sábado, 30 de setembro de 2017

Eleições em Portugal, amanhã é um bom dia para os masoquistas votarem em quem os levou à ruína, o PSD

Quem acha que ir à falência dá felicidade deve votar PSD. Quem acha que ficar sem os subsídios de férias e de Natal,   sem dinheiro para  férias, sem dinheiro para pagar aos bancos, e sem dinheiro para comer, que todo este empobrecimento dá felicidade deve votar PSD. Quem acha que  os cafés e os restaurantes e outras empresas que vivem do mercado interno devem ir à falência, porque o mercado interno deve estar cheio de pessoas sem dinheiro, deve votar PSD.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Crítica a Ângela Merkel

"O ovo estrelado da serpente




«Após as eleições alemãs do passado domingo, os jornalistas portugueses foram a correr ver o dicionário português-alemão para saber como se diz geringonça. Eu como não sou jornalista fiz investigação: fui ao Google translate. Obtive: contraption. Não parece uma palavra alemã. O que é natural, porque eles detestam geringonças.
Apesar de ter vencido, Merkel sofreu uma grande derrota, pior só a de Schulz, que parece ser mais popular em Portugal do que na Alemanha. O grande destaque das eleições vai para a AfD, a extrema-direita alemã, um eufemismo para nazis, que passou a a ser o terceiro maior partido na Alemanha com 13,5%. O Bundestag alemão vai ter dezenas de deputados nazis. Se estivéssemos em 1938 e a Europa estivesse meio dividida e houvesse um ditador na Rússia, era coisa para ficar assustado. Além do mais temos os EUA que são do mais antifascista que há e contamos sempre com eles.
Acho que, se calhar, o Muro de Berlim estava lá, não para separar a democracia do mundo ocidental da ditadura comunista, mas para evitar que os alemães se juntassem outra vez. Na verdade, se calhar, era um muro antinazi. Se os alemães se juntam todos, acabamos sempre nisto. Setenta anos depois do Holocausto, há 13,5% de eleitores alemães que assumem que querem ser nazis. É uma espécie de sair do armário da Anne Frank. Acho extraordinário haver pessoas que estão admiradas por haver nazis na Alemanha. Por exemplo, sobre ovos moles em Aveiro, ainda não vi nada.
Eu não tenho nada contra os alemães, excepto o humor que é fraco e o porno, péssimo, mas vamos lá ver uma coisa, os alemães perderam a guerra, mas eles queriam ganhar. Eles não perderam porque chegaram à conclusão: "Ai, se calhar isto do nazismo é feio, mais vale perder isto."
Com este crescimento da extrema-direita, Angela Merkel está para a UE como o último bastião das ideias que deram origem à União. Chegou aquele momento em que é suposto nós, portugueses, estarmos agradecidos a Merkel e arrependidos de lhe termos chamado nomes. Era só o que faltava. Tiro o chapéu tirolês aos discursos de Merkel sobre os refugiados, mas não engulo ver a Angela com o discurso antixenófobo depois do que disse dos calões do Sul. Só falta vir o Schäuble dizer que tem sangue grego.
Pode ser do que ando a tomar, mas faz-me confusão ver Merkel e companhia assustados com o crescimento da extrema-direita, como se o discurso a uma só voz, alemã, sobre a Europa, mais o castigo dos "gastadores" e a  apologia da austeridade não tivessem contribuído para o aparecimento de populistas. Agora, temos de estar todos agradecidos à Merkel porque é o último muro que nos separa dos radicais de direita. Muito obrigado, Doutora Frankenstein.»
João Quadros" [Cit in blog «Entre as brumas da memória»]

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

A Zona Euro e a provável nova coligação em Berlim

«Sem alternativa que lidere



"O chefe dos liberais discorda de quase tudo o que o Presidente francês, Emmanuel Macron, acabou de propor para uma maior integração no espaço europeu, nomeadamente um orçamento comum. Rejeita “todas e quaisquer transferências financeiras automáticas” entre os membros da zona euro e quer endurecer as regras relativas à disciplina fiscal – o que pode levantar, outra vez, o fantasma do “Grexit” (ver Público).

Macron vai ficar a falar sozinho. Merkel não tem condições políticas internas para apoiar a fuga para a frente do jovem lunático. Nem ela própria as aceita. Com o SPD como parceiro, podia negociar alguma coisa para que o essencial ficasse na mesma. Agora, com os liberais na coligação, é o núcleo duro de uma Alemanha mais encarniçada na aplicação dos tratados que nos vai governar.

Será assim enquanto não houver um país que, consciente de que dentro do euro não há futuro, decida recuperar a sua soberania. Em Portugal, os inquéritos de opinião dizem que preferimos ficar de cócoras porque sair seria uma calamidade. Preferimos a morte lenta à ousadia de construirmos um futuro digno. Mesmo vendo que a UE já está em desagregação. De vez em quando, os partidos da esquerda lá vão dizendo que o euro impede o nosso desenvolvimento. Limitam-se a ir atrás do que o povo vai começando a perceber. Não lideram. E, sem uma alternativa que lidere, não há mesmo futuro digno para todos.»    [In blog «Ladrões de Bicicletas», Jorge Bateira]

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Publicidade escondida com rabo de fora no «Jornal das 8» da TVI

Eu sou contra o facto de o Estado dar dinheiro à SIC e à TVI, porque uma empresa privada tem que viver pelos seus próprios meios, não com o meu dinheiro enquanto contribuinte, e de outros contribuintes. O Estado dá dinheiro à SIC e à TVI, obrigando a RTP a ceder publicidade à SIC e à TVI.

"Violação contratual

E agora anunciamos um jornal televisivo em que a informação tem 44 minutos e a publicidade 25 minutos. Não percebeu bem: são vinte e cinco minutos de publicidade NA informação.   

Ontem, durante 25 minutos, entre peças e uma entrevista em estúdio a dois cirurgiões, uma clínica de cirurgia plástica foi promovida no espaço dos jornal das 8 da TVI. 

O jornal estava a ser apresentado pela Judite de Sousa. No final, houve uma peça de dois minutos sobre o protesto dos desportistas norte-americanos pelas mortes em confrontos com a polícia. Depois, veio a apresentação do livro mais recente de Ken Follet (1minuto e tal). Maddona e Portugal (outro minuto e tal).

