quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Mais uma análise sobre poder e império

Discordo muitíssimo das análises sobre Donald Trump do jornalista e escritor francês dissidente Thierry Meyssan. No entanto, Thierry Meyssan costuma apresentar factos interessantes, comprovados pela bibliografia que cita, que considero muito relevantes.




«INTERPRETAÇÕES DIVERGENTES NO SEIO DO CAMPO ANTI-IMPERIALISTA - 2ª PARTE

O projecto militar dos Estados Unidos pelo mundo

Enquanto todos os peritos concordam em considerar que os acontecimentos na Venezuela seguem o mesmo modelo que os da Síria, alguns contestaram o artigo de Thierry Meyssan sublinhando o ponto da sua interpretação de divergências atribuída aos Presidentes Maduro e Assad. O nosso autor responde-lhes. Não se trata aqui de uma querela de especialistas, mas, sim de um debate de fundo sobre a viragem histórica a que assistimos depois do 11-de-Setembro de 2001 e que condiciona a vida particular de todos.

 | DAMASCO (SÍRIA)  
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Este artigo dá sequência a :
- “Divergências no seio do campo anti-imperialista”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 16 de Agosto de 2017.
Na primeira parte deste artigo, eu sublinhava que actualmente o Presidente Bachar al-Assad é a única personalidade que se adaptou à nova «grande estratégia norte-americana»; todas as outras continuam a pensar como se os conflitos em curso prosseguissem os que conhecemos desde o fim da Segunda Guerra mundial. Elas persistem em interpretar os eventos como tentativas dos Estados Unidos se apoderarem dos recursos naturais, por si próprios, organizando para isso derrubes de governos.
Como irei desenvolver, penso que elas se enganam e que o seu erro é suscetível de precipitar a humanidade no inferno.

O pensamento estratégico dos EU

No últimos 70 anos, a obsessão dos estrategas norte-americanos não terá sido a defender o seu povo, mas a de manter a sua superioridade militar sobre o resto do mundo. Durante a década que vai da dissolução da URSS aos atentados do 11 de Setembro de 2001, eles procuraram maneiras de intimidar aqueles que lhes resistiam.
Harlan K. Ullman desenvolveu a ideia de aterrorizar as populações assestando-lhes uma formidável pancada na cabeça (Shock and Awe, o choque e o estupor) [1]. Num conceito ideal, foi a utilização da bomba atómica contra os Japoneses, na prática, o bombardeamento de Bagdade por uma chuva de misseis de cruzeiro.
Os Straussianos (quer dizer os discípulos do filósofo Leo Strauss) sonhavam realizar e vencer várias guerras ao mesmo tempo (Full-spectrum dominance, a dominação em todos os azimutes). Que foram, pois, as guerras do Afeganistão e do Iraque, conduzidas sob um comando único [2].
O Almirante Arthur K. Cebrowski preconizava a reorganização dos exércitos de maneira a tratar e partilhar uma pletora de dados simultaneamente. Assim, robôs poderiam um dia indicar instantaneamente as melhores tácticas [3]. Como vamos ver, as profundas reformas que ele iniciou não tardaram a produzir frutos venenosos.

