sexta-feira, 20 de abril de 2018

O ataque à Síria de Trump, Teresa May e Macron - análise


«Washington impõe a bipolaridade do mundo aos seus aliados

Atirando mísseis sobre a Síria junto com os seus aliados francês e britânico, o estranho Presidente Donald Trump conseguiu fazer aceitar aos Ocidentais o fim do seu domínio unilateral sobre o mundo. O resultado insignificante desta demonstração de força conduz a OTAN à realidade. Sem ter feito uso das suas armas, a Rússia sucede à União Soviética no equilíbrio do mundo.

| Damasco (Síria)
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No decurso das últimas semanas, e pela primeira vez na sua história, os Estados Unidos e a Rússia ameaçaram-se mutuamente de Guerra Mundial. O carácter totalmente desproporcionado da crise, em relação com a disputa, mostra que aquilo que está em jogo hoje em dia nada mais tem a ver com o que se passa no Médio-Oriente Alargado desde 2001, antes, exclusivamente, com uma tentativa de manutenção da Ordem do mundo actual.
Depois do gigantesco massacre de milhões de pessoas durante dezassete anos, do Afeganistão à Líbia, a maneira como teriam morrido umas cinquenta pessoas na Ghuta Oriental (Síria) tem qualquer coisa de ridículo. Ora, foi este, no entanto, o pretexto escolhido, a 14 de Abril, por Washington, Paris e Londres para lançar um ataque aéreo tripartido.
Não nos deixemos distrair pelas circunstâncias e voltemos à raiz do problema: os Ocidentais tentam manter o seu domínio sobre o resto do mundo, enquanto a Rússia e a China se emancipam disso.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, não hesitou em twittar para a Rússia que ia disparar mísseis de nova geração sobre os seus soldados na Síria. O Embaixador russo, Alexander Zasypkin, respondeu imediatamente que essas munições seriam interceptadas e que os aviões e navios que os disparassem seriam destruídos. O Primeiro-ministro turco, Binali Yıldırım, mostrou-se surpreendido por esta «briga de rua» e chamou-os à razão. Todos os actores começaram então a fazer marcha-atrás.
O Grupo naval do porta-aviões USS Harry S. Truman deixou a base de Norfolk, aparentemente para se posicionar frente à Síria. Precisará de várias semanas até estar operacional. A questão do confronto russo-americano, quer dizer, da Terceira Guerra Mundial, irá dissipar-se portanto.
Escusado será dizer que a preparação desta unidade, e dos seus 6.500 soldados, começou muito antes do caso da Ghuta que serve de pretexto para a sua deslocação.
Portanto, a questão é de saber se, ao disparar uma chuva de mísseis sobre prédios abandonados, Washington e os seus aliados adiaram o confronto para mais tarde, afim de melhor se posicionarem, ou, pelo contrário, se renunciaram à prova de força e se preparam para uma outra forma de conflito.
O balanço militar do bombardeamento de 14 de Abril é surpreendente : 103 mísseis teriam sido disparados pelos Aliados. Teriam sido destruídos 71 em vôo pelo Exército Árabe Sírio. Um laboratório militar desocupado teria sido arrasado e instalações de dois aeródromos foram atingidas. Este dilúvio de fogo não teria causado mais que três feridos e não teria matado ninguém. Se Donald Trump, Emmanuel Macron e Theresa May queriam mostrar a sua força, acabaram sobretudo mostrando a sua impotência.
Vista de Damasco, a mensagem era clara: se a Síria está em vias de se libertar dos jiadistas, nem por isso ela experimentará a paz e não poderá contar com a ajuda ocidental para a sua reconstrução.
Os Aliados alegaram que a Síria abrigava stocks(estoques-br) de armas químicas, apesar da sua adesão à Convenção que as proibia. Garantiram visar apenas alvos ligados a estas armas. Ora, por exemplo, eles dispararam quatro mísseis contra o aeroporto comercial internacional de Damasco; um alvo exclusivamente civil. Felizmente, o Exército Árabe Sírio conseguiu interceptá-los a todos.
No total, o Exército Árabe Sírio, que apenas dispunha de S-125, S-200, de Buk, de Kvadrat e de Osa, conseguiu derrubar sozinho dois terços dos projécteis ocidentais. Em resumo, apesar da actuação, os Aliados acabam de travar a primeira batalha da sua história, onde não mataram nenhum inimigo. A França, que testou pela primeira vez em situação de combate o seu novo míssil de cruzeiro naval, não conseguiu gabar-se de um sucesso junto dos seus potenciais clientes.
Certo, os Aliados contiveram-se. Eles evitaram cuidadosamente tocar em alvos russos ou iranianos e esses dois estados não participaram na batalha. O que não diminui o facto de que a armada ocidental já não dispõe da capacidade de impor a sua vontade a potências médias quando elas são protegidas pela Rússia.
Todos compreenderam que agora :
- os Estados Unidos e a Rússia —como antes os EUA e a URSS— evitarão qualquer confronto directo afim de prevenir a guerra nuclear;
- e que as potências médias aliadas da Rússia não serão atingidas significativamente pelos Ocidentais.
- A única superioridade militar de Washington, Londres e de Paris reside na sua capacidade de manipular grupos armados e de os utilizar como marionetas («proxys»).
Embarcando a França e o Reino Unido a seu lado, o Presidente Trump forçou-os a aceitar a realidade que recusavam.
Este grande “show” não passou, portanto, de um fogacho de honra. Após um quarto de século de dominação ocidental unilateral, as suas três principais potências militares acabam de ser reclassificadas. O mundo regressou a uma situação bipolar de Guerra Fria, da qual falta entretanto escrever a nova regra do jogo. A Terceira Guerra Mundial esperará.
Tradução
Alva
Fonte
Al-Watan (Síria)»                                            [In Red Voltaire]

terça-feira, 17 de abril de 2018

Prender a liberdade de expressão de pensamento - II

«A ESPANHA E A CATALUNHA - PARTE II



A DECISÃO DO TRIBUNAL ALEMÃO 
El tribunal de Schleswig-Holstein admite un “error” en el auto de Puigdemont... que no cambia nada
Parte II

A estratégia espanhola - a não internacionalização o conflito catalão, a recusa de o encarar como problema político, vendo-o  antes como simples questão do foro judicial a dirimir pelos tribunais, isto é, a reprimi-lo mediante a aplicação de pesadíssimas sanções penais - corre o risco de derrapar exactamente a partir da actuação do país que para Espanha era mais importante – a Alemanha – e do qual menos esperava uma resposta negativa. E foi o que aconteceu.

