terça-feira, 18 de julho de 2017

A Direita come petróleo, os outros que passem fome, a Direita da Venezuela come petróleo

«Série B


Dr.Strangelove, Stanley Kubrick
"Hoje só há razões para lamentar o percurso começado com Hugo Chávez ainda antes de terminar o século XX, apesar de o seu sucesso original ter sido saudado como uma feliz alvorada pelo contingente de extrema-esquerda que se revê nos populismos de ocasião. (...) O que a Venezuela precisa, e depressa, é de se livrar de Maduro e de conseguir um governo respeitado e respeitável — para poder atrair a ajuda internacional que é essencial de forma a garantir alguma viabilidade financeira a um país que está na falência e a um governo que condena os seus cidadãos à fome. (...) Há muito trabalho para fazer que só pode começar quando o Presidente venezuelano cair. Que seja depressa." 

A opinião - ligeira - é do director adjunto do Público, Diogo Queiroz de Andrade, num artigo publicado hoje.  Chama-se a atenção para os termos usados que poderiam integrar um diálogo numa má série norte-americana ou num filme de série B anti-imperialista, a imitar Costa Gavras, sobre o que fazer a um país produtor de petróleo, com um governo fora da influência dos Estados Unidos e muito perto do seu quintal. Junta-se aquele que poderia ser o seu guião (usa-se a letra courier para se assemelhar mais a um guião):  

À volta de uma mesa estão várias homens, de fato e gravata, alguns militares. A luz é artificial, em tons de azulado. Sobre a mesa estão vários dossiers, conseguindo-se ver entre eles as letras "Venez.." Na segunda linha, assessores tiram notas. Há grandes planos dos presentes, paira um ambiente tenso.
- O que a Venezuela precisa é de se livrar de Maduro - diz um homem cinquentão, cabelo branco armado.Nota-se que é um político, membro de uma comissão parlamentar ligada aos serviços de segurança.
- É verdade - concorda um jovem com um fato impecável e uma gravata à moda, talvez assessor de segurança do Senado - Hoje só há razões para lamentar o percurso começado com Hugo Chavez que foi saudado por uma feliz alvorada pelo contingente da extrema-esquerda...
- ... e populista - remata um empresário de cara fechada, nitidamente do sector petrolífero. - É preciso um governo respeitado e respeitável. Estou disposto a pagar para ver isso!
- Sim - corrobora um homem dos FMI - um governo que possa atrair a ajuda financeira a um país na falência e que está a condenar os seus cidadãos à fome.
- Mas - interrompe uma das assessoras - não eram esses cidadãos que estavam à fome antes de Chavez chegar ao poder?
- Quem é esta? - bichana um militar ao seu parceiro do lado.
O homem para quem ela trabalha olha-a de soslaio.
- Há muito trabalho para fazer! - interrompe quem está a presidir à reunião - Muito trabalho que só pode começar quando o presidente venezuelano cair.
- Que seja depressa! - diz o empresário.»

[João Ramos de Almeida in blog «Ladrões de Bicicletas»] 

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