O pensamento neo-imperialista dos EU

Estas ideias e estas fantasias levaram, primeiro, o Presidente Bush e a Marinha (Navy) a organizar o mais vasto sistema internacional de rapto e tortura, que fez 80. 000 vítimas. Depois, o Presidente Obama pôs em acção um sistema de assassínio, principalmente por drones mas também por comandos, que opera em 80 países e dispõe de um orçamento anual de 14 mil milhões(bilhões-br) de dólares [4].
A partir do 11-de-Setembro, o assistente do Almirante Cebrowski, Thomas P. M. Barnett, deu inúmeras conferências no Pentágono e nas academias militares para anunciar qual seria o novo mapa do mundo segundo o Pentágono [5]. Este projecto tornou-se possível graças às reformas estruturais dos exércitos dos EU; reformas das quais resulta esta nova visão do mundo. Isso parecia tão delirante que os observadores estrangeiros consideraram-na, precipitadamente, como mais uma retórica para suscitar o medo dos povos a dominar.
Barnett afirmava que para manter a sua hegemonia sobre o mundo, os Estados Unidos deviam «participar no fogo», quer dizer dividi-lo em duas partes. De um lado, Estados “estáveis” (os membros do G8 e seus aliados), do outro o resto do mundo, considerado como um simples reservatório de recursos naturais. Ao contrário dos seus predecessores, ele não considerava mais o acesso a estes recursos como vital para Washington, antes significava que eles só seriam acessíveis aos Estados “estáveis” desde que passando pelos serviços dos Exércitos norte-americanos. Por conseguinte, convinha destruir sistematicamente todas as estruturas de estado nesse reservatório de recursos, de tal modo que alguém jamais se pudesse opor, um dia, à vontade de Washington, nem tratar directamente com Estados “estáveis”.
Aquando do seu discurso sobre o estado da União, em Janeiro de 1980, o Presidente Carter enunciou a sua doutrina : Washington considerava o aprovisionamento da sua economia em petróleo do Golfo como uma questão de segurança nacional [6]. No seguimento, o Pentágono dotou-se de um CentCom para controlar esta região. Mas, actualmente, Washington retira menos petróleo do Iraque e da Líbia do que aquele que lá explorava antes destas guerras ; e borrifa-se quanto a isso !
Destruir as estruturas de Estado é atirar para o caos, um conceito copiado de Leo Strauss, mas ao qual Barnett dá um novo sentido. Para o filósofo judeu, o povo judeu não podia continuar a confiar nas democracias após o fracasso da República de Weimar e da Shoá. Para ele, a única maneira de se proteger de um novo nazismo é o de instaurar, ele mesmo, a sua própria ditadura mundial —para o Bem, claro—. Seria, então, preciso destruir certos Estados resistentes, atirá-los para o caos e reconstrui-los segundo novas leis [7]. Era isto o que dizia Condoleezza Rice durante os primeiros dias da guerra de 2006 contra o Líbano, quando Israel parecia ainda vencedor : «Não vejo o interesse da diplomacia se for para regressar ao status quo ante entre Israel e o Líbano. Penso que isso seria um erro. O que vemos aqui, de uma certa maneira, é o início, as contrações da nascença de um novo Médio-Oriente e, seja o que for que façamos, devemos estar certos que empurramos no sentido de um novo Médio-Oriente e que não retornamos ao velho». Pelo contrário, para Barnett, não basta empurrar para o caos apenas os povos resistentes, também todos aqueles que não atingiram um certo nível de vida; e, assim que eles estiverem reduzidos ao caos, será preciso mantê-los nele.
A influência dos Straussianos entretanto diminuiu no Pentágono desde a morte de Andrew Marshall, o qual tinha teorizado o «pivô para a Ásia» [8].
Uma das grandes rupturas entre o pensamento de Barnett e o dos seus predecessores, é o de que a guerra não deve ser travada contra Estados em particular por motivos políticos, mas, antes contra regiões do mundo porque não estão integradas no sistema económico global. Claro, iremos começar por tal ou tal país, mas, depois promoveremos o contágio até destruir tudo, como se vê no Médio-Oriente Alargado. Hoje em dia, a guerra continua lá com o emprego de meios blindados tanto na Tunísia, como na Líbia, no Egipto (Sinai), na Palestina, no Líbano (Ain al-Hilweh e Ras Baalbeck), na Síria, no Iraque, na Arábia Saudita (Qatif), no Barein, no Iémene, na Turquia (Diyarbakır) e no Afeganistão.
É por isso que a estratégia neo-imperialista de Barnett terá forçosamente de se apoiar em elementos da retórica de Bernard Lewis e de Samuel Huntington, a da «Guerra das Civilizações» [9]. Como é impossível justificar a nossa indiferença face à sorte dos povos do reservatório de recursos naturais, poderemos sempre persuadir-nos que as nossas civilizações são incompatíveis.
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Segundo este mapa, extraído de um Powerpoint de Thomas P. M. Barnett durante uma conferência no Pentágono em 2003, todos os Estados da zona rosada devem ser destruídos. Este projecto nada tem a ver nem com a luta de classes, no plano nacional, nem com a exploração dos recursos naturais. Depois do Médio-Oriente Alargado, os estrategas dos EU preparam-se para reduzir a ruínas o Noroeste da América Latina.

A aplicação do neo-imperialismo dos EU

É exactamente esta a política que foi implementada desde o 11-de-Setembro. Nenhuma das guerras que foram lançadas terminou ainda. Desde há 16 anos, as condições de vida dos Afegãos são a cada dia que passa mais terríveis e perigosas. A reconstrução do seu Estado, que se anunciava ser planificado (planejado-br) sobre o modelo do da Alemanha e do Japão após a Segunda Guerra Mundial, não ocorreu. A presença de tropas da OTAN não melhorou a vida dos Afegãos, pelo contrário, ela deteriorou-se. Forçoso é constatar que ela é hoje em dia a causa do problema. Apesar dos discursos cor-de-rosa sobre a ajuda internacional, essas tropas apenas lá estão para aprofundar e manter o caos.
Sempre que as tropas da OTAN intervieram, jamais os motivos oficiais para a guerra se revelaram verdadeiros, nem contra o Afeganistão (as responsabilidades dos Talibãs nos ataques do 11-de-Setembro), nem no Iraque (o apoio do Presidente Hussein aos terroristas do 11-de-Setembro e a preparação de armas de destruição maciça para atacar os Estados Unidos), nem na Líbia (o bombardeio pelo exército do seu próprio povo) nem na Síria (a ditadura do Presidente Assad e da seita dos Alauítas). Jamais, também, o derrube de um governo acabou com essas guerras. Todas continuam, sem interrupção, quaisquer que sejam os responsáveis no poder.
As «Primaveras Árabes», mesmo quando se inspiram numa ideia do MI6, em linha directa vinda da «revolta árabe de 1916» e das façanhas de Lawrence da Arábia, foram inscritas na mesma estratégia dos EUA. A Tunísia tornou-se ingovernável. O Egipto foi, felizmente, tomado em mãos pelo seu exército e tenta agora respirar à tona da água. A Líbia tornou-se um campo de batalha, não desde a resolução do Conselho de Segurança apelando à protecção da sua população, mas depois do assassinato de Muammar Kaddafi e da vitória da OTAN. A Síria é um caso excepcional, uma vez que o Estado nunca passou para as mãos dos Irmãos Muçulmanos e eles não conseguiram instalar o caos no país. Mas, inúmeros grupos jiadistas, originários da Irmandade, controlaram —e controlam ainda— partes do território onde instauraram o caos. Nem o Califado do Daesh, nem Idlib sob a Alcaida, são Estados onde o Islão se possa mostrar, mas zonas de terror sem escolas ou hospitais.
É provável que graças ao seu povo, ao seu exército e aos seus aliados russos, libaneses e iranianos, a Síria consiga escapar a este destino traçado para ela por Washington, mas o Médio-Oriente Alargado continuará a arder até que os seus Povos percebam os planos dos seus inimigos. Vemos já que o mesmo processo de destruição começa no Noroeste da América Latina. Os média (mídia-br) ocidentais referem-se, com desdém, a motins na Venezuela, mas a guerra que começa não se limitará a esse país, ela irá estender-se a toda a região, muito embora as condições económicas e políticas dos Estados que a compõem sejam muito diferentes.