A ordemde detenção europeia emitida pelo Supremo Tribunal para o tribunal alemão competente – no caso, o Tribunal Superior de Schleswig-Holstein – não foi atendida no que respeita ao crime de rebelião e ficou suspensa da apresentação de novas e mais concludentes provas quanto ao crime de “malversacion”, tendo consequentemente Puigdemont sido libertado sob fiança.

Independentemente da interpretação a adoptar sobre a execução de uma euro ordem – e já lá iremos -, não há dúvida de que este expediente judiciário, decorrente do acordo de Schengen, vigente no seio dos Estados que ratificaram este tratado, implicando a obrigação de cooperação judiciária assente na confiança recíproca, é diferente do procedimento de extradição, que, envolvendo igualmente uma intenção de cooperação, não deixa de ser, pela forma como, em regra, está regulada nos acordos bilaterais que a consagram, uma manifestação da soberania dos Estados. Embora a confiança recíproca seja a pedra angular da cooperação judiciária “europeia”, é bom não esquecer a imensa polémica que este procedimento levantou quando foi discutido e aprovado no Conselho Europeu, principalmente entre a Espanha (sempre a Espanha…) e a Bélgica, seguramente motivada não apenas por ressentimentos históricos, mas já por força da desproporcionalidade manifestada pelo sistema penal espanhol relativamente a certo tipo de crimes.

E daí a polémica que tem rodeado a execução das ordens de detenção europeia, polémica que, como é óbvio, se não manifesta relativamente à generalidade dos crimes de direito comum, mas a crimes ou a procedimentos penais em que possam estar a ser subvertidos princípios fundamentais do Estado de Direito e, inclusive, os direitos fundamentais, como acontece, ou pode acontecer, nas áreas penais de maior incidência política. Por outras palavras, um Estado democrático, seguro dos seus princípios, sensível à opinião pública democrática, por maior que seja - ou diga que é - a confiança que deposita nos seus parceiros de Schengen, não deixará de avaliar aquelas questões no cumprimento das ditas euro ordens.

E tanto assim que somente esta legítima preocupação pode justificar as duas interpretações em confronto sobre a execução das euro ordens. De um lado, o sistema judiciário espanhol - fiscalia (ministério público), juízes, advogados, alguns professores de direito -, segundo o qual o Estado que recebe a euro ordem não tem que julgar as qualificações jurídicas feitas perlo Estado solicitante, mas apenas verificar se os factos imputados integram ou não um tipo legal de crime no Estado solicitado; se integram, qualquer que ele seja, a euro ordem deve ser executada; se não integram, não haverá entrega da pessoa detida. Outra, porém, foi a interpretação do tribunal alemão mais próxima do entendimento que aponta no sentido de que cabe ao Estado solicitado analisar se o tipo legal de crime pela prática do qual a pessoa detida está acusada existe no seu ordenamento ou outro substancialmente equivalente; se não existir, não entrega; se existir, poderá julgar se os elementos constitutivos do dito tipo legal estão ou não integrados pelos factos descritos.

Na Alemanha não existe o crime de rebelião, mas um outro substancialmente idêntico – o de alta traição -, tendo o tribunal considerado que não se verificava um dos requisitos fundamentais para integração desse tipo legal de crime – a violência, razão pela qual denegou a entrega de Puigdemont.

Evidentemente, que o tribunal alemão, para considerar que os factos descritos na euro ordem emitida pelo tribunal espanhol não configuravam uma situação de violência, teve de os julgar. E isto é que tirou os espanhóis do sério. Mas não somente isto, que apesar de tudo era algo que mantinha a questão no foro judicial. Pior foram as declarações da Ministra da Justiça da Alemanha, a social-democrata Katarina Barley, de apoio à decisão do tribunal, considerando-a “absolutamente correcta”, esperando que os juízes deixassem Puigdemont em liberdade sob fiança, (que foi, como se sabe, o que veio a acontecer), tendo ainda acrescentado que se o Supremo espanhol não justificasse a prática de outros delitos, Puigdemont passaria a ser “um homem livre num país livre, quer dizer, na Alemanha".

Por outro lado, um dos vice-presidentes do grupo parlamentar social-democrata, Rolf Mütznich, disse que “ o Governo espanhol tem de aceitar que os tribunais alemães decidam independentemente dos requisitos políticos”, insistindo que deve ser encontrada uma solução política para a questão da Catalunha, “podendo (a Espanha) contar, se precisar de ajuda, ou com países europeus ou com a própria União Europeia como interlocutores adequados”, terminando por comparar o sistema judicial espanhol com o da Polónia e o da Turquia, razão pela qual as euro ordens devem ser analisadas de modo a ficar garantido o respeito pelos princípios legais e democráticos. A entrada em cena da Alemanha, como país solicitado pela euro ordem, fez com que, além destas, outras vozes críticas relativamente ao que se passa em Espanha se tivessem manifestado, não apenas nas hostes social-democratas, e, obviamente na Esquerda (Die Linke), mas também nos Verdes e na própria CDU (democracia cristã).

Como seria de esperar os espanhóis lançaram uma forte ofensiva tendente a neutralizar os efeitos devastadores da sentença do tribunal alemão. O governo de Rajoy fez saber que se sentiu incomodado por a Ministra da Justiça ter apoiado politicamente a decisão, tendo esta ficada encarregada, por Merkel, de pôr termo ao assunto, dizendo que se tratou de um “mal-entendido”. Por seu turno, a “Fiscalia” espanhola sentindo-se ligeiramente apoiada pelo ministério público alemão promoveu um encontro em Haia, na sede do departamento para a cooperação judiciária europeia, para convencer os seus congéneres alemães a pedir ao tribunal uma reapreciação do caso.

Não sabemos se juridicamente este procedimento é viável, fora da (hipotética) instância de recurso. O que sabemos é que a “Fiscalia” espanhola carreou “provas às pazadas” (404 actos de violência!) para tentar convencer o tribunal alemão de que houve violência no dia da realização do referendo. Pela leitura dos passos da decisão do tribunal alemão a que tivemos acesso, percebe-se que o que está em causa é a desproporção da pena relativamente aos actos praticados. As analogias que o tribunal faz para considerar que os factos constantes da acusação não podem ser considerados violentos e consequentemente integrar um tipo legal de crime com a gravidade do crime de rebelião deixa supor que não será pelo facto de os espanhóis apresentaram mais uma dúzia ou quatrocentas provas mais ou menos da mesma natureza das anteriores que a decisão se vai alterar. Aliás, esta estratégia espanhola de apresentação de mais provas dá o flanco, por estar a validar a interpretação seguida pelos alemães e não aquela que os espanhóis defendiam. Portanto, não é nada provável que o tribunal alemão venha a mudar a decisão. Na Alemanha sabe-se muito bem o que se passou no dia 1 de Outubro de 2017 e sabe-se também que os espanhóis buscam desesperadamente um pretexto para aplicar uma pesadíssima e desproporcionada pena aos independentistas catalães.

