segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Síntese da ideologia do PCP e do seu reflexo programático, no ano de 2017

«(...) O projecto que apontamos e apresentamos ao nosso povo para concretizar em Portugal é produto do pensamento próprio do Partido e responde às especificidades nacionais, e leva também em conta as lições das experiências, positivas e negativas dos países socialistas.
Foi a partir da realidade portuguesa e da experiência revolucionária portuguesa, mas assimilando criticamente a experiência revolucionária mundial que definimos no nosso Programa de Partido uma concepção de socialismo e as características que deve assumir. Nele se expressam como objectivos fundamentais da revolução socialista, “a abolição da exploração do homem pelo homem, a criação de uma sociedade sem classes antagónicas, a democracia nas diversas vertentes, a intervenção permanente e criadora das massas populares, a elevação constante do bem-estar material e espiritual dos trabalhadores e do povo em geral, o desaparecimento das discriminações, desigualdades, injustiças e flagelos sociais, a concretização de uma vida de igualdade de direitos do homem e da mulher e a inserção da juventude na vida do País, como força social dinâmica e criativa”.
O poder dos trabalhadores, a garantia do exercício das liberdades democráticas, incluindo a liberdade de imprensa e de formação de partidos políticos, o respeito pelas opiniões políticas e crenças religiosas, a realização regular de eleições democráticas, contam-se entre as características do sistema político.
A propriedade social sobre os principais meios de produção, incluindo a banca, uma direcção planificada da economia no quadro de formações económicas diversificadas (organização estatal, cooperativas autogeridas, individuais e familiares, com empresas privadas de diversa dimensão) e da sua directa intervenção e iniciativa, e tendo em conta o papel do mercado; a realização completa da reforma agrária, com inteiro respeito pela vontade dos trabalhadores e agricultores, contam-se entre as características da organização económica.
A libertação dos trabalhadores de todas as formas de exploração e opressão, o pleno emprego, a retribuição a cada um segundo o seu trabalho, o respeito pela propriedade individual, resultante do trabalho próprio, a solução dos graves problemas da habitação, saúde, ensino e meio ambiente, contam-se entre as características no plano social da nova sociedade.
A transformação da cultura em património, instrumento e actividade de todo o povo, o pleno acesso ao ensino, o progresso da ciência, da técnica e da arte, o estímulo à iniciativa individual e colectiva, são as suas características no plano da cultura.
A formação de uma consciência social e individual conforme os ideais de liberdade, dos deveres cívicos, do respeito pela pessoa humana e pela natureza, da solidariedade, da amizade e da paz, contam-se entre as características no plano ético da sociedade socialista que queremos construir no futuro.

Este é na sua essência o projecto de construção do socialismo que o PCP apresenta ao nosso povo, sabedores que a vida, sempre dinâmica, tal como as condições da sua realização, nos confrontarão com novos problemas que exigirão novas e imprevistas respostas e soluções.(...)»

 [ Jerónimo de Sousa, cit. por Vítor Dias in blog «O Tempo das Cerejas 2»]