Mas às 20h44, a pivot arranca desta forma: "Neste jornal das 8 abrimos agora espaço para dois reconhecidos cirurgiões portugueses. O interlocutor é o meu colega José Carlos Araújo. Boa noite, José Carlos". E Judite de Sousa escapa-se e não voltará a aparecer mais.

José Carlos Araujo é editor de Sociedade da redacção da TVI e formador no centro de formação de jornalistas (Cenjor). É ele quem faz a apresentação e quem estará a entrevistá-los: "Há quem os trate por médico milagre ou fabricante de sorrisos".

A partir daí, e durante quase meia hora só se fala dos milagres que os dois médicos fazem. Segue-se duas peças de 4 minutos cada, uma para cada médico e, depois, 17 minutos de entrevista em estúdio aos dois médicos En passant surge o nome da Clínica da Face, sendo mesmo disponibilizados preços das operações.  

Se isto fosse jornalismo, o interesse público de um trabalho como este seria já suficientemente duvidoso. Mas ainda seriam mais discutíveis os critérios de gestão de tempo. Foi tudo isto uma opção do editor ou de quem coordenava o Jornal das 8? Por que fugiu a Judite de Sousa? Foi uma opção do director de informação? Quanto vale ocupar 25 minutos nesta nova categoria de primetime

As televisões privadas não perdem um momento para atacar os esforços da RTP para captar publicidade. Balsemão - um brilhante gestor que tem o seu grupo em maus lençóis - está sempre a aparecer e a exigir que a RTP se afaste do mercado, sempre a pensar em si, e não nos contribuintes, digo, nos cidadãos. Todos assinaram um protocolo nesse sentido, desde que apoiassem a produção independente. Todos fazem o que podem para limitar a RTP.  E agora isto?

Vai ser assim na futura TVI/Altice? Uma coisa é certa: não foi para isto que se privatizou o espaço público de televisão."

Catalunha - a liberdade foi proibida

"Vergonha na Catalunha




«Há dois dias realizou-se um referendo acerca da independência do Curdistão iraquiano, conduzida pelo governo regional. Bagdad protestou, a Casa Branca tentou convencer os dirigentes curdos a adiar a consulta, mas ela realizou-se. Não houve prisão de governantes regionais, invasão policial, ameaças financeiras ou outras violências — e é uma zona de guerra contra o Daesh, para nem referir os ataques das forças turcas contra as milícias curdas. Apesar do perigo, a população teve o direito de votar.
No caso da Catalunha, em resposta à decisão do parlamento de realizar um referendo, alguns governantes foram presos e todos estão ameaçados, foi suspensa a autonomia financeira, milhares de polícias foram mobilizados de outras regiões, o procurador-geral anuncia que prenderá o presidente catalão e Rajoy ameaça com a mãe de todas as violências. Mesmo que as sondagens tenham vindo a indicar que a maioria da população quer ter o direito a escolher o seu futuro em referendo, mas que, se consultada, poderia preferir manter uma associação ao Estado espanhol, Rajoy tentará impedir a consulta pela força.
Este banquete de ameaças invoca a ordem constitucional, que foi estabelecida em 1978 na transição pós-franquista e que ao longo de 40 anos nunca foi modificada, apesar de sucessivas promessas feitas às autonomias regionais. Durante estas décadas, nem a solução federal vingou nem o direito de decisão nacional foi reconhecido.
Para quem assiste de longe à radicalização do conflito sobram muitas questões. Quanto a Portugal, interessa-nos, mais do que tudo, saber se a direita vence este braço de ferro e se Rajoy se torna mais agressivo do que já tem sido contra Portugal desde a formação do governo Costa, ou se são respeitados direitos fundamentais, como os que a diplomacia portuguesa invocou no passado recente.
De facto, Timor-Leste tornou-se independente graças a um referendo em que a maioria da população decidiu separar-se da Indonésia, cujo poder sobre o território, convém lembrar, era reconhecido pelos Estados Unidos, pela União Soviética, pela China, por Cuba e por muitos outros países. Apesar disso, Timor resistiu durante décadas e conseguiu votar a independência, a diplomacia portuguesa apoiou o referendo, a população portuguesa solidarizou-se, a ONU envolveu-se.
No nosso tempo foram realizados dois outros referendos sobre o direito à autodeterminação: no Quebec (1995) e na Escócia (2014), ambos aceites pelo Estado que poderia ser objecto da separação. O povo decidiu e a independência perdeu nos dois casos. O contraste com o caso espanhol é muito evidente: não houve ameaças, prisões, processos sumários, perseguições. E alguns Estados recentes foram formados sob a invocação da autodeterminação, como aconteceu com a Croácia, aplaudida na Europa quando se tratava de destruir a Jugoslávia.
Pensemos então que a Catalunha independente nem é viável nem necessária, ou que esse será o seu destino, só há um ponto em que precisamos de estar de acordo: o respeito pelo direito a decidir. É a democracia. A Catalunha tem o direito de votar.
Finalmente, deixem-me os leitores mostrar o meu espanto pelos doutrinários portugueses que, a despropósito, nos vêm agora explicar que, não tivesse havido 1640 e a recuperação da independência de Portugal, prefeririam fazer parte de Espanha e assim continuar. Há nisto uma leveza notável, que é essa imaginação delirante do que seria a história se não fosse o que foi. Pura fantasia: se esses doutrinários tivessem rodas poderiam ser um triciclo, mas não têm, pois não? Mas há pior, é o gosto de submissão a um Estado estrangeiro, como se a história pudesse ser corrigida descartando a nossa soberania. Olhar para a Catalunha a fazer vénias aos Bourbons tornou-se o destino dos nossos desistentes.»
Francisco Louçã" [Cit in blog «Entre as brumas da memória»]

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Invasão da Catalunha por grupos policiais-militares estrangeiros dá origem a uma Ditadura policial-militar-colonial

O fascismo franquista regressou à Catalunha, com o apoio da Nato e da União Europeia.


«O ministro do Interior da Espanha, Juan Ignacio Zoido, comunicou nesta sexta-feira em carta ao seu par catalão, Joaquim Forn, que enviará cerca de seis mil policiais à Catalunha para garantir a manutenção da “ordem pública” na região. A ação é vista como uma forma de dissuadir Barcelona a não levar adiante os planos de realizar no dia 1° de outubro um referendo de independência, declarado “ilegal” por Madri.