Em teoria, restaria ainda aos espanhóis, ao Juiz Llarena, recorrer para o Tribunal de Justiça da UE para que se pronuncie sobre a Interpretação que o tribunal alemão fez da regulamentação das euro ordens, o que de momento não ponderam fazer.

Não vale a pena ter ilusões, esta decisão do tribunal alemão constitui uma forte censura ao sistema judiciário espanhol e ao modo como o governo de Rajoy está lidando com a questão catalã. E sendo feita, como é, por um órgão de Estado independente, deixa o Governo alemão teoricamente à margem da polémica, mas provavelmente satisfeito, pelo menos uma parte dele, por ter havido na Alemanha quem tenha levantado o problema, que é uma forma eficaz de o trazer para debate na opinião pública europeia.

Para quem por cá ainda tenha (honestamente) dúvidas sobre o sistema judiciário espanhol, bastará dar o seguinte exemplo recente que, além de ter em si um valor absoluto, também ilustra bem a estupidez com que os espanhóis actuam. A “fiscalia” da Audiência Nacional (essa espécie de tribunal plenário da Espanha “democrática”), no dia seguinte à ocorrência dos eventos acima relatados, acusou por terrorismo dois membros dos Comités de Defesa da Republica – CDR – e ordenou a sua detenção por terem promovido (tentado) cortes nas estradas (difusão de mensagens em que se apelava ao corte pacífico, sem violência, de algumas vias públicas), bloqueios das portagens e formação de piquetes! Esta acusação, se tivesse sido aceite pelo juiz, faria incorrer os acusados em penas de prisão superiores a 50 anos, tal a moldura penal daquele tipo legal de crime no ordenamento jurídico espanhol. O juiz teve, porém, o bom senso de reconverter a acusação em delito de perturbação da ordem pública, ordenando a libertação os acusados, embora com medidas cautelares.

Apesar de a reforma penal de 2015 permitir, sem grande esforço, integrar nos crimes de terrorismo certos comportamentos que em Estados democráticos jamais poderiam merecer essa qualificação, também não é de pôr de parte, relativamente ao episódio acima relatado, a hipótese de se tratar de uma encenação destinada a demonstrar que em Espanha existe um estado de direito e que os juízes actuam com independência relativamente ao poder político. De facto, a situação é tão absurda, mormente numa altura em que se debatia a decisão do tribunal alemão e as suas consequências políticas e jurídicas, que não é de pôr de parte aquela Interpretação, além do mais por tudo se ter passado num tribunal como a Audiência Nacional. Enfim, é uma hipótese, não é uma certeza.

Entretanto, a imprensa espanhola vai-se desdobrando em editoriais, artigos de opinião e opiniões de juristas tendentes a demonstrar que tanto os Estados membros da UE, em especial, como os demais devem aceitar os tipos legais de crime previstos no direito criminal espanhol e respeitar os tempos e as garantias do Estado de Direito espanhol.

Relativamente a Puigdemont, pedra angular de ambas as estratégias – a de Espanha, esperando que lho entreguem para ser julgado e a da Catalunha como elemento fundamental para a internacionalização do conflito –, a Espanha parece admitir rebaixar a acusação para o crime de sedição (punível com prisão até 15 anos) se tiver indícios de que o tribunal alemão aceitará essa acusação com base nos factos que lhe foram remetidos. O que a verificar-se – e não é crível que se verifique - teria consequências terríveis para a justiça espanhola, que mantém relativamente aos membros da Generalitat presos e outros a acusação de rebelião, uma vez que todo o processo tem sido instruído nesse sentido. Esta divergência, mesmo num país como a Espanha, seria política e juridicamente insustentável!

Por outro lado, o crime de “Malversacion” dificilmente será reconhecido pelos tribunais estrangeiros, não apenas por se tratar de um acto da responsabilidade de um colectivo, mas principalmente por falta de provas, nomeadamente depois de Junqueras ter voltado a garantir que não se gastou um único euro do orçamento no “procés”.

Sem Puigdemont a Espanha limitar-se-á a fazer valer a sua estratégia apenas dentro das suas fronteiras e a vê-la fracassar no estrangeiro, assim se deslegitimando as acusações que estão em curso. Entretanto, a cada dia que passa, a Catalunha vai ficando mais longe de Espanha…»

[In blog Politeia, J M Correia Pinto]

Prender a liberdade de expressão de pensamento - I

«A ESPANHA NÃO DESARMA (I Parte)





O ESPANHOLISMO E O GOLPE BRASILEIRO
Resultado de imagem para puigdemont libertado na alemanha

A única grande diferença entre o sistema judiciário brasileiro e o espanhol é que o brasileiro perpetrou um golpe de Estado, iniciado com a destituição inconstitucional de Dilma e continuado com a prisão ilegal, e também inconstitucional, de Lula, com a manifesta intenção de afastar a esquerda do poder e reentregá-lo, indiviso e arbitrário, à oligarquia que tem governado o Brasil praticamente desde a sua existência como unidade política relativamente autónoma, enquanto o sistema judiciário espanhol actua em nome do “espanholismo”, que é um conceito bem mais abrangente que o anterior, representando nas suas actuações um sentimento comum às forças políticas dominantes, integradas por vários estratos sociais, com interesses porventura divergentes em múltiplas facetas da vida social, mas estranhamente unificadas por um sentimento de grandeza perdida, a todo o momento exaltado por representações fantasiosas que a realidade se encarrega de negar, daí resultando uma frustração que se abate ferozmente sobre os que o não compartem, ou, pior que isso, o combatem, desprezando-o.

