terça-feira, 22 de agosto de 2017

Humanidade, uma espécie sem grande passado, sem grande presente e de futuro, previsivelmente mau, no curto prazo - I


HumanidadeEtimologia latim, humanitas, atis, condição e natureza do ser humano. (In «DICIONÁRIO Houaiss DA LÍNGUA PORTUGUESA», Ed. Temas e Debates, Lisboa, 2003)

O livro do cientista inglês Charles Darwin, «A Origem das Espécies», editado em 1859, arrasou todas as teorias religiosas sobre a origem da Humanidade.



Pandora e Eva afinal nunca existiram, a não ser na imaginação humana.
A Origem das Espécies é um livro contra os deuses.
Os racionalistas não acreditam em deuses nem em deusas.
O livro de Friedrich Nietzsche «Para Além do Bem e do Mal» publicado em 1886 mostra o carácter selvático da espécie humana, explica que os conceitos Bem e Mal são relativos.
Este livro foi utilizado pelos nazis alemães para justificarem a sua barbárie, mas serve perfeitamente para explicar toda a barbárie humana, nomeadamente a barbárie em nome do Estado e a barbárie em nome da Democracia.
O cientista australiano Gordon Childe procurou explicar em livro que «O Homem Faz-se a Si Próprio» (1936).
O historiador romano Suetónio descreveu no livro «Os Doze Césares» (De vitis Caesarum), publicado em 121, os conceitos riqueza, poder e liberdade.
Para mim, estes quatro livros são essenciais para explicarmos o que é a espécie humana.
A selvajaria tem sido uma característica fulcral da espécie humana.
A espécie humana foi sendo caracterizada pelos homens bons e pelos homens maus e também pelas mulheres boas.
No Império Romano, muito antes do cristianismo, o casamento era monogâmico. Quem não fosse escravo podia ir para as piscinas municipais. As mulheres também podiam ir para as piscinas.
A civilização europeia actual resulta da destruição do Império Romano do Ocidente pelos bárbaros. O que ficou do império romano com mais aceitação no futuro foi o cristianismo; objectivamente, o cristianismo é um legado do Império Romano.
Na Europa a inteligência humana desenvolveu-se muito para o Bem e para o Mal.
A expansão europeia, por mar, iniciada por Portugal, levou o cristianismo para as colónias portuguesas, espanholas, inglesas, francesas e holandesas. Esta colonização europeia está associada a genocídios de grande magnitude, especialmente os realizados pelos espanhóis e pelos ingleses no continente americano. Depois da independência, os Estados Unidos prosseguiram com o genocídio dos índios, iniciado pelos ingleses.
A escravatura dos negros, em grande escala, foi iniciada pelos portugueses e continuada pelos espanhóis, pelos holandeses, pelos ingleses e pelos franceses.
Foi contra o cristianismo que se desenvolveu, no século XVIII, na Europa, o iluminismo-racionalismo, que está na base das ciências actuais.
O capitalismo começa por ser essencialmente comercial, mas com o desenvolvimento da Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra nos finais do século XVIII, as fábricas passaram a dominar o capitalismo.
O capitalismo conviveu bem com a escravatura, nomeadamente nos Estados Unidos.
Darwin e os seus seguidores explicaram que o homem e o macaco têm um antepassado comum.
Com a chamada Revolução Neolítica teorizada por Gordon Childe, o homem tornou-se sedentário, cultivou a terra, domesticou animais, construiu as suas casas e lançou as bases da exploração do homem pelo homem, que é o fulcro do capitalismo.

A evolução tecnológica fazia prever que essa evolução fosse acompanhada pelo triunfo dos bons na espécie humana. O nazismo alemão veio provar o contrário, o Mal Absoluto dominou a civilização alemã, quando era a mais avançada do Planeta Terra, no domínio tecnológico.

Cidadãos e cidadãs burlados e roubados pelo Capital com o colaboracionismo do regime político vigente – um caso concreto contado por uma jornalista ou as vigarices dos franceses da Altice-Meo


«[...]A questão é, pois, de lealdade e transparência na relação comercial. E esta não pode depender da boa ou má formação do comerciante: é imposta por lei. Mais precisamente uma lei de 2008, com a epígrafe "práticas comerciais desleais", que pune as ditas práticas com coimas de 250 a 3740,98 euros (pessoa singular) e de 3000 a 44 891,81 (coletiva). E o que é uma prática comercial desleal? O preâmbulo explica: "O carácter leal ou desleal da prática comercial é aferido utilizando-se como referência o consumidor médio. O presente decreto-lei classifica as práticas enganosas como ações enganosas e omissões enganosas". E, no artigo 7.º, especifica-se, sob a epígrafe "Ações enganosas": "É enganosa a prática comercial que contenha informações falsas ou que, mesmo sendo factualmente corretas, por qualquer razão, nomeadamente a sua apresentação geral, induza ou seja suscetível de induzir em erro o consumidor em relação a um ou mais dos elementos a seguir enumerados e que, em ambos os casos, conduz ou é suscetível de conduzir o consumidor a tomar uma decisão de transação que este não teria tomado de outro modo." Entre os elementos enumerados, encontramos "o preço, a forma de cálculo do preço ou a existência de uma vantagem específica relativamente ao preço". E, no artigo 9.º, "Omissões enganosas", lê-se: "É enganosa, e portanto conduz ou é suscetível de conduzir o consumidor a tomar uma decisão de transação que não teria tomado de outro modo, a prática comercial (...) que omite uma informação com requisitos substanciais para uma decisão negocial esclarecida do consumidor."

No Observador, Luís Aguiar-Conraria pergunta como é possível que a ASAE persiga criminalmente - pelo crime de especulação - quem vende bilhetes de futebol a preços inflacionados e nada possa fazer quanto ao restaurante. O exemplo é tanto mais interessante quando o crime de especulação não tem nada a ver com direitos do consumidor: visa proteger "interesses do mercado", seja lá isso o que for. Aliás, como frisa o economista, ninguém pode alegar que a compra de um bilhete a preço superior ao que nele consta não é uma decisão informada. As autoridades intervêm porque a lei obriga a isso? OK. Mas também há uma lei que obriga a proteger os direitos do consumidor. Que é das suas consequências?