As forças policiais, divididas entre unidades da Polícia Nacional e Guarda Civil, já vêm sendo destacadas na região há pelo menos duas semanas. Sem alojamentos suficientes disponíveis, Madri teve que alugar três cruzeiros para alocar todo o efetivo policial. Um deles, o Moby Data, chama a atenção logo em seu exterior: trata-se de um navio temático com personagens da série animada Looney Tunes, entre eles os conhecidos Piu Piu, Frajola, Coiote e Patolino.»

[In revista «Veja» br]

«Polícia catalã recebe ordens para encerrar todos os locais de voto para o referendo

Mossos d'Esquadra devem tomar controlo dos recintos destinados à votação até dia 30 de Setembro. Ninguém poderá entrar a partir desse momento.

O corpo policial autónomo da Catalunha, os Mossos d’Esquadra, recebeu ordens para encerrar todos os locais que possam servir de centros de votos para o referendo sobre a independência catalã marcado para domingo, dia 1 de Outubro. A polícia deve assim tomar controlo destes recintos, que incluem escolas e centros cívicos, a partir de 30 de Setembro.

Além disso, a procuradoria-geral catalã ordenou que a polícia impeça que se realize a votação na rua, se esta ocorrer a menos de 100 metros dos locais reservados ao sufrágio. As instruções partiram do procurador-geral da Catalunha, José María Romero de Tejada, e tiveram como destinatário o chefe dos Mosso d’Esquadra, Josep Lluís Trapero.
Caso se registe desobediência às ordens agora divulgadas, os agentes policiais devem identificar e avisar os directores ou os responsáveis pelo local em questão das consequências dessa acção, noticiam o El País e o El Mundo, citando fontes do Ministério Público espanhol.
Todo o material que seja destinado à votação deve também ser apreendido – incluindo material informático, urnas, boletins de voto ou cartazes de propaganda eleitoral. Apesar disso, existe o receio que os centros de voto sejam ocupados antes da chegada das autoridades. Por isso, o procurador catalão instruiu os Mossos d’Esquadra a retirarem todas as pessoas que estejam no interior dos locais designados.
Nas detalhadas instruções de Tejada, pede-se também que os locais sejam encerrados de forma visível e eficaz, devendo a polícia catalã “utilizar materiais que garantam a inviolabilidade do bloqueio e um cartaz que advirta sobre a responsabilidade legal” para quem tente forçar a entrada.»   [In « Público» pt]

Factos que as censuras portuguesas não deixam divulgar



«Ministerio de Defensa ruso publica fotos de tropas de Estados Unidos estacionadas en zona bajo control de Daesh



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El ministerio de Defensa ruso divulgó, el 24 de septiembre de 2017, imágenes satelitales de un campamento de las fuerzas especiales de Estados Unidos en pleno centro del territorio bajo control del Emirato Islámico (Daesh) en la región siria de Deir ez-Zor.
La agencia de prensa turca Anadolu ya había mencionado la existencia de esas bases estadounidenses el 17 de junio de 2017 y numerosas fuentes atestiguan que existe un pacto de no agresión entre, por un lado, las fuerzas especiales de Estados Unidos y los combatientes kurdos y, del otro lado, los yihadistas de Daesh.
Las fotografías captadas por los satélites rusos y publicadas por el ministerio de Defensa de la Federación Rusa contradicen definitivamente la versión según la cual Estados Unidos y sus aliados kurdos en Siria estarían luchando contra Daesh. Sólo los Estados que disponen de satélites posicionados sobre Siria pueden verificar la autenticidad de las imágenes que Rusia acaba de dar a conocer, y es por tanto a esos países que se dirige esa denuncia.»
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A extrema-direita volta ao Parlamento da Alemanha depois de ter sido arredada do poder em 1945

A extrema-direita alemã voltou ao Parlamento, depois de ter perdido a guerra, em 1945.


Não pode usar a sua bandeira genuína,
nem pode usar o nome histórico do Partido, mas com um nome de ocasião, AfD, Alternative für Deutschland, o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães [Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei (NSDAP)] voltou ao Parlamento  de Berlim.

                   [Cit in blog «Aventar»]

«Uma nuvem suástica que paira sobre Berlim


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Fotografia: Bernd Settnik/DPA@Berliner Morgenpost
Com as urnas fechadas e os votos contados, as conclusões a retirar destas legislativas alemãs parecem-me muito óbvias: a CDU/CSU de Angela Merkel sofre uma queda aparatosa, dos 45,3% de 2013 para 33%, o SPD de Martin Schulz obtém o pior resultado de sempre, ficando-se pelos 20,5%, após os 29,4% de 2013, e o grande vencedor do acto eleitoral é o partido de extrema-direita AfD, que nas eleições de 2013 não conseguiu eleger um único deputado e que agora consegue uma votação de 12,6% e 94 dos 709 assentos disponíveis no Bundestag.
Não me alongarei sobre estes resultados, sobre o regresso em força dos liberais do FDP, que obtiveram também um excelente resultado, ou sobre os crescimentos anémicos dos Verdes e do Die Linke. Interessa-me, sobretudo, relacionar os péssimos resultados do bloco central alemão –  os conservadores da CDU/CSU e os social-democratas do SPD – com o crescimento assustador da extrema-direita. Ou não tivessem sido eles os únicos a perder representantes no hemiciclo alemão. Uma tendência preocupante, não só na Alemanha, mas também noutros Estados europeus, com o caso francês à cabeça. Uma tendência que, felizmente, ainda não se verifica em Portugal, onde a extrema-direita ainda não tem expressão, apesar dos Venturas desta vida.
Por toda a Europa, bem como nos EUA pós-Trump, ainda que em moldes algo diferentes, surgem fantasmas do passado, fantasmas que nos trazem á memória o que de pior experienciamos no século passado. Fantasmas que se alimentam da degradação dos partidos do centro, presos em espirais de corrupção, clientelismo e tráfico de influências, o combustível perfeito para um discurso violento, segregador e isolacionista, que coloca a democracia em xeque. Um discurso que cavalga as ondas do racismo e da xenofobia, aprofundando a divisão nas sociedades ocidentais. O discurso que serviu de base para o Brexit ou para a ascensão de Marine Le Pen. Um discurso que agrada a Moscovo, que esfrega as mãos perante o enfraquecimento da débil União, às mãos dos seus pares.
Mas, não andou a União a cavar a sua própria sepultura? A União e os seus burocratas anafados, fechados na luxuosa capital do superestado que não o é, vassalos de um sistema financeiro predador e implacável, que prometeu uma Europa unida e igualitária, que, não conseguindo andar à mesma velocidade, andou à velocidade dos poderosos e deixou metade de si para trás, refém da dívida e do oportunismo de políticos medíocres. Era uma questão de tempo. Uma questão de tempo até que as comadres se zangassem, a periferia ruísse e os demagogos emergissem, por entre os escombros de sucessivas recessões.
E eles aí estão. Preparados para acabar com o que resta desse sonho europeu que há muito se transformou num pesadelo. Preparados para perseguir emigrantes, minorias e, a seu tempo, os democratas que restarem. Preparados para exigir a pena de morte, a castração química e os campos de trabalhos forçados. Desejosos de queimar pontes, livros e, porque não, parlamentos nacionais. Não foi assim que tudo começou, a 27 de Fevereiro de 1933?»