Se o que se passa no Brasil com a destituição de Dilma e a prisão de Lula falam por si no que respeita a princípios fundamentais de uma sociedade democrática, como a presunção de inocência, a separação de poderes, o princípio da legalidade, enfim, o respeito pelos direitos fundamentais, nomeadamente a coarctação da liberdade física, já o que se passa Espanha com os independentistas catalães é porventura pior, porque é o exemplo acabado do desprezo que um Estado pode ter pelo ser humano que se não integra na sua mundividência, a ponto de relativamente a ele considerar normal e aceitável uma actuação vingativamente desproporcionada, que é sempre o suporte e o fundamento de todas as arbitrariedades. E a arbitrariedade é indiscutivelmente a matriz e o meio por via do qual as organizações políticas exibem o seu sectarismo e materializam o fundamentalismo que as norteia na sua acção política.    

Vem tudo isto a propósito do que se está a passar “aqui ao lado” com os presos políticos da Catalunha. A Espanha tem, como se sabe, desde a sua fundação como Estado unificado, um problema por resolver entre as partes que a compõem. Umas vezes adormecido, outras severamente punido, este problema mantém-se vivo e actuante na Espanha dos nossos dias, principalmente por o “espanholismo” ser incapaz de reconhecer que a génese do seu Estado encerra um problema político que só politicamente pode ser resolvido. A ideia de que a força bruta resolve os problemas políticos é uma ideia tipicamente antidemocrática que a consciência social do nosso tempo rejeita e repudia, não obstante a existência de algumas vozes minoritárias que fora de Espanha a apoiam ou até a aplaudem. Mas não nos iludamos, não é esse o sentimento dominante na opinião pública da Europa que conta.

A Espanha alicerçou toda a sua estratégia relativamente ao problema catalão na imposição da ideia de que é um problema que compete aos tribunais resolver, ou seja, um problema do foro judicial, tendo envolvido nesta estratégia tipicamente “espanholista”, além do PP, seu mentor e executor, os Ciudadanos, o PSOE e também, com nuances, o próprio Podemos. Os independentistas catalães, pelo contrário, basearam a sua estratégia na ideia oposta, na ideia de que o procés é um problema político, que importa internacionalizar o mais possível já que somente neste foro poderá ser resolvido.

Neste confronto de estratégias, pareceu a muita gente que a Espanha tinha a guerra ganha com a prisão arbitrária de vários dirigentes independentistas e de alguns conhecidos propagandistas do catalanismo, mais a instauração de um sem número de processos a dirigentes que lograram manter a liberdade mediante o pagamento de avultadas fianças, bem como com o apoio institucional que a União Europeia e alguns dos seus dirigentes lhe prodigalizaram com a “langue de bois” do costume em tais circunstâncias, como o respeito pelo primado da Constituição, do Estado de direito, das decisões dos tribunais, etc e tal. O que nem a Espanha nem os seus defensores e apoiantes no estrangeiro contavam é que um razoável número de dirigentes catalães, ameaçados de severas, desproporcionadas e injustificadas penas de prisão, tivessem tido a brilhante ideia de se exilar em países europeus, a partir dos quais pudessem tentar a internacionalização do conflito por pressão da opinião pública democrática.

A Espanha colocada perante um facto com que não contava não hesitou nem um segundo na estratégia a seguir. Sempre com o “Carlos V metido na cabeça até à raiz dos neurónios”, o Supremo Tribunal de Espanha, convencido de que estava a transmitir uma ordem a um vulgar guardia civil, que obedientemente perfilado de tricórnio a cumpriria para honra da Benemerita, emitiu uma “euro ordem” solicitando à Bélgica extradição dos “fugados”, Puigdemonte e outros ex- membros do Governo da Catalunha. Dentro da tal lógica de que acima falámos, os crimes por que os “extraditáveis” estavam sendo acusados – rebelião, sedição, “malversacion” -, fariam incorrer os seus autores em penas de prisão superiores a meio século!

É evidente, para qualquer democrata que se preze, que um pedido com estas consequências – um pedido que muito provavelmente nem Erdogan teria coragem de fazer – fez acender de imediato as luzes vermelhas anunciadoras dos mais graves e arbitrários desvios aos princípios democráticos. Quando os espanhóis perceberam que iam ser derrotados na barra, retiraram o pedido de extradição com a sobranceria típica de quem considera a Bélgica um parceiro menor, porventura recordados daqueles patriotas da Flandres que as cervejarias de Bruxelas exibem pendurados pelo pescoço por obra e ordem do caridoso e mui pio Filipe II de Espanha (e I de Portugal).

Deixou-se cair a prisão de Puigdemont, fizeram-se outras prisões, instruíram-se outros processos e impediram-se, prendendo-os, os eleitos de exercer os seus cargos. Ou seja, a estratégia manteve-se intocável, mas circunscrita ao território espanhol. Até que Puigdemont foi convidado para debater o problema catalão em Helsínquia. E logo o Supremo Tribunal de Espanha (e seguramente o governo de Rajoy) entendeu que estava agora criado o circunstancialismo que permitiria, finalmente, trazer de volta a Espanha o “fugado” catalão. E sem hesitação emitiram nova euro ordem, desta vez para a Finlândia, que se desincumbiu do encargo com a manha típica que os do norte costumam atribuir aos do sul, dizendo que não sabiam onde ele se encontrava e que muito provavelmente já teria transposto as suas fronteiras. Como o homem vinha de carro, os serviços secretos espanhóis conseguiram detectar o seu percurso, de modo que mal ele deixou a Dinamarca (país igualmente não confiável) e entrou na fronteira norte da Alemanha, foi de imediato expedida nova euro ordem desta vez para a fidelíssima Alemanha, solicitando a sua extradição para Espanha pela prática dos crimes de rebelião e “malversacion” de fundos públicos (o dinheiro gasto na realização do referendo foi em Espanha qualificado como dinheiro público gasto indevidamente em proveito próprio).

Com esta acção a Espanha julgava acabar de vez com o caso Puigdemont no estrangeiro, já que nem por sombras terá passado pelas iluminadas mentes do STE que os juízes alemães fossem questionar o bem fundado das qualificações jurídicas espanholas, nomeadamente a integração dos factos nos tipos legais de crimes pela prática dos quais era solicitada a extradição.

Pois bem, onde a Espanha considerou estarem finalmente criadas as condições para resolver um problema de acordo com a sua estratégia de sempre, pode muito bem ter começado uma outra forma de o encarar, primeiro pela justiça alemã, depois pela opinião pública europeia. »

[In blog Politeia, J M Correia Pinto]

segunda-feira, 16 de abril de 2018

É bom recordar as famosíssimas Armas de Destruição Maciça do Iraque

As  famosíssimas Armas de Destruição Maciça ou Armas de Destruição Massiva do Iraque ainda não foram encontradas. Existem, só que ainda não foram encontradas. Com a viragem à direita do jornal Libération, qualquer dia um grupo de jornalistas deste jornal encontra-as.

