segunda-feira, 31 de julho de 2017

Jornalistas e comentadores da Direita famintos e sedentos do petróleo da Venezuela

Os jornalistas e comentadores da Direita, por 'Natureza' súbditos do Império dos Estados Unidos, dizem todos o mesmo que se resume a isto:
Maduro ganhou e vai acabar o Mundo, vai acabar o Mundo.

E enquanto não acaba...

domingo, 30 de julho de 2017

Texto contra o Império Estadunidense e contra os seus súbditos sedentos de petróleo

Os mídia portugueses publicam textos delirantes dos súbditos do Império dos Estados Unidos, o império que assume a tortura como uma das suas bandeiras.


«BOAVENTURA SOUSA SANTOS
OPINIÃO
Em defesa da Venezuela
Estou chocado com a parcialidade da comunicação social europeia, incluindo a portuguesa, sobre a crise da Venezuela.

29 de Julho de 2017, 6:34 Partilhar notícia
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A Venezuela vive um dos momentos mais críticos da sua história. Acompanho crítica e solidariamente a revolução bolivariana desde o início. As conquistas sociais das últimas duas décadas são indiscutíveis. Para o provar basta consultar o relatório da ONU de 2016 sobre a evolução do índice de desenvolvimento humano. Diz o relatório: “O índice de desenvolvimento humano (IDH) da Venezuela em 2015 foi de 0.767 — o que colocou o país na categoria de elevado desenvolvimento humano —, posicionando-o em 71.º de entre 188 países e territórios. Tal classificação é partilhada com a Turquia.” De 1990 a 2015, o IDH da Venezuela aumentou de 0.634 para 0.767, um aumento de 20.9%. Entre 1990 e 2015, a esperança de vida ao nascer subiu 4,6 anos, o período médio de escolaridade aumentou 4,8 anos e os anos de escolaridade média geral aumentaram 3,8 anos. O rendimento nacional bruto (RNB) per capita aumentou cerca de 5,4% entre 1990 e 2015. De notar que estes progressos foram obtidos em democracia, apenas momentaneamente interrompida pela tentativa de golpe de Estado em 2002 protagonizada pela oposição com o apoio ativo dos EUA.



A morte prematura de Hugo Chávez em 2013 e a queda do preço do petróleo em 2014 causou um abalo profundo nos processos de transformação social então em curso. A liderança carismática de Chávez não tinha sucessor, a vitória de Nicolás Maduro nas eleições que se seguiram foi por escassa margem, o novo Presidente não estava preparado para tão complexas tarefas de governo e a oposição (internamente muito dividida) sentiu que o seu momento tinha chegado, no que foi, mais uma vez, apoiada pelos EUA, sobretudo quando em 2015 e de novo em 2017 o Presidente Obama considerou a Venezuela como uma "ameaça à segurança nacional dos EUA", uma declaração que muita gente considerou exagerada, se não mesmo ridícula, mas que, como explico adiante, tinha toda a lógica (do ponto de vista dos EUA, claro). A situação foi-se deteriorando até que, em dezembro de 2015, a oposição conquistou a maioria na Assembleia Nacional. O Tribunal Supremo suspendeu quatro deputados por alegada fraude eleitoral, a Assembleia Nacional desobedeceu, e a partir daí a confrontação institucional agravou-se e foi progressivamente alastrando para a rua, alimentada também pela grave crise económica e de abastecimentos que entretanto explodiu. Mais de cem mortos, uma situação caótica. Entretanto, o Presidente Maduro tomou a iniciativa de convocar uma Assembleia Constituinte (AC) para o dia 30 de Julho e os EUA ameaçam com mais sanções se as eleições ocorrerem. É sabido que esta iniciativa visa ultrapassar a obstrução da Assembleia Nacional dominada pela oposição.

Em 26 de maio passado assinei um manifesto elaborado por intelectuais e políticos venezuelanos de várias tendências políticas, apelando aos partidos e grupos sociais em confronto para parar a violência nas ruas e iniciar um debate que permitisse uma saída não violenta, democrática e sem ingerência dos EUA. Decidi então não voltar a pronunciar-me sobre a crise venezuelana. Por que o faço hoje? Porque estou chocado com a parcialidade da comunicação social europeia, incluindo a portuguesa, sobre a crise da Venezuela, um enviesamento que recorre a todos os meios para demonizar um governo legitimamente eleito, atiçar o incêndio social e político e legitimar uma intervenção estrangeira de consequências incalculáveis. A imprensa espanhola vai ao ponto de embarcar na pós-verdade, difundindo notícias falsas a respeito da posição do Governo português. Pronuncio-me animado pelo bom senso e equilíbrio que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, tem revelado sobre este tema. A história recente diz-nos que as sanções económicas afetam mais os cidadãos inocentes que os governos. Basta recordar as mais de 500.000 crianças que, segundo o relatório da ONU de 1995, morreram no Iraque em resultado das sanções impostas depois da guerra do Golfo Pérsico. Lembremos também que vive na Venezuela meio milhão de portugueses ou lusodescendentes. A história recente também nos diz que nenhuma democracia sai fortalecida de uma intervenção estrangeira.

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Os desacertos de um governo democrático resolvem-se por via democrática, e ela será tanto mais consistente quanto menos interferência externa sofrer. O governo da revolução bolivariana é democraticamente legítimo e ao longo de muitas eleições nos últimos 20 anos nunca deu sinais de não respeitar os resultados destas. Perdeu várias e pode perder a próxima, e só será de criticar se não respeitar os resultados. Mas não se pode negar que o Presidente Maduro tem legitimidade constitucional para convocar a Assembleia Constituinte. Claro que os venezuelanos (incluindo muitos chavistas críticos) podem legitimamente questionar a sua oportunidade, sobretudo tendo em mente que dispõem da Constituição de 1999, promovida pelo Presidente Chávez, e têm meios democráticos para manifestar esse questionamento no próximo domingo. Mas nada disso justifica o clima insurrecional que a oposição radicalizou nas últimas semanas e que tem por objetivo, não corrigir os erros da revolução bolivariana, mas sim pôr-lhe fim e impor as receitas neoliberais (como está a acontecer no Brasil e na Argentina), com tudo o que isso significará para as maiorias pobres da Venezuela. O que deve preocupar os democratas, embora tal não preocupe os media globais que já tomaram partido pela oposição, é o modo como estão a ser selecionados os candidatos. Se, como se suspeita, os aparelhos burocráticos do partido do governo sequestrarem o impulso participativo das classes populares, o objetivo da AC de ampliar democraticamente a força política da base social de apoio à revolução terá sido frustrado.