[In blog «Aventar»]

domingo, 24 de setembro de 2017

Donald Trump ao ameçar destruir completamente a Coreia do Norte está a ultrapassar pela Direita o nazismo alemão

Donald Trump foi eleito, como foi eleito Adolf Hitler.




Ambos proclamaram praticar a Mal Absoluto.
No entanto, ao querer exterminar completamente os homens, as mulheres e as crianças da Coreia do Norte, Trump ultrapassa Hitler pela faixa da Direita.

sábado, 23 de setembro de 2017

A Catalunha está sob ocupação policial-militar de um país estrangeiro que impôs uma Ditadura Policial

A Ditadura policial-militar que se abateu sobre a Catalunha, imposta por um país estrangeiro invasor, evidencia a hipocrisia da NATO, da União Europeia e arredores.

"O que é que se passa na Europa e em Portugal face à Catalunha?




Assino este texto de Pacheco Pereira, no Público de hoje, sem tirar nem pôr uma vírgula:
«Não se percebe o que é que se passa na Europa e em Portugal perante os acontecimentos na Catalunha. Ou melhor, percebe-se bem de mais. O governo e a Assembleia catalã pretendem realizar um referendo para perguntar aos seus cidadãos se querem ou não uma Catalunha independente. Do ponto de vista do Estado espanhol, e da Constituição espanhola, o referendo é ilegal, o que implicaria que deste ponto de vista os seus resultados seriam juridicamente nulos. Impedir a realização do referendo é uma coisa de natureza muito diferente e destina-se a impedir não os seus efeitos jurídicos, mas os seus efeitos políticos. Por isso, o problema é eminentemente político e o modo como tem sido tratado é igualmente significativo no plano político.
É por isso mesmo que não compreendo, ou melhor, compreendo bem de mais, por que razão se silencia o debate político e se aceita o modo como o Governo espanhol está a reagir, com prisões, congelamento dos fundos, fecho de sites na Internet, ameaças de todo o tipo e, na prática, ocupação policial de instalações sob jurisdição do governo da Catalunha. Como não se quis invocar o artigo da Constituição espanhola que permitia, na prática, a ocupação policial da Catalunha e a cessação da sua autonomia, para evitar seguir os procedimentos legais da sua aplicação, a actuação governamental espanhola é igualmente de duvidosa legalidade. De novo, voltamos ao problema político que se pode resumir facilmente: os catalanistas esperam uma maioria de votos a favor da independência e os “espanholistas” temem o mesmo resultado. Não adianta dizer na mesma frase que se pensa que, se fossem votar, os catalães recusariam a independência, e impedir o referendo que, nessa presunção, daria uma forte legitimação ao Estado espanhol e um brutal golpe nas aspirações independentistas. De novo, insisto, uma coisa é fazer o referendo e assumir como nulos os seus resultados, fossem num sentido ou noutro; outra é impedi-lo. O impedimento mostra medo do voto, e isso fragiliza muito a posição governamental e dos partidos hostis à possibilidade de independência catalã.
Neste contexto, é perigoso o modo como as instituições europeias estão a actuar, acompanhadas, como é habitual nos momentos mais decisivos, por uma espécie de consenso comunicacional, que faz suceder artigos sobre artigos, noticiários tendenciosos sobre noticiários tendenciosos, contra o referendo catalão. Basta ler a imprensa e ver a televisão espanhola para perceber que não há verdadeiro debate sobre o que se está a passar, mas uma barragem de posições que tem em comum serem todas contra o referendo e a possibilidade da independência catalã. Estamos a falar da comunicação social de um país e uma democracia europeia, e ninguém parece espantado e revoltado com tanta unanimidade agressiva, com os jornalistas a incorporarem na sua linguagem todo o vocabulário e argumentário anti-catalão. Ora, isto não é normal, como não é normal o esforço das instituições europeias para isolarem a Catalunha, as mesmas que aceitaram o referendo sobre a independência da Escócia (que se irá repetir a curto prazo) e agora se calam perante um processo de controlo e manipulação comunicacional e perante a repressão política que se abate sobre a Catalunha. Sim, repressão política, que parece deixar indiferentes todos aqueles que vêm para a rua protestar contra qualquer violação dos direitos e liberdades e muitos dos quais certamente apoiam o referendo curdo pela independência do Curdistão iraquiano e acham abusiva a posição de o impedir por pressão da Turquia." [Cit in blog «Entre as brumas da memória»]

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

A Rússia contra o fundamentalismo cristão dirigido a partir dos Estados Unidos ou a proibição da associação estadunidense «Testemunhas de Jeová»


As «Testemunhas de Jeová» constituem um grupo fundamentalista cristão estadunidense que é contra a Democracia, contra a Liberdade e Contra os Direitos Humanos.

Lutero no século XVI traduziu a Bíblia para alemão e criou o protestantismo.
Agora cada grupo que se baseia na Bíblia tem a sua tradução privada e a sua interpretação privada da Bíblia.

Em primeiro lugar as Testemunhas de Jeová são a favor do homicídio de crianças, que precisem de transfusões de sangue para continuarem a viver. 