Os limites do neo-imperialismo dos EU

Os estrategas dos EU gostam de comparar o seu poder ao do Império Romano. Mas este trazia segurança e opulência aos povos que conquistava e integrava. Ele construia monumentos e racionalizava as suas sociedades. Ao contrário, o neo-imperialismo norte-americano não pretende trazer seja o que for nem aos povos dos Estados “estáveis”, nem aos do reservatório de recursos naturais. Ele prevê extorquir os primeiros e planeia destruir os laços sociais que mantêm colados os segundos. Acima de tudo, ele não quer exterminar estes últimos antes precisa que eles sofram, para que o caos em que padeçam impeça os Estados “estáveis” de a eles ir buscar os recursos naturais sem a proteção dos exércitos Norte-americanos.
Até aqui, o projecto imperialista considerava que «não se faz omeletes sem quebrar os ovos». Ele admitia cometer massacres “colaterais” para estender o seu domínio. De agora em diante, ele planeia massacres generalizados para impor definitivamente a sua autoridade.
O neo-imperialismo norte-americano assume que os outros Estados do G8 e seus aliados aceitam deixar os Exércitos dos E.U «proteger» os seus interesses no estrangeiro. Se isso não coloca nenhum problema com a União Europeia, que está castrada há já muito tempo, isso ainda deverá ser debatido com o Reino Unido e será impossível com a Rússia e a China.
Lembrando a sua «relação especial» com Washington, Londres já reclamou vir a ser associada ao projecto dos E.U para governar o mundo. Foi este o significado da viagem de Theresa May aos Estados Unidos em Janeiro de 2017, mas ela não recebeu resposta [10].
É, por outro lado, impensável que os exércitos dos E.U garantam a segurança das «Rotas da Seda», tal como hoje o fazem com os seus homólogos britânicos quanto às rotas marítimas e aéreas. Da mesma forma, é impensável fazer dobrar o joelho da Rússia, quando acaba, também, de ser excluída do G8 por causa de seu envolvimento na Síria e na Crimeia.
Tradução
Alva
[1Shock and awe: achieving rapid dominance («Choque e Estupor : atingindo uma rápida supremacia»- ndT), Harlan K. Ullman & al., ACT Center for Advanced Concepts and Technology, 1996.
[2Full Spectrum Dominance. U.S. Power in Iraq and Beyond («Domínio em todos os Azimutes. Poder dos E.U. no Iraque e Além»- ndT), Rahul Mahajan, Seven Stories Press, 2003.
[3Network Centric Warfare : Developing and Leveraging Information Superiority ,(Rede de Guerra Concêntrica : Desenvolvendo e Alavancando Superioridade na Informação»- ndT), David S. Alberts, John J. Garstka & Frederick P. Stein, CCRP, 1999.
[4Predator empire : drone warfare and full spectrum dominance («Império Predador : guerra de drones e domínio em todos os azimutes»- ndT), , Ian G. R. Shaw, University of Minnesota Press, 2016.
[5The Pentagon’s New Map («O Novo Mapa do Pentágono»- ndT), Thomas P. M. Barnett, Putnam Publishing Group, 2004.
[6] “State of the Union Address 1980” («Discurso sobre o estado da União de 1980»- ndT), Jimmy Carter, Voltaire Network, 23 January 1980.
[7] Alguns especialistas sobre o pensamento político de Leo Strauss interpretam-no de maneira completamente diferente. Quanto a mim, eu não me interesso sobre o que pensava o filósofo mas, antes, sobr o que defendem aqueles que, bem ou mal, se reclamam do seu pensamento no Pentágono. Political Ideas of Leo Strauss, Shadia B. Drury, Palgrave Macmillan, 1988. Leo Strauss and the Politics of American Empire, Anne Norton, Yale University Press, 2005. Leo Strauss and the conservative movement in America : a critical appraisal, Paul Edward Gottfried, Cambridge University Press, 2011. Straussophobia: Defending Leo Strauss and Straussians Against Shadia Drury and Other Accusers, Peter Minowitz, Lexington Books, 2016.
[8The Last Warrior: Andrew Marshall and the Shaping of Modern American Defense Strategy («O Último Guerreiro : A. Marshall e a Concepção da Moderna Estratégia de Defesa Americana»-ndT), Chapter 9, Andrew F. Krepinevich & Barry D. Watts, Basic Books, 2015.
[9] « The Clash of Civilizations ? » & « The West Unique, Not Universal », Foreign Affairs, 1993 & 1996 ; The Clash of Civilizations and the Remaking of World Order («O Choque de Civilizações e o Renovar da Ordem Mundial»-ndT), Samuel Huntington, Simon & Schuster, 1996.
[10] “Theresa May addresses US Republican leaders” («Theresa May discursa para os líderes dos Republicanos dos E.U.A«- ndT), Theresa May, Voltaire Network, 27 January 2017.»

