domingo, 22 de julho de 2018

SIC futebol sem bola, TVI 24 futebol sem bola, RTP3 futebol sem bola ou a autopublicidade enganosa na televisão por cabo


SIC Notícias é de facto, SIC futebol sem bola; TVI 24 seria um canal de notícias, mas é um canal de futebol sem bola; RTP 3 devia ser um canal de notícias, as é um canal de futebol sem bola.
Há uma hipervalorização do futebol sem bola nestes canais que não corresponde a nada que não seja a publicidade excessiva a uma modalidade desportiva, no que ela tem de pior.
Podiam era mudar o nome aos canais e a SIC Notícias passara chamar-se SIC Desporto, a TVI 24 passar a chamar-se TVI Desporto e a RTP 3 passara chamar-se RTP Desporto, os nomes seriam mais objectivos.

sábado, 21 de julho de 2018

Donald Trump - racional ou irracional? - análise

«SOBRE TRUMP



A PROPÓSITO DA CIMEIRA DE HELSÍNQUIA
Resultado de imagem para cimeira de helsínquia

Acabei de ouvir os comentadores da Quadratura do Círculo falar sobre Trump a propósito da cimeira de Helsínquia. E estou muito longe de partilhar a ideia, por eles unanimemente defendida, de que o actual Presidente dos Estados Unidos é um louco, que actua erraticamente, sem qualquer estratégia, lançando o caos nas relações internacionais, nomeadamente entre os seus tradicionais aliados.

Apesar de já estar no poder há cerca de ano e meio não é tão fácil como habitualmente interpretar a estratégia do Presidente norte-americano. E não é, porque Trump, não sendo um homem do establishment, tem tido muita dificuldade em impor aquilo a que se poderia chamar a sua linha política. Errou, do ponto de vista dele, na formação do Governo e da composição da Casa Branca. Por isso, teve de fazer alterações, por vezes bruscas, outras de difícil compreensão, tudo isto em consequência das cedências e recuos que se viu obrigado a fazer. Daí um certo comportamento errático, absolutamente inabitual num político saído de dentro do sistema.

Por outro lado, Trump é pouco elaborado intelectualmente, mais parecendo um “popular” que embora tenha uma ideia do que quer fazer e acredite nela, a expõe quase sempre com desconcertante simplismo e ainda menor eloquência. Como é sensível à reacção dos que o escutam, tanto dos que se situam no seu campo, como daqueles cuja força da opinião lhe pode causar dano, não tem qualquer dificuldade em dar a entender que mudou de posição, fazendo-o com a mesma leveza com que deturpa a verdade, mas sempre com vista manter o essencial do que considera importante para sua acção política.

Este tipo de comportamento, próprio do empresário para quem o objectivo primordial é o lucro, influencia decisivamente a sua acção política.


Trump foi eleito, como se sabe, com os votos dos desempregados, das vítimas da globalização, em suma, de todos daqueles que têm dificuldade em compreender que sendo a América tão forte, tão poderosa, teoricamente presente nos quatro cantos do mundo, tem tanta gente dentro das suas fronteiras não apenas vivendo tão mal, mas, pior do que isso, tendo perdido completamente a esperança de poder vir a viver melhor.

Daí que, no pano interno, os seus inimigos sejam aqueles que conduziram a América a esta situação e os que, vindos de fora, estão a prejudicar os verdadeiros americanos, ou seja, aqueles que durante mais de meio século constituíram a classe média americana, oriunda das classes trabalhadoras.

Para combater esses inimigos é preciso cerrar as portas à imigração, desde logo à gigantesca imigração ilegal na sua esmagadora maioria proveniente da América Latina, e é preciso também onerar aqueles que estão a arruinar a América vendendo-lhe produtos que deixaram de ser produzidos nos Estados Unidos, exportando-lhe com eles desemprego e desolação.

No contexto desta perspectiva, Trump vê a América como uma empresa, uma empresa sem outra ideologia que não seja o lucro. As empresas não têm por função segregar ideologia ou fazer a defesa de “valores” que desempenhem um papel fundamental no plano ideológico.

Nunca ninguém até hoje ouviu Trump falar na defesa dos “valores” americanos, da “democracia”, enfim, de toda essa ladainha com que os americanos desde há quase um século têm cimentado a sua hegemonia política.

Trump está fora desse mundo. Trump vê o mundo como um campo de acção concorrencial, onde o mais forte tenta esmagar o mais fraco, retirando-o do mercado ou limitando-lhe o mercado. Mas como qualquer empresário Trump também percebe que, sendo esse o objectivo, dificilmente o poderá alcançar por inteiro. Daí que tenha que negociar com a concorrência e aceitar a sua presença no mercado se ela for suficientemente forte para não sucumbir às suas arremetidas.

É neste contexto que ganham sentido e racionalidade as suas relações com a Rússia, com a União Europeia, com a Ásia, principalmente com a China.


Para Trump a Rússia não só não é concorrente perigoso como até lhe pode ser útil na luta contra os seus verdadeiros inimigos. Como empresário, Trump sabe do que fala. Sabe que a Rússia não ameaça a sua “America First”. Essa ameaça vem de outras paragens. Desde logo dos seus vizinhos do Norte e do Sul em consequência dos tratados negociados por políticos americanos que “desgraçaram” a América e cujas vantagens ideológicas, que deles pretendiam obter, em nada interessam a América, porque não a engrandecem, apenas a empobrecem. Depois vem a União Europeia, um inimigo de peso, um inimigo que vive à custa da América, que lhe custeia quase integralmente os custos de defesa militar e lhe “dá” como contrapartida uma balança comercial fortemente deficitária, o que é na mundividência de Trump é algo de absolutamente inaceitável. Daí que Trump tudo tenha feito para desarticular a UE e, se bem se reparar, quando admite que alguém na Europa o possa ajudar nesses objectivo (como chegou a supor que poderia acontecer com o Reino Unido depois do Brexit) o que lhe oferece como recompensa não é um tratado de defesa ou um reforço da sua capacidade militar, mas …um vantajoso tratado de comércio!

Finalmente, a Ásia, principalmente a China, à qual, depois de ter declarado guerra comercial, enfraquecendo-a, procura igualmente roubar aliados. E é nesse contexto que tem de ser interpretadas as “negociações” com a Coreia do Norte, muito difíceis de levar a cabo por se depararem com a feroz oposição do establishment americano que tudo, mas tudo, fará para as boicotar. Trump está mais interessado em “roubar” este aliado à China do que em manter na península coreana uma pujante base militar que, para a sua “guerra”, de pouco lhe serve.