Para compreendermos por que provavelmente não haverá saída não violenta para a crise da Venezuela temos de saber o que está em causa no plano geoestratégico global. O que está em causa são as maiores reservas de petróleo do mundo existentes na Venezuela. Para os EUA, é crucial para o seu domínio global manter o controlo das reservas de petróleo do mundo. Qualquer país, por mais democrático, que tenha este recurso estratégico e não o torne acessível às multinacionais petrolíferas, na maioria, norte-americanas, põe-se na mira de uma intervenção imperial. A ameaça à segurança nacional, de que fala o Presidente dos EUA, não está sequer apenas no acesso ao petróleo, está sobretudo no facto de o comércio mundial do petróleo ser denominado em dólares, o verdadeiro núcleo do poder dos EUA, já que nenhum outro país tem o privilégio de imprimir as notas que bem entender sem isso afetar significativamente o seu valor monetário. Foi por esta razão que o Iraque foi invadido e o Médio Oriente e a Líbia arrasados (neste último caso, com a cumplicidade ativa da França de Sarkozy). Pela mesma razão, houve ingerência, hoje documentada, na crise brasileira, pois a exploração do petróleo do pré-sal estava nas mãos dos brasileiros. Pela mesma razão, o Irão voltou a estar em perigo. Pela mesma razão, a revolução bolivariana tem de cair sem ter tido a oportunidade de corrigir democraticamente os graves erros que os seus dirigentes cometeram nos últimos anos. Sem ingerência externa, estou seguro de que a Venezuela saberia encontrar uma solução não violenta e democrática. Infelizmente, o que está no terreno é usar todos os meios para virar os pobres contra o chavismo, a base social da revolução bolivariana e os que mais beneficiaram com ela. E, concomitantemente com isso, provocar uma ruptura nas Forças Armadas e um consequente golpe militar que deponha Maduro. A política externa da Europa (se de tal se pode falar) podia ser uma força moderadora se, entretanto, não tivesse perdido a alma.» [In «Público» pt]

Textos seleccionados do blog «Ladrões de Bicicletas» em livro

«Dilemas de um arrumador de livros



Entrei numa livraria e, por curiosidade, decidi verificar em que secção se encontraria o «Economia com Todos». Dito de outro modo, dei por mim a pensar no eventual dilema que se terá colocado à pessoa encarregue de distribuir os livros pelas estantes, segundo critérios temáticos ou disciplinares, no momento em que olhou para o volume que tinha em mãos.

Fixando-se no título, a decisão terá sido bastante fácil: aquela peça encaixava seguramente na estante dedicada à «Economia e Gestão», apesar de a designação dos autores (Ladrões de Bicicletas) parecer estranha para uma ciência tão rigorosa e que leva tão a sério a sua identidade e as suas fronteiras. Perante esse dado, é possível que tenham nascido dúvidas no que antes parecia ser claro... Talvez o livro pertencesse à secção das «Ciências Sociais», onde cabem temas e disciplinas muito diversos e onde se costumam colocar as coisas que não se sabe bem onde arrumar.

Na incerteza, pode ter surgido a necessidade de folhear o livro, espreitar o índice ou ler um pedaço da introdução. Mas o mais provável é que isso não tenha ajudado muito a resolver o problema. Se alguns capítulos indiciavam estar-se perante um livro de Economia (tratando de assuntos como o neoliberalismo, os desequilíbrios macroeconómicos, o euro, a dívida ou a financeirização), outros apontavam para matérias de âmbito mais social (a globalização, a imprensa ou o emprego). E se outros capítulos sugeriam a secção de «Política» (Estado Social, desenvolvimento de capacidades produtivas ou as eleições em França), havia ainda dois que, de tão intrigantes, pareciam empenhados em não fornecer qualquer pista («Histórias do nosso futuro» e «Tornar possível o impensável»).

Tentando dissipar dúvidas e hesitações, pode ter surgido a ideia de olhar para a contracapa. Sim, estava lá um parágrafo que talvez ajudasse a identificar a estante onde o livro iria parar. Dizia assim: «este é um livro de economia, de política, de economia política e de política económica, escrito por autores que têm partidos e ideologias diferentes e divergentes, mas que convergiram ao longo da última década em torno de temas e valores essenciais, através de um blogue de referência em Portugal - Ladrões de Bicicletas».

Não é difícil imaginar a pessoa responsável pela arrumação taxionómica dos livros a levantar os olhos, a suspirar e a desistir. Talvez por isso eu tenha encontrado o «Economia com Todos» num daqueles expositores que ficam no meio das livrarias, a criar corredores entre as estantes «classificadas» das paredes. É isso mesmo, pensei, este livro fica bem em zonas de passagem, em espaços de circulação entre universos temáticos pretensamente delimitados e, já agora, entre universos de pensamento político distintos, à esquerda.»

[Nuno Serra in blog «Ladrões de Bicicletas»]

Grandes e estranhos favores

«Bombas e armadilhas

Uma grande empresa portuguesa decide pagar a uma universidade norte-americana que permite uma cátedra dada por um político português que tutela o sector em que essa empresa se insere.

É um caso de corrupção? Pode ser que sim, pode ser que não. No caso EDP/Manuel Pinho, o juiz de instrução achou que não: Sobre o facto de Manuel Pinho ter dado aulas na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, e de a EDP ter patrocinado aquela instituição, "é manifestamente insuficiente para concluirmos que isso consistia numa vantagem indirecta em troca das pretensões da EDP", considera Ivo Rosa.

De qualquer forma, uma coisa é certa: não é para todos. Ou então poderíamos todos concorrer a algo semelhante. Mas se não é para todos, por que razão há-de ser para alguns?

Corrupção activa, corrupção preventiva, armadilha (em caso de litígio, o dossier é libertado), sedução ou aliciamento?

Economia também é isto.»

[João Ramos de Almeida in blog «Ladrões de Bicicletas»]

As punições bárbaras dos neoliberais






«Opinião

Já não nos vemos gregos?

Os EUA têm um papel directo na crise da Zona Euro, ainda que se confirme que delegam na Alemanha e nas instituições europeias que esta controla a manutenção da ordem neoliberal deste lado do Atlântico.