Como se constata, não há. E não havendo as empresas sentem-se licenciadas para o assalto à mão armada. Veja-se o caso dos operadores de comunicações, no top das reclamações em Portugal. Neste mês, a Deco denunciou o facto de a Meo ter enviado uma SMS a "oferecer" "2Gb adicionais de internet grátis até 31/8", passando após esse dia o grátis a pago e obrigando os clientes a ligar para evitar que tal suceda. É uma "prática comercial agressiva", portanto proibida, mas a Meo arrisca. Porquê? Porque a história lhe diz que pode. Por exemplo em janeiro de 2014 baixou o preço de um serviço, o do pacote TVCine, de 15,48 euros para 10. Mas continuou a cobrar o valor anterior aos clientes que não deram pela alteração. Se reclamam, recusa reembolsá-los, alegando que lhes deu em troca "crédito no videoclube". Ação e omissão enganosas, sem qualquer dúvida. Que fez a Anacom? Zero. Mais: em novembro a mesma Meo aumentou, sem aviso, o preço do serviço a clientes em período de fidelização. Em julho, a Anacom obrigou-a a aceitar rescisões desses contratos, sem ónus, se efetuadas até 25 de agosto. Não bastando o incrível da data escolhida, em pleno período de férias, a Meo tudo faz para obstaculizar rescisões: a linha para o efeito tem esperas de horas - nunca informando ser possível descarregar um formulário de rescisão no site e submetê-lo no mesmo, opção de resto muito difícil de encontrar se não se souber da sua existência; mais escandaloso ainda, nas lojas insistem em que "não se pode rescindir ao balcão" (sucedeu comigo neste sábado). Incrível? Não, Portugal. E com leis claras e reguladores "dedicados". Imagine-se se era a selva.»

[Fernanda Câncio in «DN» pt, texto «O restaurante carteirista e outras fábulas da demissão do Estado» ]

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

O meu primeiro post num blog foi este, publicado em 1 de Julho de 2003

terça-feira, julho 01, 2003

  • UNIÃO EUROPEIA



    Blair enganou os deputados britânicos, dizendo que o exército do Iraque tinha capacidade para usar armas de destruição maciça em 45 minutos.
    Afinal o poderosíssimo e organizadíssimo exército do Iraque podia atacar Londres e Washington em 45 segundos, com armas atómicas, químicas e biológicas ao mesmo tempo, isto é entre a decisão de atacar e o impacto nos alvos passavam apenas 45 segundos.

    Das selvajarias do fundamentalismo islâmico às selvajarias do fundamentalismo católico


    Agora que se fala da barbárie em nome do Islão, convém lembrar a barbárie em nome do Catolicismo.
    A Inquisição Católica do século XXI anda numa nova caça às bruxas. Persegue as mulheres e não as condena à fogueira, mas a longas penas de prisão. E a Inquisição Católica é contra o uso do preservativo e contra o uso da pílula ou de outros métodos anticoncepcionais. E depois mete na cadeia as mulheres, que engravidam por engano e praticam aborto, nos países onde a mafiosa Inquisição Católica se apoderou de parte do poder legislativo e do poder judicial. A América Latina está debaixo da poderosa Inquisição Católica do século XXI.
    O fundamentalismo protestante não é tão desumano como o fundamentalismo católico, porque os protestantes não são contra o uso do preservativo,  nem contra o uso da pílula e de outros anticoncepcionais.

    «Uma desgraça em quase toda a América Latina




     (...)
    (...)
    ler aqui»


    [In blog «O TEMPO DAS CEREJAS 2»]

    domingo, 20 de agosto de 2017

    Guerras imperiais contra países relativamente pequenos

    Leo Strauss, o filóloso das Direitas Ocidentais e da barbárie em nome da Democracia, teorizou o caos ou inferno criados pelas Democracias, a chamada selvajaria democrática, construída na rede Guantánamo e Sucurdais e nas guerras imperiais dos países da NATO, defendidas por muitos eutopeístas, na prática leostraussianos.



    «Divergências no seio do campo anti-imperialista

    Quando o seu país foi atacado pelos jiadistas, em 2011, o Presidente Bachar al-Assad reagiu a contra-corrente: em vez de reforçar os poderes dos serviços de segurança, ele diminuiu-os. Seis anos mais tarde, o seu país está em vias de sair vencedor da mais importante guerra desde a do Vietname. O mesmo tipo de ataque está em vias de se produzir na América Latina, onde suscita uma resposta muito mais dentro do habitual. Thierry Meyssan expõe aqui a diferença de análise e estratégia dos Presidentes Assad por um lado, Maduro e Morales pelo outro. Não se trata de colocar esses líderes em compita, mas de apelar a cada um deles para extrair lições políticas e tomar em boa conta a experiência das últimas guerras.

