domingo, 30 de abril de 2017

Os europeístas vão-se desmascarando

O europeísmo tal como ele é hoje é a submissão ao imperialismo alemão. E para 0 imperialismo alemão, a Alemanha acima de tudo e os outros que se lixem. O chamado «Conselho de Finanças Públicas» é uma instituição colonial ao serviço da Alemanha, até dele faz parte um alemão.
«Um europeísta fanático, grosseiro e vesgo?

Uma forma de começar este post poderia ser "Vicente Jorge Silva (VJS) é um europeísta fanático, tão grosseiro e vesgo que não se importa de aceitar a eliminação acelerada dos direitos laborais e a destruição das bases em que assenta o modelo social europeu para garantir que a União Europeia jamais será posta em causa".

Se o meu texto começasse assim, não estaria a fazer mais o que VJS faz no seu artigo de opinião no público de hoje - a lançar um anátema injustificado sobre alguém de cujas posições discordo, para tentar descredibilizar a sua posição. A verdade é que não sei se a frase que escrevi entre aspas é verdadeira e desconfio que não seja. Mas sei que a forma como VJS descreve as posições do PCP e do BE sobre as eleições francesas e sobre o processo de integração europeia não passa de uma triste caricatura.

Há cerca de 20 anos que ensino, investigo e escrevo sobre o processo de integração europeia. Li grande parte do que se publicou em Portugal sobre o tema desde meados dos anos oitenta, incluindo as posições dos vários partidos políticos. Mesmo que nem sempre me tenha revisto em todas as posições sobre o tema, tenho para mim claro que o PCP foi durante muitos anos o único partido político em Portugal que se dedicou a uma análise rigorosa e sistemática do processo de integração europeia – enquanto os restantes partidos aderiam a um europeísmo pueril, desprovido de fundamento técnico e essencialmente despreocupado com as implicações que o processo de integração europeia teria, para Portugal e não só. Quanto ao BE, classificá-lo de "anti-europeísmo primário" é ignorar que durante muitos anos este partido se demarcou dos comunistas precisamente com base no apoio à integração europeia. O distanciamento deste partido face à UE que realmente existe (por comparação com uma União por nós idealizada) foi um parto difícil, exigindo aos bloquistas uma elaboração da análise sobre a integração económica - em particular, sobre a união monetária - que a generalidade dos partidos europeístas (nomeadamente, PS, PSD e CDS) dispensaram.

Não vou dizer de Vicente Jorge Silva que é um europeísta fanático, grosseiro e vesgo. Mas digo que a sua forma de discutir divergências é muito pouco salutar e demonstrativa de alguma preguiça mental da parte de alguém de quem se esperaria mais. »

[Ricardo Paes Mamede in blog «Ladrões de Bicicletas»]

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