"A missão cumprida está cada vez mais comprida




«Há 15 anos, completados em março, começou a invasão do Iraque. Esta acabou a 1 de maio - pouco mais de 40 de dias. Se isso não é uma guerra-relâmpago não sei o que é uma guerra-relâmpago... O presidente George W. Bush anunciou, então, com palavras quase tão curtas como a campanha: "Missão cumprida." Terá sido? Poderia parecer que sim, porque fizeram escola: "Missão cumprida", disse agora o presidente Donald Trump sobre o bombardeamento da Síria. Mas às vezes uma frase é uma frase, e só isso. A guerra do Iraque, como sabemos, ainda não acabou. Não acabou quando foi anunciado o seu fim, em 2003, nem acabou ainda hoje. E transformou-se numa pandemia, como prova a necessidade de se bombardear a Síria. Nas guerras daquela região, as missões cumpridas são piores do que os anúncios prematuros das mortes - não só são sempre mais do que levemente exageradas como costumam produzir intermináveis filhotes com infindáveis e falsas ilusões de que um dia acabaram. Sendo assim, sendo guerras declaradas para acabar um mal e esse mal acabar por expandir-se, fica a pergunta: porquê estas guerras? E não serve como justificação o bombardeamento da Síria ter estreado um novo míssil, o JASSM-ER. Não traduzo a sigla, porque não vale a pena memorizar o nome: ele segue-se a um outro míssil menos eficaz e precede um mais eficaz. Admito, o bombardeamento serviu para testar o JASSM-ER. Mas para que serviu o teste do JASSM-ER, já que não serviu para acabar com o mal? Sim, sim, já ouvi que é mais um passo para o míssil seguinte, um míssil mais eficaz. Mas como mais eficaz, se eles até agora só fizeram missões com anúncios falsos de cumprimento? Gostava de obter uma resposta porque também sei que há guerras necessárias.»

Ferreira Fernandes"

[Cit. in blog Entre as brumas da memória]

Guerras que começam nos jornais


«¿Cómo pueden los periodistas provocar guerras?

El bombardeo perpetrado contra Siria el 14 de abril de 2018 pasará a la historia, además de todo, como un ejemplo de las consecuencias del periodismo amarillo. Thierry Meyssan aborda nuevamente el uso del sensacionalismo en la propaganda de guerra.

| Damasco (Siria)
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En diciembre de 2016, los Cascos Blancos –presentados como una “organización humanitaria” o de “defensa civil”– firmaban este documento junto a los yihadistas que asediaban Damasco y que cortaron el suministro de agua a la población de la capital siria. Privar de agua a los civiles es un crimen de guerra. ¿Dónde estaban entonces la “comunidad internacional” y los grandes medios de prensa occidentales?
Estados Unidos, Francia y el Reino Unido bombardearon Siria en la noche del 13 al 14 de abril de 2018. Esta operación militar, una agresión en términos de Derecho Internacional, es presentada como una «respuesta» de «los aliados» al supuesto uso de armas químicas por parte de la República Árabe Siria.
El secretario de Defensa estadounidense, James Mattis, declaró ante el Congreso que no dispone de pruebas que demuestren esa acusación pero que se basa en «artículos de prensa creíbles». En 2011, cuando el fiscal de la Corte Penal Internacional, Luis Moreno Ocampo, lanzó una orden internacional de arresto contra el líder libio Muammar el-Kadhafi, también lo hizo basándose en artículos de la prensa… cuya veracidad –hoy está demostrado– era nula. Pero justificó así la intervención de la OTAN contra Libia.
En 1898, el gobierno de Estados Unidos también se basó en los «artículos de prensa creíbles» de los periódicos del magnate de la prensa William Randolph Hearst [1] para iniciar la Guerra Hispano-Americana [2]. Posteriormente, los artículos de los diarios de Hearst resultaron ser totalmente inventados [3].
En cuanto a los «artículos de prensa creíbles» a los que se refiere el general Mattis, estos se basan en las declaraciones de la ONG británica White Helmets (Cascos Blancos). Presentados como una «asociación humanitaria», los «Cascos Blancos» en realidad son parte del conflicto ya que han participado oficialmente en varias operaciones de guerra, como la que cortó el abastecimiento de agua a los 5,6 millones de habitantes de Damasco, la capital siria, durante unos 40 días [4].
Varias horas antes del bombardeo occidental, Rusia y Siria habían publicado las revelaciones de dos testigos oculares, presentes en el hospital de Duma durante el supuesto ataque químico. Estos testigos revelan que todo fue un montaje y que el «ataque químico» nunca tuvo lugar [5].
Exactamente igual que en siglo XIX, hoy es perfectamente posible encontrar periodistas que se presten para manipular los Estados o un tribunal internacional y para empujarlos a derrocar gobiernos o a bombardear otros Estados.
Es por eso que una parte de la prensa reclama el título de «Cuarto Poder», aunque se trata de un poder que, al no provenir de ninguna elección, es ilegítimo.
Los medios de difusión que disponen de esa capacidad pertenecen a grandes magnates capitalistas que además están estrechamente vinculados a los políticos, quienes afirmarán después haber sido engañados por sus «artículos creíbles». Por ejemplo, el ya mencionado magnate de la prensa estadounidense William Randolph Hearst mantenía estrechas relaciones con el presidente William McKinley, quien ambicionaba iniciar la guerra contra España para arrebatarle el control de Cuba y de Filipinas, lo cual hizo finalmente.
Al término de la Segunda Guerra Mundial, la Unión Soviética y Francia lograron que la Asamblea General de la ONU adoptara una serie de resoluciones que condenan la propaganda de guerra [6]. Los países miembros de la ONU incluyeron el contenido de esas resoluciones en el derecho nacional de sus Estados. Por consiguiente, los periodistas que se dedican a la propaganda de guerra deberían ser enviados a los tribunales… teóricamente. Pero en la práctica sólo los Estados pueden iniciar ese tipo de acciones judiciales.
En definitiva, la propaganda de guerra está prohibida… pero el derecho nacional aplica esa regla sólo a los periodistas de oposición incapaces de desatar conflictos y no a los Estados que los emprenden.
[1] Citizen Hearst: A Biography of William Randolph Hearst, W. A. Swanberg, Scribner’s, 1961.
[2] El autor se refiere a la intervención de Estados Unidos en la guerra de independencia de Cuba contra el colonialismo español. Contrariamente a la visión vehiculada por los historiadores estadounidenses, aunque Estados Unidos se puso del lado de los independentistas cubanos, la intervención estadounidense arrebató a los patriotas cubanos la victoria militar que ya habían garantizado sobre España. La intervención estadounidense frustró la proclamación en Cuba de una República basada en los ideales que los independentistas cubanos, reunidos alrededor del Partido Revolucionario Cubano, habían enunciado en el Manifiesto de Montecristi. Para más detalles ver Guerra hispano-cubano-estadounidense. Nota de la Red Voltaire.
[3] Public Opinion and the Spanish-American War: a Study in War Propaganda, Marcus Wilkerson, Russell and Russell, 1932. The Yellow Journalism USA, David R. Spencer, Northwestern University Press, 2007.
[4] «Una “ONG humanitaria” corta el agua a 5,6 millones de civiles», Red Voltaire, 7 de enero de 2017.
[5] «Testigos oculares revelan montaje del “ataque químico” de la Ghouta», Red Voltaire, 13 de abril de 2018.
[6] «Les journalistes qui pratiquent la propagande de guerre devront rendre des comptes», por Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 14 de agosto de 2011.»