Imaginem que um Ministro das Finanças de um país europeu periférico telefona a um seu conselheiro norte-americano para discutir o cenário de incumprimento do pagamento de uma parte da dívida, prestes a vencer, ao Fundo Monetário Internacional. Pouco tempo depois de terminada a chamada o seu conselheiro liga-lhe de volta a informá-lo de que acabou de receber um telefonema dos serviços secretos do seu país, questionando-o sobre a plausibilidade de tal cenário.
Os EUA têm um papel directo na crise da Zona Euro, ainda que se confirme que delegam na Alemanha e nas instituições europeias que esta controla a manutenção da ordem neoliberal deste lado do Atlântico. Por isso, as conversas mais relevantes do tal Ministro são com o seu homólogo alemão, Wolfgang Schäuble. Interpelado, já em desespero de causa, sobre se aceitaria o ultimato dos credores, apostados em perpetuar um regime austeritário, caso fosse Ministro de um país periférico, Schäuble responde: “enquanto patriota, não; é mau para o seu povo”.
Esta são só duas das muitas histórias relatadas no recente livro Adults in the Room de Yanis Varoufakis, Ministro das Finanças grego durante o primeiro semestre de 2015, sobre a sua experiência governativa e sobre o contexto que precedeu a vitória eleitoral, sem precedentes na história europeia das últimas décadas, da esquerda radical, seguida pela sua capitulação. Tratou-se, lembremo-lo com a ajuda de Varoufakis, de um governo de um país transformado numa “colónia de dívida”, vítima de “tortura orçamental” continuada e de um “golpe de Estado financeiro”, em larga medida organizado pelo Eurogrupo e pelo Banco Central Europeu (BCE), confirmando a natureza pós-democrática da União Europeia, em geral, e do Euro, em particular.
Misto de memórias, de livro de economia e de thriller político, a obra é um relato dos bastidores de uma moeda disfuncional em termos económicos, mas politicamente funcional, servindo os interesses da finança europeia e suas elites políticas. Uma pergunta clássica ecoa implicitamente ao longo do livro: que fazer? Se fizermos fé em Varoufakis, um académico especialista em teoria dos jogos – uma ferramenta económica convencional para analisar interacções estratégicas –, só um caminho seria racional e foi com este que Alexis Tsipras se comprometeu pessoalmente com Varoufakis. Começar por procurar um acordo europeu que permitisse virar a página da austeridade, garantido também por uma reestruturação substancial da dívida grega e por reformas da disfuncional Zona Euro. Para obter um tal acordo, Varoufakis argumenta que o governo grego sabia que tinha de estar disposto a negociar no mais cooperativo espírito europeísta mas que, perante a eventual recusa por parte da antiga troika e dos países que a suportam, pior do que romper, entrar em incumprimento, iniciar um sistema alternativo de pagamentos e eventualmente sair do Euro seria aceitar o prolongamento da lógica que tinha conduzido a sociedade grega a uma catástrofe humanitária. O sucesso desta linha dependia então de uma liderança com nervos de aço e firmeza de propósito.
Os problemas da narrativa começam pela identificação da natureza do adversário e dos seus propósitos. Varoufakis sabe que estava perante uma elite do poder europeu com todos os instrumentos de política e com vontade de os manejar para impedir que emergisse uma alternativa, mas parece ainda hoje crer firmemente que um vago europeísmo comum poderia ter ajudado a alcançar uma solução mutuamente vantajosa. Varoufakis parece hesitar: por um lado, a tal elite parece irracional e míope; por outro lado, a sua lógica é implacavelmente clarividente e consistente à luz dos interesses que defende e que Varoufakis parece ter dificuldade em nomear, já que a classe não tem o papel central que deveria ter na sua história. Como não o tem a pátria. Na realidade, o sentimento da dignidade nacional justamente ofendido é o que leva as classes subalternas gregas, e para lá delas, como Varoufakis aqui e ali reconhece, a surpreenderem a elite dirigente do Syriza no resultado do referendo que esta decidiu convocar, antevendo um sinuoso álibi para a “capitulação”, esperando no fundo a rendição da maioria.
O esmagador não ao ultimato era o momento para a ruptura democrática com o Euro. No entanto, como hoje o próprio Tsipras admite, o slogan do seu partido “nem mais um sacrifício pelo Euro” não passava disso mesmo, já que a ruptura nunca esteve verdadeiramente em cima da mesa. Tsipras optou por ceder, argumentado agora o Primeiro-Ministro que não havia um plano realista de saída e responsabilizando Varoufakis. É verdade que, no livro, tal plano não é sequer esboçado. Mas também é verdade que a responsabilidade por tal facto não deve ser assacada ao Ministro das Finanças, mas a quem se deixou arrastar para uma confrontação que nunca podia ganhar sem um plano B. Tal era claro para a Plataforma de Esquerda do Syriza, que acabou por romper com o governo, e que um sempre isolado politicamente Varoufakis trata neste livro com um imerecido desrespeito, até porque foi o diagnóstico de economistas como Costas Lapavitsas que acabou por prevalecer: no fim as “negociações” só serviram para arrastar o Syriza e o povo grego para a perdição.


Os impactos de tal derrota fazem-se sentir ainda hoje por toda a Europa. A Grécia podia ter sido o primeiro elo a quebrar, mas não o foi. Temos pelo menos de agradecer a Varoufakis ter-nos deixado um relato que, de forma intencional e também não-intencional, ajuda a perceber porquê. Muitos acham que já não somos a Grécia e não querem falar da Grécia – à direita, porque ilustra as consequências de se aplicar até ao fim o seu programa; à esquerda, porque ilustra o preço das ilusões europeístas em que muitos se deixaram cair.
Hoje, depois de quase uma década de crise, a economia europeia dá sinais de recuperação, ainda que contraditórios. As baixas taxas de juro determinadas pelo BCE, que reduziram a sangria financeira dos últimos anos, alimentam bolhas especulativas nos mercados bolsista e de imobiliário, enquanto os salários continuam estagnados por toda a Zona Euro. Os vencedores são sempre os mesmos e, no quadro europeu, assim continuarão. Numa reunião com o Ministro das Finanças italiano, aparentemente muito criticado pelo seu homólogo alemão, Varoufakis perguntou-lhe como tinha conseguido gerir a hostilidade de Schäuble. O italiano respondeu-lhe que tinha inquirido Schäuble sobre o que teria de fazer para ganhar a sua confiança. A resposta foi “reforma laboral” – código para redução dos direitos dos trabalhadores. Com a economia europeia a crescer, é certo que o espartilho da austeridade foi aligeirado, mas continua bem viva a pressão para a desregulamentação das relações laborais, para a privatização de serviços públicos e para promoção do sector financeiro. Ainda temos boas razões para nos vermos gregos neste rectângulo.
A opinião aqui veiculada é da responsabilidade do investigador, não constituindo qualquer posição oficial do Centro de Estudos Sociais






A moral petrolífera é mais uma moral racionalista – A Venezuela tem petróleo e Israel não.


Sanções contra a Venezuela do Império Estadunidense e dos seus súbditos, porque a Venezuela tem petróleo. Nada de sanções contra a barbárie israelita, porque Israel não tem petróleo. É esta a racionalidade da moral petrolífera.

