a ser preenchido por despotismos, nacionalismos ou euroceptismo. Ninguém hoje pensará em revoluções no sentido clássico, não se trata disso, mas era preciso uma via alternativa, que não fosse o capitalismo liberal que cada vez mais, apesar das metamorfoses, vai dando mostras de desagregação (não sou eu que o digo, são perigosos revolucionários como Bill Gates, Elon Musk ou Mark Zuckerberg, apelidados agora de forma chique de “pós-capitalistas”). E muito menos esse caldeirão de capitalismo global e autoritarismo local, onde hoje parece caber tudo, dos EUA à Rússia, da China à Turquia, da Hungria a países da Ásia, não olhando a credos, culturas ou ideologias, cerceando democracias, liberdades, direitos humanos e tentações de igualdade.

Perante isto, a esquerda progressista não escapa à tentação de classificar como fascista qualquer indução autoritária, simplificando os termos, banalizando-os, sem que exista uma análise sobre os motivos que levam uma parte considerável dos cidadãos a desconfiar dos processos políticos dominantes — abraçando sim, em alguns casos, novas formas de fascismo.

Poder-se-ia pensar que perante tantos conflitos (crise ambiental, económica, migratória, precarização, exclusão, corrupção, xenofobia) esta seria a hora de serem forjadas novas políticas coerentes, mas nada. Não só a esquerda não o soube fazer, como parece ter perdido o contacto com fatias da população, zangadas, descrentes, precarizadas. Já não são apenas os velhos pobres. São também novos pobres, actividades outrora estabelecidas, agora vítimas da ineficaz redistribuição da riqueza, e outras porções populacionais não carenciadas, mas ressentidas e não inscritas.

Questões complexas. E ninguém parece interessado em enfrentá-las. A direita musculada limita-se a propor o regresso a um passado mitificado. E a esquerda mais progressista limita-se a reagir, tentando preservar o mínimo (Estado social, emprego, educação, saúde) e abraçando questões identitárias, mas não criando uma base comum de luta aglutinadora.

Não se trata de minorar o que tem vindo a ser conseguido em termos de modelos relacionais, por exemplo, entre mulheres e homens, e outras lutas identitárias, mas de perceber que, apesar da justeza destas, e de se insistir na sua vertente interseccional ou na reactividade das hegemonias, que a igualdade de oportunidades passa também por questionar os modelos capitalistas de produção mais perversos. Era preciso que a fixação nas identidades não nos desligasse das questões alheias aos diversos grupos de referência e que essa miríade de lutas convergisse para algo maior, que revelasse as questões comuns que atravessam o nosso tempo. E não se sente que esse denominador tenha sido encontrado.

Fala-se com um adepto de Donald Trump ou de Jair Bolsonaro e percebe-se que não se revêem necessariamente nos insultos sexuais ou raciais, mas gostam de sentir que os mesmos desafiam elites políticas ou culturais. O que é também demonstrativo de como a esquerda tem tido mais dificuldades de adaptação ao novo ecossistema comunicacional. Claro que é mais fácil vivenciá-lo de forma negativa, impondo o medo, ou transformando questões políticas em morais. Mas nitidamente a esquerda ainda não foi capaz de se adaptar a um mundo digital onde a interpretação da vida social já não é realizada apenas por uma elite para uma massa de outros.

Essa relação hierárquica foi-se. Trump percebe-o e Bolsonaro beneficiou do mesmo. No seu caso, nem a linguagem, tal como a conhecemos, existe propriamente. O que se vislumbra são apenas gestos de força. Já não se trata de falar verdade. Apenas de sentir que se pertence ao grupo que grita mais alto. Muitos desses eleitores não acreditam propriamente no que lhes é dito. Só querem chegar às urnas e mostrar que são anti-sistema. Claro que não ajuda a explicar tudo. Longe disso. Mas não é por acaso que figuras como Bolsonaro ou Trump, mesmo nas falhas, ou precisamente nas insuficiências, são desculpadas. Quem o faz não os desculpa apenas a eles, mas também a si próprio. É essa a lógica da representatividade.