Têm a sua interpretação privada da Bíblia que, dizem eles, proíbe as transfusões de sangue, embora em sítio nenhum da Bíblia apareça qualquer texto a falar de transfusões de sangue!

As Testemunhas de Jeová estão proibidas de votar, são contra a Democracia e contra a República.

No seu imaginário surgirá uma monarquia absoluta em que o rei será Jeová.

Essa imaginária monarquia absoluta irá exterminar todos os judeus, mesmo todos, corrigindo assim as falhas de Hitler, que não foi eficiente.
Além dos judeus essa imaginária monarquia absoluta irá exterminar todos os muçulmanos, todos os ateus, todos os agnósticos, todos os budistas, todos os hindus, e  todos os católicos e ainda todos os protestantes, todos os cristãos que não pertençam às testemunhas de Jeová.

As Testemunhas de Jeová estão proibidas de comemorar aniversários, de comemorar o Natal e a Páscoa.

As Testemunhas de Jeová consideram que o Demónio governa o Mundo. Eu acho que neste aspecto têm razão, parcialmente, porque o Demónio governa, actualmente, os Estados Unidos.

Catalunha - Censura na Internet, por ordem de Rajoy

«Estas son las primeras webs bloqueadas y cerradas por la Justicia española en relación al Referéndum del 1-O

El juzgado de Barcelona requiere  “medidas de ejecución forzosa” sobre los siguientes dominios:
cat.referendum.barcelona,
referendum.enricpineda.cat,
referendum.party,
referendum.ninja,
referendum.love,
referendum.legal,
referendum.fyi,
referendum.soy,
referendum.lol,
referendum.voto,
referendum.works,
referendum.observer, alerta.cat/
www.referendum.cat,
referendum.pirata.cat,
referendum.pau.fm,
referendumcat.eu,
nigeon,github.io/referendum.cat,
re1oct.net,
ref1oct.oct.org,
referendum.zalo.nyc
aniol.github.io/referendum.cat.»

Da Guerra da Catalunha de 1640 à Guerra da Catalunha de Setembro de 2017

Em 1640, Filipe IV era rei da Espanha, de Portugal e da Catalunha.

A Catalunha e Portugal queriam a independência.

Foi a Catalunha que declarou primeiro a independência, em  7 de Junho de 1640 e foi proclamada a República da Catalunha.

Começou a Guerra da Catalunha , e em 1 de Dezembro de 1640 Portugal declarou a independência, aproveitando a Guerra da Catalunha.

A diferença entre a Catalunha e Portugal é esta:

A Catalunha perdeu a guerra contra os castelhanos e Portugal ganhou a guerra contra os castelhanos.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

O discurso macabro de Donald Trump na ONU


Donald Trump falou de novos cemitérios, ameaçou com uma guerra nuclear contra a Coreia do Norte, ameaçou o Irão, ameaçou a Venezuela.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que o Mundo têm medo de uma guerra nuclear contra a Coreia do Norte.

Os Estados Unidos já praticaram genocídio com bombas atómicas, em Hiroxima e Nagasáki, por ordem do democrata  HarryTruman, que era o vice-presidente de  Franklin Roosevelt, que morreu demorte natural em 1945 (no dia 12 de Abril), ainda a II Guera Mundial não tinha acabado.

Quando o presidente dos Estados ameaça praticar uma guerra nuclear é para levar a sério, porque os Estados Unidos são o único país do Mundo que usou bombas atómicas numa guerra.


Donald Trump não quer saber do aquecimento global. Se no futuro parte da Flórida ficar debaixo de água que se lixe. Se as fotografias do mesmo mês, tiradas por satélites, do Ártico mostram uma crescente diminuição da camada de gelo, que se lixe. Que se lixe a Humanidade!

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Rogar pragas ao governo de António Costa não tem sido um sucesso

"A grande anedota nacional


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Imagem encontrada no Facebook/autor desconhecido
É claro que a decisão dos terroristas da Standard & Poor’s não se deveu em exclusivo à acção deste governo. Nem deste nem de governo nenhum, que agências de rating são empresas privadas que tomam decisões em função dos seus interesses momentâneos, sejam eles quais forem. Que o diga o Lehman Brothers, cujo triplo A cintilava na constelação financeira no dia imediatamente anterior ao pontapé de saída do crash de 2008.
Contudo, há algo de verdadeiramente encantador nesta revisão da notação financeira do rating português. Foram quase dois anos de alarmes apocalípticos, profetizados por barões radicalizados do PSD e do CDS-PP, cronistas e jornalistas ditos de referência, que anunciavam sanções, resgates, défice descontrolado e desemprego galopante. Sim, a dívida continua a ser uma grande dor de cabeça. Como o foi nas quatro últimas décadas. Mas a estratégia do medo, a única que emanou da São Caetano e do Caldas nos dois últimos anos, com o auxílio e forte empenho dos spin masters da direita, pequenos Trumps que se dedicam à canalha instrumentalização emocional dos mais incautos, é hoje a grande anedota nacional e deveria corar de vergonha toda aquela gente. Se tivessem vergonha na cara, claro. Depois admiram-se com sondagens historicamente desastrosas.
Resta-lhes a narrativa da censura e da ameaça comunista, duas palermices nas quais já só as mais acéfalas ovelhas acreditam, que o rating do wishful thinking catastrofista está já abaixo de lixo não-reciclável. Nem para compostagem serve. António Costa bem pode esfregar as mãos: como tão fraca oposição, que colocou a fasquia tão baixa e se prestou a tão triste papel, qualquer vitória de pirro abafa bizarrias como a entrevista de Azeredo Lopes ou palhaçadas como aquela que está a deixar a Protecção Civil em estado de sítio."

[In blog «Aventar»]

A crueldade da Direita, da Direita que diz que reza

"Vai teimosa e não segura, Assunção sobre Ventura?


Depois de se demarcar (exemplarmente, diga-se) das declarações racistas e xenófobas de André Ventura, e de desvincular o seu partido da coligação com o PSD em Loures (rejeitando fazer parte do «teste Trump», em que Passos Coelho continua empenhado), Assunção Cristas parece não ter sido capaz de ceder à tentação (ou a alguma contestação interna) e decidiu insistir no velho discurso do CDS-PP sobre o Rendimento Social de Inserção, fazendo uma requentada alusão às «pessoas com grandes carros e que vivem do RSI».