Os portugueses estão mais virados para os copos do que para os suicídios.


Os abutres da Direita portuguesa querem mais mortos, acham poucos os que já morreram queimados vivos, querem mesmo mais mortos. Passos Coelho apelou aos suicídios, mas em vão.

O pasquim oficioso do PSD, o semanário «Expresso» lidera a luta da Direita portuguesa por mais mortos, o «Expresso» quer mais mortos.


«Pensem bem

Nunca vi o Expresso defender uma causa com tanto zelo.

Ontem, a manchete proclamava”Durão 1- RTP 0” e, por baixo, zunia – em grande destaque – a seguinte ementa:
“Indemnização de Rangel é de 147 mil contos” (...por azar?) “ilíquidos”, “SIC processa antigo director geral”, “Carrilho pede intervenção do Presidente da República” e “O PS reforma Arons de Carvalho”.

Também na primeira página vinha um editorial – “O fim do saque à RTP?” – em que se “aplaudia o governo e se recomendava silêncio e “pudor” à oposição.

Na quarta página, Fernando Madrinha apoiava a política de Morais Sarmento e, de caminho, ia lamentando que desde quinta-feira o Telejornal abrisse com as manifestações dos trabalhadores da casa, seguindo uma orientação “guerrilheira e umbiguista”.

Na página seis, com a história do despedimento da administração da RTP (informada e neutra), aparecia o interessante currículo de um dos sucessores, Luís Marques, o “único com carreira nacomunicação social, jornalista, actual colunista do Expresso” e “ex-subdirector de Informação da SIC, de onde saiu há um ano, por discordâncias com Rangel”.

Na página sete, continuava a dança, com três notícias triunfais: “Rangel pode ficar sem nada”; Rangel não conseguiu aumentar a audiência da RTP 1; e o Tribunal de Contas condena a gestão da televisão do Estado.

Na habitual coluna do “sobe e desce”, Morais Sarmento estava evidentemente no “alto”, com suaves louvores, e Rangel no “baixo”, com uma descompostura em forma,

como, de resto João Carlos Silva no “sobe e desce” do 2º caderno.

Na página 13, Henrique Monteiro exigia o fim da publicidade na RTP.

Na página 28, um segundo editorial tornava a defender a política de Morais Sarmento.

E, na última, caso alguém não tivesse ainda percebido, José António Lima repetia o sermão.

Que dizer disto?...»

(Vasco Pulido Valente in «Diário de Notícias»)

sábado, 22 de julho de 2017

Um olhar objectivo pelo jornalismo português

"Última Crónica




Por Alfredo Barroso, no jornal «i» de 21.07.2017:
«Habituei-me desde muito cedo a escrever sem rodeios e sem hipocrisia, quer como jornalista profissional quer como cronista político. Foi também assim que participei activamente na vida pública, desempenhando vários cargos políticos depois do 25 de Abril, ao longo de trinta anos. Não seria agora, com 72 anos, que iria tornar-me um cronista convencional, “mainstream”, preocupado sobretudo em não provocar engulhos e peles de galinha.
Quando Mário Ramires e Ana Sá Lopes me convidaram, há meses, para escrever uma crónica semanal no “i” (sem qualquer remuneração dadas as dificuldades financeiras do jornal), aceitei de bom grado, ingenuamente convencido de que o «i» renovado poderia vir a ocupar o espaço deixado vago pelo “Público” há vários anos, quando José Manuel Fernandes sucedeu a Vicente Jorge Silva como director, fazendo o jornal guinar subitamente para a direita, guinada essa que ainda mais se acentuou sob a direcção de David Dinis (que foi, convém não esquecer, um dos fundadores do diário on-line da direita pura e dura, o “Observador”).
O certo é que, ao passar a ler o “i” com mais atenção todos dias (tanto o noticiário político como as inúmeras crónicas de opinião), percebi que estava a colaborar, salvo poucas excepções, num jornal de direita, perdido no meio de uma floresta de escrevinhadores fanáticos, alguns deles de extrema-direita. Não contesto, obviamente, as opções políticas do “i”. Não será em vão que em democracia se proclama, com ironia ou sem ela, a “liberdade de pensamento” - como há dias o fez, num curioso post-scriptum, o director executivo deste jornal.
É verdade que, em quase todas as sociedades democráticas, há jornais diários de quase todas as tendências políticas. Mas, neste momento, não é esse o caso em Portugal, onde abundam jornais de direita (um ou outro de centro-direita) e nenhum jornal diário de esquerda ou centro-esquerda. O que significa que é cada vez mais difícil, para cronistas politicamente de esquerda, encontrar espaços onde publicar os seus textos regularmente. Daí que aceitem escrever em jornais de direita moderada – que, praticamente, são quase nenhuns.
Infelizmente, o “i” está a tornar-se um jornal bastante reaccionário, tentando manter algumas “pinceladas” de esquerda – e eu tenho sido uma delas. Sempre achei, no entanto, que é muito útil a separação de águas: à direita o que é de direita e à esquerda o que é de esquerda, como sucede com os melhores jornais e revistas de outros países democráticos – embora haja vários exemplos intermédios, de centro-direita e centro-esquerda, onde a convivência e a coexistência pacífica são possíveis. Todavia, perante o actual panorama de jornais diários generalistas em Portugal – e pondo de lado o populista e predatório “Correio da Manhã” –, considero que o “i” é, actualmente, o mais à direita dos outros quatro jornais diários generalistas, ou seja, mais à direita que o “Público”, o “DN” e o “JN” – chegando por vezes a querer competir com o “CM”.
Será fácil perceber o desconforto que sinto em colaborar no “i”, desconforto esse que aumentou exponencialmente nas últimas semanas. Decidi, por isso, pôr termo à minha colaboração neste jornal. Agradeço o convite do Mário Ramires e da Ana Sá Lopes, mas não quero continuar a fazer parte do “ornitorrinco político” em que se transformou o “i”.
Sei bem que não será nada fácil voltar a escrever regularmente num jornal diário, mas desejo ser coerente com o meu ideário de esquerda e estar de bem com a minha consciência, preservando a minha autonomia – sobretudo desde que decidi, há dois anos, abandonar o PS (de que fui um dos fundadores em Abril de 1973). Tenho apoiado, como se sabe, várias políticas defendidas pelo Bloco de Esquerda, por concordar com elas. E também é verdade que me tenho batido, há vários anos, por acordos e convergências possíveis entre o PS e os partidos à sua esquerda. Mas nada disso tem beliscado a minha independência política e identidade própria.
Fui jornalista profissional antes do 25 de Abril (nos jornais “A Capital” e “O Século”) e é curioso recordar que, nessa altura, eram os coronéis da Comissão de Censura que, usando e abusando do “lápis azul”, separavam involuntariamente as águas entre os jornais afectos ao regime e os que não estavam dependentes dele nem o apoiavam. Hoje, já não há “lápis azul” mas também não há jornais de esquerda ou centro-esquerda. O dinheiro é que manda. É lamentável.»"