Muita gente preferia não ter de lidar com essa realidade. Mas ela está aí. E a única forma de bater Trump ou Bolsonaro é olhar para os seus eleitores, tentar compreendê-los e perceber que nem todos são aquilo que achamos que são. Alguns fazem parte do grupo que apenas pensa nos seus privilégios. Mas outros estão apenas tão perdidos como nós. Sentem-se despeitados ou falhados. Mas a esquerda também tem falhado na ausência de alternativas. Injuriá-los não leva a lado nenhum. São eles que dão destaque a personagens terríficas como Trump ou Bolsonaro quando vão às urnas. Mas são também eles que lhes podem tirar o tapete.»


 [Vítor Belanciano, in Público pt]


segunda-feira, 15 de outubro de 2018

O europeísmo, de facto, é uma religião, baseia-se na fé






O europeísmo, baseia-se na fé. É mais uma religião, é semelhante à Cientologia. Um europeísta tem fé na Alemanha e tem fé na França. Na União Europeia a Alemanha manda, com o consentimento da França. Eu considero-me racionalista, para mim algo é bom ou não conforme se puder demonstrar. Um dos mandamentos da fé europeísta é o défice zero.


"O défice zero como fetiche



«Muito se tem discutido nestes dias sobre o facto de a proposta de Orçamento de Estado (OE) para 2019 ficar aquém do objectivo do défice zero. Há quem defenda que o governo podia e devia ir mais longe do que défice de 0,2% do PIB, fazendo do último OE da legislatura o primeiro desde a instauração de democracia em que as despesas públicas não seriam superiores às receitas. Na cabeça de muita gente qualquer exercício orçamental que implique saldos negativos é sinal de despesismo e só o défice zero é uma política responsável. Esta noção parece muito intuitiva - mas é errada.

Ao contrário do que o senso comum sugere, os Estados podem registar défices orçamentais todos os anos sem com isso porem em causa a sustentabilidade das contas públicas. Para o perceber é preciso abandonarmos a tendência para vermos o Estado como se fosse uma pessoa comum.

Em princípio, um indivíduo que tenha de pagar uma dívida num determinado prazo só conseguirá fazê-lo se gastar menos do que os rendimentos que obtém em cada período. De outra forma a dívida mantém-se ou agrava-se.

Mas um Estado e um indivíduo não são a mesma coisa. Há duas diferenças fundamentais que os distinguem e que são relevantes neste contexto.

Primeiro, ao contrário dos indivíduos, os Estados não têm um tempo de vida limitado à partida. Precisamente porque não vivem para sempre, exige-se aos indivíduos que paguem tudo o que devem antes de morrerem. Os Estados, porque não morrem, apenas precisam de ir pagando as dívidas que contraíram no passado, mesmo que para o efeito tenham de contrair nova dívida.

Em segundo lugar, não é expectável que os rendimentos de um indivíduo aumentem eternamente (na verdade, é habitual reduzirem-se quando as pessoas se reformam). Por contraste, os rendimentos do Estado tendem a aumentar continuamente graças ao crescimento da actividade económica e dos preços (que se verifica em quase todos os anos), pelo que ao longo do tempo se torna mais simples aos Estados pagarem as dívidas que contraíram no passado.

Estes argumentos ajudam a perceber por que que motivo a generalidade dos Estados registou défices orçamentais anuais ao longo da história, sem que tal tenha implicado necessariamente um crescimento explosivo das dívidas públicas em percentagem do PIB. Assim se explica também que a União Europeia tenha estabelecido como regra que os défices orçamentais dos Estados Membros podem atingir até 3% do PIB em certos anos e que o saldo possa manter-se ligeiramente negativo ao longo do ciclo económico (0,5% do PIB no médio prazo).

Por outras palavras, ao contrário do que sugere o senso comum, os Estados podem gastar mais do que recebem em cada ano, sem que isso seja um problema para as economias.

Para que as contas públicas se mantenham sustentáveis é obviamente necessário respeitar certos limites, os quais dependem fundamentalmente das seguintes variáveis: a diferença entre as receitas e as despesas (excluindo juros), o nível da taxa de juro da dívida pública, o nível de rendimento do país e a taxa de crescimento anual da actividade económica e dos preços.

Na situação actual é perfeitamente possível que o Estado português incorra em défices orçamentais ao mesmo tempo que reduz a dívida pública todos os anos. Por exemplo, usando as projecções do FMI para o período 2018-2020 (as menos optimistas entre as principais instituições internacionais), o Estado português vai manter défices que variam entre 0,7% e 0,2% no triénio e ainda assim a dívida pública cairá dos cerca de 126% do PIB registados em 2017 para cerca de 115% em 2020.