[In «Red Voltaire»]

Crítica crítica à crítica


«Os filhos de Kim contra os mísseis
No meio das reações a mais uma proeza militar norte-coreana, com um míssil agora a sobrevoar o arquipélago japonês, uma notícia passou meio despercebida, apesar do seu peso político: Kim Jong-un foi pai pela terceira vez, revelaram os serviços secretos sul-coreanos, não se sabendo o sexo da criança, filha do líder norte-coreano e de Ri Sol-ju. A escassa informação disponível dá como certo que o mais velho dos filhos de Kim é um rapaz nascido em 2010 e que há uma menina nascida em 2013. E o basquetebolista americano Dennis Rodman, visitante de Pyongyang, até já elogiou Kim como pai, confirmando a existência de uma família quase tão secreta como o regime.
Ora, com o nervosismo evidente do Japão, da Coreia do Sul e dos Estados Unidos perante a crescente capacidade militar norte-coreana (já domina o nuclear, já tem mísseis balísticos intercontinentais e tenta agora miniaturizar as ogivas para que possam ser montadas), o facto de Kim ter uma família não é um pormenor neste contexto. Sobretudo, pensando que ele próprio é o terceiro de uma dinastia comunista iniciada pelo avô Kim Il-sung quando proclamou a República Popular Democrática da Coreia em 1948 e que o seu pai, Kim Jong-il, governou de 1994 até 2011. Se há dúvidas sobre a racionalidade do jovem líder norte-coreano (34 anos), mais do que ser pai será a vontade de perpetuar a dinastia que o impedirá de passar dos testes reais e das ameaças verbais a uma verdadeira situação de confrontação com os inimigos, sejam a Coreia do Sul sejam os Estados Unidos ou o Japão.
Assim, por muito que seja inquietante o poderio bélico de Pyongyang, continua a ser provável que o objetivo de Kim seja dissuadir uma tentativa de derrube do regime (evitando o destino do iraquiano Saddam e do líbio Kadhafi) mais do que iniciar uma guerra em que o seu país seria destruído e, com ele, a dinastia. Esta realidade não torna mais fácil dialogar com Pyongyang (um desejo de Moon Jae-in, o presidente sul-coreano), mas deve pelo menos travar a tentação do ataque preventivo por parte do americano Donald Trump.» (In «DN» pt, Leonídio Paulo Ferreira)

Depois de ler este texto fiquei a lamentar o facto de a dinastia da Coreia do Norte não ser tão antiga como a inglesa. O problema é que a dinastia da Coreia do Norte não é de sangue azul, como as dinastias da Inglaterra, da Espanha, da Holanda, da Suécia, da Noruega, da Bélgica… As dinastias de sangue azul são mais cool. Digamos, curvemo-nos diante das dinastias de sangue azul e desprezemos as dinastias de sangue vermelho ou plebeias.


Donald Trump promete usar mais fúria e mais fogo do que os usados pela Coreia do Norte quando exterminou os habitantes de Hiroxima e de Nagasáki com duas bombas atómicas fabricadas em Pyongyang

Os norte-coreanos da maneira mais bárbara, primitivamente selvaticamente, exterminaram homens, mulheres e crianças, de todas as idades, com duas bombas atómicas nas cidades de Hiroxima e de Nagasáki.
Quem fez tais genocídios mostrou a selvajaria mais primitiva na espécie humana, representou e representa uma ameaça contra a Humanidade. 

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Enquanto não começa a III Guerra Mundial a NATO prepara a Estónia para invadir a Rússia

A Coreia do Norte está ameaçadaa, mas não está cercada.
A Rússia está ameaçada e está cercada pelos países da NATO, cercada por todos os lados.
Este cerco à Rússia tem duas consequências: ou a Rússia desenvolve armas capazes de fazerem explodir todo o Planeta Terra em poucos minutos ou, mais cedo ou mais tarde, é arrasada por um ataque nuclear 'preventivo' da NATO, no futuro.

A ideia de que o futuro será melhor que o presente e que o passado é um mito. O futuro pode ser muitíssimo pior que o presente: é esta a essência da Liberdade Humana, aplicada à realização do Mal.

O Homem é livre, como muitos filósofos já escreveram. O homem é livre para praticar o  Mal, o homem está acima dos deuses, o homem é inteiramente livre de praticar as patifarias mais selváticas, o homem poderoso é inteiramente livre para iniciar a III Guerra Mundial. Não há nenhum Deus, nem nenhum valor ético ou moral que o possa impedir.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Coreia do Norte ameça exterminar, pela segunda vez, os habitantes de Hiroxima e de Nagasáki


A Coreia do Norte ameça exterminar pela segunda vez, com armas nucleares os habitantes de Hroxiam e Nagasáki. Só que desta vez primeiro serão exterminados os habitantes de Nagasáqui e depois os de Hiroxima. Os norte-coreanos embirraram, particularmente, com as crianças de Nagasáki, prque portam-se mal nas aulas.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Os dados estão lançados e as cartas também

Os dados estão lançados e as cartas também.
«Os dados estão lançados», escreveu Jean-Paul Sartre, no título de um livro em que chama a atenção para a celeridade do tempo existencial, mostrando que o tempo existencial é escasso para os humanos e passa muito rapidamente.

Segundo os dados acima apresentados, com a identificação das fontes, sendo a principal o INE (Instituto Nacional de Estatística), um homem, em 2015 tinha, em Portugal, uma esperança média de vida de 77,6 anos e uma mulher de 83,3.
A primeira conclusão que se tira é, que em Portual, os materiais de que são feitas as mulheres são mais resistentes e mais duráveis.
Com base nas estatísticas atrás referidas, esta mulher, a Maya, é feita de materiais mais resistentes e mais duráveis do que os homens.
Considerando que a Maya é feita de materiais mais resistentes e mais duráveis do que os homens do seu tempo, acho importante entrar no domínio da futorologia para fazer uma análise prospectiva.