[Cit in blog «Entre as brumas da memória»]

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Neoliberalismo - ordoliberalismo ou as teorias do Mal

  «Neoliberalismo diz-se ordoliberalismus em alemão



Vital Moreira insiste em distinguir o ordoliberalismo do neoliberalismo, acusando-me agora de superficialidade e recomendando uma entrada da wikipédia. Sem querer colocar a sabedoria das multidões em causa, creio que a entrada sobre ordoliberalismo referida não coloca em causa o que eu disse sobre este assunto – o ordoliberalismo é mesmo um ramo da frondosa árvore neoliberal desde a formação deste feixe de ideias económicas em movimento político nos anos trinta do século XX.

Aliás, eu já abordei este assunto aqui ou aqui anteriormente e não recebi nenhuma resposta. Insisto na ideia de que existem pelo menos três erros que Vital Moreira continua a cometer, tendo em conta o que se sabe sobre a história do neoliberalismo: reduz o neoliberalismo à Escola de Chicago, reduz a renovação do liberalismo, associada também a um maior reconhecimento dos mercados enquanto construção política, ao ordoliberalismo e confunde o ordoliberalismo com a totalidade da economia política alemã do pós-guerra.

Entretanto, e antes de tentar repor alguma ordem, creio que podemos avançar, sublinhando aquilo em concordamos e que de algum modo permite revelar a substância política deste debate: a integração europeia tem a sua economia política desde o início marcada pelo ordoliberalismo, que de resto influenciou a social-democracia alemã. Voltemos então à questão original, com meia dúzia de notas em modo de repetição.


Em primeiro lugar, estou cada vez mais confiante do acerto de historiadores do neoliberalismo, com sensibilidades políticas muito diferentes, e que têm sublinhado a importância do contributo ordoliberal para o neoliberalismo, com ampla evidência textual e organizativa: se considerarmos os dois grandes encontros intelectuais iniciais na formação do chamado “colectivo intelectual neoliberal”, o Colóquio Walter Lippman, realizado em 1938, em Paris, e o encontro fundador da Mont Pelerin Society, na Suíça, em 1947, sabemos que o contingente ordoliberal participa activamente nos dois, de Rustow a Eucken, passando por Roepke, sendo de resto Rustow um dos primeiros a usar o termo neoliberalismo.

Em segundo lugar, os ordoliberais partilham com os restantes neoliberais um diagnóstico comum sobre a natureza do inimigo, o que constitui um precário cimento inicial, dado que qualquer visão do mundo começa o seu movimento definindo-se pela negativa: o colectivismo de todos os partidos, as reacções desglobalizadoras em tempos de crise, contribuindo os seus membros para uma espécie de economia política dos chamados totalitarismos, ainda antes da Guerra Fria; uma economia política assimétrica, já que os socialismos e os reformismos em modo de New Deal e outras terceiras vias originais ditas intervencionistas, outros tantos caminho para a perdição, são sem dúvida os principais adversários, se atentarmos na consistência da crítica comum. No que aos fascismos diz respeito há muito mais ambiguidade e aqui e ali até saudação e colaboração.

Em terceiro lugar, é preciso notar que o neoliberalismo, como qualquer ismo, é internamente plural, sendo marcado por divergências pontuais sobre os meios de construir uma ordem de mercado e sobre a melhor forma de a justificar. Isto para já não falar dos debates metodológicos dentro e fora da economia política, num movimento transatlântico e trandisciplinar desde a origem. Este pluralismo é indissociável de uma visão do mundo ambiciosa, tal qual o socialismo. No entanto, todos partilhavam a ambição explícita, de Hayek a Friedman, passando por Eucken, de renovar o liberalismo económico, afastando-o de associações ao laissez-faire e a outros naturalismos. Os livros estão aí para serem lidos, incluindo notando a quem se agradece e quem se cita. Por exemplo, Milton Friedman num texto de 1951 reconhece que o Estado tem de ter grandes poderes para construir uma ordem de mercado explicitamente neoliberal. Hayek, que, vejam lá, até reservou o termo neoliberal para os seus camaradas alemães, faz grande parte do seu investimento intelectual depois de O Caminho para a Servidão, onde de resto já se confirma o que eu disse, na criação de uma armadura jurídico-política para a expansão de um certo tipo de capitalismo.

Em quarto lugar, o conceito de “economia social de mercado” não está no ordoliberalismo relacionado com o Estado-Providência, tal como os socialistas o entendem. Economia social de mercado é a tese de que uma economia capitalista concorrencial em expansão, bem ordenada juridicamente, produz as melhores consequências sociais. Isto não dispensa alguma política social dirigida, claro, ou o reconhecimento do papel dos sindicatos, desde que bem disciplinados pela concorrência e pelo poder capitalistas. Nestes pontos, os ordo não se distinguem de forma significativa de Hayek em A Constituição da Liberdade ou de Friedman em Capitalismo e Liberdade, que aliás os têm como suas referências, bastando não cair em caricaturas sobre o que se julga saber acerca das posições neoliberais sobre o papel do Estado. O mesmo se pode dizer da sua obsessão comum com uma política económica anti-keynesiana, constrangida por regras políticas, aplicadas em modo pós-democrático por instituições que destronem a democracia na economia e para lá dela, para usar uma fórmula famosa sobre este projecto.

Em quinto lugar, sendo a economia política alemã do pós-guerra influenciada pelo ordoliberalismo, esta versão do neoliberalismo nunca teve aí o monopólio da política pública, felizmente, em particular nos anos sessenta e setenta, quando o movimento operário conseguiu conquistas relevantes, como a co-gestão. Onde os ordoliberais inscreveram desde muito cedo a sua visão pós-democrática da economia foi na integração europeia, onde os freios e contrapesos sempre foram menores, dada a sua escala e os agentes que aí operam, mas neste último ponto estamos de acordo.