As mentiras chamam-se factos alternativos

 "Uma coisa é criticar a imprensa outra é contestar o seu direito




«O curso das coisas com a Presidência Trump nos EUA é particularmente perigoso, porque revela uma crescente tendência autoritária. O modo como Trump se comporta é o de detentor da verdade, sabendo que está a mentir, mas impondo-se com o poder ou pura e simplesmente relativizando tudo, de modo que os "factos" soçobram para "opiniões". As opiniões podem coexistir e à cabeça são iguais face ao mercado da influência. Enfim, não é bem assim, mas podemos, para já, não ir mais longe. Mas os factos não são moles, são duros. (…)
Trump pode ter muitas razões de queixa da comunicação social, muitas aliás justas, mas atravessou toda a campanha eleitoral e agora os primeiros dias da Presidência a mentir sem qualquer pudor. Depois de ter chamado "nazis" aos serviços de informação, vem agora dizer que ninguém mais do que ele os estima. Faz o mesmo que já fez aquando das célebres declarações sobre o modo como "segurava" as mulheres, tendo no dia seguinte dito que "ninguém mais do que ele respeitava as mulheres". Vamos ver disto todos os dias e isto levanta um enorme problema para todas as pessoas, a começar por aquelas que têm que lidar com ele, chefes de Estado estrangeiros por exemplo.
Quanto aos jornalistas confrontados com esta imposição de mentiras flagrantes, "factos alternativos", começaram a fazer aquilo que deveriam ter feito durante a campanha: a titular as declarações de Trump com adjectivos como "falsas". Por exemplo, no New York Times: "Trump falsely hits media…", ou o Washington Post "Spicer [o porta-voz] makes easily disproved claims…". Claro que, como a guerra é com eles, os jornais e as cadeias de televisão aprenderam a lição de que nenhuma complacência pode haver com este comportamento, porque é o equivalente a uma forma de violência, de bullying. (…)
O que ele está a pôr em causa é que possa haver um espaço público democrático, onde se confrontam todas as opiniões, mas onde não se confrontam os "factos" com "factos alternativos", ou seja mentiras, como se tivessem o mesmo estatuto.»
José Pacheco Pereira"

[In blog «Entre as brumas da memória»]

O ovo da serpente ou o início dos fascismos


«Parece que no cantinho à beira-mar plantado a Bola e a Veira andam à "chapada". Como diz o poeta "bate leve, levemente, como quem chama por mim...fui ver!"
E então parece que a Bola, esquerdista do tipo Mao Tse Tung, não gosta das opiniões políticas da Veira. E toca de insultar a baixinha! Típico, a esquerdita só gosta da democracia quando ganha! Quando perde é tudo "criaturas execráveis!". Na Coreia do Norte não fariam melhor! 
Entretanto aparece também no baile um bicho híbrido chamado Cláudio Ramos, posicionando-se a favor da Bola.
Se motivos suficientes já não houvessem para mandar a Bola emigrar para China...qualquer apoio do Bicho Claudinho é a confirmação que a Vieira está coberta de razão.»

O indivíduo que publicou este comentário no DN net é fascista.
O fascismo é isto. Os fascistas atacam as «esquerdistas» e o conceito «Bicho Claudinho» é um conceito fascista e nazista.

O tal fascista não explica quais são as opiniões políticas da «Veira», expõe a sua ideologia fascista.

sábado, 28 de janeiro de 2017

Elogio da desglobalização

«O passado é um país que fica do outro lado



A propósito das tendências ditas neo-proteccionistas, quero só deixar por aqui duas notas sobre história económica e das ideias económicas.

Em primeiro lugar, pode dizer-se que no chamado longo século XIX os EUA inventaram o proteccionismo como técnica bem-sucedida para a industrialização, através, entre outros, do relatório sobre as industrias do seu primeiro Secretário do Tesouro, Alexander Hamilton: a indústria é a base material da independência nacional e não se desenvolve espontaneamente. A guerra civil nos EUA foi depois travada entre o Norte proteccionista e abolicionista e o Sul escravocrata e defensor do comércio livre, o que indica que a história não encaixa bem nas narrativas convencionais. A história do algodão de resto não engana. Os EUA foram fortemente proteccionistas em matéria comercial pelo menos até à primeira metade do século XX, ou seja, até que estiveram prontos para o proteccionismo dos que se sentem mais fortes, também conhecido por comércio livre.