Os actos políticos de Trump mais difíceis de explicar são o abandono do tratado nuclear com o Irão e a mudança da embaixada americana de Telavive para Jerusalém Embora muitos vejam no petróleo a motivação fundamental destas suas decisões bem como a consequente importância estratégica do Médio Oriente para os Estados Unidos, a verdade é que não sendo estes os pressupostos que têm orientado a política de Trump, seja mais fácil explica-los em função da influência israelita na política americana a que Trump não consegue escapar. Mas serão actos que, embora simbolicamente importantes, terão menos relevância do que se supõe. De facto, a Rússia já se encarregou de desarmadilhar parte da sua importância política, reiterando defender a segurança de Israel com múltiplas cumplicidades militares à mistura, não obstante manter uma relação privilegiada com Teerão.

Quem sofre mais com tudo isto e quem tem mais dificuldade em compreender o actual Presidente americano são os aliados tradicionais da América que, tendo ficado ideologicamente órfãos, vão passar um mau bocado para se recompor. Tanto pior quanto maior for a incerteza acerca da duração desta política.

Concluindo: será Trump um perigo para a humanidade, como amiúde se ouve dizer e se teme? Trump, antes de poder ser um perigo para a humanidade, é um perigo para si próprio. Não é de pôr de parte a hipótese de Trump ser um alvo a abater se persistir em levar à prática as suas ideias. Mas acaba também por ser um perigo para a humanidade por estar sujeito ao cerco feroz do establishment americano, o que numa personalidade como a sua, alicerçada num populismo que não pode admitir fraquezas, sob pena de se desmoronar, a pode levar à prática de actos de grande exibicionismo político, de funestas consequências, para manter intacta a ideia de que não sucumbe à acção dos concorrentes.

Esta é uma tentava de explicação, politicamente incorrecta, da acção política de Trump.»

[J M Correia Pinto in blog Politeia]

As carnificinas ditas democráticas

A Europa Ocidental, em termos de selvajaria tem um curriculum de alta categoria - A escravatura, a Inquisição Católica, o nazismo, as selvajarias francesas na Guerra da Argélia.
Guantánamo e as respectivas sucursais representam o regresso das práticas nazistas.
As carnificinas praticadas pelo Estado de Israel, apoiadas politicamente e financiadas pela NATO, pela União Europeia e pelos Estados Unidos são anteriores a Trump.

As selvajarias democráticas, as carnificinas democráticas, praticadas pelo Estado de Israel são anteriores a Trump e reflectem a barbárie irracionalista do chamado Ocidente.

Dizem que Donald Trump é um homem de negócios, primeiramente interessado em negócios. Não é verdade no caso do apoio a todas as barbaridades do Estado de Israel. O apoio dos Estados Unidos a toda a barbárie israelita é um mau negócio, esse apoio tem a ver com as necessidades sádicas de algumas pessoas, com a necessidade de fazer mal, com a necessidade de ter prazer em causar sofrimento a terceiros.

Um dia pode ganhar as eleições nos Estados Unidos um novo Trump que não apoie a barbárie israelita. Nessa altura acabará a barbárie israelita e os palestinianos serão de novo considerados seres humanos.



Os judeu foram vítimas da Inquisição Católica e do nazismo. A maioria dos dirigentes do Estado de Israel e a maioria das pessoas que votam pensam assim:

- 'Se os nazis praticaram o Mal Absoluto, nós também o devemos praticar, aprendemos com eles'.

"Israel: um novo Estado racista




José Pacheco Pereira no Público de hoje:
«Sempre fui amigo de Israel e não só pelas razões que vêm do Holocausto. Era também por outras razões, desde aquelas a que, no tempo da fundação do Estado de Israel, o seu primeiro amigo, a URSS, e o Avante! eram pró-israelitas contra “as monarquias feudais árabes”, até aos eventos mais recentes que colocavam uma pequena democracia armada no meio de inimigos governados por ditaduras, umas mais cruéis do que as outras, mas nenhuma recomendável. Havia muita coisa que era genética no Estado de Israel, fundado por sionistas que eram na sua maioria socialistas, e que tinham ideias utópicas sobre a sociedade, construíram os kibutz no meio dos desertos, e os políticos não usavam gravatas, eram muitas vezes mulheres de força num oceano de homens por todo o lado, Europa e Oriente, e havia uma pulsão igualitária pouco comum. E era um país eficaz pela necessidade absoluta de estar rodeado de inimigos, ia apanhar nazis na América Latina e julgava-os, tinha os melhores serviços de informação, e um exército de cidadãos comandado pelo mérito que os promovia a oficiais.
Claro que Israel tinha também lados negros igualmente genéticos. Para se constituir como Estado expulsara, com a colaboração de muitos dirigentes árabes que lhe fizeram o jogo criando uma situação de alarme, uma parte da população que vivia em cidades como Jaffa, violou até hoje os termos reconhecidos pela comunidade internacional das suas fronteiras com a instalação de colonatos, tinha no seu seio comunidades judaicas tão fundamentalistas como os seus vizinhos muçulmanos, e, nos últimos anos, recorreu a métodos de terrorismo de Estado em várias terras vizinhas a começar por Gaza. Com a direita no poder e Benjamim Netanyahu tudo se agravou e já estão longe as perspectivas de paz assentes na solução dos dois Estados, que estiveram quase a ser consagradas no tempo de Yasser Arafat. Agora não foi sequer a gota de água, foi uma torrente que se abriu com a nova lei da nacionalidade que institui na prática uma situação de apartheid e de racismo.
Quando se pergunta de onde vem o súbito agravamento da situação internacional em vários focos, no Irão, na Coreia do Norte, no Médio Oriente, a resposta é Trump. Não é o único, mas é o principal. Foi ele que deu carta-branca à monarquia absolutista saudita e a Benjamim Netanyahu, e no dia seguinte, ainda o avião presidencial americano voava de regresso, a Arábia Saudita agravou as hostilidades no Iémen, e voltou-se contra o Qatar, e, em Israel, iniciou-se a mais inútil das escaladas com a deslocação da embaixada americana para Jerusalém em desprezo do direito internacional, e o Exército israelita começou a atirar a matar contra manifestantes em Gaza. Duas cartas-brancas e dois conflitos que imediatamente se agravaram, com Trump a colocar-se do lado sunita de uma velha guerra religiosa e geopolítica contra os xiitas, e a bater palmadinhas nas costas do seu “querido Bibi”, envolvido ele e a sua família em escândalos de dinheiros e benefícios próprios.
Como é óbvio, o “querido Bibi” acossado pela Justiça empurrou a actual legislação racista que acaba com os últimos traços de um Estado de Israel que pertencia a judeus e árabes, assente na “completa igualdade de direitos políticos e sociais (...) para todos os seus habitantes”, independentemente de religião, raça e sexo, como se lia na Declaração de Independência de 1948.
Agora, passa a haver uma situação que institucionaliza o estatuto de cidadãos de segunda, aos árabes israelitas, muitos dos quais, aliás, são cristãos, retirou o árabe de língua oficial de Israel e tornou Israel uma variante de Estado mais parecido com a teocracia iraniana. Israel era um pólo cosmopolita numa zona do mundo cada vez mais envolvida em ancestrais conflitos de religião e poder, agora tornou-se mais uma nação do Médio Oriente, mais parecida com os seus vizinhos na sua recusa da democracia e do primado da lei. Esta legislação é racista e num país como Israel implica uma nova forma de apartheid, mas é acima de tudo um golpe no que de melhor tinha Israel, que era ser uma democracia num mar de ditaduras. Mais um passo no caminho da crise mundial das democracias.
Resistam ou vão a caminho da servidão, moderna, tecnológica, “social”, branca, bruta e malévola.»"

