quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Eu e o marxismo-leninismo - ou a minha opinião sobre o comunismo

DO ILUMINISMO DE J-J ROUSSEAU AO MARXISMO-LENINISMO


Em primeiro lugar quero referir os aspectos técnicos deste blog devido a esta crítica num post sobre as cores, «pois o "highlight" com cor de fundo é usado para chamar a atenção para uma parte do texto, se usar no texto todo é impossível de ler sem apanhar uma grande dor de cabeça».

Não sabia deste pormenor porque costumo usar um «écran» de 60 cm de comprimento por 34 cm de altura. (Como os ingleses devido ao ódio de morte à revolução Francesa de 1789, que impôs os conceitos na Matemática de metro, quilómetro, litro, quilo, tudo invenções de cientistas franceses, etc., continuaram a usar as medidas do Império Romano como a milha, e os Estados Unidos como colónia da Inglaterra não se libertaram da Matemática colonial, por exemplo nos automóveis o 'conta-quilómetros' está pelas normas do Império Romano, marca milhas e não os quilómetros inventados pelos franceses).
Ora os «écrans» dos computadores aparecem na Matemática colonial inglesa, em polegadas. Uma polegada são 2,54 centímetros. Na diagonal o atrás referido «écran» tem 68,58 centímetros o que equivale a 27 polegadas e os «écrans» de computadores são classificados pela dimensão da diagonal do rectângulo.
Como este é o meu computador de preferência, nunca reparei em incómodo na coloração do fundo do blogue. Em férias, ou noutras deslocações, uso um computador portátil e também não notei incómodo na coloração do fundo do blogue. Mas, como, efectivamente, pode causar incómodo noutros computadores, vou passar a usar menos coloração de fundo nos textos do blogue.
 Escrevi esta introdução técnica, porque a crítica está no «post» «A ESQUERDA AS DESIGUALDADES E A LIBERDADE».
Ora o filósofo iluminista franco-suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) no seu livro «O Contrato Social» (1ª edição 1762) sintetiza as posições mais avançadas do iluminismo aplicado à política, ao defender a República contra Monarquia, a Liberdade de expressão de pensamento, as eleições livres para a escolha dos governantes, a soberania popular, e ao condenar, radicalmente, a escravatura considerando que todos os homens devem ser iguais em direitos. Embora J-J Rousseau tenha morrido antes da Revolução Francesa de 1789, a sua obra «O Contrato Social» foi considerada a «a Bíblia da Revolução Francesa iniciada em 1789». O conteúdo do livro atrás referido não era pensamento exclusivo de J-J Rousseau, porque havia muitos textos convergentes de outros iluministas, nomeadamente na (primeira) «Enciclopédia».
E também não podemos esquecer o livro do iluminista mais antigo Montesquieu (1689-1755) «O Espírito das Leis» (1ª ed. 1748) que ao defender a separação dos três poderes do Estado legislativo, executivo e judicial, foi também decisivo na Revolução Francesa de 1789. Esta ideia em 2012 é quase universal.
Durante a Revolução Francesa de 1789-1799 Jean-Jacques Rousseau foi considerado um herói nacional da França e em 11 de Outubro de 1794, pela Convenção, foi realizada uma cerimónia grandiosa de trasladação dos seus restos mortais para o Panteão francês em Paris.
Ora, J-J Rousseau foi um dos fundadores da Democracia Contemporânea não esclavagista, em oposição à Democracia Grega esclavagista, ao Parlamentarismo da Inglaterra esclavagista e à Democracia dos Estados Unidos também esclavagista. É também um dos criadores do conceito Direitos Humanos.
A escravatura foi proibida pela I República da França (também conhecida por Convenção na 1ª fase), em 4 de Fevereiro de 1794, em França e em todas as colónias francesas.
Os 3 conceitos síntese da Revolução Francesa de 1789 Liberdade, Igualdade, Fraternidade, falharam todos no curto prazo, porque esta foi uma revolução fracassada no curto prazo.
Mas, em 1848 a Europa ocidental e central foi abalada por um conjunto de revoluções transnacionais, que começaram em França.
Nesta altura estavam em actividade os filósofos alemães Marx (1818-1883) e Engels (1820-1895) que viriam a marcar, profundamente, o século XX. Exactamente em 1848 Marx e Engels publicaram a obra conjunta «Manifesto do Partido Comunista».
Foi o filósofo e político russo Lenine (Vladimir Ilitch Ulianov, 1870-1924) que levou à prática as ideias de Marx e Engels na Revolução de Outubro de 1917 na Rússia (Novembro no calendário russo).
As teorias de Marx, Engels e Lenine foram simplificadas no conceito marxismo-leninismo.
Foi Lenine que explicou as três fontes teóricas do pensamento de Marx e Engels.
«A doutrina de Marx é (…) harmoniosa e completa; dá aos homens uma concepção coerente do mundo, inconciliável com toda a superstição,  com toda a reacção, com toda a defesa da opressão burguesa. É a sucessora legítima de tudo quanto a Humanidade criou de melhor no século XIX: a filosofia alemãa economia política inglesae o socialismo francês.
É destas fontes, das três partes constitutivas do marxismo, que vamos rapidamente falar.
Os seus pontos de vista estão expostos com o máximo de clareza e pormenor nas obras de Engels «Ludwig Feuerbach» e o «Anti-Dühring» que, como o «Manifesto do Partido Comunista» (…).
Mas Marx (…) levou a filosofia mais além.
Enriqueceu as aquisições da filosofia clássica alemã, sobretudo do sistema de Hegel, o qual tinha conduzido por seu lado ao materialismo de Feuerbach. A principal destas aquisições é a dialéctica, isto é, a teoria da evolução, no seu aspecto mais completo, mais profundo e mais isenta de estreiteza (…)