[In Red Voltaire]

domingo, 15 de abril de 2018

Dois vigaristas loucos e uma vigarista louca puseram a Rússia de joelhos

O Direito Internacional é a Lei da Bala, como no Far-West. Quem disparar primeiro e mais depressa está dentro do Direito Internacional da Lei da Bala. 

Em 15 de Abril de 2018 o único Direito Internacional que existe é o Direito Internacional da Lei da Bala, importado do Far-West.

A loucura de Trump, Macron e Teresa May associada às mentiras que alimentam essa loucura pôs os russos de joelhos. Com estes loucos e esta louca uma guerra nuclear pode começar a qualquer momento, a loucura militarista alimenta-se a si própria. 

A seguir  mostro o Ocidente (NATO + União Europeia + a carneirada súbdita) explicando-se ao Mundo:



sábado, 14 de abril de 2018

Finalmente, começou a III Guerra Mundial, Trump mandou disparar os primeiros mísseis



Portugal, militarmente irrelevante, obedece, de joelhos, a dois impérios, ao IV império alemão, também conhecido por União Europeia, seja quem for que governe Berlim e ao império dos Estados Unidos, por mais louco que seja o presidente.

A III Guerra Mundial, começou com os norte-americanos a dispararem sobre a Síria. Os ingleses e os franceses também dispararam.

Se a Rússia não se acovardar irá retaliar. É costume atacar o elo mais fraco ou os elos mais fracos. 

E se a Rússia afundar um navio inglês e outro francês, dos que participam no cerco à Rússia? Se a Rússia não atacar países militarmente muito inferiores como a França e a Inglaterra, então a Rússia tem medo da própria sombra e amanhã será bombardeado o próprio território russo.

No caso da Guerra do Vietname os Estados Unidos ficaram sozinhos, os delírios imperiais de Johnson deixaram-no sozinho, nem a Inglaterra nem a França aceitaram acompanhar a invasão imperial do Vietname. Agora estamos pior, um presidente louco, Donald Trump, é apoiado por uma mulher inglesa que exerce o poder executivo, as feministas devem exultar, delirar, até ao êxtase, porque a Teresa May bombardeou os russos, os tais maus da fita, e Macron, com forças militares obsoletas quis ser Napoleão.
Corbyn condenou Teresa May pelo ataque.













"Noticias sobre el posible ataque occidental contra Siria (12 de abril)


  
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Acontecimientos del 12 de abril de 2018

Según el Daily Telegraph, la primera ministro británica Theresa May ordenó el despliegue de submarinos cerca de las costas sirias. Según The Times, la base aérea británica de Akrotiri, en Chipre, está lista para iniciar el ataque.
• El secretario general de la ONU, Antonio Guterres, se comunicó telefónicamente con los representantes de cada uno de los 5 miembros permanentes del Consejo de Seguridad de la ONU para exhortarlos a «evitar una situación fuera de control» y recordarles que «a fin de cuentas nuestros esfuerzos apuntan a poner fin al terrible sufrimiento del pueblo sirio».
• El Ejército Árabe Sirio completó la liberación de la Ghouta Oriental. Unidades de la policía militar rusa fueron desplegadas en la zona.
• El Kremlin confirma que el canal de comunicación entre los militares rusos y los de Estados Unidos sobre sus operaciones en Siria, creado para evitar incidentes, se mantiene «activo».
• Al recibir en Damasco a Alí Akbar Velayati, consejero del Guía de la Revolución iraní, el presidente sirio Bachar al-Assad lanzó una advertencia contra toda iniciativa occidental que desestabilizaría más aún la región.
• En un discurso televisivo, el presidente turco Recep Tayyip Erdoğan, declaró: «Estamos extremadamente preocupados por los países que utilizan su poder militar para transformar Siria en terreno de una prueba de fuerza.»
• El embajador ruso ante las instituciones de la ONU en Ginebra, Gennady Gatilov, denuncia como «inaceptable» el hecho de la Organización Mundial de la Salud (OMS) se haga eco de las alegaciones de los Cascos Blancos sobre un supuesto ataque químico en la Ghouta.
• El presidente de Estados Unidos, Donald Trump, se expresó nuevamente a través de Twitter: «Nunca dije cuándo tendría lugar un ataque contra Siria. ¡Pudiera ser muy pronto o no tan pronto! En todo caso, Estados Unidos, bajo mi administración, ha hecho un excelente trabajo para liberar la región del Estado Islámico. ¿Dónde está nuestro “Gracias Estados Unidos”?» [El grupo naval estadounidense que zarpó de Norfolk no estará en posición de ataque en aguas del Mediterráneo antes de un mes. Nota de la Red Voltaire.]
• El presidente francés, Emmanuel Macron, afirma a la televisión TF1 que tiene «pruebas» del supuesto ataque químico de la Ghouta.
• La canciller alemana Angela Merkel anuncia que, aunque respalda a sus aliados, Alemania no participará en acciones militares contra Siria. Seguidamente agregó: «Ahora tenemos que reconocer que es evidente que la destrucción [de las armas químicas sirias] no fue total.»
• La portavoz del ministerio de Exteriores, María Zajarova, declaró: «Nadie ha dado a los dirigentes occidentales derecho a atribuirse el papel de gendarmes del mundo y, al mismo tiempo, de investigadores, fiscales, jueces y verdugos.»
• El presidente de la Comisión de Defensa del parlamento ruso, Vladimir Chamanov, anunció que los navíos rusos salieron del puerto sirio de Tartús, conforme a lo previsto en caso de amenaza.
• El presidente francés Emmanuel Macron y la canciller alemana Angela Merkel se entrevistaron telefónicamente y «deploraron el actual estancamiento del Consejo de Seguridad de la ONU, cuyas resoluciones no están siendo respetadas».
• En audiencia ante el Congreso de Estados Unidos, el secretario de Defensa, James Mattis, declaró que no tiene pruebas que demuestren la existencia del supuesto ataque químico de la Ghouta.
• El representante de la República Árabe Siria ante la ONU, Bachar Jaafari, anunció que los inspectores de la Organización para la Prohibición de las Armas Químicas (OPAQ) llegarán a Siria, en varios grupos, el 12 y el 13 de abril. Según la OPAQ, sus expertos comenzarían a trabajar en Siria este mismo sábado.
• Suecia presentó al Consejo de Seguridad de la ONU, justo al inicio de una reunión a puertas cerradas, un proyecto de resolución que solicita al secretario general de la ONU el envío a Siria de una misión de desarme para resolver «todas las cuestiones vinculadas al uso de armas químicas de una vez y por todas»." [In Red Voltaire]