Inspiro-me na Maya. Embora eu não seja capaz de adivinhar o futuro, eu posso tentar.
Não sei se o Donald Trump vai ou não começar a III Guerra Mundial. Nem sequer sei se o Donald Trump vai exterminar 10 ou 100 milhões de seres humanos com armas nucleares, ou se vai mesmo exterminar mil milhões de pessoas.  Sei, é que Donald Trump tem poder de fogo para assassinar muito mais do que mil milhões de pessoas.

Talvez Trump se contente em mandar matar só 100 milhões de pessoas.


Lancei as cartas. E quais são as previsões?
A primeira certeza é esta:
Não há nada que impeça Donald Trump de iniciar una guerra nuclear; não há nenhuma lei que o impeça seja interna dos EUA seja internacional.


As guerras sabemos como começam e na altura em que começam não sabemos como e quando acabam. Por exemplo, a Guerra do Iraque iniciada por Geoge W Bush, assessorado por Blair e Aznar, ainda não acabou.
Nas guerras é assim, uns riem-se, como estes três, e outros (e outras) choram.


Lancei as cartas outra vez, para cima do computador. A ideia é esta, adivinhar o que se vai passar nos blogs de língua portuguesa.

Resultado, o metal do computador influenciou negativamente.
A primeira questão colocada é esta:
Por quais razões a característica principal do blogs pt, à esquerda o PS é a deserção?
Saiu-me um 5 nas cartas, que quer dizer blog à esquerda do PS, «5 dias». Por que motivo implodiu o blog 5 dias? Por quais razões o blog 5 dias cessou as suas actividades?
Neste momento, em 28 de Agosto de 2017, o melhor blog pt à esquerda do PS é o «Ladrões de Bicicletas», na minha opinião, mehor do que o blog «5 dias».
Dos blogs individuais à esquerda do PS, em minha opinião, os mais interessantes são o blog «Entre as brumas da memória» da bloquista Joana Lopes, especialista em dar a volta ao Mundo, fisicamente, melhor, em dar voltas ao Mundo fisicamente, e o blog «O TEMPO DAS CEREJAS» de Vítor Dias, do PCP.

Vítor Dias não tem tanto dinheiro para gastar como a Joana Lopes, esta bloquista apresenta interessantes fotos de viagens que fez, de todos os continentes, que tornou o seu blog bastante atractivo em termos foto-estéticos, mas também de conteúdo associado. Dou um exemplo, eu sou apreciador de muitos livros de Gabriel García Márquez, e achei muito interessante a documentação fotográfica que a Joana Lopes fez de uma casa de Gabriel García Márquez, as fotos são muito interessantes, muito para além da sua estética.


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sábado, 26 de agosto de 2017

O racionalismo perante os conceitos crime e castigo


Segundo o pensamento racionalista cada ser humano fica reduzido a pó biológico, mais cedo ou mais tarde. Nesta perspectiva, com a morte do cérebro morre também o espírito e morre tanbém a alma. Assim, para lá da morte física há o nada, nada há.

Ora, o melhor dos homens e a melhor das mulheres morrem e para lá da morte física não recebem nenhuma recompensa pela sua bondade.

Os chefes nazis, que praticaram o Mal Absoluto depois da morte não têm qualquer castigo, porque depois da morte nada há.

Segundo o racionalismo tudo exige uma demonstração, uma prova.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Portugal analisado em «The Guardian» ou crítca à selvajaria da Troika e dos seus apoiantes

"Do «TINA» ao «TIA»: o exemplo português na imprensa britânica



«Quando os bancos mergulharam o mundo ocidental no caos económico, foi-nos dito que apenas os cortes orçamentais permitiriam salvar a economia. Em 2010, quando os conservadores e os liberais constituíram a coligação da austeridade, foi dito ao eleitorado - em tom apocalíptico - que sem o bisturi de George Osborne a Grã-Bretanha seguiria pelo caminho da Grécia. A metáfora, economicamente analfabeta, de comparar o Estado a um orçamento familiar, foi imposta e executada de modo implacável, tornando popular uma falácia ideológica deliberada: se ninguém pode gastar mais quando tem dívidas, por que deveria um país poder fazê-lo?
Mas hoje, graças a Portugal, conhecemos o enorme fracasso da experiência da austeridade aplicada em toda a Europa. O país foi um dos países europeus mais atingidos pela crise económica e, no contexto do resgate da troika, que incluiu o FMI, os credores exigiram medidas severas de austeridade, adotadas com entusiasmo pelo então governo conservador em Lisboa. Serviços e empresas públicas foram privatizados, o IVA aumentou, impôs-se uma sobretaxa aos rendimentos, os salários do setor público, as pensões e benefícios sociais foram reduzidos e o horário de trabalho alargado.
Em dois anos, as despesas na Educação sofreram um corte devastador de 23%, sendo igualmente afetados os serviços de Saúde e Segurança Social. O impacto nas pessoas foi terrível: o desemprego atingiu os 17,5% em 2013, a falência de empresas disparou em 41% e a pobreza aumentou. A lógica era a da necessidade de tudo isto para curar a doença do excesso de despesa.
No final de 2015, esta experiência chegou ao fim. Um novo governo socialista – com o suporte dos partidos mais à esquerda no parlamento – tomou posse. O primeiro ministro, António Costa, prometeu "virar a página da austeridade" que, como então afirmou, fez o país regredir três décadas. Os opositores de direita anteviram um desastre, apelidando a mudança de “economia voodoo”: um novo resgate poderia estar a caminho, conduzindo à recessão e a novos cortes.
(...) A lógica económica do novo governo era clara: os cortes na despesa pública tinham como consequência a retracção da procura. Por isso, uma verdadeira recuperação da economia pressupunha o seu relançamento. O governo aumentou o salário mínimo, reverteu o aumento regressivo de impostos, repôs os salários e as pensões nos níveis anteriores à crise (...) e reintroduziu os quatro feriados eliminados pelo anterior governo. A proteção social das famílias mais pobres foi aumentada, ao mesmo tempo que se aplicou uma taxa de luxo a casas com valor superior a 600.000 euros.
A profecia do desastre não se concretizou. No outono de 2016 – um ano depois de chegar ao poder – o governo podia orgulhar-se de um crescimento sustentado e de um aumento em 13% no investimento das empresas. E em 2017 os números mostram uma redução do défice para mais de metade (2,1%, o valor mais baixo em quarenta anos de democracia). Pela primeira vez, Portugal passava a cumprir as regras da zona euro, com a economia a crescer há treze trimestres consecutivos.
(...) A austeridade na Europa tem sido justificada com o mantra do "não há alternativa", numa lógica de submissão dos povos: no fim de contas temos que ser adultos e encarar a realidade. Mas o caso português permite rejeitar veementemente esta lógica. E por isso a Europa deve inspirar-se na experiência portuguesa para remodelar a União Europeia e pôr fim à austeridade em toda a zona euro.»