Em sexto lugar, é verdade que na Alemanha as viragens sucessivas de parte da social-democracia para a direita, digamos, foram em parte influenciadas pelo ordoliberalismo. Noutros países foram mais por outras variantes do neoliberalismo. Agora, qualquer social-democrata consistente só pode dar combate ao neoliberalismo alemão, o ordoliberalismo, de matriz retintamente anti-keynesiana e anti-socialista desde sempre, e aos que procuram esvaziar por dentro o que ainda há de socialista nos partidos socialistas, até que não reste nada de nada, ou seja, até que só restem os Gerhard Schroeders, ou os Jeroen Dijsselbloem que reduziram o partido do movimento a um apêndice das direitas.»

[João Rodrigues in blog «Ladrões de Bicicletas»]

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Criminosos de Guerra querem dar lições de uma moral de exportação, que não serve para eles próprios


«Governo nega que tenham sido discutidas sanções à Venezuela
Ministério dos Negócios Estrangeiros garante que Portugal não se opõe às sanções porque estas ainda nem sequer foram discutidas.»
[In «Público» pt]



O IV Reich, tal como o III Reich, é uma instituição criminosa.
A União Europeia, o nome oficial do IV Reich, pratica Crimes Contra a Humanidade no seu próprio território, nas selváticas-nazistas prisões da Rede Guantánamo e Sucursais, nomeadamente na Polónia.
A Polónia, com dinheiro da União Europeia para agricultura, desviado para a guerra, andou a cometer Crimes Contra a Humanidade no Iraque.

São estes selvagens da União Europeia, que têm o descaramento de pregar para os outros uma moral de exportação, porque não serve para a própria União Europeia.

Os Criminosos de Guerra que dominam o IV Reich querem o petróleo da Venezuela







































«Portugal é o único país da UE que rejeita sanções contra a Venezuela
El País noticia que 27 dos 28 Estados-membros da União Europeia mostraram abertura à aplicação de sanções a Caracas, caso seja convocada a Assembleia Constituinte por parte de Maduro.»
(In «Público pt)

Maduro é acusado de dirigir a Rede de Tortura e Assassinato Guantámo e Sucursais, mostrando particular crueldade nas sucursais dentro da União Europeia, nomeadamente na Polónia.



Ladrões, torturadores e assasinos, os Criminosos de Guerra que dirigem o IV Reich, conhecido por «União Europeia», querem comer petróleo da Venezuela.





Tsipras é um robot-palhaço.

Rajoy é um ladrão, o PSOE tinha uma quadrilha de assassinos, paga pelos contribuintes, dirigida por Felipe Gonzalez, que assassinou e voltou a asssinar.

A Hungria é dirigida por uma Ditadura brutal, que comete crimes bárbaros, orgulhosamente.

Portugal não apoiou os servos da Alemanha.

As mais selváticas das prisões de tortura e assassinato da Rede Guantánamo e Sucursais eram e são dentro da União Europeia, nomeadamente na Polónia.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Guerra da Síria - factos que os mídia ocidentais dominantes não revelam


«Uma rede de tráfico de armas implicando pelo menos 17 Estados

Milhares de milhões de dólares de armas contra a Síria

Desde há sete anos, vários milhares de milhões de dólares de armamento entraram ilegalmente na Síria ; um facto que, só por si, basta para desmentir a narrativa segundo a qual esta guerra seria uma revolução interna democrática. Inúmeros documentos atestam que este tráfico foi organizado pelo General David Petraeus, primeiro a título público a partir da CIA da qual ele era o director, depois a título privado a partir da sociedade financeira KKR, com a ajuda de altos funcionários. Assim, o conflito, que era inicialmente uma operação imperialista dos Estados Unidos e do Reino Unido, transformou-se numa operação capitalista privada, enquanto em Washington a autoridade da Casa Branca era contestada pelo “Estado Profundo”. Novos elementos lançam luz sobre o papel secreto do Azerbaijão na evolução desta guerra.

| Damasco (Síria)
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Como é que os jiadistas de Alepo eram abastecidos com armas búlgaras ?
Aquando da libertação de Alepo e da captura do estado-maior saudita que lá se encontrava, a jornalista búlgara Dilyana Gaytandzhieva constatou a presença de armas do seu país em novos armazéns abandonados pelos jiadistas. Ela anotou cuidadosamente as indicações inscritas nas caixas e, de regresso ao seu país, investigou o modo como elas haviam chegado à Síria.
Desde 2009 —com a breve excepção do período entre Março de 2013 a Novembro de 2014— a Bulgária é governada por Boiko Borissov, um personagem colorido, saído de uma das principais organizações criminosas europeias, a SIC. Lembremos que a Bulgária é, ao mesmo tempo, membro da OTAN e da União Europeia e que nenhuma destas organizações emitiu a mínima crítica contra a chegada ao poder de um chefe mafioso, desde há longo tempo claramente identificado pelos serviços internacionais de polícia.
Foi, pois, arriscando a sua vida de forma clara que Dilyana Gaytandzhieva rastreou a rede e que a redacção do quotidiano de Sofia, Trud, publicou o seu dossiê [1]. Se a Bulgária se colocou como um dos principais exportadores de armas para a Síria, ela contou para tal com a ajuda do Azerbaijão.

Pondo a nu o gigantesco tráfico de armas da CIA contra o Afeganistão, o Iraque, a Líbia, a Síria e a Índia