[Cit in blog Entre as brumas da memória

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Mulheres e copos - Juncker contagiado pelos hedonistas do Sul da Europa - análise

Jean-Claude Juncker bêbado é mais relevante do que sóbrio. 
A  União Europeia está cheia de contradições. E aquela União Europeia para onde se entrava para que o nível de vida dos novos países se aproximasse do nível de vida dos países mais desenvolvidos? Onde está?
A União Europeia é o que é e não o que devia ser.

 "«O homem cambaleante, mas bem-disposto, afinal, estava sofrendo de um súbito ataque de ciática. Assim foi diagnosticado por António Costa, pelo chefe de governo holandês e pelo próprio porta-voz da Comissão Europeia, este em jeito de boletim clínico, assim todos nos tratando como néscios europeus. Amparado pelos membros superiores de altos dignitários de Estados-membros mais superiores ou mais inferiores, Jean-Claude Juncker conseguiu descer do palanque e caminhar sem antes dar os seus etílicos beijos. Uma ciática de muitos graus!
Eis, diante de nós, um pormenor desta Europa política. Guiada não por estadistas, que esses já quase não existem, mas por políticos vulgares que não se dão ao respeito, nem servem de exemplo credível. Tudo boa rapaziada, numa qualquer função ou disfuncionalmente, entre beijos, abraços e cachecóis de futebol, cheios de “non-papers” e, não raro, vazios de ideias e estratégias. Nas cimeiras aparecem-nos sempre entre sorrisos tão falsos quanto enfastiados, tweetando das salas e corredores para o mundo, fotos de família aparentemente unida, decisões sem decisão. Aparentam andar felizes, entre bolinhos, croquetes, bebidas espirituosas e amendoins. A mediocridade tomou conta do directório europeu.
Esta é a Europa que nos querem prodigalizar. Esta é a Europa que dão a entender aos jovens de hoje como sendo o seu farol à distância de uns euros com que tudo julgam ou fingem comprar.
O poliedro europeu atingiu a sua plenitude de imperfeição. Países do Leste são sinceros: só lá estão pelo dinheiro e quanto ao resto estão-se borrifando para as regras básicas da democracia. Na Hungria, o músculo é que conta e ninguém cora pela criminalização da ajuda a desvalidos imigrantes. Na Polónia, essa coisa da separação de poderes foi ao ar, apesar da fingida ameaça de Bruxelas. Visegrado é o itinerário da nova peregrinação contra os que não são deles. A Alemanha já não é o que era e a chanceler – antes odiada como o diabo personificado, ora louvada como o exemplo do equilíbrio e sensatez – limita-se a mudar a cor da jaqueta em razão dos seus aliados e adversários internos ou externos. O Reino Unido procura, com um "Brexit" voluntarista e atamancado, ficar fora da União, mas com um pé dentro, para substituir o estar na União, mas com um pé fora. A primeira-ministra britânica anda aos papéis sem ninguém a avisar do papel que está a fazer! O Presidente francês, sem o ar soberbo e presunçoso dos que o precederam, lá vai tentando aparentar que a França ainda é importante. No Sul, a música é variada e para todos os gostos. Nós, sempre a fazer o papel do bom aluno, seja no ciclo austeritário, seja no ciclo reversitário, com os salamaleques do costume perante figurinhas de doutos comissários e outros altos funcionários de uma bem instalada Comissão. Em Espanha, depois do justo castigo de corruptos e corruptores, está agora uma "geringonça" de largo espectro, entre engasgadelas sobre as autonomias e independentismos e mais preocupada com magnos problemas para o bem-estar da população, como são a “estrutura” do Vale dos Caídos ou as inadiáveis reformas fracturantes. Na Itália, eis a total imprevisibilidade de um governo que olha para a Europa como a Antárctida olha para a Amazónia. Quanto à Grécia desgravatada, a Europa convenceu-a que tem futuro e lá anda a esquerda do poder a fingir que o é.
Encharcada em questões de minorias ruidosas e mediáticas, por mais respeitáveis que sejam, a Europa esquece os problemas das maiorias sem voz europeia. Possuída pelas políticas monetárias e subjugada ao magno poder banqueiro, é incapaz de ir além de meras declarações românticas sobre os paraísos e escapatórias fiscais. Nesta Europa decadente de valores, axiologicamente relativista, espiritualmente desertificada, só parecem contar os euros como forma de exercício de poder e permuta de influências. O financeiro domina o político e determina o económico. O social – apesar dos discursos – não é uma premissa, antes um resultado meramente adjectivo.
Esta Europa, sem verdadeira liderança, é lenta e preguiçosa nos actos, atrasada nas decisões, prolixa no palavreado. Na União (!), todos se demarcam de todos! Todos iguais, todos diferentes. Todos solidários, todos egoístas. Todos unidos, todos de costas voltadas. Todos em cadeia, todos encadeados.
Sem visão e sem liderança, a União caminha aos solavancos, não em geometria variável, mas em cacofonia assimétrica. Incapaz de responder, em tempo certo, aos desafios da globalização, a Europa deste alucinante inverno demográfico menospreza a ideia de família e passa de Velho Continente a Continente velho, no nevoeiro de crescente irrelevância. Entre um Trump errático e disruptivo, um Putin ardiloso e jogador de xadrez e um dragão chinês paciente, estratégico e insensível aos direitos humanos, Juncker definiu, ainda que burlescamente, o estado da “Nação Europeia”: sem rumo, trôpega, embriagada com tanta ciática institucional. Será contagiosa?»