Excertos do artigo imperdível de Owen Jones no The Guardian de ontem, com uma frase de destaque que sintetiza o essencial: «Durante anos disseram-nos que apenas cortes profundos na despesa podiam salvar a nossa economia. Em Portugal, o governo liderado por socialistas provou o contrário». Ou seja, o «TIA» («There Is No Alternative») tirou o tapete ao TINA. Sim, confirma-se: há alternativas à austeridade e à «economia-do-pingo-que-nunca-pinga», por mais que as pessoas e os países empobreçam.

Já agora, e ainda a propósito de pensamento único e de alternativas, parece que o Prof. Cavaco Silva vai participar na Universidade de Verão do PSD. Para tema da sua intervenção, escolheu «Os Jovens e a Política: Quando a realidade tira o tapete à ideologia». Considerando que estamos perante o economista humilde, que «nunca se engana e raramente tem dúvidas», talvez não seja difícil imaginar a motivação e o fio condutor do discurso. Mas devemos ceder à tentação e esperar. Para já, 
ficámos a saber que uma coisa é a realidade e outra é a ideologia. O que já não é pouco."

[Nuno Serra in blog «Ladrões de Bicicletas»]

Novos apelos ao colonialismo do IV Reich, o império que tantas benfeitorias tem feito na Grécia...

A União Europeia devia fiscalizar melhor as torturas na Rede Guantánamo e Sucursais e divulgar se o número de torturados nesta rede foi só de 80 000 (oitenta mil).


E devia especificar quantos homens e quantas mulheres foram torturados até à morte nesta rede leostraussiana.



Eurocentrismo ? Neocolonialismo ?

... porque raio é que a
União Europeia seria, na visão do Bloco, a entidade competente para fiscalizar as eleições em Angola ?
 

«Participei como observador  no processo eleitoral  que decorreu em Angola em 23 de Agosto. Integrei assim um conjunto de 249 observadores internacionais que tiveram a possibilidade de verificar pessoal e presencialmente todos os procedimentos deste processo eleitoral.(...)» - António Filipe no «Público» de hoje.

«Numa declaração conjunta apresentada à imprensa os antigos presidentes Pedro Pires, de Cabo Verde, Joaquim Chissano, de Moçambique, Manuel Pinto da Costa, de S.Tomé e Príncipe e José Ramos Horta, de Timor-Leste, convidados a supervisionar as eleições em Angola na qualidade de observadores internacionais, consideraram "pacíficas, livres, justas e transparentes" as eleições ».(na imprensa)


Donald Trump em Portugal ou crítica crítica à crítica


Donald Trump é racista.

Trump tem 70 anos e já andou por Portugal, vanguardisticamente, metaforicamente.

Leo Strauss é o filósofo do neoconservadorismo e da Barbárie em nome da Democracia. Lamentou não poder ser nazi por ser judeu, apenas por isso.

A Filosofia de Leo Strauss é adaptar a barbárie nazi à Democracia. A criação do caos é um conceito de Leo Strauss e dos neoconservadores, conceito posto em prática com a invasão do Iraque, aplicado também na Líbia e na Síria pelos europeístas. Um dos partidos portugueses que defenderam a invasão da Síria pelos Contras foi o Bloco de Esquerda, ao lado dos neoconservadores e de toda as Direitas convertidas ao leostraussionismo. Os Contras da Síria, os criadores do caos, que é uma expressão suprema da barbárie, foram chamados pelos seus apoiantes de «libertadores», digamos que libertaram a barbárie e o caos.

O ex-bloquista, e ex-deputado do Parlamento da União Europeia, que até tem um nome falso «Parlamento Europeu» ou então quem o baptizou é uma nulidade a Geografia porque parece que não sabe o que é a Europa, e fundador do Partido Livre, o escritor-historiador europeísta Rui Tavares defendeu os bombardeamentos leostraussianos da Líbia, realizados pela NATO, digamos que estes bombardeamentos da NATO purificaram a Líbia com a criação do caos.

E os «pretos»? Donald Trump não gosta dos «pretos» (black).
Em Portugal o racismo contra os africanos é um alicerce do actual regime político, não oficialmente, mas muito praticado por deputados do chamado arco da governação, do PS, do PSD e do CDS e ainda do Bloco de Esquerda, influenciado pela facção maoista e talvez até por outras.