«Rusia denuncia que el Reino Unido está implicado en el “incidente químico” de la Ghouta



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El ministro ruso de Exteriores Serguei Lavrov denunció desde Moscú el papel de un servicio secreto occidental rusófobo en la puesta en escena de los Cascos Blancos sobre el supuesto ataque químico en la Ghouta, región rural a las puertas de Damasco, la capital siria.
Por su parte, el vocero de las fuerzas armadas de la Federación Rusa, Igor Konachenkov, denunció directamente al Reino Unido.
Ambas declaraciones se producen en momentos en que Siria acaba de dar a conocer nuevos testimonios relativos al supuesto incidente químico utilizado por las potencias occidentales para agravar la tensión internacional alrededor de Siria.»

[In Red Voltaire]

Londres e Washington são muito credíveis, como se pode observar pela documentação específica e não específica no dossier a seguir:

"Corbyn attacca May: «Prende ordini da Trump»

Leonardo Clausi




Nel coro anglo-franco-americano di voci bianche (nell’altro senso) che minaccia un attacco missilistico contro il regime di Assad per punirne l’uso di armi chimiche a Douma col rischio di scatenare così la terza guerra mondiale mentre si è già in piena «seconda» guerra fredda, c’è una voce stonata: è quella…"    
[In Il Manifesto]


Adiado o início da III Guerra Mundial. Começo a ficar desiludido com o Ocidente

Uma maluca e dois malucos, uma maluca inglesa, Teresa May, um maluco norte-americano Donald Trump e um maluco francês, Macron, começaram a delirar e resolveram bombardear tropas russas.
A ideia parece ser esta: uma bomba atómica sobre Moscovo, outra sobre Londres, outra sobre Paris e outra sobre Washington e o Mundo ficaria muito melhor.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Os cowboys vão começara III Guerra Mundial hoje e vai dar na televisão

                                                   

Os cowboys do oeste ou cóibóis exterminam crianças sempre por uma boa causa. Assim exterminaram as crianças em Hiroxima e Nagasáqui, com bombas atómicas, não são armas químicas, são armas físicas.
Os cóibóis do oeste exterminaram crianças com armas químicas no Vietname, sempre por uma boa causa.
O Observatório Sírio dos Direitos Humanos é um departamento da CIA, uma instituição especializada em Direitos dos Humanos e dos cães também como se pode ver na figura a seguir, trata melhor os cães do que o extraterrestre nu.



E já agora, os cóibóis nunca mentem, apenas dizem verdadeiras falsidades.



terça-feira, 10 de abril de 2018

A distopia montesquiânica no Brasil - análise


«Lula da Silva: os tribunais o condenam, a história o absolverá

A campanha anti-petismo faz lembrar a campanha anti-semitismo dos tempos do nazismo. Em ambos os casos, a prova para condenar consiste na evidente desnecessidade de provar.

O processo Lula da Silva põe a nu de forma gritante que algo está podre no sistema judicial brasileiro, evidenciando procedimentos e práticas incompatíveis com princípios e garantias fundamentais de um Estado de direito democrático, os quais devem ser denunciados e democraticamente combatidos.


Totalitarismo e selectividade da acção judicial. O princípio da independência dos tribunais constitui um dos princípios básicos do constitucionalismo moderno como garantia do direito dos cidadãos a uma justiça livre de pressões e de interferências, quer do poder político quer de poderes fácticos, nacionais ou internacionais. O reforço das condições de efectivação daqueles princípios dá-se através de modelos de governação do judiciário com ampla autonomia administrativa e financeira. Mas, numa sociedade democrática, esse reforço não pode resvalar para um poder selectivo e totalitário, sem fiscalização e sem qualquer sistema de contrapesos. O processo Lula da Silva evidencia um judiciário em que tal resvalamento está em curso. Eis dois exemplos. É clara a disjunção entre o activismo judiciário contra Lula da Silva – célere, eficaz e implacável na acção (Sérgio Moro decretou a prisão de Lula escassos minutos após ser notificado da decisão de indeferimento do habeas corpus, do qual ainda era possível recorrer, e desde a denúncia à execução da pena decorreram menos de dois anos) – e a lentidão da acção judicial contra Michel Temer e outros políticos da direita brasileira. E não pode colher o argumento de que essa inacção foi bloqueada por manobras do poder político porque não se conhece igual activismo do judiciário na denúncia dessas manobras e em procurar ultrapassá-las. O segundo é a restrição totalitária de direitos e liberdades constitucionalmente consagradas. Num Estado de direito democrático, os tribunais têm de ser espaços de aprofundamento de direitos. Ora, o que se assiste no Brasil é precisamente o contrário. A Constituição brasileira determina que ninguém será considerado culpado até ao trânsito em julgado de sentença condenatória, isto é, até que se esgotem todas as possibilidades de recurso. A Constituição Portuguesa tem uma norma semelhante, e não se imagina que o Tribunal Constitucional português viesse determinar que uma pessoa fosse presa com o seu processo em recurso no Supremo Tribunal de Justiça. Ora, foi isso mesmo o que a maioria dos juízes do Supremo Tribunal Federal brasileiro fez: restringiu direitos e liberdades constitucionais ao determinar que, mesmo não tendo o processo transitado em julgado, Lula da Silva poderia começar a cumprir pena. Qual a legitimidade social e política do poder judicial para restringir direitos e liberdades fundamentais constitucionalmente consagrados? Como pode um cidadão ou uma sociedade ficar à mercê de um poder que diz ter razões legais que a lei desconhece? Que confiança pode merecer um sistema judicial que cede a pressões militares que ameaçam com um golpe se a decisão não for a que preferem, ou a pressões estrangeiras, como as que estão documentadas de interferência do Departamento de Justiça e do FBI dos EUA no sentido de agilizar a condenação e executar a prisão de Lula?