Sejamos justos e rigorosos: na sua referência à prestação, a presidente do CDS-PP não só não associa as supostas fraudes dos beneficiários a qualquer minoria ou comunidade étnica específica (ao contrário do que faz Ventura), como expressa de forma clara o entendimento do seu partido sobre o RSI. Segundo Cristas, «o CDS sempre foi a favor a se dar o rendimento a quem dele precisa, mas sempre foi a favor de uma grande fiscalização», opondo-se por isso à «renovação automática» da medida sem um escrutínio da «manutenção das condições de necessidade».

Podemos pois assumir que as declarações de Assunção Cristas, ainda que eventualmente suscitadas pela necessidade de não perder demasiado o pé face à golpada eleitoralista sem escrúpulos em que Passos e Ventura embarcaram, revelam sobretudo o persistente preconceito da direita, que prefere a caridade assitencialista, em relação às políticas sociais públicas. Vale por isso a pena reler o recente artigo de Ricardo Moreira sobre o suposto «regabofe» no RSI e relembrar alguns factos, como a circunstância de «a prestação mais controlada» de todas (mas de reconhecida eficácia na redução da intensidade da pobreza e com reduzidos níveis de fraude) representar apenas «2% do total de despesas da Segurança Social» (tendo sofrido «um corte de -45%» entre 2010 e 2015) e em que cerca de 40% dos beneficiários são «menores ou pessoas com mais de 65 anos, que não podem trabalhar».


Ou seja, se acreditarmos que «o CDS sempre foi a favor a dar o rendimento a quem dele precisa», e se considerarmos o agravamento do desemprego e dos níveis de pobreza entre 2010 e 2015 (com uma redução das situações cobertas por prestações de RSI e CSI), teremos que concluir que o corte no número de beneficiários ocorrido nesse período - cerca de 230 mil no total, entre os quais 93 mil crianças e cerca de 10 mil idosos - apenas resultou da «fiscalização e escrutínio da medida», que terá possibilitado a identificação das situações de fraude existentes (como as de «pessoas com grandes carros e que vivem do RSI»). 230 mil beneficiários, 93 mil crianças e 10 mil idosos, é isso, não é Dra. Assunção?"

[In blog «Ladrões de Bicicletas», Nuno Serra]

Textos contra a Esquerda da Direita militante que se julga abençoada

"Os geringonçólogos




«No tempo da União Soviética, que deus tenha, havia uma trupe de analistas encartados que se reconheciam como “sovietólogos”. Competia-lhes a tarefa árdua de olharem à lupa para as fotos, que a televisão era pouca, e de colecionarem boatos para poderem chegar à conclusão de que o secretário-geral estava com azia, se fosse o caso, ou outra infâmia qualquer. Da influência de casos desse tipo nos misteriosos destinos do planeta reza a história.
Suponho que, perante o inesperado, é assim que reagem as sociedades perfeitas e os seus mestres de cerimónias. Querem saber e, se não sabem, querem adivinhar. Se for coisa de Ficheiros Secretos, se for eco da Cidade Proibida de Pequim, se for boato da mansão de Futungo de Belas em Luanda, até se for de tumulto no parlamento de Brasília, é esta classe de analistas que é chamada ao palácio para traduzir os sinais, os hieróglifos e as entoações. Sinal dos tempos, agora dedicam-se a Trump e a outras surpresas, e não lhes faltará assunto.
Mas se o desconhecido se instala entre nós, como um vírus, e não à distância de um telejornal, então o cordão sanitário é um desespero: os que mandam têm que compreender ou pelo menos classificar, os de baixo devem ser alertados e prevenidos. É o caso da ameaça da “geringonça”, que não é só uma mazela, é mesmo uma ameaça à moral e aos bons costumes.
Calhou-nos portanto a sorte de ter que viver com esta casta especial, especializadíssima, que é a dos peritos em decifrar o tom de voz, a catadura, a posição da mão, o andar, a cor da roupa, a gravata e até, em desespero de causa, a palavra desta gente que arrombou a porta do palácio. São os geringonçólogos.
Habituados ao debate político, os geringonçólogos no entanto abominam a troca de razões; desgostosos dos silêncios oficiais, no entanto aborrecem a discussão pública sobre dossiers e questões; irritados com negociações de gabinete, no entanto indignam-se com a transparência, a que preferem a fuga de informação.
Sendo profissão de sucesso, a carreira de “geringonçólogo” atrai variadas espécies: tudólogos, mas também jornalistas-comentadores, incluindo ideólogos e, além deles, os engraçados, que são os meus preferidos, se tiver voto na matéria. Em todo o caso, a sentença é pesada: os partidos da esquerda vêm de um “resultado pífio” (isto é editorial), “não se levam a sério”, atravessa-se-lhes uma “alegria tonta” (isto também é editorial) ou elaboram “fantasias” avulsas (este é de ontem). Como não compreender que não sejam ouvidos, “ou melhor, ouvimos, mas não lhes damos valor”?
Como não compreender que mulheres que dirigem uma destas esquerdas sejam umas “alucinadas” ou até umas “patas”, em todo o caso perigos públicos, “mais daeshistas do que o Daesh”. O mais moderado destes escritores manifesta a sua tristeza pelas “propostas nalguns casos delirantes” desta gentalha.