    | Damasco (Síria)
    +





    Em Maio de 2017, Thierry Meyssan explicava na Russia Today em que é que as elites sul-americanas se enganam quanto ao imperialismo dos EUA. Ele insistia acerca da mudança de paradigma dos conflitos armados actuais e a necessidade de repensar, radicalmente, a maneira de defender a pátria.
    A operação de desestabilização da Venezuela prossegue. Numa primeira fase, grupúsculos violentos, manifestando-se contra o governo, mataram transeuntes, ou seja cidadãos que se tinham juntado a eles. Num segundo tempo, os grandes distribuidores de géneros alimentares montaram uma rotura de abastecimentos nos supermercados. Depois, alguns membros das forças da ordem atacaram dois ministérios, apelaram à rebelião e entraram na clandestinidade.
    A imprensa internacional não cessa de atribuir ao «regime» os mortos das manifestações enquanto que numerosos vídeos atestam que eles foram deliberadamente assassinados pelos próprios manifestantes. Com base nestas falsas informações, ela qualifica o Presidente Nicolas Maduro de «ditador» como já o havia feito, seis anos atrás, vis-à-vis a Mouamar Kadhaffi e a Bachar al-Assad.
    Os Estados Unidos utilizaram a Organização dos Estados Americanos (OEA) contra o Presidente Maduro da mesma maneira como usaram anteriormente a Liga Árabe contra o Presidente al-Assad. Caracas, sem esperar ser excluída da Organização denunciou tal método e abandonou-a ela própria.
    No entretanto o governo Maduro apresenta duas falhas no seu activo:
    - uma grande parte dos seus eleitores não se deslocou às urnas aquando das eleições legislativas de Dezembro de 2015, deixando a oposição arrecadar a maioria no Parlamento.
    - deixou-se surpreender pela crise dos géneros alimentícios, quando, no passado, este tipo de manobra já tinha sido montado no Chile contra Allende e na Venezuela contra Chávez. Precisou de várias semanas para montar novos circuitos de aprovisionamento.
    Com toda a probabilidade, o conflito que começa na Venezuela não irá parar nas suas fronteiras. Ele abrasará todo o Noroeste do continente sul-americano e as Caraíbas.
    Um passo suplementar foi franqueado com preparativos militares contra a Venezuela, a Bolívia e o Equador, a partir do México, da Colômbia e da Guiana Inglesa. Esta coordenação é operada pela equipe do antigo Gabinete Estratégico para a Democracia Global (Office of Global Democracy Strategy); uma unidade criada pelo Presidente Bill Clinton, depois prosseguida pelo Vice-presidente Dick Cheney e pela sua filha Liz. A existência deste foi confirmada por Mike Pompeo, o actual director da CIA. O que levou, portanto, à menção na imprensa pelo presidente Trump da existência de uma opção militar dos Estados Unidos.
    Para salvar o seu país, a equipe do Presidente Maduro recusou seguir o exemplo do Presidente al-Assad. Segunda ela, as situações são completamente diferentes. Os Estados Unidos, principal potência capitalista, atacariam a Venezuela a fim de lhe roubar o seu petróleo, de acordo com um esquema muitas vezes repetido no passado, em três continentes. Este ponto de vista acaba de ser apoiado por um discurso recente do Presidente boliviano, Evo Morales.
    Lembre-mo-nos que em 2003 e 2011, o Presidente Saddam Hussein, o Guia Muammar Kadhafi e muitos conselheiros do Presidente Assad mantinham a mesma análise. Segundo eles, os Estados Unidos implicaram-se sucessivamente no Afeganistão e no Iraque, depois na Tunísia, no Egipto, na Líbia e na Síria unicamente para fazer cair os regimes que resistiam ao seu imperialismo e controlar os recursos de hidrocarbonetos do Médio-Oriente Alargado. Inúmeros autores anti-imperialistas seguem esta análise, na actualidade, por exemplo tentando explicar a guerra contra a Síria pela interrupção do projecto do gasoduto catariano.
    Ora, esta análise mostrou-se errada. Os Estados Unidos não buscavam nem derrubar os governos progressistas (Líbia e Síria), nem roubar o petróleo e gás da região, mas, sim destruir os Estados, para reenviar as populações à pré-história, para a época em que «o homem era o lobo do homem».
    Os derrubes de Saddam Hussein e de Muammar Gaddafi não restabelecerem a paz. As guerras continuaram apesar da instalação de um governo de ocupação no Iraque, depois governos na região incluindo colaboradores do imperialismo opostos à independência nacional. Elas continuam ainda atestando que Washington e Londres não queriam derrubar regimes, nem defender democracias, mas antes esmagar os povos. É uma constatação fundamental que altera a nossa compreensão quanto ao imperialismo contemporâneo.
    Esta estratégia, radicalmente nova, foi ensinada por Thomas PM Barnett desde o 11- de-Setembro de 2001. Ela foi publicamente revelada e exposta em Março de 2003 —quer dizer precisamente antes da guerra contra o Iraque— num artigo na Esquire, depois no livro homónimo do Pentágono The Pentagon’s New Map («O Novo Mapa do Pentágono»- ndT), mas ela parece tão cruel que ninguém imaginou que pudesse vir a ser posta em acção.
    Trata-se para o imperialismo de dividir o mundo em dois : de um lado uma zona estável que beneficia do sistema, do outro um caos espantoso onde ninguém pense sequer em resistir, mas unicamente em sobreviver; uma zona na qual as multinacionais possam extrair as matérias primas, das quais precisam, sem terem que dar satisfações a ninguém.
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    Segundo este mapa, extraído de um Powerpoint de Thomas P. M. Barnett durante uma conferência no Pentágono em 2003, todos os Estados da zona rosada devem ser destruídos. Este projecto nada tem a ver nem com a luta de classes, no plano nacional, nem com a exploração dos recursos naturais. Depois do Médio-Oriente Alargado, os estrategas dos EU preparam-se para reduzir a ruínas o Noroeste da América Latina.
    Desde o século XVII e a guerra civil britânica, o Ocidente desenvolveu-se entre o medo do caos. Thomas Hobbes ensinou-nos a suportar a “Razão de Estado”, em vez de arriscar reviver esse tormento. A noção de caos só nos voltou a ser trazida com Leo Strauss, após a Segunda Guerra Mundial. Este filósofo, que formou pessoalmente numerosas personalidades do Pentágono, entendia construir uma nova forma de Poder mergulhando uma parte do mundo no inferno.
    A experiência do jiadismo no Médio-Oriente Alargado mostrou-nos o que é o caos.
    Tendo reagido como se esperava dele aos acontecimentos de Daraa (março-abril de 2011), enviando o exército para reprimir os jiadistas da mesquita al-Omari, o Presidente al-Assad foi o primeiro a compreender aquilo que se passava. Longe de aumentar os poderes das forças de segurança para reprimir a agressão externa, ele deu ao povo os meios para defender o país.
    Primeiro, levantou o estado de emergência, dissolveu os tribunais de excepção, libertou as comunicações de Internet, e proibiu às forças armadas de fazer uso das suas armas quando isso pudesse colocar em risco inocentes.
    Estas decisões contra-a-corrente implicavam pesadas consequências. Por exemplo, aquando do ataque a um comboio militar em Banias, os soldados abstiveram-se de usar as suas armas em legítima defesa. Arriscaram ser mutilados pelas bombas dos atacantes, e até morrer, mais do que atirar, pelo risco de ferir os habitantes que os viam ser massacrados sem intervir.
    Como muitos, à época, eu pensei que se tratava de um Presidente fraco e de soldados demasiado leais, que a Síria ia ser esmagada. No entanto, seis anos mais tarde, Bashar al-Assad e os exércitos sírios ganharam a sua aposta. Se a princípio, os soldados lutaram sozinhos contra a agressão estrangeira, pouco a pouco, cada um dos cidadãos foi-se envolvendo, cada um em seu posto, afim de defender o país. Os que não puderam ou não quiseram resistir exilaram-se. Claro, os Sírios têm sofrido muito, mas a Síria é o único Estado no mundo, após a guerra do Vietname (Vietnã-br), a ter resistido até que o imperialismo se cansa e desiste.
    Em segundo lugar, face à invasão de uma multidão de jiadistas originários de todas as comunidades muçulmanas, desde Marrocos até à China, o Presidente Assad decidiu abandonar uma parte do território para conseguir salvar o seu Povo.
    O Exército Árabe Sírio recuou para a zona da “Síria útil”, quer dizer para as cidades, abandonando as zonas rurais e os desertos aos agressores. Enquanto Damasco velava, sem nenhuma falha, pelo aprovisionamento de alimentos a todas as regiões que controlava. Contrariamente a uma ideia feita no Ocidente, apenas houve fome nas áreas controladas pelos jiadistas e em algumas cidades sitiadas por eles; os «rebeldes estrangeiros» (perdoem o “oxímoro”), aprovisionados pelas associações «humanitárias» ocidentais, utilizaram a distribuição de pacotes de alimentos para controlar as populações que eles próprios submetiam à fome.
    O povo sírio constatou por si próprio que apenas a República, e não, os Irmãos Muçulmanos e seus jiadistas, o alimentava e o protegia.
    Em terceiro lugar, o Presidente Assad traçou, aquando de um discurso pronunciado a 12 de Dezembro de 2012, a maneira como ele pensava refazer a unidade política do país.
    Ele indicou, nomeadamente, a necessidade de redigir uma nova constituição e de submetê-la à adopção por uma maioria qualificada do Povo, depois proceder à eleição democrática da totalidade dos responsáveis institucionais, neles incluído o Presidente, é claro.
    À época, os Ocidentais fizeram troça da pretensão do Presidente Assad em convocar eleições em pleno período de guerra. Hoje em dia, todos os diplomatas envolvidos na resolução do conflito, incluindo os das Nações Unidas, apoiam o plano Assad.
    Enquanto os comandos jiadistas circulavam por todo o país, nomeadamente em Damasco, e assassinavam políticos em suas casas com suas famílias, o Presidente Assad encorajava os seus opositores internos a pronunciarem-se. Ele garantiu a segurança do liberal Hassan al-Nouri e do marxista Maher al-Hajjar afim de que assumissem, também, o risco de se apresentarem à eleição presidencial de Junho de 2014. Apesar do apelo ao boicote pelos Irmãos Muçulmanos e pelos governos Ocidentais, apesar do terror jiadista, apesar da presença no exílio, no exterior, de milhões de cidadãos, 73,42% dos eleitores responderam presente.
    Identicamente, desde o início da guerra, ele criou um Ministério da Reconciliação Nacional, o que jamais se vira num país em guerra. Ele confiou-o ao presidente de um partido aliado, o SSNP, de Ali Haidar. Este negociou e concluiu mais de um milhar de acordos promovendo a amnistia(anistia-br) de cidadãos que havia pegado em armas contra a República e a sua integração no seio do Exército Árabe Sírio.
    Durante esta guerra, o Presidente Assad jamais usou a força contra o seu próprio Povo, por muito mal que digam aqueles que o acusam gratuitamente de torturas generalizadas. Assim, por exemplo, ele nunca estabeleceu a conscrição em massa, o recrutamento obrigatório. É sempre possível a um jovem escapar ao serviço militar. Procedimentos administrativos permitem a qualquer cidadão do sexo masculino escapar ao serviço nacional se ele não quiser defender o seu país de armas na mão. Apenas os exilados, que não tiveram a oportunidade de proceder a estas “démarches” podem estar em contravenção das leis.
    Durante seis anos, o Presidente Assad não parou de, por um lado, apelar ao seu povo, de lhe conferir responsabilidades e, por outro, de tentar alimentá-lo e protegê-lo tanto quanto podia. Ele assumiu sempre o risco de dar antes de receber. É por isso que, hoje em dia, ele ganhou a confiança do seu Povo e pode contar com o apoio activo.
    As elites sul-americanas enganam-se quando continuam a luta das décadas precedentes por uma mais justa distribuição das riquezas. A luta principal não é mais entre a maioria do povo e uma pequena classe de privilegiados. A escolha que se colocou aos povos do Médio-Oriente Alargado e à qual os Sul-americanos terão que responder, por sua vez, é a de defender a Pátria ou morrer.
    Os factos provam-no: o imperialismo contemporâneo não visa mais, em especial, meter a mão nos recursos naturais. Ele domina o mundo e pilha sem escrúpulos. Agora, o que ele pretende, também, é esmagar os Povos e destruir as sociedades das regiões nas quais explora já os recursos.
    Nesta era de destruição, apenas a estratégia de Assad permite ficar de pé e livre.
    Tradução
    Alva»