Tendo por referência as várias projecções existentes para as variáveis relevantes, seria na verdade possível manter um défice orçamental de 0,5% (acima dos 0,2% previstos, mas um mínimo histórico em qualquer caso) e ainda assim reduzir a dívida pública em percentagem do PIB nos próximos anos, de acordo com as metas europeias para a redução do rácio da dívida.

Défices próximos de zero, no momento presente, significam que os pagamentos que o Estado tem em atraso face aos seus fornecedores (entre eles muitas PME) não serão saldados, que o investimento público ficará aquém do desejável e que a normalização das relações entre o Estado e quem para ele trabalha ficará novamente adiada. É no mínimo discutível que estas sejam as melhores opções de gestão orçamental.

Aqueles que defendem que as despesas públicas em 2019 deveriam estar alinhadas com as receitas vão ao encontro do senso comum, mas isso não significa que sejam guiados pelo bom senso. A preocupação com a sustentabilidade das finanças públicas é muito sensata e bem-vinda. Já a obsessão com o défice zero (ou próximo disso) é, na maioria dos casos, pouco mais de que um fetiche.»

Ricardo Paes Mamede"      [In blog Entre as brumas da memória]

domingo, 14 de outubro de 2018

O que se passa no Brasil não é só um problema dos brasileiros









«DIOGO FREITAS DO AMARAL
PILAR DEL RÍO
FRANCISCO LOUÇÃ
OPINIÃO
Há um perigo no Brasil e não fechamos os olhos
A democracia e a liberdade são indivisíveis. Os democratas e a democracia brasileira contam com a nossa integral solidariedade e empenho.
14 de Outubro de 2018, 7:00
A primeira volta das eleições presidenciais brasileiras confirmou o avanço da estratégia do choque e pavor: quase metade dos eleitores deu o seu voto a Jair Bolsonaro, que tem feito carreira pedindo o assassinato de dezenas de milhares de pessoas, sugerindo a esterilização das mulheres pobres e desprezando os valores essenciais da liberdade e democracia. A desagregação do sistema político brasileiro, em particular desde a impugnação da presidente Dilma Rousseff, a quem, aliás, não foi imputado qualquer crime mas apenas irregularidades de gestão orçamental, está a ser acentuada por esta vertigem de ódio personificada por Bolsonaro. Numa sociedade tão marcada pela desigualdade social e por divisões profundas, a política do ódio ganhou espaço e conseguiu apoios vastos, entre associações empresariais, dirigentes dos partidos tradicionais, e várias igrejas, envolvendo mesmo intervenções partidarizadas de juízes. Assim, um fascista pode ganhar as eleições numa das maiores democracias do mundo, ameaçando as regras básicas da vida social. Quando a sinistra memória de Pinochet ou de Videla ainda está tão presente, este clamor por uma ditadura militar não pode ser ignorado.

Há mais de 200 anos, Goya pintou um drama a que deu o título de “O sono da razão produz os monstros”. »



«Foi sempre assim, mas por vezes leu-se nesta constatação a rendição perante a inevitabilidade. Pela nossa parte, não aceitamos soluções irracionais nem o silêncio cobarde perante as tragédias anunciadas. É por isso que, considerando os nossos pontos de vista distintos, nos juntamos hoje para um apelo fundamental contra a ameaça monstruosa no Brasil, que afecta todos os povos, em particular na América Latina, mas também noutros continentes.

De facto, a peste antidemocrática está a espalhar-se. Assistimos com preocupação à separação de crianças dos seus pais e a depoimentos judiciais de meninos e meninas de dois e três anos em casos de expulsão de imigrantes nos Estados Unidos. Notamos a normalização da violação dos direitos humanos no tratamento em vários países europeus de refugiados de guerras e de imigrantes que fogem da fome. Indigna-nos a conivência de um grande partido europeu com a campanha de desmantelamento da independência do sistema judiciário e da liberdade de imprensa na Hungria. Lemos com indignação o reconhecimento pelo presidente das Filipinas da sua actuação em assassinatos extrajudiciais. Que o Brasil possa vir a ser um novo campo para a discriminação das diferenças, o desprezo pelas mulheres ou a vertigem da violência é também motivo para preocupação, e sobretudo para uma escolha que ninguém deve ignorar: pela nossa parte, tomamos posição contra a indignidade.

