quinta-feira, 8 de junho de 2017

O neoliberalismo e o renascimento da Esquerda no Reino Unido

A mais genuína, a mais pura,  a mais sincera expressão da essência humana foi o nazismo - o Mal absoluto.

No filme Alien, que está em cartaz, um robot que pensa, criado pelos humanos, decidiu exterminar a espécie humana por não prestar, por ser uma espécie maléfica.

Eu acho, que de um modo geral o Mal tem dominado a espécie humana. Eu não acredito em deuses nem em deusas, nem acredito na deusa Vénus, nem acredito em Zeus, nem acredito em mais nenhum deus.

Os deuses estão fora de combate, no combate contra o Mal, simplesmente porque os deuses não existem, não podem ajudar, porque não existem.

Muito mais importante do que acreditar num deus, ou em mais que um, ou numa deusa ou do que ser ateu ou ateia, agnóstico ou agnóstica é ser malvado ou ser malvada.

Um homem malvado e uma mulher malvada tanto praticam a maldade em nome do ateísmo, em nome do agnostismo ou em nome de um deus, a malvadez é a essência da essência humana. A malvadez em nome do ateísmo, conduz à tortura, à tentativa de homicídio e ao assassinato, a malvadez em nome do agnosticismo conduz à tortura, à tentativa de homicídio e ao assassinato, a malvadez em nome de qualquer religião conduz à tortura, à tentativa de homicídio e ao homicídio.

A malvadez em nome de qualquer ideologia política conduz à vivência sumptuosa de uns à custa da pobreza e da miséria, conduz à tortura, conduz à desumnidade, conduz ao sadismo.

Os homens que lutam contra o Mal estão sozinhos, não existem deuses para os ajudarem, mas se ninguém luta contra o Mal teremos o triunfo absoluto do Mal.

«Não é mesmo um slogan


Nos últimos quarenta anos, o Reino Unido foi dominado pelo neoliberalismo, um credo que procurou adaptar algumas das posições do liberalismo clássico do século XIX a um mundo onde o papel do Estado tinha aumentado (…) A raiva que gerou as mudanças sísmicas assenta nos fracassos do neoliberalismo. O principal elemento foi a crise financeira de 2008 (…) [A] divisão tornou-se muito mais tóxica pelo de facto de a elite ter sido bem-sucedida nos anos neoliberais. Em 1980, um CEO de uma empresa cotada na bolsa ganhava 25 vezes mais do que o trabalhador médio. Em 2016, os patrões ganham 130 vezes mais (…) A privatização alimentou o ressentimento também. A promessa trabalhista de renacionalizar os caminhos de ferro, impensável há uma década, é agora popular: agradeçam às tarifas elevadas e aos lucros privados.      

Dado que são excertos de um artigo da The Economist desta semana, é caso para dizer que estamos perante o mais parecido que encontrarão com uma autocrítica, algo melancólica, vinda de uma revista que condensa todas as semanas os argumentos neoliberais sobre tudo e mais alguma coisa ou não tivessemos perante uma visão do mundo global e que se vê no centro.

Já há vários anos que leio esta revista todas as semanas e não me lembro de ver o termo neoliberal aí usado, ainda para mais com tanto à vontade analítico. Realmente, não há melhor para descrever as últimas décadas: o neoliberalismo não é mesmo um slogan. Curiosamente, os próprios autores neoliberais chegaram a usar este termo, mas só antes do início da hegemonia nos turbulentos anos setenta.

Entretanto, argumenta-se na The Economist que May e Corbyn sinalizam, cada um à sua maneira, uma ruptura com o neoliberalismo. Talvez sim, talvez não. Ainda é cedo. Seja como for, é um bom sinal que haja mais discernimento, até porque este tende a emergir mais frequentemente quando já estamos a olhar para o passado. Aliás, rupturas como a do Brexit poderão também contribuir, esta é a aposta, para fazer do neoliberalismo um credo do passado…»

[João Rodrigues in blog «Ladrões de Bicicletas»]

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