Desde o início das Primaveras Árabes, um gigantesco tráfico de armas foi organizado pela CIA e pelo Pentágono em violação de inúmeras resoluções do Conselho de Segurança da ONU. Todas as operações que aqui vamos recapitular são ilegais à luz do Direito Internacional, nelas incluídas, bem entendido, as organizadas publicamente pelo Pentágono.
Em matéria de tráfico de armas, mesmo quando certos indivíduos ou empresas privadas servem como disfarce, é impossível exportar materiais sensíveis sem o assentimento dos governos envolvidos.
Todas as armas de que vamos falar, salvo os sistemas de espionagem electrónica, são de tipo soviético. Por definição, mesmo quando se finge que exércitos equipados com armas de tipo OTAN são os destinatários finais destes fornecimentos isso é impossível de se verificar. A referência a tais exércitos serve apenas para encobrir o tráfico.
Sabia-se já que a CIA tinha recorrido à SIC e a Boiko Borissov para fabricar, com urgência, Captagon com destino aos jiadistas na Líbia, depois na Síria. Desde a investigação de Maria Petkova, publicada na Balkan Investigative Reporting Network (BIRN), sabia-se que a CIA e o SOCOM (Special Operations Command do Pentágono) tinham comprado, para os jiadistas, armas à Bulgária por 500 milhões de dólares, entre 2011 e 2014. Depois, que outras armas foram pagas pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes Unidos e transportadas pela Saudi Arabian Cargo e Etihad Cargo [2].
Segundo Krešimir Žabec do quotidiano de Zagreb Jutarnji List, no fim de 2012, a Croácia fornecia aos jiadistas sírios 230 toneladas de armas por um valor de 6,5 milhões de dólares. O envio para a Turquia foi feito por três Ilyushin da companhia Jordan International Air Cargo, sendo depois as armas lançadas de pára-quedas pelo Exército Catariano [3]. De acordo com Eric Schmitt, do The New York Times, o conjunto do dispositivo tinha sido imaginado pelo General David Petraeus, director da CIA [4].
Quando, em 2012, o Hezbolla tentou descobrir o tráfico da CIA e do SOCOM foi perpetrado um atentado contra turistas israelitas no aeroporto de Burgas, o centro nevrálgico do tráfico. Em contradição com a investigação da polícia búlgara e as conclusões do médico legista, o governo de Borisov atribuiu este crime ao Hezbolla e a União Europeia classificou a Resistência libanesa como «organização terrorista» (sic). Foi preciso esperar até à queda temporária de Borisov para que o Ministro das Relações Exteriores, Kristian Vigenine, sublinhasse que tal acusação não tinha qualquer fundamento.
Segundo uma fonte próxima do PKK, em Maio e Junho de 2014, os Serviços secretos turcos fretaram comboios (trens-br) especiais para entregar em Rakka, isto é, naquilo que era então chamado o Emirado Islâmico no Iraque e na Síria, e que é conhecido hoje como Daesh, armas ucranianas pagas pela Arábia Saudita e mais de um milhar de Toyota Hilux (pickups de cabine dupla) especialmente arranjadas para resistir às areias do deserto. De acordo com uma fonte belga, a compra dos veículos tinha sido negociada com a japonesa Toyota pela empresa saudita Abdul Latif Jameel.
Segundo Andrey Fomin da Oriental Review, o Catar, que não queria ser deixado à parte, comprou para os jiadistas à sociedade Estatal ucraniana UkrOboronProm a versão mais recente do Air Missile Defense Complex "Pechora-2D". Tendo a entrega sido concluída pela sociedade cipriota Blessway Ltd [5].
Segundo Jeremy Binnie e Neil Gibson, da revista profissional de armamento Jane’s, o US Navy Military Sealift Command (o Comando de Aprovisionamento da Marinha de Guerra dos EUA- ndT) lançou em 2015 dois concursos públicos para transportar armas do porto romeno de Constanta para o porto jordano de Aqaba. O contrato foi ganho pela Transatlantic Lines [6]. Ele foi executado logo após a assinatura do cessar-fogo por Washington, a 12 de Fevereiro, 2016, em total violação do seu compromisso.
De acordo com Pierre Balanian da Asia News, este dispositivo prosseguiu em Março 2017 com a abertura de uma linha marítima regular da companhia norte-americana Liberty Global Logistics ligando Livorno (Itália) / Aqaba (Jordânia) / Jeddah (Arábia Saudita) [7]. Segundo o geógrafo Manlio Dinucci, ela destinava-se principalmente ao fornecimento de blindados para a Síria e para o Iémene [8].
Segundo os jornalistas turcos Yörük Işık e Alper Beler, os últimos contratos da era Obama foram feitos pela Orbital ATK que organizou, via Chemring e a dinamarquesa H. Folmer & Co, uma linha regular entre Burgas (Bulgária) e Jeddah (Arábia Saudita). Pela primeira vez, fala-se aqui não apenas de armas produzidas pela Vazovski Machine Factory Building (VMZ) (Bulgária), mas também pela Tatra Defesa Industrial Ltd. (República Checa) [9].
Muitas outras operações tiveram lugar secretamente como o atestam, por exemplo, os negócios do cargueiro Lutfallah II, apresado pela marinha libanesa a 27 Abril de 2012, ou do cargueiro togolês, o Trader, apresado pela Grécia, a 1 de Março de 2016.
O total destas operações perfaz centenas de toneladas de armas e de munições, talvez milhares, sobretudo pagas pelas monarquias absolutas do Golfo, pretensamente para apoiar uma «revolução democrática». Na realidade, as petro-ditaduras só intervieram para dispensar a administração Obama de prestar contas ao Congresso dos EUA (Opération Timber Sycamore) e lhe fazer aceitar gato por lebre [10]. O decorrer de todo este tráfico foi pessoalmente controlado pelo General David Petraeus, primeiro a partir da CIA da qual ele era o director, depois desde a sociedade de aplicações financeiras KKR onde ingressou. Ele beneficiou-se da ajuda de altos funcionários, algumas vezes sob a presidência de Barack Obama, depois massivamente sob a de Donald Trump.
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O papel até agora secreto do Azerbaijão