Apertar a mão a um «preto» (blacK) custa a Donald Trump, mas custa muito mais aos dirigentes do BE se esse «preto» (black) exercer o poder em alguma antiga colónia portuguesa, se trabalhar como operário na construção civil já não haverá problemas… Para Trump os «pretos» (black) devem estar na escala mais baixa da sociedade. É possível que Trump esteja a pensar publicar uma lei proibindo os «pretos» (black) de serem ricos, os «pretos» têm mesmo que ser pobres.
Há muita gente em Portugal que pensa a mesma coisa que Trump sobre os africanos, os «pretos» têm que ser pobres.  Este ponto de vista sobre a pobreza «natural» dos «pretos» é partilhado pelo Partido Nazi dos Estados Unidos e pela Ku klux Klan.

Quando Jonas Savimbi instalou o caos em Angola com o apoio do regime do Apartheid da África do Sul (o tal regime que 'punha os pretos no seu lugar’), deputados portugueses do PS, PSD e CDS aproveitaram o caos instalado para se deliciarem com esse caos com o apoio do regime do Apartheid da África do Sul, do qual eram colaboradores. No caos não há fronteiras, não há Estado. Nos territórios de um Estado, onde o caos foi implantado, não é necessário passaporte para entrar, com o caos vale tudo.
Mas poderá colocar-se esta questão: então não há «pretos» corruptos? Não tenho uma visão racista da corrupção, acho que a corrupção existe em todas as raças humanas. Michel Temer, por exemplo, é de raça branca e, como ele, também é de raça branca o chefe da Máfia da Sicília e também o padrinho Mário Draghi. O Eurogrupo é constituído por corruptos, na sua maioria, e nenhum é preto. Donald Trump também é um homem corrupto e também não é preto.

Os mais corruptos do Mundo pertencem ao grupo de Bielderberg, a instituição da corrupção global, estes corruptos do grupo de Bielderberg querem mandar no Mundo.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Humanidade, uma espécie sem grande passado, sem grande presente e de futuro, previsivelmente mau, no curto prazo - VII


(Continuação)
VII – Da Revolução de Outubro de 1917 na Rússia ao apocalipse político que foi a implosão do marxismo-leninismo na Europa.
Da sociedade sem classes aos oligarcas da alta burguesia.

Foi o advogado, filósofo e político russo Lenine (Vladimir Ilitch Ulianov, 1870 - 1924) que dirigiu a primeira revolução inspirada nas ideias de Marx e Engels, em Outubro de 1917 (segundo o calendário juliano, baseado na vida do general e político romano Júlio César, o calendário dos cristãos, que se manteve nas igrejas cristãs ortodoxas). (A igreja católica romana modificou o calendário juliano, por ordem do papa Gregório XIII, nos finais do século XVI (1582) e passou a chamar-se gregoriano, que é o actual calendário europeu ocidental, também nos países protestantes, e nos países de influência europeia ocidental (portuguesa, espanhola, inglesa ou francesa).
Um ponto crítico fulcral no marxismo é o conceito «ditadura do proletariado» formulado por Marx e Engels e retomado por Lenine. O problema é que a «ditadura do proletariado» deu origem à ditadura do Partido Comunista, que dizia representar o proletariado, e prolongou-se indefinidamente, em vez de ser transitória. Este é um dos pontos mais fracos do marxismo-leninismo, e o que mais contribuiu para a implosão do regime comunista fundado por Lenine.
Marx defendeu a nacionalização ou colectivização total das empresas. Lenine, mais por pragmatismo do que por convicção, criou a NEP (Nova Política Económica), em 1921, em que as grandes empresas eram nacionalizadas ou colectivizadas e as pequenas e médias empresas eram privadas. Lenine morreu em 1924, estando em vigor a NEP.

O grande paradoxo do marxismo-leninismo foi o estalinismo.

Estaline ascendeu ao poder depois da morte de Lenine e acabou com a NEP e impôs a nacionalização ou colectivização de todas as empresas, conforme as propostas de Marx, na última parte de «O Capital».
Estaline, nem sequer era russo, era natural da Geórgia e falava russo com sotaque georgiano.


Estaline tem várias facetas, desvirtuou muito o conceito «ditadura do proletariado», que se transformou numa ditadura pessoal, inspirada no marxismo e na tradição czarista da Rússia.
Industrializou a União Soviética, criada por Lenine em 1922.
As repúblicas da URSS criadas por Lenine eram mais regiões administrativas, como a Transcaucásia que englobava etnias muito diferentes como a Arménia, a Geórgia e o Azerbaijão.
Estaline estabeleceu critérios étnicos para as repúblicas da URSS. A União Soviética era a Rússia herdada do czarismo dividida em repúblicas. A Rússia passou, em sentido restrito, a ser mais uma república da URSS, bem menor do que era a Rússia czarista.
A industrialização estalinista deu um poder militar à União Soviética, proporcionalmente, muito superior ao da Rússia czarista durante a I Guerra Mundial.
Em 1940 a União Soviética era a terceira potência industrial mundial, atrás dos Estados Unidos e da Alemanha.
Na II Guerra Mundial, Estaline conseguiu vencer a Alemanha nazi, embora auxiliado pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido, sobretudo porque abriram a frente ocidental, tão reclamada por Estaline junto de Franklin Roosevelt e de Winston Churchill, os seus grandes aliados contra o inimigo comum que era Hitler.
Não podemos esquecer que o grande impacto da ofensiva alemã foi sustido pela União Soviética sozinha. A Alemanha invadiu a União Soviética em 22 de Junho de 1941, ainda os Estados Unidos não tinham entrado na guerra. Os Estados Unidos foram forçados a entrar na guerra em 7 de Dezembro de 1941, quando foram atacados pelos japoneses (aliados da Alemanha) em Pearl Harbour.
A vitória na II Guerra Mundial foi sobretudo a vitória da União Soviética e dos Estados Unidos (que na frente ocidental depressa ofuscaram o Reino Unido).
Terminada a II Guerra Mundial os Estados Unidos e a União Soviética dividiram a Europa entre si, em áreas de influência.
Foi durante o estalinismo que os Estados Unidos e a União Soviética se tornaram as duas grandes super-potências mundiais, ambas equipadas com bombas atómicas, os Estados Unidos desde 1945 e a URSS desde 1949.
Já no pós-estalinismo o poderio militar dos Estados Unidos e da União Soviética atingiu tão grandes capacidades de destruição com bombas atómicas A e H (de segunda geração, de Hidrogénio), que uma Guerra entre estas duas super-potências mundiais poderia, eventualmente, levar à destruição de toda a Humanidade.
A análise da evolução do regime comunista criado por Lenine na Rússia/União Soviética, no essencial, pouco ou nada tem a ver com a rivalidade militar e ideológica com os Estados Unidos.
Ora, a impossibilidade do regime comunista da União Soviética criar algo de novo e de, efectivamente bom, tem a ver com erros, não só da praxis, mas também das teorias marxistas-leninistas.
O capitalismo tem aguentado tudo e renova-se, aguentou o fascismo de Mussolini e aguentou o nacional-socialismo alemão ou nazismo, e outros regimes fascistas.