Em segundo lugar, os anos trinta do século XX são usados e abusados pela sabedoria convencional. Um dos textos de Keynes, uma defesa da reconfiguração pós-liberal de um sistema socioeconómico que pretendia que fosse mais decente, de 1933, aponta para a necessidade de um maior grau de auto-suficiência nacional. Um texto já aqui várias vezes citado e oportunamente recuperado por Jacques Sapir. Quem tem segurança intelectual e política não cede a chantagens sobre eventuais companhias pontuais,  porque sabe os fins que prossegue e sabe que à luz desses fins os ditos fluxos internacionais não são iguais (questão de natureza...). Neste contexto, vale a pena meditar nesta passagem:

“Simpatizo com aqueles que querem minimizar, em vez de maximizar, as interdependências económicas entre as nações. Ideias, conhecimento, ciência, hospitalidade, viagens – estas são as coisas que, pela sua natureza, devem ser internacionais. Mas deixemos que os bens sejam produzidos localmente sempre que seja razoável e conveniente, e, sobretudo, asseguremos que a finança seja nacional. No entanto, aqueles que querem reduzir as interdependências devem ser lentos e cautelosos. Não se trata de arrancar a planta pela raiz, mas de orientá-la lentamente para que cresça noutra direção.”

E lembrem-se que foram as instituições económicas internacionais, de matriz liberal, da altura, do padrão-ouro à liberdade de circulação de capitais, que alimentaram a depressão, a impotência democrática e os fascismo na Europa. Do outro lado, a Norte e a Sul, não tendeu a ser assim. Também em 1933, poucos meses depois de tomar posse, Roosevelt rompeu com a “relíquia bárbara”, a expressão de Keynes para o rígido padrão-ouro, para ganhar margem de manobra nacional em matéria de política económica, sem a qual o New Deal não teria sido possível. Hoje, de novo perante a instabilidade permanente, a questão já não será entre globalizar e desglobalizar, mas sim entre quem vai liderar politicamente uma maior desglobalização, que dimensões deste processo de multifacetado regresso das nações serão privilegiadas e que sectores sociais sairão a ganhar e a perder. Também aqui, não há inevitabilidades.»

[João Rodrigues in blog «Ladrões de Bicicletas»]

Donald Trump - Crítica fundamentada

«Trump, o rei dos tempos modernos

Não é um democrata, não é um liberal, não é um conservador, nem um fascista, nem um nacionalista, é um demagogo revolucionário, egocêntrico e autoritário, que só ouve a voz do seu próprio sucesso.

Imaginem uma mistura de um comentador anónimo cheio de fúria com todos que não são ele próprio com um troll da Internet e alguém que vive entre “gostos” e conflitos nas redes sociais, um participante num reality show, um espectador obsessivo de televisão do crime, do sangue, dos escândalos, dobrado de um dos banqueiros que nos fez chegar à crise de 2008, um dos empresários que faz parte da lista das imparidades da Caixa, do BES, de tudo quanto é banco e continua a viver como se nada fosse, um menino mimado, um bully que se sente impune para ameaçar quem quiser e tem alguns meios para ser temido nessas ameaças. Ao fazer isto tudo, ou algumas destas coisas, ao ter alguns destes vícios e obsessões, fica-se a pensar e a actuar de uma determinada maneira? Claro que fica. E não é boa.


Pois deitem salvas e foguetes, uma personagem destas chegou a Presidente dos EUA. É um populista e um demagogo clássico? Também é, mas é mais moderno do que clássico, mais novo do que antigo. Esqueçam a senhora Le Pen (não, não esqueçam), um produto reciclado da extrema-direita francesa, uma das que têm maior história na Europa, porque Trump é outra coisa, com outra história, outros know-how, outros riscos enormes para a democracia e a paz do mundo. Trump é um populista e um demagogo, mas também é um revolucionário, quer realmente mudar as coisas, nem que para isso tenha de levar tudo à frente. Para onde as quer levar sabemos pelos slogans e as intenções, mas eu aconselhava toda a gente a tomá-los à letra, mesmo quando contraditórios. Quer fazer da América “grande”; quer “dar voz” aos danados da terra do rust belt; quer dar aos empresários tudo o que precisam para deixarem de se preocupar com impostos, com a regulação, com tudo o que lhes dificulte ganhar mais dinheiro e fazer mais fábricas, mais empresas, mais automóveis, mais pontes e estradas; quer expulsar os “outros”, milhões de estrangeiros ilegais, que diz estarem nos EUA, quer-se dar bem com Putin, que acha que é como ele, esperto, audaz, sem regras, e não está disposto a ter de pagar a defesa dos europeus, nem dos japoneses, nem dos coreanos, nem de ninguém que não seja americano.

