terça-feira, 4 de abril de 2017

Terrorismo islâmico em Londres e S. Petersburgo


Adoro estas primeiras páginas do Público que são herdeiras daquelas feitas no passado, desde 11/9/2001, de que é exemplo algo como "Atentado contra o mundo". Como se o mundo - leia-se o mundo ocidental, o mundo civilizado, o mundo que é o our way of living - fosse o ente representado pelos alvos atingidos e não houvesse mais alvos atingidos pelo mundo que não representassem igualmente o mundo.

Como luta de barricada, este tipo de capas é do mais pobre que possa ser feito.

"Terror volta à Europa" dá a entender que houve momentos em que ele não esteve presente. A mistura da geografia com o terror faz passar a ideia de que o terror está ligado a elementos que vieram do exterior para afectar a paz em que os europeus viviam. Ou seja, o terror é perpetrado por estrangeiros e sabe-se lá de que religião. Só esta ideia permite muitos pensamentos anexos e subliminares que fariam corar um presidente do euro-grupo.

..."e ataca casa da democracia" dá a entender que o terror é algo intrinsecamente anti-democrático. E sê-lo-á, na verdade. Mas é estranho que esta casa da democracia tenha já autorizado outros actos de terror. Sê-lo-ão mais democráticos por terem sido autorizados por um Parlamento? Ou admite-se que o terror tenha de ser feito, independentemente de não ser democrático? Mas neste caso é pior: a manchete dá a entender que o terror visa colocar em causa a própria democracia. E aí entroncamos nas capas feitas pelo Público quando embandeirou com os actos de gestão de George Bush, nomeadamente a invasão do Iraque em 2003 assente numa mentira, que desarticularam um país em proveito de interesses privados e que têm estado na origem da escalada de terror pelo mundo fora.

Tudo isto está de certeza na cabeça de quem fez a manchete. E o problema é esse mesmo.

De relembrar que a experiência do Público nessa incursão belicista, da década passada, correu mal à direcção editorial que a levou a cabo. Em alguns anos, foi em parte substituída.»

[In blog «Ladrões de Bicicletas», João Ramos de Almeida]

"O costume

Quando S. Petersburgo
é menos que Londres"



 Honra seja feita ao DN

[In blog «O tempo das cerejas 2»]

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