    [In «Red Voltairte» versão em português]

    Alice no Planeta das Maravilhas – blognovela Capítulo III

    Continuação
    III

    Alice gostava da cor verde, da verdura dos campos, da verdura das floretas, antes de ficarem vermelhas.
    E começou a sonhar com uma cama verde, na terra do cinema e das tecnologias mais avançadas, com uma bela e confortável cama,

    design pós-moderno, altamente sofisticada e bela, cheia de beleza sublime.

    Adoentada e apreciadora da Medicina racionalista, começou a sonhar com médicos e médicas, com enfermeiros e enfermeiras e com injecções. 



    Belos e maravilhosos sonhos teve Alice.

    (Continua)

    É preciso abater parte das florestas – dizia o arquitecto Gonçalo Ribeiro Teles, o único homem que era mesmo contra os incêndios florestais que tinha acesso às televisões

              
    O arquitecto monárquico Gonçalo Ribeiro Teles queria acabar de vez com os grandes incêndios florestais. Ele disse que era preciso acabar com as grandes manchas verdes florestais, disse que era preciso abater parte das florestas.
    As novas florestas deviam ter manchas verdes de reduzida dimensão, separadas por grandes espaços sem árvores. As espécies mediterrânicas deviam ser dominantes.
    As cidades e as vilas e as aldeias, não deviam entrar pelas florestas dentro, como a Covilhã. Deviam ser cercadas por grandes espaços sem árvores ou qualquer outro material combustível.

    Qualquer pessoa que pense e fale como o arquitecto Gonçalo Ribeiro Teles está proibida por todas as Censuras de falar numa televisão. Lá se iam os shows de Verão, se acabassem os grandes incêndios.

    Um autarca que se preze quer que a sua cidade ou vila entre pela floresta dentro! É um sinal dos tempos que correm.

    Os jornalistas das televisões, quando começarem as inundações vão descobrir que a água molha. Este Verão, já conseguiram descobrir que os incêndios queimam coisas. Se alguém está  a chorar,  porque lhe ardeu a casa é proibido mostrar que essa casa possa estar dentro de uma floresta, rodeada de pinheiros ou eucaliptos que ardem muito bem, eventualmente a menos de cinco metros da casa ou até a menos de dois metros da casa.

    O aquecimento global já chegou a Portugal.  E esse aquecimento global cada vez será mais quente.