António Bagão Félix"

[Cit in blog Entre as brumas da memória]

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Mérito é mérito - Ter o mérito de andar a comer uma mulher muito rica

Discordo da aparente sacralização das gajas e dos gajos da alta burguesia. A subserviência a estes gajos e a estas gajas representa a adopção da moral do escravo, tal como a definiu Friedrich Nietzsche.

«Porno-riquismo



Há um novo estilo emergente de reportagens dedicadas ao porno-riquismo dos novos donos estrangeiros, ou como se o fossem, disto tudo. O porno-riquismo é a nova fase do consumo conspícuo num tempo de capitalismo com desigualdades pornográficas.

Atente-se na capa da última revista do Expresso: “Jantares de 550 euros por pessoa, relógios que custam mais de 20 mil euros, casas alugadas por 1750 euros ao dia. Este é o mapa de um país que está a aprender com os estrangeiros a amar o luxo”.

Um país, realmente. E não se esqueçam de repetir com o Primeiro-Ministro: não há dinheiro.

A reportagem – Portugal, império do luxo –, da autoria de Catarina Nunes, termina com uma pergunta que é todo um programa: “Será que entre a sofisticação de Lisboa e a autenticidade da província, Portugal é o barómetro mundial do novo luxo?”. Será?

E pelo meio temos pérolas de classe como esta:

“Esta cidade da vida de muitos estrangeiros, fervilha alheia à gentrificação, ao desalojamento dos lisboetas e aos preços exorbitantes do imobiliário. Miguel Guedes de Sousa concorda que a capital não pode perder a vivência genuína que cativa os estrangeiros, mas ‘não podemos ter pessoas de classe média ou média baixa a morar em prédios classificados’. A solução para o CEO da Amorim Luxury passa por a Câmara Municipal de Lisboa arranjar alternativas.”

Nesta altura, lembrei-me de Warren Buffet – “a luta de classes existe e a minha classe está a ganhá-la”.

Guedes de Sousa, como nos informa a reportagem, é casado com Paula Amorim. E daí a Amorim Luxury. Paula Amorim é uma das herdeiras da maior fortuna nacional. Como todas as grandes fortunas, esta foi construída com recurso a expedientes duvidosos. Não é só a fase de acumulação original que os tem. Duvidoso é também, como indica o insuspeito Thomas Piketty, este capitalismo cada vez mais de herdeiros. Guedes de Sousa tem o mérito de resumir numa frase, para a questão da habitação, a que condensa todas as contradições de classe, a arrogância do dinheiro quando está concentrado em poucas mãos, quando não tem qualquer medo, nem freios e contrapesos políticos à altura.

Eu bem sei que é fácil uma pessoa deixar-se dominar pelo desespero perante este império do capital. Mas é preciso nunca perder a esperança. As coisas já foram diferentes e podem voltar a sê-lo. Não estamos condenados ao porno-riquismo e ao capitalismo que lhe subjaz. Não podemos estar.

Alterei o texto, colocando um hífen na palavra nova para um tempo de desigualdades pornográficas: porno-riquismo.»

[João Rodrigues, in blog Ladrões de Bicicletas]

terça-feira, 17 de julho de 2018

Tusk ou o sucesso dos espiões

A espionagem é boa ou má conforme o lado de quem a analisa. Há espiões bons e espiões maus, conforme o ponto de vista. A espionagem também dá para subir na vida e muito.
As ditaduras só são más exercidas pelos inimigos, exercidas pelos próprios nem se chamam ditaduras, chamam-se Troika, Não há alternativa, Ajustamento, Desvalorização interna.

A Guerra Fria anti-Rússia é alimentada por aqueles que têm desejos necrófagos. E se houvesse uma guerra total da NATO contra a Rússia? A espécie humana sobreviveria a essa guerra?




«Trump e a burocracia da OTAN

Contrariamente ao pensamento dominante, a cimeira da OTAN não opôs os Estados Unidos aos outros membros da Aliança, mas sim o Presidente Trump à alta Administração inter-governamental. Para Thierry Meyssan, o problema não é o de saber se se aprecia, ou não, a personalidade do locatário da Casa Branca, antes se o apoiam porque foi eleito pelo seu povo, ou se o preferem aos burocratas do sistema.