Notamos ainda que muitos responsáveis políticos que apelaram à rejeição da extrema-direita quando a segunda volta das eleições presidenciais francesas opunha Jean-Marie Le Pen e Chirac ou, depois, Marine Le Pen e Macron, se calam agora perante uma opção tão clara, se não ainda mais gritante. Pelo nosso lado, não nos deixamos condicionar por calculismos mesquinhos. A democracia e a liberdade são indivisíveis. Os democratas e a democracia brasileira contam com a nossa integral solidariedade e empenho.

Professor catedrático aposentado da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa
Presidente da Fundação José Saramago
Economista»

[In Público pt]

O Brasil tem uma área de 8 515 767,04 Km2 (Fonte: Wikipedia, em português) superior à área dos 48 Estados contíguos + o Distrito de Columbia dos Estados Unidos que é de 8 080 464,3 Km2 (Fonte: Wikipedia, em inglês).

sábado, 13 de outubro de 2018

Portugal é uma colónia da Alemanha - texto interessante sobre o poder da Alemanha do Censor de Fotografias José Pacheco Pereira

Portugal é um país colonizado pela Alemanha, o país inventor de uma fábrica de matar pessoas, durante o III Reich.

A Troika não é só a Alemanha é o Eixo Berlim-Washington. A Alemanha manda no BCE e na Comissão Europeia, mas quem manda no FMI são os Estados Unidos.

José Pacheco Pereira, Historiador e Censor de Fotografias, escreveu um texto muito bom sobre a colonização alemã em Portugal. 

"O Orçamento da burocracia de Bruxelas



José Pacheco Pereira no Público de hoje:
«Ele é preciso estar sempre a repetir as mesmas coisas, porque há uma intencional dureza de ouvido, que ao menos vale a pena incomodar. Repito: o Orçamento de 2019 que vai ser apresentado ao Parlamento português não é nem português, nem é decidido pela Assembleia da República, nem é o que vai ser aplicado, nem é o resultado das “regras europeias”, não é nenhuma coisa daquelas com que vai ser designado. Voltando a Orwell, é um exemplo primoroso do doubletalk parecido com a designação da defunta República Democrática Alemã, que não era nem república, nem democrática, nem alemã.
Voltamos às repetições: o Orçamento não é português, é estrangeiro, subordinado aos interesses dos nossos credores e às políticas que eles impõem, que não são “portuguesas” num aspecto fundamental — é que não servem o interesse nacional, nem as necessidades de desenvolvimento do país, mas apenas a submissão às políticas alemãs e à vulgata política da troika disfarçada de inevitabilidade económica. O Orçamento serve o pagamento da dívida transformado no alfa e no ómega de toda a política de défice zero. Há outras coisas sob o mesmo céu, mas aqui o sol não nasce para todos.
O Orçamento não é aprovado pelo Parlamento português, que apenas assina de cruz um texto que é decidido em Bruxelas e no Eurogrupo, que tem um direito efectivo de veto sobre as suas medidas. A perda do poder orçamental do Parlamento português, nunca discutida, nem decidida pelos portugueses, é uma das mais graves entorses da nossa democracia. O Parlamento, cuja função orçamental é crucial na identidade de qualquer parlamento em democracia, está castrado nessa função e uma elite, que fala fininho como os eunucos nas óperas antigas, faz a rábula de uma autoria e de um poder que não tem. Também não é verdade que a perda de soberania do Parlamento seja o resultado da adesão aos tratados europeus, visto que muitas das “regras” que recitamos como um mantra não estão em nenhuns tratados, alguns dos quais, como o de Lisboa, foram “vendidos” com dolo, apresentados como reforçando os poderes dos parlamentos nacionais. Quem conheça a burocracia europeia em acto, com a sua enorme arrogância, ao considerar que governa melhor os países da União do que os políticos eleitos, sabe muito bem como se fez e com quem se fez o caminho para a submissão de países como Portugal. E acresce, repetindo-me, que o Tratado Orçamental e o Eurogrupo não são instituições da União Europeia. E, repetindo-me, de novo, o Orçamento aprovado vai ser tão ficcional como a Branca de Neve. Como já aconteceu aos orçamentos anteriores, o Orçamento real é o Orçamento resultante das cativações dentro do Orçamento de fachada.
Nestas matérias está-se como a “voz clamando no deserto”. O que se ouve de imediato como resposta é uma variante do discurso do ocupado que interioriza o discurso do ocupante, uma soma de argumentos ad terrorem, de que quem contesta o oito quer o 80, ou do desabar cataclísmico de tudo, à mais pequena contestação do estado de coisas. É um discurso de quem tem medo de levantar um dedo que seja, e que começa por se apresentar como “realista” e contrariado pela ocupação, para acabar por ser entusiástico com o ocupante.
Na história, é um discurso conhecido e, sem querer ser excessivo, é muito parecido com o discurso dos franceses depois da derrota de 1940, em que começaram por pregar uma atitude de “realismo”, face à ocupação alemã, dizendo que ser patriota era apoiar Pétain, que obteve a “pacificação” da França derrotada. Diziam que a soberania muito limitada que os alemães permitiram durante algum tempo garantia a continuidade da França no fim da guerra, claro, se ela fosse vencida pelos alemães. Terminou tudo como se sabe, com a “colaboração”, com o fim da zona “livre”, com os italianos a ocuparem a Riviera e os alemães a França toda, e a guerra civil com todas as suas violências. A excepção solitária foi De Gaulle e alguns dos seus companheiros que, esses sim, salvaram a França.
A discussão enganadora sobre o Orçamento e as migalhas de decisão que o Governo e o Parlamento ainda têm retiram conteúdo à política em democracia, ou seja, tornam-na menos democrática. O PSD, o CDS e PS são partidos do Tratado Orçamental, o BE e o PCP por razão da “geringonça” não têm qualquer autonomia nesta matéria. À mais pequena crise de fora, vai desabar tudo. E depois queixem-se do populismo.»" [Cit in blog Entre as brumas da memória]
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Para que KM foi para o quarto de CR7? Brincar com Legos, ouvir Ronaldo declamar poemas de James Shakespeare,