    Ninguém quer acabar mesmo com os grandes incêndios florestais, os grandes incêndios florestais são uma das características mais marcantes do regime político vigente!

    sexta-feira, 18 de agosto de 2017

    Muitos jornalistas e comentadores de Direita querem um genocídio nuclear iniciado por Donald Trump

    13 mortos em Barcelona é muito pouco para muitos jornalistas e comentadores de Direita, é mesmo muito pouco, 13 milhões de mortos já seria mais aceitável,  mas 130 milhões de mortos já seria um número bonito, seria um número mais proporcional ao poder de fogo dos Estados Unidos, conjunturalmente,  governados por Donald Trump.

    "Nero e os tambores da guerra




    «Donald Trump começa a parecer-se demasiado com o Nero dos tempos modernos. Tornou a Casa Branca a sede do seu império empresarial, mas o caos da sua administração ameaça fazer implodir as bases do sistema democrático americano.
    E esta confusão constante tanto pode ser uma estratégia pensada como um desvario completo. Ninguém sabe. Fustigado pelo "establishment", Trump refugia-se nos que o elegeram no interior dos EUA. Contra as ameaças internas, fala de "fogo e fúria" atiçados na direcção da Coreia do Norte. São tambores da guerra a ecoar, para distrair os americanos dos problemas que não consegue resolver no seu território. Séneca, o conselheiro de Nero, depois de este ter conseguido matar a sua mãe, Agripina, dizia que nenhum Estado pode ser tão mau que possa evitar que algum homem o sirva de alguma maneira. Séneca sonhava influenciar o poder, algo que os filósofos gostam de vislumbrar. Era um mestre da retórica e um dramaturgo. Foi ele que defendeu, numa empolgante carta ao Senado, que Agripina se tinha suicidado após ter tentado em vão fazer um golpe de Estado contra Nero. Este agradeceu-lhe na altura, mas não evitou que mais tarde, se tivesse suicidado após Nero o considerar o arquitecto de um golpe contra o seu poder. Que era então magnífico, entre festas e construções que empolgavam o povo. Tudo acabou com o incêndio que devastou Roma.
    Trump, como Nero que insultava as elites romanas, utilizando a calúnia. Táctica antiga, a que hoje se chama "verdade alternativa". A pós-verdade do tempo de Trump é herdeira da de Nero: as fábulas confundem-se com a realidade. Mas o problema é que esta história começa a ter todas as condições para correr mal, como escrevia há poucos dias Gideon Rachman no Financial Times, que descrevia a hipótese de Trump embarcar para um conflito internacional para tornear as suas dificuldades internas. E citava um assessor de Trump, Sebastian Gorka, que disse à Fox News: "Durante a crise de mísseis em Cuba ficamos atrás de John F. Kennedy. Há analogias com essa crise. Precisamos de estar juntos." E, com uma guerra, os EUA poderão ficar atrás de Trump. A Coreia do Norte é problemática, e os generais que estão à volta de Trump sabem isso: um ataque contra Kim Jong-un poderia levar ao desaparecimento de Seul, porque seria impossível parar toda a artilharia norte-coreana. A Venezuela seria um alvo mais fácil. Ou o Irão, nunca se sabe.
    Trump representa o triunfo do ressentimento sobre a esperança. Muitos americanos buscam algo que possam culpar pela sua crise: os mexicanos, a China, a União Europeia. Tudo serve para disfarçar os problemas estruturais com que os EUA se debatem hoje. Trump simboliza essas vozes. O seu discurso não vende em Nova Iorque, mas é comprado na Louisiana ou no Dakota. E é tudo isto que nos faz lembrar a República de Weimar nos anos 30. Os alemães não percebiam porque estavam pobres e eram humilhados. Antes da I Guerra Mundial eram o centro da inovação. Hitler aconchegou os seus medos. E o "establishment" convidou-o para o poder em 1933. Só saiu de lá à força.»
    Fernando Sobral" [Cit in blog «Entre as brumas da memória»]

    quarta-feira, 16 de agosto de 2017

    Crítica à destruição da qualidade de vida da maioria dos portugueses realizada por Passos Coelho

      «A ponta do golpe em curso


    O discurso do Pontal de Passos Coelho foi uma defesa encapotada de um Bloco Central com um PS de direita. Foi uma chamada às armas para dentro de um certo PS e uma manobra de envolvimento de um certo PSD que habitualmente faz frente a Passos Coelho, como o próprio Presidente da República, e que trabalha arduamente na criação de um novo Bloco Central entre PS e PSD.

    Uma jogada de antecipação - antes que as eleições autárquicas de Outubro de 2017 levem Passos Coelho - e de esvaziamento dessa ala do PSD que deverá se afirmar pós-eleições, em 2018. Mas foi uma tentativa sem muito jeito.

    Daí as críticas à direita: para a próxima, Passos Coelho devia trazer um discurso escrito, o que é o mesmo que dizer que Passos nunca poderá ser a cara desse projecto de isolar a esquerda do PS e a esquerda à esquerda do PS. Mas o programa desconchavado desse envolvimento foi traçado. 

    Delimitação de sectores. Passos quer um golpe constitucional (mais uma vez!) e obrigar o Governo a atar as suas mãos, como forma de impedir a “estatização", a "nacionalização”, sem que que haja uma maioria qualificada (leia-se, com o PSD) no Parlamento. Essa é a reforma do Estado que Passos (e não só ele) defende, mas que não teve coragem de assumir. Para colmatar as suas debilidades, tentou galvanizar os comentadores políticos e jornalistas que, de 2011 a 2013, o incentivaram - em vão - a ser mais célere na reforma do Estado: “Porque é que não se avançou nada na reforma do Estado? Por que não é reclamada no espaço público”.

    Uma reforma laboral ao nível da empresa. “Era muito importante que nas empresas se chegasse a entendimentos entre quem lá trabalha e quem gere as empresas”. Até defendeu o papel da comissão de Trabalhadores da AutoEuropa... mas que, num “mau prenúncio”, “não conseguiu resistir à pressões dos grandes sindicatos”. A ideia nem é nova nem vem da ala do PSD. O actual ministro das Finanças  defende-a. Emmanuel Macron aprovou-a recentemente em França. Até Temer no Brasil, Que tudo se passe ao nível da empresa – onde a relação de forças é mais desequilibrada a favor da parte patronal. Tudo em detrimento de uma contratação colectiva. Ai esta palavra “colectiva” faz tanta comichão!

    Reforma da Segurança Social. “Nós estamos disponíveis para dar confiança...” Claro que estão: contas individualizadas (proposta no programa de governo PSD/CDS), fim da solidariedade intergeracional, plafonamento de contribuições (Passos defende-o), redução das prestações sociais, aumento dos valores dos apoios às instituições não públicas, como o terceiro sector e o sector social...