Falta de garantias do processo criminal. O debate mediático em torno da prisão de Lula enfatiza o facto de o processo ter sido apreciado e julgado por um tribunal de segunda instância que não só confirmou a sua condenação como ainda agravou a pena. Este agravamento obrigaria a uma justificação adicional de culpabilidade. Infelizmente, a hegemonia ideológica de direita que domina o espaço mediático não permite um debate juridicamente sério a este respeito. Se tal fosse possível, compreender-se-ia quão importante é questionar as provas materiais, as provas directas dos factos em que assentou a acusação e a condenação. Ora essas provas não existem no processo. A acusação e a condenação a 12 anos de prisão de Lula da Silva funda-se, sobretudo, em informações obtidas através de acordos de delação premiada e em presunções. Acresce que as condições de recolha e de validação da prova dificilmente são escrutináveis, dado que quem preside à investigação e valida as provas é quem julga em primeira instância, ao contrário do que, por exemplo, acontece em Portugal, onde o juiz que intervém na fase de investigação não pode julgar o caso, permitindo, assim, um verdadeiro escrutínio da prova. O domínio do processo, na fase de investigação e de julgamento, por um juiz confere a este um poder susceptível de manipulação e de instrumentalização política. Compreende-se a magnitude do perigo para a sociedade e para o regime político no caso de este poder não se autocontrolar.

Instrumentalização da luta contra a corrupção. O debate sobre o Caso Lula protagonizado por um sector do judiciário polariza o combate contra a corrupção, colocando de um lado os actores judiciais do processo Lava Jato, a eles colando o combate intransigente contra a corrupção, e do outro todos aqueles que questionam métodos de investigação, atropelos aos direitos e garantias constitucionais, deficiências da prova, atitudes totalitárias do judiciário, selectividade e politização da justiça. Essa polarização é instrumental e visa ocultar justamente atropelos vários do judiciário, quer quando age quer quando se recusa a agir. O roteiro mediático da demonização do PT é tão obsessivo quanto grotesco. Consiste na seguinte equação: corrupção-igual-a-Lula-igual-a-PT. Quando se sabe que a corrupção é endémica, atinge todo o Congresso e supostamente o actual Presidente da República. O Estado de São Paulo de 7 de Abril é paradigmático a este respeito. Conclui o roteiro com a seguinte diatribe: "a exemplo do que aconteceu com Al Capone, o célebre gângster americano que foi preso não em razão de suas inúmeras actividades criminosas, mas sim por sonegação de impostos, o caso do triplex, que rendeu a ordem de prisão contra Lula, está muito longe de resumir o papel do ex-presidente no petrolão". Esta narrativa omite o mais decisivo: no caso de Al Capone, os tribunais provaram de facto a sonegação dos impostos, enquanto, no caso de Lula da Silva, os tribunais não provaram a aquisição do apartamento. Por incrível que pareça, da leitura das sentenças tem de concluir-se que a suposta prova é mera presunção e convicção dos magistrados. A campanha anti-petismo faz lembrar a campanha anti-semitismo dos tempos do nazismo. Em ambos os casos, a prova para condenar consiste na evidente desnecessidade de provar.

Os democratas e os muitos magistrados brasileiros que com probidade cívica e profissional servem o sistema judicial sem se servirem dele têm uma tarefa exigente pela frente. Como sair com dignidade deste pântano de atropelos com fachada legal? Que reforma do sistema judicial se impõe? Como organizar os magistrados dispostos a erguer trincheiras democráticas contra o alastramento viscoso de um fascismo jurídico-político de tipo novo? Como reformar o ensino do direito de modo a que perversidades jurídicas não se transformem, pela recorrência, em normalidades jurídicas? Como devem as magistraturas autodisciplinar-se internamente para que os coveiros da democracia deixem de ter emprego no sistema judicial? A tarefa é exigente, mas contará com a solidariedade activa de todos aqueles que em todo o mundo têm os olhos postos no Brasil e se sentem envolvidos na mesma luta pela credibilidade do sistema judicial enquanto factor de democratização das sociedades.»

[Boaventura de Sousa Santos in Público pt]

Guerra na Síria - Israel ataca e mata militares do Irão



«Mueren soldados iraníes en el ataque aéreo de Israel contra Siria



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Dos aviones F-15 de Israel atacaron el aeródromo militar sirio de Tiyas (conocido como T4), en la provincia siria de Homs, entre las 00:25 y las 00:53 GMT de este lunes 9 de abril de 2018.
Los aviones israelíes violaron el espacio aéreo del Líbano, desde donde dispararon al menos 8 misiles teledirigidos, sin penetrar en el espacio aéreo sirio.
Según nuestras informaciones, los misiles israelíes alcanzaron varias posiciones defensivas alrededor del aeródromo sirio T4 causando 14 bajas mortales, entre las que se cuentan varios Guardianes de la Revolución iraníes.
Poco antes del nuevo ataque israelí, el Gran Rabino sefardita de Israel, Yitzhak Yosef, había emitido un llamado a asesinar al presidente sirio Bachar al-Assad, por «razones humanitarias» (sic).
Célebre por sus provocaciones, el Gran Rabino Yitzhak Yosef, quien sólo representa un 5% de la población de Israel, es hijo del Gran Rabino Ovadia Yosef, uno de los fundadores del partido Shas, aliado del primer ministro Benyamin Netanyahu.
El ataque aéreo israelí contra la base aérea siria T4 estuvo coordinado con una operación de Daesh (el Emirato Islámico, conocido en Occidente como Estado Islámico) en la provincia de Homs. De hecho, los elementos de Daesh iniciaron su operación inmediatamente después de la agresión perpetrada por la aviación de Israel.»

[In Red Voltaire]