ouvir Ronaldo traduzir os versos do hino actual da Espanha, jogar à bola em cima da cama, ler a Ronaldo o Manifesto do  Partido Me Too, ouvir Ronaldo traduzir  de português para inglês os discursos do filósofo, maratonista e deputado federal Jair Messias Bolsonaro, ouvir Ronaldo cantar o hino do United, ver gravuras mostradas por Ronaldo do festival judaico realizado em Lisboa pelo Santo Ofício em mil setecentos e tal, jogar às cartas, ouvir Ronaldo ler o Ulisses de William Joyce, jogar xadrez, ler o futuro nas cartas, ver gravuras mostradas por CR7 do festival judaico organizado por Tomás de Torquemada em Madrid, ver fotografias das pessoas fuziladas pelas tropas de Santiago Bernabéu na Catalunha, ouvir Ronaldo cantar o hino do Barcelona, ouvir um discurso de Cavaco Silva traduzido por Ronaldo para inglês, ler a Ronaldo as normas de um Clube da Virgindade, ouvir Ronaldo ler discursos em português de Alberto João Jardim, ler a Ronaldo frases de Edgar Allan Poe, ouvir Ronaldo ler os nomes da Lista Negra do FBI, ler a Ronaldo discursos do Senador McCarthy, ouvir Ronaldo ler o discurso de J W Bush quando encontrou as Armas de Destruição Massiva do Iraque, mostrar a Ronaldo fotografias da Guerra do Vietname, ouvir Ronaldo ler o discurso de Truman depois de ter lançado uma bomba sobre Hiroshima para matar os mosquitos, ler a Ronaldo um discurso de Richard Nixon sobre as virtudes da Democracia no Chile, ouvir Ronaldo ler um discurso de Milton Friedman em Santiago do Chile, mostrar fotos a Ronaldo do Estádio de Futebol de Santiago do Chile, durante a época em que Pinochet jogava futebol e praticava lá tiro ao alvo 

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Por que é que tantas mulheres portuguesas e tantos homens portugueses odeiam Cristiano Ronaldo e amam uma angariadora de clientes de uma discoteca de Las Vegas?