Miguel Pinheiro, o director do Observador, cujas posições já tinham brilhado em algum canal de televisão e se não me engano na Sábado, tudo pilares do jornalismo mais isento, resolveu escrever que essas geringoncistas “gritam muito, e berram muito, e protestam muito, para que, no meio do ruído, ninguém perceba isso”. Outro director enfuna as velas e intima: “O que pensam Mariana Mortágua, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa da vergonha que vem nas viagens pagas para se obter um contrato do Estado? Não pensam nada porque foram os agora seus (nessa oitava maravilha do mundo que se denomina geringonça) que apanharam o avião, comeram e dormiram de borla e agora, apanhados, põem o futuro à disposição. Mariana, Catarina e Jerónimo não têm vergonha”. Azar dos Távoras, Pedro Mota Soares foi forçado a esclarecer, compungido, como tinha autorizado viagens, já para não detalhar a viagem do primeiro-ministro Cavaco Silva sob hospitalidade da Nestlé – e há pelo menos um partido de que não se encontra nenhum nome em viagens deste jaez.
O meu argumento é que nada disso importa. O fluxo de insinuações e de intimações já não é jornalismo, é a canibalização do espaço público para ajustes de contas, para ensaios de carreiras, para praxes ideológicas e para luta de interesses. Mas há uma ideia, e ela resume todo o sucesso da geringonça e da sua relação de forças com a direita e entre si: os geringoncistas já só têm uma agenda, que o PS tenha maioria absoluta. Tudo se resume agora ao apelo da alma, oh céus, venha pelo menos o poder total de António Costa para que se encoraje a afastar a geringonça, de qualquer modo com Passos e Cristas já se perdeu a esperança, resta Cavaco mas quem lhe liga, mais vale perdidos por cem do que perdidos por mil.»
Francisco Louçã" [Cit in blog «Entre as brumas da memória»]

domingo, 17 de setembro de 2017

As Comissões de Trabalhadores e o predomínio das empresas pequenas e muito pequenas

  "Falsa questão


Um dos pomos da discórdia sobre as polémicas alterações à legislação laboral em França - e em todo o mundo - prende-se com o novo papel que se pretende dar à negociação a nível de empresa, entre empresários e comissões de trabalhadores de empresa, por contraponto a uma negociação colectiva, representada por sindicatos e confederações patronais.

À pala de uma maior aproximação ao terreno - e realismo negocial -, visa-se remover os "empecilhos" sindicais, desmantelando totalmente os equilíbrios que a lei cria numa relação de poder desigual.

A ideia nem sequer é nova. Cá em Portugal, ela foi reforçada no Código do Trabalho desde 2003; em 2009 (Governo José Sócrates) com a Lei 7/2009 que permitiu a possibilidade de a associação sindical dar às comissões de trabalhadores (CTs) poderes de representação sindical em acordo em empresas de mais de 500 trabalhadores; em 2012 (Governo Passos Coelho/Paulo Portas), com a desarticulação da contratação colectiva e com a lei 23/2012 que baixou aquele limiar para os 150 trabalhadores.

Uma das faces desta posição está presente no Governo, na pessoa do ministro das Finanças. Mas passa muito facilmente na comunicação social - onde são raros os órgãos de comunicação com CTs... - e até se sentiu os acordes deste tema acerca da paralisação negocial na Autoeuropa, como bem se recorda, tudo em defesa de um suposto modelo ideal de inspiração alemã.

Ora, esta é uma falsa questão. Num artigo bastante interessante publicado pela Mediapart, (possivelmente só acessível a assinantes) recorda-se que, sim, os comités de empresa são, de facto, um pilar no modelo negocial desde o início do século 20, mas que têm fortes lacunas. Nomeadamente na cobertura das empresas e dos trabalhadores abrangidos, deixando de fora de uma negociação mais de metade dos trabalhadores. Em Portugal, os números seriam bem mais devastadores.


"As primeiras assembleias de representantes viram a luz do dia em 1900 no sector mineiro. Em 1920, a República de Weimar dotou-se igualmente de uma lei reconhecendo o princípio da representação dos assalariados na empresa. Mas o regime nazi apressou-se a suprimi-la. Apenas em 1952, no quadro das leis de cogestão, uma verdadeira legislação sobre os comités de empresa viu a luz do dia. Ela foi alterada e alargada em 1972 e 2001."
Mas qual foi o resultado destas alterações? Este tipo de representação acabou por funcionar sobretudo nas grandes empresas.
Actualmente apenas 9% das empresas alemãs têm um comité de empresa. Este número deve ser todavia explicado, pormenoriza Heiner Dribbusch, um dos melhores peritos na questão na Fundação Hans-Blocker, um think-tank dos sindicatos alemães. Quanto maior a empresa, mais há possibilidade de ter um comité de empresa. Assim, 80% das empresas com mais de 500 trabalhadores têm um. Em contrapartida, esse é o caso de apenas 5% das empresas com menos de 50 trabalhadores. No final, cerca de 42% dos assalariados alemães - seja 34% a leste e 43% a oeste - trabalham numa empresa com comité de empresa. Isto explica-se igualmente pela estrutura do empresariado alemão. Em cerca de 3,6 milhões de empresas na Alemanha, existem cerca de 3,2 milhões de muito pequenas empresas (menos de 9 assalariados). E a metade dentre elas são mesmo empresas artesanais que têm um só assalariado que é também o seu fundador, explica Frank Maas, do instituto des PME de Bonn (IfM Bonn).
E em Portugal? As estatísticas oficiais são esmagadoras e, por isso, tornam evidente o que se visa essencialmente.

Em 2015, cerca de 96,2% das 1,1 milhões de empresas portuguesas eram microempresas (menos de 10 trabalhadores). Havia 3,2% de pequenas empresas (entre 10 e 49 trabalhadores) e 0,5% de médias empresas (entre 50 e 249 trabalhadores). As grandes empresas - com mais de 250 trabalhadores representavam 0,1% das empresas. Cerca de 25% eram sociedades individuais e 75% sociedades.

Quanto ao número de trabalhadores, as microempresas empregavam no mesmo ano 46,4% dos trabalhadores, as pequenas 19% e as médias 14,5%. As grandes empregavam 20,1% dos trabalhadores.

Ou seja, caso a negociação laboral passasse a ser feita ao nível das empresas e caso se verificasse o "exemplar" padrão alemão acima descrito (80% do pessoal nas grandes empresas tinha comité de empresa e 5% nas PME) - então apenas 20% dos trabalhadores portugueses estariam abrangidos por uma qualquer negociação. E isto caso o facto de existir um comité de empresa significasse haver negociação.

Na realidade, a situação é bem pior. Segudo o Livro Verdes de Relações Laborais (página 302) a 31/12/2015 havia apenas 191 comissões de trabalhadores e quatro comissões coordenadoras de CT!

Defender, pois, uma atomização da negociação laboral representa, sim, um desequilíbrio brutal na relação já de si desequilibrada entre o lado empresarial e o dos trabalhadores, que terá expectáveis consequências sociais gravosas, fruto de um esmagamento das remunerações e condições de trabalho, fortemente pressionados por um nível elevado de desemprego. Baixas remunerações aumentam a emigração jovem, que aumenta o envelhecimento da população, que desequilibra as contas públicas, etc., etc..."