Mais do que querer controlar como nós pensamos, quer forçar-nos a pensar como ele pensa. Se não vão a bem, vão a mal. No seu mundo, a sua opinião sobre as coisas é equivalente à verdade, uma atitude muito comum nas redes sociais e usa todos os meios para que, se não conseguir que só a sua “opinião-verdade” circule, pelo menos que circule com o mesmo estatuto dos factos. (…) Comunica-se apenas a força, mais nada. Depois de ter feito declarações ofensivas para as mulheres várias vezes, quando confrontado, repete à saciedade que “ninguém mais do que [ele] respeita as mulheres”. Repare-se: “ninguém mais…” Fez o mesmo com os serviços de inteligência. Depois de lhes ter chamado “nazis”, foi à CIA dizer que “ninguém mais do que [ele] preza os serviços de informação”- Repare-se, de novo: “ninguém mais…” Tudo se torna opinião – insisto, como nas redes sociais – e num mundo em que a opinião, a impressão, o “achar” substituem os factos pela força do número e a amplitude do vozear. A racionalidade é expulsa. Domina apenas o pathos.»

[Pacheco Pereira in «Público» net]

60 horas de trabalho semanais ou o trabalho escravo defendido por muita gente

«Os nossos Trumps




«Quem conhece a América sabe que tem o melhor e o pior. Está cheia de gente civilizada, culta, criativa, empreendedora, dos melhores cientistas, dos maiores artistas. Mas tem igualmente o que há de mais atrasado, a ignorância profunda, o fanatismo religioso e racista. (…)
Infelizmente, os Trumps abundam no planeta. Mais ditadores ou mais democratas estão em maioria. São muito poucos os países governados por gente civilizada.
Temos a sorte de viver num. Mas não faltam por cá os nossos Trumps. O atual PSD está cheio deles. No Governo alimentaram a ideia de que era preciso empobrecer o país para o tornar mais competitivo. Apesar do fracasso, e da evidência de que outra política é possível com melhores resultados, continuam a pensar o mesmo. (…)
Recentemente tornou-se viral uma entrevista a um dos donos da Padaria Portuguesa. O homem disse que a questão do salário mínimo era pouco relevante. Aliás, a sua "organização" "só" pagava o "regime de transição", vulgo salário mínimo, a 25% dos seus "colaboradores". Se é este jargão que se ensina no ISEG, onde ele tirou um curso de Gestão, vou ali e já venho. Mas o pior foi o que se seguiu. O homem quer políticas de futuro, ou seja, poder despedir sem restrições, prolongar o horário de trabalho além das 40 horas e pagar o que lhe apetece. É, sem sombra de dúvidas, o nosso Trump da semana.
Não está só. A maioria dos empresários portugueses só consegue montar negócios com base nos baixíssimos salários. Argumentam que se deve à fraca produtividade. Esquecem contudo que a produtividade é precisamente a parte que lhes compete. A baixa produtividade do nosso tecido empresarial é da responsabilidade exclusiva dos patrões. Ponto. (…)
Agora que temos um Governo de esquerda, apoiado por toda a esquerda, seria a altura ideal para se discutir seriamente porque é que as empresas portuguesas só conseguem ser competitivas com salários baixos. Mais. Porque é que são tão mal geridas e como é que se pode superar essa evidente deficiência. Existem casos que demonstram que não é uma fatalidade. Nos têxteis, calçado, alimentação, TIC. É aprender. Ninguém é contra o sucesso das empresas. Mas não se pode aceitar que ele seja feito à custa dos que nelas e para elas trabalham.» 
Leonel Moura»  [Cit in blog «Entre as brumas da memória»]