    Reforma educativa. Não se sabe muito sobre o que defende Passos, apenas o que o seu Governo fez e da guerra levantada aos cortes aprovados pelo actual governo aos apoios públicos a escolas privadas... 

    Reforma da Saúde. Para Passos Coelho, a reforma que ele acha que fez foi... pôr as contas em dia com os fornecedores do SNS! O resto – a desarticulação e asfixia financeira do SNS, com redução de pessoal e contratação externa de especialistas através opacamente de empresas fornecedoras de trabalho (muitas vezes, contratando médicos que nem sabiam falar português...). Políticas que dificultam agora a actual governação, enquanto Passos Coelho quer cavalgar – desavergonhadamente – as críticas à realidade que ele contribuiu para aprofundar!

    Pelo caminho de todo este programa de revisão do programa eleitoral do PS e de um golpe no acordo parlamentar, ficou mais uma vez aquela – má – técnica de criticar sem ter a coragem de dizer o que se quer.

    Subida do emprego. Passos acha que a subida do emprego e a descida do desemprego se deve às reformas laborais feitas em 2012. Mas – integrando no seu discurso uma crítica feita à esquerda - achou por bem criticar que o emprego cresce, mas é um emprego de baixos salários, esquecendo-se que essa foi precisamente a finalidade essas reformas! Até na subida do desemprego, só que foi além do esperado... E agora essa política está de facto a dar frutos: mais emprego, com menos salários! E isso acontecendo mesmo dos contratos permanentes. Porque é que, na sua opinião, isto acontece? Não disse! Para Passos, se os salários não crescem, isso deve-se ao facto de o actual Governo... não fazer mais reformas laborais. “O que fazer para termos rendimento a crescer? Era necessário prosseguir reformas”, disse. Mas quais? Não disse!


    Modelo de economia: Passos criticou António Costa por ter defendido na oposição uma economia de salários altos, quando na realidade, com Costa no Governo, o emprego apenas tem subido, sem crescimento de salários. “São os baixos salários que estão a sustentar a economia”. Mas fica-se sem se saber se Passos critica mais Costa de falta de coerência ou de defender REALMENTE um modelo de baixos salários, que o deveria encher de contentamento porque essa foi precisamente a finalidade das reformas de 2012 e seguintes: uma desvalorização interna (salarial) e que concretizou, entre outras medidas, através de um corte nas remunerações extraordinárias, no fim de descanso compensatório (transformado em tempo de produção), no fim de feriados e dias de férias (transformados em dias de produção), no corte nas compensações por despedimento e no subsídio de desemprego, na desarticulação da contratação colectiva e na demonização do papel dos sindicatos. Passos deveria, antes, abraçar Costa por estar a trabalhar num objectivo de direita... Mas como tem vistas curtas, não o faz. 

    Capacidade reformista. Passos criticou Costa de não fazer reformas na segunda metade da legislatura. Talvez Passos devesse olhar para a sua própria segunda legislatura, quando a partir de 2013 e com o apoio da Troika - borregou tudo o que era suposto fazer. Reforma do Estado? Zero. Reforma da Segurança Social? Promessas para Bruxelas de cortes que nunca disse nem assumiu.

    Passos Coelho - e nisso tão-pouco Assunção Cristas - nada disse do que defende. Mais uma vez, conviria que a comunicação social lhes perguntassem como faria se estivessem no Governo. Mas no concreto, que medidas adoptariam.

    Passos esbraceja, mas afoga-se a cada dia. Outro - mais competente e envolvente - virá. Como vai o PS responder?»

    [João Ramos de Almeida in blog «Ladrões de Bicicletas»]

    O maior perigo para a Humanidade é o único país que praticou genocídio com bombas atómicas - foi em Hiroxima e em Nagasáki. É deste país que o Japão e a Coreia do Sul devem ter medo, os cidadãos comuns sim, os corruptos do poder é que não

    Os Estados Unidos já praticaram a guerra nuclear, imitando os genocídios nazis de homens, mulheres e crianças de todas as idades, só que com mais rapidez e com mais sofrimento para parte das vítimas.
    Este país pode voltar a praticar genocídio com bombas atómicas. O presidente da Repúbica deste país, Donald Trump, do Partido Republicano, já disse que estava disposto a fazer muito pior do que Truman, do Partido Democrata, fez em Hiroxima e em Nagasáqui.
    O maior perigo de uma guerra nuclear sempre veio dos Estados Unidos, o único país do planeta Terra que já a praticou. Os corruptos que têm governado o Japão e a Coreia do Sul, acham que quem bombardeou Hiroxima e Nagasáqui com bombas atómicas foi a Coreia do Norte, mas os povos desses países acham que não.

    Câmaras de filmar com gravação áudio na via pública


    «Autorizada gravação de conversas por câmaras de videovigilância





    No Bairro Alto já foi dada autorização para que o sistema de videovigilância faça gravações áudio

    A lei permite que em caso de "perigo concreto", sem definir os casos, possa ser captado e gravado som em locais públicos.

    O Ministério da Administração Interna (MAI) está a autorizar a captação e gravação de som através dos sistemas de videovigilância operados pela PSP e pela GNR. No Bairro Alto, a polícia já pode fazer estas "escutas" para prevenir crimes, de acordo com o que está publicado na renovação da autorização do respetivo sistema de videovigilância deste ano, ao contrário do que acontecia anteriormente. Na validação de 2014, por oposição da Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD), que desta vez não foi ouvida, tinha ficado excluída a "recolha e gravação" de som neste equipamento. O MAI remete para a lei em vigor e tem o aval da Procuradoria-Geral da República (PGR). Garante, no entanto, que no Bairro Alto, apesar de a PSP estar autorizada, as câmaras de vídeo em funcionamento não estão a captar ou a gravar os sons. A decisão para escutar as conversas nas ruas cabe à força de segurança e é validada pela tutela, não havendo intervenção judicial (do Ministério Público ou do tribunal) prévia como é exigido no Código de Processo Penal para as interceções telefónicas, incluindo as escutas ambientais.