Segundo a antiga funcionária do FBI e fundadora da National Security Whistleblowers Coalition, Sibel Edmonds, de 1997 a 2001, o Azerbaijão do Presidente Heydar Aliyev, acolheu em Baku, a pedido da CIA, o número dois da Alcaida, Ayman al-Zawahiri. Muito embora oficialmente procurado pelo FBI, aquele que era então o número 2 da rede jiadista mundial deslocava-se regularmente por avião da OTAN para o Afeganistão, para a Albânia, para o Egipto e para a Turquia. Ele era, igualmente, frequentemente visitado pelo Príncipe Bandar ben Sultan da Arábia Saudita [11].
Às suas relações de segurança com Washington e Riade, o Azerbaijão —cuja população é, portanto, sobretudo xiita— junta Ancara, a sunita, que o apoia no seu conflito contra a Arménia a propósito da secessão da República de Artsakh (Alto-Karabaque ).
À morte de Heydar Aliyev, nos Estados Unidos, em 2003, sucede-lhe o seu filho Ilham Aliyev. A Câmara de Comércio EUA-Azerbaijão torna-se a sala de manobras de Washington tendo ao lado do Presidente Aliyev, Richard Armitage, James Baker III, Zbigniew Brzeziński, Dick Cheney, Henry Kissinger, Richard Perle, Brent Scowcroft e John Sununu.
De acordo com Dilyana Gaytandzhieva, o Ministro dos Transportes, Ziya Mammadov, coloca em 2015 à disposição da CIA a companhia estatal Silk Way Airlines paga pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes Unidos. O Ministro dos Negócios Estrangeiros, o muito pouco escrupuloso Elmar Mammadyarov, envia a várias das suas embaixadas pedidos de homologação de «vôos diplomáticos», o que interdita as inspecções dos mesmos segundo a Convenção de Viena. Em menos de três anos, mais de 350 vôos disporão deste privilégio extraordinário.
Muito embora segundo os tratados internacionais, nem aviões civis, nem aviões com imunidade diplomática estejam autorizados a transportar material militar, os pedidos de reconhecimento como «voos diplomáticos» fazem menção explícita das cargas transportadas. No entanto, a pedido do Departamento de Estado dos EUA, pelo menos o Afeganistão, a Alemanha, a Arábia Saudita, a Bulgária, o Congo, os Emirados Árabes Unidos, a Hungria, Israel, o Paquistão, a Polónia, a Roménia, a Sérvia, a Eslováquia, a República Checa, a Turquia e o Reino Unido irão fechar os olhos a esta violação do Direito Internacional, tal como já haviam ignorado os vôos da CIA entre as suas prisões secretas.
Em menos de três anos, a Silk Way Airlines transportou assim pelo menos US $ mil milhões (1 bilhão-br) de armas.
De forma exaustiva, a jornalista Dilyana Gaytandzhieva pôs à luz do dia um vasto sistema que aprovisiona os jiadistas não só no Iraque e na Síria, mas também no Afeganistão, no Paquistão e no Congo, sempre às custa dos Sauditas e dos Emiratis. Algumas armas entregues na Arábia foram reexpedidas para a África do Sul.
As armas transportadas para o Afeganistão teriam chegado aos talibãs, sob o controle dos Estados Unidos, os quais afirmam combatê-los. As fornecidas ao Paquistão eram provavelmente destinadas a cometer atentados islamitas na Índia. Ignora-se quem são os destinatários finais das armas entregues à Guarda Republicana do Presidente Sassou Nguesso, no Congo, e à África do Sul do Presidente Jacob Zuma.
Sendo os principais negociantes as firmas norte-americanas Chemring (já citada), Culmen International, Orbital ATK (também já citada) e Purpel Shove.
Para além das armas de tipo soviético produzidos pela Bulgária, o Azerbaijão comprou, sob a responsabilidade do Ministro da Indústria de Defesa, Yavar Jamalov, stocks (estoques-br) na Sérvia, na República Checa e incidentalmente em outros Estados, sempre declarando ser o destinatário final dessas compras. Em relação aos equipamentos de espionagem electrónica, Israel colocou à disposição a firma Elbit Systems, que simulava ser o destinatário final, não possuindo o Azerbaijão o direito de comprar este tipo de material. Estas excepções atestam que o programa do Azerbaijão, mesmo tendo sido requisitado pelos Estados Unidos e pela Arábia Saudita, era controlado, de uma ponta a outra, a partir de Telavive.
O Estado hebreu, que afirma ter permanecido neutral durante todo o conflito sírio, tem, no entanto, bombardeado repetidamente o Exército Árabe Sírio. Todas as vezes que Telavive reconheceu os factos, pretendeu ter atacado para destruir armas destinadas ao Hezbolla libanês. Na realidade, todas essas operações, salvo talvez uma, foram coordenadas com os jiadistas. Sabe-se, pois, hoje em dia que Telavive estava supervisionando a entrega de armas a esses mesmos jiadistas de tal modo que, se Israel parecia contentar-se em utilizar a sua Força Aérea para os apoiar, de facto jogava um papel central no desenrolar da guerra.
Segundo as convenções internacionais a falsificação de certificados de fornecimento final e o envio de armas para grupos mercenários afim de que eles derrubem governos legítimos, ou destruam Estados reconhecidos, constituem crimes internacionais.
Tradução
Alva
[1] “350 diplomatic flights carry weapons for terrorists” («350 vôos diplomáticos carregando armas para terroristas»- ndT), Dilyana Gaytandzhieva, Trud, July 2, 2017.
[2] “War Gains : Bulgarian Arms Add Fuel to Middle East Conflicts” («Proveitos de Guerra :Armas Búlgaras Somam Combustível aos Conflitos do Médio-Oriente»- ndT), Maria Petkova, Balkan Investigative Reporting Network, December 21, 2015.
[3] “TAJNA LETOVA JORDANSKIH AVIONA S PLESA Sirijski pobunjenici dobivaju oružje preko Zagreba!”, Krešimir Žabec, Jutarnji list, 23 veljača 2013. «TRANSFER HRVATSKOG ORUŽJA POBUNJENICIMA U SIRIJI Sve je dogovoreno prošlog ljeta u Washingtonu!», Krešimir Žabec, Jutarnji list, 26 veljača 2013. “VIDEO: JUTARNJI OTKRIVA U 4 mjeseca za Siriju sa zagrebačkog aerodroma Pleso otišlo 75 aviona sa 3000 tona oružja!”, Krešimir Žabec, Jutarnji list, 7 ožujak 2013. “PUT KROZ ASADOVU SIRIJU Nevjerojatna priča o državi sravnjenoj sa zemljom i njezinim uništenim ljudima: ’Živote su nam ukrali, snove ubili...’”, Antonija Handabaka, Jutarnji list, 9 ožujak 2013.
[4] “In Shift, Saudis Are Said to Arm Rebels in Syria” and “Airlift To Rebels In Syria Expands With C.I.A.’S Help”, C. J. Chivers & Eric Schmitt, The New York Times, February 26 and March 25, 2013.
[5] “Qatar and Ukraine come to deliver Pechora-2D to ISIS” («O Catar e a Ucrânia, acabam de fornecer Pechora-2D ao Daesh-EI»- ndT), by Andrey Fomin, Oriental Review (Russia), Voltaire Network, 22 November 2015.
[6] “US arms shipment to Syrian rebels detailed” («Revelado em detalhe carregamento de armas dos EUA para os rebelde Sírios»- ndT), Jeremy Binnie & Neil Gibson, Jane’s, April 7th, 2016.
[7] “Jordan strengthens military presence on border with Syria and Iraq” («Jordânia reforça presença militar na fronteira com a Síria e o Iraque»- ndT), Pierre Balanian, AsiaNews, April 11, 2017.
[8] « De Camp Darby, des armes US pour la guerre contre la Syrie et le Yémen », par Manlio Dinucci, Traduction Marie-Ange Patrizio, Il Manifesto (Italie), Réseau Voltaire, 18 avril 2017.
[9] “O Pentágono prossegue os contratos de armamento dos jiadistas da era Obama”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 30 de Maio de 2017.
[10] “U.S. Relies Heavily on Saudi Money to Support Syrian Rebels” («EUA Baseia-se Sobretudo em Dinheiro Saudita para Apoiar os Rebeldes Sírios»- ndT), Mark Mazzetti & Matt Apuzzojan, The New York Times, January 23, 2016.
[11] Classified Woman. The Sibel Edmonds Story: A Memoir ((«Mulher da Sombra. A História de Sibel Edmonds : Testemunho ndT) et The Lone Gladio ((«Gládio Solitária»- ndT), Sibel Edmonds.»

[In «Red Voltaire»]