| Damasco (Síria)
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Convocado à residência do Embaixador dos Estados Unidos em Bruxelas pelo Presidente Trump, o Secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, foi criticado em público pela sua incapacidade de manter a coerência política da Aliança.
Desde de 20 de Janeiro de 2017, a chegada à Casa Branca de um partidário do capitalismo produtivo altera a ordem internacional em detrimento dos partidários do capitalismo financeiro. O imperialismo, que era até aqui cegamente defendido pelos Presidentes dos Estados Unidos, a tal ponto que o colávamos à política exterior dos EUA, apoia-se agora sobre burocracias, na primeira fila das quais figuram as administrações da OTAN e da UE.
Donald Trump, ao agir como tinha anunciado durante a sua campanha eleitoral, é um eleito muito previsível. No entanto a sua capacidade para mudar o sistema é, essa, no entanto, imprevisível. De momento ele nem foi assassinado como John Kennedy, nem forçado à demissão como Richard Nixon [1], e prossegue a sua rota, dando dois passos à frente e um atrás.
Os Ocidentais esqueceram-no, mas, na República, o único papel dos eleitos é controlar as administrações dos Estados que governam. No entanto, progressivamente, um «pensamento único» impôs-se a todos, transformando os eleitos em Altos-funcionários e os Estados em ditaduras administrativas. O conflito entre o Presidente Trump e os Altos- funcionários dos seus predecessores é, portanto, uma simples tentativa de retorno ao normal. É também um conflito titânico, comparável àquele que opôs os dois governos franceses durante a Segunda Guerra Mundial [2].
Escaldado pela Cimeira da OTAN, de 25 de Maio de 2017, na qual Donald Trump impôs juntar a luta contra o terrorismo aos objectivos da Aliança, e pela do G7, de 8 e 9 de Junho de 2018, onde Donald Trump recusou assinar a Declaração Final, a Administração da OTAN tentou preservar os objectivos do imperialismo.
- Primeiro, ela assinou uma Declaração conjunta com os seus homólogos da União Europeia, na véspera da Cimeira [3]. Desta forma, assegurava um laço de subordinação da U.E. à OTAN, instituída pelo artigo 42 do Tratado de Maastricht. Esta Declaração foi assinada pelo Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, e pelo da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. O Polaco (Polonês-br) Tusk é originário de uma família que trabalhava secretamente para a OTAN durante a Guerra Fria, enquanto o Luxemburguês Juncker é o antigo responsável dos Serviço Secretos da Aliança no seu país (Gládio) [4]. Os Altos-funcionários Europeus sabem-se ameaçados desde que o antigo Conselheiro especial de Donald Trump, Steve Bannon, veio à Itália apoiar a criação de um governo anti-sistema com o propósito evidente de dinamitar a União Europeia.
- Em segundo lugar, a Administração da OTAN fez assinar o rascunho de Declaração Comum no início da Cimeira e não no seu fim [5]. Não houve, portanto, debate da doutrina anti-russa da Aliança.
Consciente da armadilha que lhe era estendida, o Presidente Trump decidiu surpreender os seus funcionários. Enquanto todos os participantes esperavam uma polémica sobre a fraca contribuição financeira dos Aliados para o esforço de guerra comum, Donald Trump pôs em causa o fundamento da Aliança: a proteção face à Rússia.
Convocando para a residência do Embaixador dos EUA, o Secretário-Geral da Aliança, Jens Stoltenberg, na presença da imprensa, ele observou que a Alemanha alimenta a sua economia com gás do seu «amigo» russo exigindo, ao mesmo tempo, ser protegida do seu «inimigo» russo. Ao apontar esta contradição, relegava para segundo plano a questão do financiamento que, no entanto, não abandonou. Acima de tudo, uma semana antes de seu encontro com o Presidente Vladimir Putin, ele tornou irrelevante o longo requisitório contra a Rússia contida na Declaração de abertura da Cimeira.
Contrariamente aos comentários da imprensa, esta observação do Presidente Trump era mais destinada ao próprio Stoltenberg do que à Alemanha. Ela sublinha a incúria deste Alto-funcionário, o qual administra a OTAN sem se interrogar sobre a razão de ser da Aliança.
O confronto entre a Casa Branca e Bruxelas [6] prossegue.
Por um lado, a OTAN acaba de avalizar a criação de dois centros de comando conjunto (em Ulm, Alemanha e Norfolk, EUA) ... e o aumento do seu pessoal em 10%. Enquanto a União Europeia acaba de criar a «Cooperação Estruturada Permanente» (um programa de financiamento dotado de 6,5 mil milhões de euros), e ao qual a França acrescentou a «Iniciativa Europeia de Intervenção» (um programa operacional). Contrariamente aos discursos sobre a independência europeia, estas duas estruturas estão sujeitas ao Tratado de Maastricht e estão, portanto, ao serviço da OTAN. Elas aumentam a complexidade da burocracia europeia, para grande satisfação dos seus Altos-funcionários.
Por outro, o Presidente Trump iniciou, discretamente, conversações com o seu colega russo tendo em vista retirar as tropas da Rússia e da OTAN da sua linha de frente.
Tradução
Alva
[1] Richard Nixon foi, é certo, forçado à demissão devido à sua responsabilidade no escândalo do Watergate. Mas, este só existiu por acção do delator «Garganta Profunda», na ocorrência Mark Felt, um dos assistentes de J. Edgar Hoover.
[2] A favor da Guerra Mundial e da derrota, a Assembleia Nacional, reunida na estância termal de Vichy, a 10 de Julho de 1940, proclama «o Estado Francês», revogando de facto a República. Esta mudança de Regime era apoiada, desde há longo tempo, por grupos e partidos anti-parlamentares. A partir daí, a França foi representada por dois governos concorrentes : o legítimo, da República, no exílio em Londres, e o legal, do Estado, em Vichy. Em Agosto de 1944, o governo da República foi reinstalado por de Gaulle, em Paris, enquanto o do Estado prosseguiu na Alemanha, em Sigmaringen, até Abril de 1945.
A confusão entre a República francesa e o Estado francês é actualmente corrente, a tal ponto que se utiliza, indistintamente, para designar o Presidente da República o nível protocolar de «Chefe de Estado» e o título de «Chefe do Estado».
[3] « Déclaration conjointe sur la coopération entre l’UE et l’OTAN » («Declaração conjunta sobre a cooperação entre a UE e a OTAN»- ndT), Réseau Voltaire, 10 juillet 2018.
[4] « La guerre secrète au Luxembourg », par Daniele Ganser; « Luxembourg : Jean-Claude Juncker refuse de démissionner pour le Gladio » (Luxemburgo : J. Claude Juncker recusa demitir-se por causa da Gládio»- ndT); « Gladio-Luxembourg : Juncker contraint de démissionner », Réseau Voltaire, 4 et 10 juillet 2013.
[5] « Déclaration d’ouverture du sommet de l’Otan », Réseau Voltaire, 11 juillet 2018.
[6] Bruxelas é simultaneamente a sede da OTAN e a da U.E.»

[ In Red Voltaire]

A Croácia marcou 3 golos e a França outros 3 e a França ganhou o Campeonato do Mundo

A França ganhou o Campeonato do Mundo de futebol da Rússia, marcando 3 golos, tantos como a Croácia.
A questão é fácil de explicar, a Croácia marcou um golo na pópria baliza.
Nesta final a Croácia jogou muito desconcentrada, acusando o stress da final da pior maneira. Os croatas parece que tinham medo dos franceses e eram 11 contra 11. Para acalmar esse medo de perder marcaram logo um golo na própria baliza.

sábado, 14 de julho de 2018

Juncker bêbado

Uma das notícias mais interessantes que li sobre política internacional foi o facto de Juncker aparecer bêbado, de vez em quando, em público.
Quando leio um texto sobre Trump, geralmente diz tudo e o seu contrário, o racionalismo está a desaparecer dos textos sobre política internacional em língua portuguesa.
O trinunfo do irracionalismo é simbolizado por Jean-Claude Juncker bêbado.
Juncker pior que bêbado só sóbrio.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Crítica de um italiano da Esquerda à NATO




«A NATO, em expansão e cada vez mais cara, alastra-se pela Europa

Agindo como órgãos programados desde a sua criação, as Administrações da NATO e da União Europeia, prosseguem o seu projecto afastadas de qualquer controlo político. As burocracias militares e civis resultantes da ocupação norte-americana da Europa Ocidental, pretendem defender os interesses da elite transnacional sem se preocupar com a vontade dos povos.

