sábado, 12 de agosto de 2017

Alice no Planeta das Maravilhas – blognovela, capítulo II



II

Alice não queria morrer de joelhos, queria morrer deitada.
Fez uma petição para ser executada com uma injecção de veneno. Alice era racionalista e achava muito mais interessante ser executada por um médico e por um enfermeiro e por uma enfermeira do que por um homem de capuz com uma espada na mão. Por outro lado, na terra onde faziam muitos filmes executavam as pessoas com uma injeccção de veneno, acção que, por isso, lhe parecia muito criativa. Adepta da modernidade e das tecnologias de ponta parecia-lhe mais cool ser executada como na terra que lidera estas modernidades, que era a mesma dos filmes.
No corredor da morte, Alice sonhava com uma cama cheia de brancura, que lhe fazia lembrar pisagens lindíssimas de neve, de uma beleza pura e sublime, estilo maca, deitada na qual gostaria de ser executada. Sabia que ser executada com uma espada era muito menos doloroso do que com a injecção de veneno; sabia que a morte pela espada era muito rápida e que a morte com a injecção de veneno demorava muito mais tempo teria uma agonia lenta, seria uma morte lenta. Preferia sacrificar a comodidade de uma morte rápida à modernidade de uma morte lenta.

(Continua)

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