«Culto
FAMÍLIA
“O que é violação? E sexo anal?” Como explicar às crianças o caso Ronaldo
As denúncias que envolvem o jogador são o tema de todas as conversas. Devemos chamar as coisas pelos nomes? Ou usar, com as crianças, termos mais “suaves”? “Não existem termos ‘suaves’”, diz psicóloga.
SUSANA PINHEIRO 12 de Outubro de 2018, 7:3
E, de repente, os miúdos chegam a casa com perguntas que os adultos consideram embaraçosas. O alegado caso de violação que envolve Cristiano Ronaldo, um ídolo para os mais novos, não os deixará indiferentes e haverá muitas questões que podem colocar aos pais. Como responder? O PÚBLICO perguntou a alguns especialistas.

Antes de mais, a calma é o melhor aliado dos pais para responder a perguntas como: "O que é violação? O que é sexo consentido? O que é sexo anal?" O ideal é “chamar as coisas pelos nomes para falarmos todos a mesma língua e minimizar os equívocos”, aconselha Rui Ferreira Carvalho, médico interno de psiquiatria da infância e adolescência do Centro Hospitalar Lisboa Norte (que inclui os hospitais de Santa Maria e Pulido Valente). O também coordenador-geral do projecto de educação sexual SexED e membro da direcção da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica (SPSC) defende que se deve ensinar desde cedo os nomes científicos dos órgãos sexuais.

Nisto de “chamar as coisas pelos nomes”, Ferreira Carvalho vai ao encontro da autora do livro com esse mesmo título, Vânia Beliz, licenciada em psicologia clínica, mestre em sexologia. “Não existem termos 'suaves'”, diz a psicóloga. “Quando conversamos sobre qualquer assunto, devemos ter a preocupação de perceber se estamos a ser compreendidos e devemos deixar a possibilidade de a criança perguntar, à sua maneira, ajudando-a a reflectir sobre as suas questões”, continua a especialista em educação sexual. "Se há uma pergunta, terá de haver uma resposta."

Ao falar abertamente, está a proteger o seu filho: “Crianças e adolescentes que têm informação de qualidade, ao longo de seu desenvolvimento, sobre assuntos sexuais estão seis vezes mais protegidos de abordagens sexualmente abusivas do que os seus pares que não tiveram acesso a conhecimento nessa área”, assegura a pedagoga brasileira Caroline Arcari, mestre em educação sexual e responsável por um projecto na área de prevenção da violência sexual, premiado no Brasil.

“A educação sexual é fundamental para a protecção, mas também para evitar a formação de agentes de violência (abusadores)." Por isso, é importante falar sobre “consentimento, diferença entre toques de afecto e toques abusivos, autonomia corporal”, enumera.
É importante ensinar aos mais novos que “ninguém pode tocar no corpo de outra pessoa sem o seu consentimento” e que “tem o direito a dizer 'não', quando não quer que outra pessoa lhe toque, ou se sinta forçado a alguma prática sexual que não quer”, aconselha Paula Pinto, coordenadora da Comissão de Educação Sexual da SPSC e do serviço Sexualidade em Linha – 800 222 003. Explique-lhe que no caso de acontecer, é crime e que deve ser denunciado.

“'Não' é não. 'Não' quer sempre dizer 'não'. E um 'não' tem de ser respeitado”, sublinha o pedopsiquiatra Ferreira Carvalho para o qual “é de extrema importância perceber que a aplicabilidade do consentimento à actividade sexual (e portanto 'sexo consentido') implica a comunicação entre as partes envolvidas”. Vânia Beliz acrescenta que “as crianças sabem o que é namorar e que existem relações sexuais”, logo, continua, “é importante que saibam que as pessoas estão juntas se ambas quiserem e que devem respeitar as decisões umas das outras”.

Inocente até prova em contrário
Se o seu filho perguntar se Cristiano Ronaldo é culpado, deve explicar-lhe que toda a gente tem direito à presunção da inocência até prova em contrário e não pode ser julgado na praça pública. “Devemos debater esta questão com a maior serenidade, sem tirar conclusões precipitadas”, argumenta Ferreira Carvalho. Deve, então, esclarecer que o que “está a ser discutido é algo sério e grave, que deve seguir o seu rumo dentro dos mecanismos disponíveis”, continua, aconselhando ainda a nunca criticar ou insultar potenciais vítimas de abuso sexual ou de violação porque um comportamento destes pode levar a vítima a silenciar e a guardar segredo.