| Roma (Itália)
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A Comissão Europeia e o Secretariado-Geral da NATO fizeram preceder a Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da Aliança, pela assinatura de uma Declaração Conjunta. Para essas Administrações tratava-se de impossibilitar o sistema que gerem de maneira a impedir que as (autoridades) eleitas o contestassem.
Em 11 e 12 de Julho de 2018, desenvolve-se em Bruxelas a CIMEIRA NATO ao nível de Chefes de Estado e de Governo, dos 29 países membros. Confirma ao mais alto nível o fortalecimento da estrutura de comando, principalmente, na função anti-Rússia. Serão estabelecidos:
- um novo Comando Conjunto para o Atlântico, em Norfolk, nos EUA, contra os “submarinos russos que ameaçam as linhas de comunicação marítima entre os Estados Unidos e a Europa”
- um novo Comando Logístico, em Ulm, na Alemanha, como “dissuasor” contra a Rússia, com a tarefa de “mobilizar mais rapidamente as tropas em toda a Europa em qualquer conflito”.
Em 2020, a NATO terá, na Europa, 30 batalhões mecanizados, 30 esquadrilhas aéreas e 30 navios de combate, apetrechados em 30 dias ou menos, contra a Rússia. O Presidente Trump terá, portanto, cartas mais fortes na Cimeira bilateral, que terá a 16 de Julho, em Helsínquia, com o Presidente Putin, da Rússia. Daquilo que o Presidente dos EUA estabelecer na mesa de negociações, dependerá, fundamentalmente, a situação na Europa.
O raio de expansão da NATO vai muito além da Europa e dos próprios membros da Aliança. Ela tem vários parceiros ligados à Aliança por vários programas de cooperação militar. Entre os vinte incluídos na Parceria Euro-Atlântica, figuram a Áustria, a Finlândia e a Suécia. A parceria mediterrânica inclui Israel e a Jordânia, que têm missões oficiais permanentes na sede da NATO, em Bruxelas, e Egipto, Tunísia, Argélia, Marrocos e Mauritânia. A parceria do Golfo inclui o Kuwait, o Qatar e os Emirados, com missões permanentes a Bruxelas, além do Bahrein. A NATO também tem nove “Parceiros globais” na Ásia, na Oceania e na América Latina - Iraque, Afeganistão, Paquistão, Mongólia, Coreia do Sul, Japão, Austrália, Nova Zelândia e Colômbia - alguns dos quais “contribuem, activamente, para as operações militares da NATO”.
A NATO - criada em 1949, seis anos antes do Pacto de Varsóvia, baseada formalmente no princípio defensivo estabelecido pelo Artigo 5 - foi transformada numa aliança que, de acordo com o “novo conceito estratégico”, compromete os países membros a “liderar operações de resposta a situações de crise não previstas no artigo 5.º, fora do território da Aliança”. Segundo o novo conceito geoestratégico, a Organização do Tratado do Atlântico Norte estendeu-se às montanhas afegãs, onde a NATO está em guerra há 15 anos.
O que não mudou, na mutação da NATO, foi a hierarquia dentro da Aliança. É sempre o Presidente dos Estados Unidos que nomeia o Comandante Supremo Aliado na Europa, que é sempre um general dos EUA, enquanto os Aliados se limitam a ratificar a sua escolha. O mesmo aplica-se aos outros comandos chave. A supremacia dos EUA fortaleceu-se com a ampliação da NATO, pois que os países do Leste europeu estão mais vinculados a Washington do que a Bruxelas.
O próprio Tratado de Maastricht, de 1992, estabelece a subordinação da União Europeia à NATO, da qual fazem parte 22 dos 28 países da UE (com a Grã-Bretanha de saída da União). O mesmo estabelece no artigo 42.º, que “a União respeita as obrigações de alguns Estados Membros, que consideram que a sua defesa comum se efectue através da NATO, no âmbito do Tratado do Atlântico Norte”. E o protocolo n. 10 sobre a cooperação estabelecida pelo art. 42 salienta que a NATO “continua a ser a base da defesa” da União Europeia. A Declaração Conjunta sobre a Cooperação NATO/UE, assinada em 10 de Julho em Bruxelas, na véspera da Cimeira, confirma esta subordinação: “A NATO continuará a desempenhar a sua função única e essencial como pedra angular da defesa colectiva para todos os aliados, e os esforços da UE também fortalecerão a NATO” [1]. A PESCO e o Fundo Europeu para a Defesa, sublinhou o Secretário-Geral Stoltenberg, “são complementares e não alternativas à NATO”. A “mobilidade militar” está no centro da cooperação NATO/UE, consagrada na Declaração Conjunta. Igualmente importante é a “cooperação marítima NATO/UE no Mediterrâneo, para combater o tráfico de migrantes e, assim, aliviar o sofrimento humano”.
Sob pressão dos EUA e neste contexto, os aliados europeus e o Canadá aumentaram a sua despesa militar em 87 biliões de dólares, desde 2014. Apesar disso, o Presidente Trump vai bater com os punhos na mesa da Cimeira, acusando os aliados porque, todos juntos, gastam menos do que os Estados Unidos. “Todos os aliados estão a aumentar as despesas militares", afirma o Secretário Geral da NATO, Stoltenberg.
Os países que destinam à despesa militar, pelo menos 2% do seu PIB, aumentaram para 3%, em 2014, e para 8%, em 2018. Prevê-se que, desde agora até 2024, os aliados europeus e o Canadá aumentarão a sua despesa militar em 266 biliões de dólares, expandindo a despesa militar da NATO para mais de 1 trilião de dólares por ano. A Alemanha, em 2019, ampliará para uma média de 114 milhões de euros por dia e planeia aumentá-la em 80% até 2024. A Itália comprometeu-se a alargá-la dos actuais 70 milhões de euros por dia, para cerca de 100 milhões de euros/dia. Como exige aquele que, no programa do governo, é definido como “o aliado privilegiado da Itália”.
[1] “Joint Declaration on EU-NATO Cooperation”, Voltaire Network, 10 July 2018.»

[In Red Voltaire]

Portugal é uma colónia que obedece a dois impérios, ao IV Império Alemão e ao Império dos Estados Unidos

O imperador Donald Trump, o suserano de todos os países da NATO ou OTAN, quer que estes países gastem mais  dinheiro em armas, diga-se, em armas compradas aos Estados Unidos.
A presença de Portugal na NATO é uma continuação do salazarismo. A NATO nunca existiu para defender as democracias. Portugal entrou para a NATO pela mão de Salazar e a duração da Ditadura fascista de Salazar deve muito ao apoio da NATO.
Que ganha Portugal com a presença na NATO? Nada!, só perde, ou melhor, ganha inimigos e falsos amigos e ganha dívidas.
Portugal não tem dinheiro, dizem, mas tem dinheiro para gastar nas guerras imperiais da NATO.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Selvajarias praticadas pelo chamado «Mundo Livre»

A mais selvática selvajaria praticada pelo chamado «Mundo Livre» durante a Guerra Fria contra a União Soviética vai sendo conhecida e, em alguns casos, os criminosos são condenados. Pinochet foi colocado no poder pela CIA, às ordens do republicano Richard Nixon, e pelos neoliberais de Chicago. Foi apoiado pela FIFA, pela UEFA e pela CONMEBOL, adeptas dos estádios de futebol regados com sangue de fuzilamentos.