Depois de ter verificado que o regime económico constitui a base sobre a qual se ergue a superestrutura política, Marx concentra a sua atenção, sobretudo, no estudo deste regime económico. A principal obra de Marx, «O Capital», é consagrada ao estudo do regime económico (…) da sociedade capitalista.
A economia política clássica anterior a Marx nasceu na Inglaterra, o país capitalista mais evoluído. Adam Smith e David Ricardo, estudando o regime económico, marcaram o início da teoria do valor-trabalho. Marx continuou a sua obra. Deu um fundamento estritamente científico a esta teoria e desenvolveu-a de modo consequente. Demonstrou que o valor de toda a mercadoria é determinado pelo tempo de trabalho socialmente necessário à produção dessa mercadoria.
(…)
Quando o regime feudal foi derrubado, e logo que a “livre” sociedade capitalista nasceu, tornou-se imediatamente evidente que essa liberdade significava um novo sistema de opressão e de exploração dos trabalhadores. Diversas doutrinas socialistas começaram imediatamente a surgir, como reflexo dessa opressão e protesto contra ela. Mas o socialismo primitivo era um socialismo utópico. (…)
Não sabia nem explicar a natureza da escravatura assalariada no regime capitalista, nem descobrir as leis do seu desenvolvimento, nem encontrar a força social capaz de se tornar o criador da nova sociedade. (…)
Marx teve de genial o facto de ter sido o primeiro a pôr em evidência e a aplicar de modo consequente o ensinamento que a história universal contém. Este ensinamento é a doutrina da luta de classes.»
Assim como Marx e Engels constataram que a Revolução Francesa de 1789 foi uma revolução falhada, Lenine acentuou, como vimos, sobre a Liberdade que «essa liberdade significava um novo sistema de opressão e de exploração dos trabalhadores».
Ora, em 2012, nós podemos constatar que o regime fundado por Lenine na Rússia em Outubro de 1917 foi um regime falhado, que implodiu, isto é, autodestruiu-se. O grande momento de reflexão desse próprio regime foi pouco antes da escolha de Gorbatchov para secretário-geral do partido comunista da União Soviética em 1985. Ora, foi em 1984 e começos de 1985 que o próprio partido comunista da União Soviética (fundada por Lenine) constatou que a revolução iniciada por Lenine em 1917 tinha falhado os seus objectivos.
Gorbatchov tinha por missão reformular a teoria e a prática do marxismo-leninismo, mas este advogado não tinha capacidade intelectual para tal fazer. A inteligência na Rússia estava em crise, já que a Rússia era, de muito longe, a maior e a mais importante república da União Soviética. Em vez de Gorbatchov podiam ter escolhido um homem mais inteligente que ele. Mas não encontravam nenhum!
Se Gorbatchov era e é intelectualmente muito limitado, depois da separação das repúblicas étnicas que constituíam a União Soviética, a Rússia passou a ser governada por Ieltsin, um homem muitíssimo pouco inteligente, ignorante, alcoólico, e ainda por cima desonesto.
Em 1949, Yeltsin foi admitido no Instituto Politécnico dos Urais em Sverdlovsk , especializando-se em construção, graduou-se em 1955. Não tinha formação filosófica, não tinha formação académica nas ciências humanas, era da área da engenharia.
Se compararmos a inteligência dos dirigentes chineses, que constataram que o marxismo-leninismo era uma teoria falhada na prática, com Gorbatchov e Ieltsin, uma coisa constatamos, com frieza, sem moralismos, que na China havia e há homens de inteligência superior na área da economia.
Gorbatchov e Ieltsin afundaram a economia da Rússia, enquanto os dirigentes chineses fizeram o oposto, tornaram a China a segunda potência económica mundial, e continua a crescer, podendo até, se a inteligência na China continuar a prosperar, tornar-se a maior potência económica mundial, a médio prazo.
Mas, entretanto o capitalismo mudou, para muito diferente do que era no tempo de Marx e Engels. Foi precisamente na Europa ocidental que a qualidade de vida da classe operária atingiu o melhor nível de sempre na história da Humanidade. O capitalismo cedeu muitos direitos aos trabalhadores, criando o chamado modelo social europeu ocidental em que foram dados direitos ao povo que mais nenhuma civilização deu. Serviço Nacional de Saúde, subsídios de férias e de Natal, sistema público de Ensino de qualidade, subsídio de desemprego, pensões de reforma de qualidade, num quadro de Liberdade política A burguesia manteve-se como classe dominante, mas fez enormes cedências às outras classes sociais. E a Liberdade aumentou muito para as classes fora da burguesia.
Ora, nos regimes inspirados no marxismo-leninismo a Liberdade acabou, sendo substituída por uma Ditadura da classe política. Este é o elo mais fraco do marxismo-leninismo.
Neste momento assiste-se a um retrocesso geral na Europa ocidental e a um aumento significativo da liberdade na China.
Os Estados Unidos estão numa fase de Barbárie, anterior à invenção do Direito pela República Romana, com condenações à morte sem julgamento e respectivos assassinatos, com a prática generalizada da tortura em Guantánamo e Sucursais, e na invasão directa e indirecta de países soberanos membros da ONU. Esta deriva para a Barbárie dos Estados Unidos é seguida pelos países da NATO, nomeadamente pela Inglaterra, pela França e pela Alemanha, enquanto estão em retrocesso os direitos dos trabalhadores.

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