    A lei de videovigilância admite este recurso, quando houver um "perigo concreto para a segurança das pessoas e bens", mas não define os casos, tendo a CNPD por regra não o autorizar. As dúvidas legais, todavia, surgem: "Tem de ser muito bem avaliado se a captação de som traz mais vantagens ou inconvenientes. Deve haver um aproveitamento desses recursos, mas tem sempre de ser visto à luz da proporcionalidade e sempre com controlo da autoridade judiciária. Ou seja, terá sempre de haver uma intervenção judiciária, no mínimo, através do Ministério Público (MP). Estamos perante uma situação em que esta captação e gravação de som em locais públicos, equivalente às chamadas escutas ambientais, podem ser autorizadas apenas administrativamente, uma vez que a decisão cabe apenas à força de segurança. E isso tem os seus riscos", alerta o constitucionalista Jorge Bacelar Gouveia, que também presidiu ao Conselho de Fiscalização das secretas.



    No âmbito do processo de revisão da videovigilância, confirmado publicamente pela secretária de Estado da Administração Interna, Isabel Oneto, a PGR foi consultada sobre a "admissibilidade" destas "escutas". No parecer publicado no passado dia 28 de julho em Diário da República, cujo relator foi o procurador Paulo Dá Mesquita, a PGR concorda com a "admissibilidade" do procedimento, embora avise que, quando no raio da captação do equipamento puderem ser abrangidas "casas ou edifícios habitados", será necessária "uma autorização judicial". Isenta o governo de pedir parecer à CNPD, recordando que para a captação de imagens a validação da comissão deixou de ser vinculativa desde 2012.

    A CNPD não quis comentar a posição do governo nem da PGR, remetendo para os seus pareceres publicados anteriormente. No Bairro Alto, a CNPD considera que, dada a estrutura das ruas e o local onde estão fixadas as câmaras, é grande a hipóteses de se captarem conversas no interior de habitações e questiona mesmo a gravação de sons num espaço público de diversão sem a fundamentação do "perigo concreto" exigido por lei.
    Na recente visita do Papa Francisco, a CNPD abriu uma exceção e autorizou a GNR a captar e gravar o som através das câmaras espalhadas pelo Santuário de Fátima. A ameaça terrorista e a possibilidade de ocorrerem outros crimes graves sustentaram os argumentos policiais. O que não é o caso em todos os locais onde existem estes sistemas, como o Bairro Alto.
    Tem sido entendimento desta comissão que a lei fixa uma proibição geral de captação de som, admitindo excecionalmente tal operação no caso de perigo concreto para segurança de pessoas e bens. Todavia, tal exceção está limitada, não podendo ser autorizada sempre que afete, de forma direta e imediata, a intimidade das pessoas, ou resulte na gravação de conversas de natureza privada.


    Polícias avaliam a "proporcionalidade"entre segurança e privacidade

    O Ministério da Administração Interna não quis dar informações sobre as alterações que pretende fazer à lei, mas diz que, no caso do Bairro Alto, o despacho de renovação "foi elaborado no âmbito da legislação em vigor, não existindo qualquer relação entre o seu conteúdo e as alterações que, em sede de revisão legislativa, estão a ser executadas". O gabinete de Constança Urbano de Sousa diz que "a alteração visa, tão-só, conformar a autorização ao texto da lei", não devendo "o decisor ir além ou ficar aquém do âmbito que a lei lhe determina". Salienta que, "no caso em concreto, o sistema de videovigilância em funcionamento no Bairro Alto não proceda à captação e gravação de som". Reconhece que a lei "não contém a definição de "perigos concretos" e que "este conceito tem construção de matriz constitucional e legal, conforme pode ler-se no parecer do Conselho Consultivo da PGR". Essa definição, diz a PGR, "depende do juízo da força ou serviço de segurança, sobre a necessidade, adequação e proporcionalidade dessa captação em face dos específicos fins de manutenção e segurança e ordem públicas e prevenção da prática de crimes prosseguidos, bem como dos efeitos colaterais sobre direitos individuais à privacidade e palavra". Para a PGR, as "conversas realizadas em espaço público de utilização comum, a circunstância de se destinarem a um uni- verso restrito de ouvintes unidos por uma expectativa de reserva e sigilo, não determina uma proteção irrestrita contra a suscetibilidade de captação de sons, sendo certo que, em regra, as conversas com relevo para a prevenção de infrações penais e que envolvem perigo concreto para a segurança de pessoas e bens compreendem pactos de silêncio e pretensões de que o seu conhecimento seja reservado aos diretamente envolvidos".» [In «DN» pt]

    terça-feira, 15 de agosto de 2017

    Passos Coelho quer o regresso aos cortes nos rendimentos da maioria dos portugueses quer a Troika a arruinar Portugal outra vez, quer as selvajarias que ele praticou baseado na Lei da Selva


    «Querias, não era ?

    A palavra que sempre falta ...



    ... e este rapaz 
    tem cá um azar !
     
    »
    [In blog «O TEMPO DAS CEREJAS 2»]

    A Extrema-Direita estadunidense

    "Racistas unidos




    «É possível que Donald Trump não seja racista mas é improvável. Ele certamente conta com os votos de racistas. Nos Estados Unidos da América essas contas estão sempre a ser feitas e a política americana não se compreende sem falar de racismo.
    É estranho que Trump não se importe de passar por racista. Mais estranho ainda é que ele se recuse a denunciar os nazis. Denunciar os nazis não prova que não se é racista. Apenas prova que se é contra os nazis. Estes podem chamar-se alt right ou suprematistas brancos ou neo-nazis.
    Mas o que é que têm de neo? Nada. São nazis e os nazis são sempre, por definição, racistas. Aliás a ideologia do nazismo é notoriamente pobre por ser, para todos os efeitos, 100 por cento racismo.
    Sabe-se o que aconteceu com o nazismo. Matou muitos milhões. É por isso que é preciso denunciá-lo, para não encorajá-lo. O racismo é sempre perigosíssimo porque simplifica todo o pensamento. É uma preguiça altamente contagiosa. É o contrário de avaliar cada ideia e cada pessoa uma a uma, conforme os casos e conforme as alturas, os comportamentos e as informações disponíveis.
    Se calhar Trump, como pato bravo que é, só vê números. Os números dele dependem de pessoas racistas de raça branca, desde os paternalistas aos nazis, passando por todas as graduações e por todas as subtilezas que o racismo tem. Quanto menos óbvio o racismo mais ele tem de ser pensado.
    É banal tentar esconder o racismo através da denúncia dos nazis, os mais racistas de todos. Nem isso Trump fez.»
    Miguel Esteves Cardoso" [Cit in blog «Entre as brumas da memória»]

    O nazismo não está só nos partidos nazistas. O nazismo convive connosco no dia a dia. São as pessoas malvadas, que não respeitam as leis, que mostram o prazer de fazer mal como afirmação, que são sádicas, que gostam de fazer mal a terceiros, que sentem prazer em fazer mal, que são desumanas, que têm comportamentos desumanos, em que mostram o desprezo absoluto por terceiros, que são absolutamente insensíveis ao mal que fazem a terceiros.

    segunda-feira, 14 de agosto de 2017

    A Direita e a Extrema-Direita na net, o blog Observador, com saudades da Inquisição ou Santo Ofício

    "P." de padre


    Hitler resolveu
    o problema nas calmas

     Gonçalo Portcarrero de Almada, para quem não saiba, é uma espécie de João César das Neves de batina e distinguiu-se, entre outras bafientas causas, no combate à despenalização da interrupção voluntária da gravidez. Ah, e estejam descansados que eu não o mando para lado nenhum nem lhe proponho qualquer internamento.