[In blog «Ladrões de Bicicletas», João Ramos de Almeida]

«Expresso» - o jornal que acha que foi encarregado por Deus de divulgar a Fé nas políticas de Direita

«Expresso o jornal que faz opinião»

Reflictam um pouco sobre o tipo de opinião que o jornal «Expresso» tenta fazer.

«Pensem bem

Nunca vi o Expresso defender uma causa com tanto zelo.

Ontem, a manchete proclamava”Durão 1- RTP 0” e, por baixo, zunia – em grande destaque – a seguinte ementa:
“Indemnização de Rangel é de 147 mil contos” (...por azar?) “ilíquidos”, “SIC processa antigo director geral”, “Carrilho pede intervenção do Presidente da República” e “O PS reforma Arons de Carvalho”.



Também na primeira página vinha um editorial – “O fim do saque à RTP?” – em que se “aplaudia o governo e se recomendava silêncio e “pudor” à oposição.






Na quarta página, Fernando Madrinha apoiava a política de Morais Sarmento e, de caminho, ia lamentando que desde quinta-feira o Telejornal abrisse com as manifestações dos trabalhadores da casa, seguindo uma orientação “guerrilheira e umbiguista”.






Na página seis, com a história do despedimento da administração da RTP (informada e neutra), aparecia o interessante currículo de um dos sucessores, Luís Marques, o “único com carreira nacomunicação social, jornalista, actual colunista do Expresso” e “ex-subdirector de Informação da SIC, de onde saiu há um ano, por discordâncias com Rangel”.




Na página sete, continuava a dança, com três notícias triunfais: “Rangel pode ficar sem nada”; Rangel não conseguiu aumentar a audiência da RTP 1; e o Tribunal de Contas condena a gestão da televisão do Estado.




Na habitual coluna do “sobe e desce”, Morais Sarmento estava evidentemente no “alto”, com suaves louvores, e Rangel no “baixo”, com uma descompostura em forma,


como, de resto João Carlos Silva no “sobe e desce” do 2º caderno.


Na página 13, Henrique Monteiro exigia o fim da publicidade na RTP.



Na página 28, um segundo editorial tornava a defender a política de Morais Sarmento.









E, na última, caso alguém não tivesse ainda percebido, José António Lima repetia o sermão.


Que dizer disto?...»

(Vasco Pulido Valente in «Diário de Notícias»)



A jornalista do «Expresso» Clara Ferreira Alves escreveu um texto apelando a Cavaco para não permitir um governo de António Costa, apoiado pelo PCP e pelo BE, o que implicaria um golpe de Estado. O motivo, escreveu ela, seria porque ela é anticomunista.

Além de anticomunista Clara Ferreira Alves já foi convidada pela organização terrorista Clube de Bilderberg, especializada em Crimes Contra Humanidade, nomeadamente os cometidos por Henry Kissinger. Entre os Crimes Contra a Humanidade planeados e executados pelo Clube de Bilderberg está o derrube do presidente eleito do Chile Salvador Allende e a colocação no poder da quadrilha de assassinos, torturadores e ladrões dirigida por Pinochet, assessorado pela CIA e por Milton Friedman.

Este caso, atrás referido, desta jornalista do Expresso é mais um exemplo exemplar.

Os comentadores da Direira, conservadores, neoconservadores, proto-fascistas e neofascistas acham que um Deus escolheu a Direita para governar

"Admirável mundo velho

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competitivos
Jorge Almeida Fernandes disserta hoje no Público sobre o populismo do Podemos, o novo partido que em poucos meses escavacou o bipartidarismo espanhol. Entendem estas almas plácidas e serenas que está tudo bem como está e não poderia estar melhor, criticando todos os movimentos que dão voz precisamente ao que estão fartos de que isto fique sempre na mesma.
O conservadorismo é um ideologia muito meiga, querida e terna. O conservador não quer mudanças porque o conservador está bem como está, embora eventualmente possa ficar melhor se tiver acesso ainda mais simplificado a um paraíso fiscal. O conservador é normalmente de direita, mas numa Internacional dita Socialista qualquer até se diz de esquerda, mas da responsável. Responsável por termos chegado a este ponto, após décadas de terceira via, a tal que acha inevitável ser tão liberal como uma Thatcher, e que para gáudio do mesmo Jorge Almeida Fernandes agora enterra as ruínas da esquerda italiana. Responsável pelo aumento da desigualdade e pela liberdade de os mercados financeiros assaltarem à mão desarmada todos os povos e todos os direitos que conquistaram.
paraiso fiscal
O que criticam aos fundadores do Podemos (furiosos por lhes terem ido aos votos que como toda a gente sabe são propriedade privada dos partidos arqueiros, num fantástico conceito de democracia em que um centro oscilante e minoritário decide o futuro de um país), e chamam de populismo, é terem um programa que contraria o que está e proporem soluções fora do quadro previsto pelo actual governo alemão. O clássico Não Há Alterrnativa, soltado em gritinhos histéricos e consecutivos, muitas vezes, muitas vezes, muitas vezes, convencidos de que continuarão a convencer quem se vê despejado da sua casa, desempregado, arruinado, transformado em reserva laboral barata, entre a indigência e a esmola.
Quando a extrema-direita violenta avança na Europa, esforçam-se por garantir que não é bem assim, não são todos nazis, o que é verdade, muitos são apenas fascistas, e bem os preferem cavalgando o descontentamento popular.
Expresso entrevista hoje um tal de Nial Fergussen, apresentado como “historiador superstar”. Entre chamar paneleiro a Keynes, acreditar numa crítica do Financial Times a um livro que ainda não leu e proclamar que o Reino Unido foi “uma enorme força para o bem no mundo”, assegura que os populistas de direita não são fascistas ou nazis, e garante que os outros é que não estudaram História e por isso nos colocam nos anos 30.  Lá está, enquanto lava o focinho aos Le Pen, mimetiza tão bem aqueles que deixaram a República vizinha entregue a Franco. O problema, para eles, são sempre os outros, a esquerda, o pavor bolchevique. Esta gente é tão repetitiva como previsível.
mp3 comunismo