«Chile: o moroso combate pelo fim da impunidade

Victor Jara era um cantor chileno identificado com o regime de esquerda de Salvador Allende derrubado, em 11 de Setembro de 1973, por um golpe militar liderado pelo general Pinochet que, em nome do combate ao comunismo e com o apoio dos EUA (presidência Richard Nixon), instaurou uma violenta  ditadura em que o direito e  a justiça foram exemplarmente esmigalhados.

O cantor foi preso no dia seguinte ao golpe e levado para o Estádio Chile, convertido numa prisão para milhares de chilenos conotados com o regime de Allende. Por ser uma conhecida figura pública foi, desde a sua chegada, separado dos outros prisioneiros e agredido verbal e fisicamente pelos militares. Nos dias seguintes foi interrogado e torturado com pontapés, murros e golpes diversos nas mãos com armas sem que dos interrogatórios fosse feito qualquer registo ou dos mesmos resultasse qualquer acusação. No dia 15 de Setembro, Victor Jara e Littré Quiroga Carvajal, director dos serviços prisionais do regime deposto foram levados para uns gabinetes nos subterrâneos do estádio e aí foram mortos com, pelo menos, 44 e 23 balas, respectivamente, todas do calibre de 9,23 milímetros a que correspondia o armamento que era utilizado pelos oficiais do Exército que se encontravam no referido recinto.

De seguida, os corpos de Víctor Jara e de Littré Carvajal, foram retirados do Estádio Chile e atirados para via pública, junto aos cadáveres de outras pessoas de identidade desconhecida - mortas igualmente a tiro – e foram encontrados, no dia 16 de Setembro, nas imediações do Cemitério Metropolitano, num terreno baldio próximo da linha férrea, por moradores que pertenciam a organizações comunitárias e sociais. Essas mesmas pessoas limparam-lhes os rostos e reconheceram-nos, constatando que apresentavam diversos hematomas e sinais inequívocos de ter recebido fortes golpes e múltiplos impactos de bala, levando-os ao Instituto Médico Legal, onde, em consequência da directa e fortuita intervenção de terceiros, foram formalmente identificados, o que permitiu que os seus familiares mais próximos aí se deslocassem, sendo-lhes entregues os cadáveres que, posteriormente, puderam discretamente enterrar.

Na passada terça-feira, quase quarenta e cinco anos depois destes assassinatos, a justiça chilena condenou oito antigos militares a 18 anos de prisão, pelos homicídios e sequestros de Víctor Jara e de Littré Carvajal, condenando, ainda, o Estado chileno a indemnizar os familiares das vítimas em cerca de 1,8 milhões de euros.

Para se chegar a esta decisão, as famílias de Víctor Jara e de Littré Carvajal, nomeadamente a viúva Joan e a filha Amanda do cantor percorreram um imenso calvário burocrático e judicial tendo conseguido, em 2009, a exumação do cadáver que confirmou as múltiplas fracturas e o impacto das inúmeras balas. Em 27 de Junho de 2016, graças ao apoio de uma organização não-governamental norte americana e ao trabalho pro bono de um escritório de advogados nova-iorquinos conseguiram, num processo cível na Florida e com base em legislação contra a tortura, a condenação do ex-tenente do Exército chileno Pedro Pablo Barrientos Nuñez pelo homicídio de Victor Jara, no pagamento de uma indemnização de 28 milhões de dólares.

Pedro Barrientos foi identificado por diversas testemunhas como o oficial que deu o primeiro tiro – na nuca – em Victor Jara mas, apesar de também ter sido acusado do homicídio, não foi agora julgado no Chile por a lei não permitir o seu julgamento à revelia. Em 1989, estava a ditadura militar chilena a terminar, Barrientes mudou-se para a Florida, EUA, onde se veio a casar, a naturalizar cidadão norte-americano e, até, a declarar falência, pelo que, muito provavelmente, nada pagará aos herdeiros de Victor Jara .

O Estado chileno pediu a sua extradição em 2013 mas não parece que tal vá acontecer, pelo facto de Barrientos ser, agora, um cidadão norte-americano a que acresce o facto de os ventos favoráveis aos direitos humanos não soprarem, com particular intensidade, por aquelas paragens. A própria condenação proferida pelo juiz Miguel Vázquez Plaza não é definitiva: pode, ainda, ser  objecto de recurso.

Moral da história: a justiça é lenta e incerta  no entanto, como diria Galileu, move-se
[Francisco Teixeira da Mota, in Publico pt]

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Trump quer o rearmamento alemão. Se lhe perguntarem entre quem foi a II Guerra Mundial Trump talvez diga que foi entre o Irão e o Estado de Israel


Se perguntarem a Trump entre quem foi a II Guerra Mundial ele talvez diga que foi o Irão contra o Estado de Israel e a Coreia do Norte contra o Japão.
O rearmamento alemão será tão bom em 2018 como foi em 1933.

terça-feira, 10 de julho de 2018

A Guerra da Síria - análise


«O que simboliza a batalha de Deraa ?

Thierry Meyssan não aceita a narrativa do início das hostilidades na Síria, tal como ela é apresentada pela imprensa Ocidental e do Golfo desde há 7 anos. Ele regressa, pois, à análise destes acontecimentos tendo em vista os elementos conhecidos desde então. Como todas as ciências, a ciência política aproxima-se da verdade pondo em questão as suas precedentes conclusões e integrando novas observações à sua formulação.