    Os crimes de guerra são julgados por criminosos e criminosas de guerra

    Rapto e prática da escravatura foram Crimes contra a Humanidade cometidos pelos tribunais da NATO, que ficam na Holanda, dirigidos por criminosos de guerra e por criminosas de guerra.

    Milosevic foi raptado e comprado no mercado de escravos
    pela NATO e pelos tribunais holandeses, chamados de internacionais, que são uma divisão para cometimento de crimes de guerra pela NATO.
    Raptores e esclavagistas são os juízes e juízas dos tribunais ditos internacionais da Holanda, também cúmplices da tortura, incluindo tortura até à morte, procedimentos correntes nos países da NATO. 



    A política social económica e financeira da Alemanha



    «Que caminhos para as finanças públicas da Alemanha, pós-eleições?

    Wolfgang Schäuble, ministro das finanças da Alemanha desde 2009, é um dos principais arquitectos da política de austeridade da zona euro.
    Mas, se nos habituamos a criticar Schäuble pelo desastre económico que se abateu sobretudo sobre os países da “periferia” (Grécia, Irlanda, Itália, Portugal, Espanha), afigura-se que a política económica de Schäuble é, também, no longo prazo, prejudicial para a Alemanha.
    No que respeita à política orçamental da Alemanha, o objectivo do ministro das finanças parece ser o de que as contas públicas sejam permanentemente excedentárias. São-no desde 2014, e próximas de zero desde 2011. O saldo das administrações públicas foi de +0,8% do PIB em 2016, muito ajudado pelo programa de expansão quantitativa do BCE, que contribuiu para a redução da despesa com juros, para níveis historicamente baixos, relativamente ao actual nível de dívida pública da Alemanha.
    E é certo que a despesa pública, excluindo juros, tem vindo a crescer a uma taxa robusta (entre 3,2% e 4,5% desde 2013, 4,5% em 2016), com a despesa “social”, que inclui pensões e apoios a refugiados a crescer 4,4% em 2016. As pensões de reforma, que no passado em alguns anos estiveram congeladas, aumentaram a partir de 1 de julho de 2016, 4,25% na Alemanha Ocidental e 5,95% na Alemanha de Leste. Contudo, as receitas também crescem de forma robusta (+4,2% em 2016) e de forma “mais dinâmica” do que o PIB, que cresceu +3,3% em termos nominais no ano passado.
    Em Maio, o grupo de trabalho que prevê as receitas fiscais reviu em alta as previsões de receitas fiscais para 2017 e anos seguinte (+7,9 mil milhões de euros em 2017, +16,6 mil milhões de euros em 2021).
    Mas já antes desta nova previsão, o governo alemão antecipava que a Alemanha iria registar saldos orçamentais positivos entre 0,25% e 0,5% do PIB até 2021. Ou seja, perspectiva-se uma folga orçamental crescente.
    Em parte em consequência, Schäuble está a ser criticado na Alemanha, mesmo pelos conservadores, por querer poupar demais. Adiou uma redução dos impostos para a próxima legislatura: prometeu 15 mil milhões de euros de redução de impostos, o que representaria “apenas” 0,45% do PIB da Alemanha.
    Políticos da própria CDU (o partido de Schäuble) acham pouco. Os impostos e contribuições para a segurança social, embora garantindo condições mínimas para todos os cidadãos e bons serviços públicos, são insuficientemente progressivos para os rendimentos mais elevados. Em particular, os rendimentos tributáveis acima de 54 mil euros por ano estão sujeitos à taxa marginal máxima de 42%. E rendimentos acima de 76 mil euros estão isentos de contribuições para as pensões de reforma e seguro de desemprego públicos, o que torna estes sistemas de seguro menos redistributivos (e menos progressivos) do que, por exemplo, os sistemas comparáveis portugueses.
    A pensão pública máxima, em teoria, para alguém que contribuiu durante 45 anos, seria de 2742 euros por mês. Mas esse máximo teórico não é pago a nenhum beneficiário. Em média, os pensionistas alemães auferem uma pensão de 1003 e 610 euros, por mês, respectivamente no caso de homem e mulher, sujeitos ainda a impostos sobre os rendimentos, montante que pode ser complementado por um rendimento mínimo garantido, para os rendimentos mais baixos.  Não obstante, a pensão estatal representa um montante insuficiente, por si só, para assegurar um nível de vida condigno para a maior parte dos cidadãos, particularmente se considerado o aumento do preço das rendas das casas, em curso. A pobreza e a desigualdade têm aumentado.
    Como já referi num artigo anterior, apesar do crescimento do emprego e da baixa taxa de desemprego, a pressão sobre os salários e sobre os preços de bens e serviços é enorme, o que se deverá certamente, à política orçamental do governo actual, mas também, pelo menos em parte, às reformas do mercado de trabalho introduzidas pelo Governo de Gerhard Schroeder (SPD) em 2003. Por exemplo: o Deutsche Post, procura poupar nos salários, contratando distribuidores dos correios com salários mais baixos; e a banca alemã, ressente-se das consequências de uma União Bancária mal desenhada, em que a burocracia ganhou. É preciso é agradar ao supervisor único e o crédito à actividade produtiva e às pequenas e médias empresas ressente-se.
    Ou seja, afigura-se que o principal desafio da política orçamental e económica da Alemanha (e para a União Europeia) é assegurar que o rendimento disponível das famílias, em particular salários e pensões, aumente adequadamente, ou seja, uma reforma com sentido contrário à do Governo Schroeder em 2003. Também se afigura necessário, por um lado tornar o sistema fiscal e de contribuições mais progressivo, reduzindo a carga tributária sobre a classe média, e por outro lado, aumentar o investimento público que está ao nível dos países afectados pela crise.
    Não parece que Schäuble vá por aí! Parece sim, mais do mesmo!»

    [Ricardo Cabral in «Público» pt]