O grande momento de reflexão do regime marxista-leninista ou comunista da URSS foi pouco antes da escolha de Gorbatchov para secretário-geral do partido comunista da União Soviética em 1985. Ora, foi em 1984 e começos de 1985 que o próprio partido comunista da União Soviética constatou que a revolução iniciada por Lenine em 1917 tinha falhado os seus objectivos.
Gorbatchov tinha por missão reformular a teoria e a prática do marxismo-leninismo, mas este advogado não tinha capacidade intelectual para tal fazer. A inteligência na Rússia estava em crise, já que a Rússia era, de muito longe, a maior e a mais importante república da União Soviética. Em vez de Gorbatchov podiam ter escolhido um homem mais inteligente que ele. Mas não encontraram nenhum!
Se Gorbatchov era e é intelectualmente muito limitado, depois da separação das repúblicas étnicas que constituíam a União Soviética, a Rússia passou a ser governada por Ieltsin, um homem pouco inteligente, ignorante, alcoólico, e ainda por cima desonesto.
Em 1949, Yeltsin foi admitido no Instituto Politécnico dos Urais em Sverdlovsk, especializando-se em construção, graduou-se em 1955. Não tinha formação filosófica, não tinha formação académica nas ciências humanas, era da área da engenharia.
Se compararmos a inteligência dos dirigentes chineses, que constataram que o marxismo-leninismo era uma teoria falhada na prática, com Gorbatchov e Ieltsin, uma coisa constatamos, com frieza, sem moralismos, que na China havia e há homens de inteligência superior na área da economia.
Gorbatchov e Ieltsin afundaram a economia da Rússia, enquanto os dirigentes chineses fizeram o oposto, tornaram a China a segunda potência económica mundial, e continua a crescer, podendo até, se a inteligência na China continuar a prosperar, tornar-se a maior potência económica mundial, a médio prazo.
Mas, entretanto, o capitalismo mudou, para muito diferente do que era no tempo de Marx e Engels. Foi precisamente na Europa ocidental que a qualidade de vida da classe operária atingiu o melhor nível de sempre na história da Humanidade. O capitalismo cedeu muitos direitos aos trabalhadores, criando o chamado modelo social europeu ocidental em que foram dados direitos ao povo que mais nenhuma civilização deu. Serviço Nacional de Saúde, subsídios de férias e de Natal, sistema público de Ensino de qualidade, subsídio de desemprego, pensões de reforma de qualidade, num quadro de Liberdade política A burguesia manteve-se como classe dominante, mas fez enormes cedências às outras classes sociais. E a Liberdade aumentou muito para as classes fora da burguesia.

O regime fundado por Lenine implodiu, isto é, autodestruiu-se nos finais do século XX, em 1991.

Do regime comunista criado por Lenine apenas ficaram as fronteiras das repúblicas étnicas, que vigoravam em 1991.

Com a implosão do regime surgiu o primeiro caso na História da Humanidade de privatização de empresas que foram parar à posse de pessoas que não tinham dinheiro para as comprar, porque não havia ricos no sentido financeiro do termo na União Soviética.

A classe política não era proprietária, mas usufrutuária. Assim, em vez de compradas as empresas estatais foram dadas, na prática, aos amigos de quem estava no governo, tendo surgido, pela primeira vez na História da Humanidade, uma alta burguesia através do método feudal de concessão de bens aos amigos. A alta burguesia russa actual é uma alta burguesia de origem feudal.

A crise ideológica final do regime comunista da URSS deu origem ao desaparecimento de todos os regimes comunistas na Europa e ainda à implosão de muitos partidos comunistas da Europa ocidental como foi o caso do Partido Comunista Italiano.

Caiu a chamada «ditadura do proletariado» na Europa e surgiu a ditadura da burguesia, ditadura essa que é a essência da União Europeia. Os tratados da União Europeia exigem a aceitação da ditadura da burguesia, nomeadamente o Tratado Orçamental. Onde é mais visível esta ditadura da burguesia é na Grécia.



Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse na ditadura da burguesia são a guerra, a fome, a morte devido à falta de dinheiro e o medo do futuro.