| Damasco (Síria)
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Os Ocidentais fazem da batalha de Deraa o símbolo do fracasso do combate que apoiam. É exacto, mas não no sentido em que eles o interpretam. Reanalisemos os acontecimentos que desencadearam as hostilidades.
Com início a 4 de Fevereiro de 2011, uma misteriosa conta do Facebook «Syrian Révolution 2011» (Revolução Síria 2011-em inglês no texto) apela a manifestações todas as sexta-feiras contra a República Árabe Síria. Utilizando exclusivamente símbolos sunitas e ao mesmo tempo pretendendo falar em nome de todos os Sírios, ela marcará o ritmo dos acontecimentos durante vários anos.
Segundo a Al-Jazeera, a 16 de Fevereiro, 15 adolescentes (depois 8 dos seus camaradas) são presos em Deraa por ter pichado slogans(eslogans-br) hostis ao Presidente al-Assad. Eles teriam sido torturados e o responsável local da Segurança teria insultado os seus pais. Nesse dia, se bem que tenha ficado confirmado, sem dúvida, que alguns menores haviam sido interpelados durante várias horas pela polícia, jamais foram confirmadas as torturas e os insultos. Os vídeos e entrevistas emitidos pela imprensa anglo-saxónica são terríveis, mas não correspondem, nem às reportagens cataris originais, nem aquilo que pôde ser verificado no local.
A 22 de Fevereiro, John McCain, que acumula o seu mandato de senador com a sua função de presidente de um dos ramos da National Endowment for Democracy(NED), um dos serviços secretos dos «Cinco Olhos» (EUA-RU-Austrália-Canadá-Nova Zelândia), encontra-se no Líbano [1]. Ele confia o encaminhamento das armas para a Síria ao deputado “harirista” Okab Sakr. Além disso, dirige-se também a Ersal para aí estabelecer uma futura base de retaguarda dos jiadistas.
A 15 de Março em Deraa, cidade tradicionalmente baathista, uma manifestação de funcionários apresenta diversas reivindicações às quais o Presidente o Governo respondem, a 17 de Março, com medidas sociais de envergadura.
Ainda em Deraa, realiza-se uma manifestação de islamistas, sexta-feira 18 de Março, à saída da mesquita de Al-Omari. A multidão grita «Alá, Síria, liberdade», entedendo-se que «liberdade» aqui não deve ser tomada no sentido ocidental e não denuncia uma ditadura. Deve entender-se este termo no sentido dos Irmãos Muçulmanos de «liberdade para aplicar a Charia». Durante esta manifestação, disparos de arma de fogo são dirigidos, ao mesmo tempo, contra os polícias (policiais-br) e contra os manifestantes, sem que se perceba de onde provêm. É provável que, tal como se viu na Venezuela [2], na Líbia e em outros países, os atiradores fizessem parte de uma terceira força encarregue de criar uma atmosfera de guerra civil e de preparar a invasão estrangeira. Os acontecimentos degeneram. O Palácio da Justiça e os seus arquivos são incendiados, enquanto um grupo de arruaceiros deixa a cidade para atacar, não longe de lá, um centro dos Serviços de Inteligência Militar encarregado de vigiar as tropas de ocupação israelita no Golã.
Na sequência, o senador McCain admitiu estar em contacto permanente com os chefes jiadistas (incluindo os do Daesh-E.I:) e comparou a sua estratégia contra a Síria à da guerra contra o Vietname (Vietnã-br): todas as alianças são boas para vencer o inimigo [3]. Confrontado com uma gravação de uma das suas conversas telefónicas, Okab Sakr reconheceu ter supervisionado as transferências de armas para a Síria [4]. O General saudita Anwar Al-Eshki (o negociador oficial do seu país com Israel) vangloriou-se que Riade tinha previamente encaminhado armas para a mesquita de Al-Omari [5]. Muito embora eles tenham sido os únicos a tirar proveito disso, os Israelitas continuam a negar o seu papel no ataque ao Centro da Inteligência Militar de observação do Golã, que eles ocupam.
Seja qual for a maneira pela qual se interprete estes acontecimentos, é forçoso constatar que eles nada têm de espontâneo, antes são fruto de um complô implicando, nesta momento, pelo menos os Estados Unidos, a Arábia Saudita e Israel.
Segundo a imprensa Ocidental, a «queda» do «berço da revolução» marca o fim de toda a esperança em «derrubar Bachar al-Assad». Certo, mas não seria mais correcto dizer que a República Árabe Síria, o seu exército, o seu povo e o seu Presidente acabam de «libertar» o «berço da agressão estrangeira»?
Tradução
Alva
[1] «La NED, nébuleuse de l’ingérence “démocratique”»; “A NED, vitrina legal da CIA”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Odnako (Rússia) , Rede Voltaire, 16 de Agosto de 2016.
[2] Puente Llaguno, claves de una Masacre, Ángel Palacios.
[3] “John McCain admitiu estar em contacto permanente com o Emirado Islâmico”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 20 de Novembro de 2014.
[4] « Un député libanais dirige le trafic d’armes vers la Syrie », Réseau Voltaire, 5 décembre 2012.
[5] “Saudi admits that Syrian Revolution was armed”, VoltairenetTV

[In Red Voltaire]

A zona Euro é aquilo que é, não é aquilo que devia ser

«Austeridade perpétua?


Se as sociedades se comportassem de acordo com os modelos que construímos, em particular de acordo com as simulações na folha de cálculo feitas em Bruxelas, teríamos austeridade para mais de 20 anos. Porquê? Para fazer convergir o peso da dívida pública de 126% para 60% do PIB.

Contudo, sabendo nós que as sociedades são sistemas vivos que também procuram sobreviver, a única atitude sensata é tratar esses exercícios como pura engenharia social. O conceito de saldo estrutural do orçamento do Estado é um desses exercícios. Para uma análise crítica do conceito que é o alicerce teórico da nova austeridade que nos está a sufocar, ver neste blogue aqui e aqui. No blogue de William Mitchell, ver este texto.

Importa lembrar que, quando sujeitas a pressões intoleráveis, as sociedades recorrem às forças políticas que estiverem disponíveis para pôr em causa o sistema, usando-as como instrumento de recuperação das condições da sua sobrevivência enquanto comunidade. Mesmo que a saída acabe por se revelar falhada e destrutiva, o caso da saída pelo fascismo. É disso que fala Karl Polanyi no início do capítulo XX de A Grande Transformação:
Se existiu alguma vez um movimento político que respondia às necessidades de uma situação objectiva e não era resultado de causas fortuitas, esse movimento foi o fascismo.
Tendo em conta que os países do centro da Zona Euro recusam liminarmente uma reestruturação da dívida pública das periferias, a alternativa seria a ruptura com a moeda única. Contudo, na Zona Euro, a esquerda tem-se recusado a ser o instrumento político para a recuperação das condições de sobrevivência das sociedades. Recusando o fim do euro, a esquerda está a pagar o preço eleitoral dessa escolha e tornou a extrema-direita no único instrumento disponível para a sobrevivência das sociedades europeias.

Em Portugal, no debate parlamentar, os benefícios líquidos de uma ruptura com a moeda única nem sequer são invocadas pelos partidos da esquerda quando se discutem as consequências da nova austeridade. Portanto, resta-nos esperar que, na Itália, a direita faça de forma competente o que a esquerda se recusou sequer a admitir. E, por isso mesmo, deixou de ser eleitoralmente relevante.»

[Jorge Bateira in blog Ladrões de Bicicletas]