“A violação, o abuso, a violência sexual pode vir de qualquer lado, normalmente de alguém próximo e quase sempre envolve poder, ameaça, medo; o silêncio surge exactamente do medo e do receio da exposição da intimidade”, realça Vânia Beliz.

Já Paula Pinto prefere não abordar o caso de Ronaldo, mas diz que se um caso mediático coloca em discussão temas relacionados com práticas sexuais, “é importante que a resposta vá de encontro às necessidades [da criança ou do jovem], interesse e curiosidade, sempre, em função da sua idade”.
Deve sempre perguntar ao seu filho onde é que ouviu falar, o que ouviu ou o que sabe sobre o assunto, assim pode adequar a resposta à sua fase desenvolvimento e compreensão. “A sexualidade faz parte do desenvolvimento de todas as pessoas, influencia pensamentos, sentimentos e acções. A criança começa por tomar consciência do seu sexo biológico (pénis/vagina), a identificação com o género feminino/masculino; e torna-se cada vez mais consciente do seu corpo e do corpo do outro. Aqui é importante introduzir a noção de limites, de privacidade”, defende a psicóloga clínica e terapeuta sexual.

E Ronaldo pode continuar a ser um ídolo para os nossos filhos? “Devemos explicar-lhes que a situação está a ser investigada e que agora existem muitas opiniões. Devemos sensibilizar para o perigo da informação errada como as fake news e de como isso pode prejudicar a vida das pessoas”, responde Vânia Beliz. Para Caroline Arcari “é fundamental” que as crianças tenham ídolos, mas esses devem “representar valores éticos para além da fama e do sucesso”, conclui.»
[In Público pt]


Esta secção de perguntas e respostas é para adultos.

P - Por que é que o Bloco de Esquerda odeia Cristiano Ronaldo e ama uma angariadora de clientes de Las Vegas?
R – Nem todo o Bloco, mas há mulheres e homens do BE, que odeiam CR7 e amam KM, porque são frontalmente contra o Estado de Direito, porque acham que quem acusa tem razão, especialmente quando está a mentir.

P – Por que é que o Santo Ofício ou Inquisição, em Portugal, prendia os homens casados, porque as esposas os acusavam de lhes terem ido ao cu?
R – Porque a obtenção de prova era muito fácil. Torturavam selvaticamente os maridos e conseguiam as tais provas, mesmo que nunca tivessem sodomizado as esposas.


P – Por que é que uma feminista radical e deputada do PS, deu a entender que odeia CR7 e que apoia a alternadeira de Las Vegas KM, no programa da TVI Prova dos Noves (oficialmente «Prova dos 9»), ontem?

R – Porque acha que CR7 é o demónio e porque acha que uma alternadeira de Las Vegas, uma angariadora de clientes masculinos para uma discoteca de Las Vegas, a alternadeira K M, é uma mulher casta e santa, que fala sempre verdade, mesmo quando está a mentir.


P – Por que é que não atacas aquele gajo do PSD de óculos, desse programa? o indivíduo é professor de Direito, mas tem cara de parvo.

R – Tenho-o atacado e muito neste blog. Por exemplo, ele defendia que os «Tratados Europeus» se sobrepunham à Constituição de Portugal, isto é, na prática, que a Alemanha é que devia e deve mandar em Portugal e não os portugueses, mais objectivamente que Portugal devia e deve ser uma colónia da Alemanha. Eu ataquei-o porque acho que quem deve mandar em Portugal são os portugueses.


P – No casamento também há violações, há homens que violam as esposas e esposas que violam os maridos. Conheço um caso de uma esposa que violou o marido. Há ou não há violações entre marido e esposa?
R – Não percebo é como a esposa violou o marido.

P – Faço perguntas e quero respostas claras, a esposa que violou o marido, deu-lhe um tiro na cabeça. Violou o marido quando lhe deu um tiro na cabeça. É ou não violação?


P – Pensei que eras bloquista. Tás c’os copos?
R – Um livre-pensador não pode ter partido político. Para fazer crítica à crítica não se pode estar ligado a nenhum partido político. Já reparaste que se fosse bloquista não podia fazer crítica à crítica dos bloquistas.

Repito um livre pensador não pode fazer parte de nenhum partido político, nem de uma organização de apoio aos taxistas, nem de uma organização contra os taxistas.