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Auschwitz, é o ex-libris da Alemanha e da espécie humana




«27.01.1945 - Libertação de Auschwitz



Hoje é o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, data em que se celebra o 72º aniversário da chegada das tropas soviéticas a Auschwitz e da consequente libertação de cerca de 7.000 sobreviventes que ainda permaneciam no campo, criado em 1940 e onde foi exterminado mais de um milhão de pessoas.
*** A ler: «Somos os últimos sobreviventes de Auschwitz».

*** A percorrer: este excelente dossier – Viaje al Holocausto.

*** A ver: Las fotos de los SS que reflejan el horror cotidiano de Auschwitz.

*** A ver e ouvir:








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[In blog «Entre as brumas da memória*]

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

A União Europeia é dominada pelo imperialismo alemão

«O europeísmo utópico


Já há algum tempo que o Rui Tavares vem escrevendo artigos em que, de forma crescentemente agressiva, vai rotulando todos os que não estejam disponíveis para continuar a sacrificar a democracia, os direitos do trabalho e o Estado social em nome de uma União Europeia outra, da qual não temos outro vislumbre senão a imaginação generosa dos que a sonham. Este raciocínio e o rótulo, inicialmente subtil, foi-se tornando crescentemente explícito e já chegou a este grau de clareza:
Se você defendeu que “não pode haver democracia para lá do estado-nação” ou que “os cidadãos do mundo são cidadãos de lugar nenhum”, você andou a promover ideias nacionalistas. Se sim, parabéns. Você ganhou por agora. Seja de direita, de esquerda, ou nem-uma-coisa-nem-outra, você ajudou a preparar o terreno conceptual para a vitória do presidente do país mais poderoso do mundo. De brinde, talvez lhe saia a presidente da França.
Rui Tavares, in Público (23/01/2017)
Não farei a maldade de replicar o expediente intelectual do Rui Tavares e acusá-lo de cumplicidade com toda a tragédia económica e social provocada pelas instituições da União Europeia, graças às quais a Europa tem experimentado o pior período económico e social da história do pós-guerra. Sei que o Rui Tavares defende instituições europeias diferentes e políticas europeias diferentes e que o seu projecto político é distinto e até oposto ao de quem domina a Europa.
Também não vou (neste texto) alongar-me sobre esta ideia de que o crescimento massivo da extrema-direita está relacionado, não com as consequências económicas e sociais da globalização liberal, mas com um “terreno conceptual” que as forças que se lhe opõem teriam ajudado a construir, reavivando sentimentos nacionais que (acha o Rui Tavares) teriam desaparecido.
No entanto, não é possível não recordar que a Globalização em geral, e a Integração Europeia em particular, coincidiram com uma gigantesca perda de direitos sociais e do trabalho. Nem que esses direitos foram conquistados no pós-guerra no quadro, veja-se lá, dos Estados-nação democráticos. Será tudo coincidência?
É porque este percurso histórico é tão útil que tenho tanta dificuldade em perceber o paralelismo do Rui Tavares entre a União Europeia e a Sociedade das Nações. Não tanto porque o paralelismo não tem sentido institucional (a Sociedade das Nações deu origem à Organização das Nações Unidas e não à União Europeia ou nenhum dos seus antepassados), mas sobretudo porque os objectivos e filosofia são totalmente diferentes. A União Europeia foi fundada na base da doutrina do Comércio livre e, na fase do Euro, por uma declinação contemporânea do Padrão-ouro, de tão má memória. As fábulas sobre a “Europa dos fundadores” são manifestamente exageradas. A União Europeia nasceu como um projecto liberal e os sucessivos tratados apenas reforçaram e cristalizaram essa identidade.
Mas falemos então das ideias atribuídas aos “nacionalistas” pelo Rui Tavares. A questão de saber se “pode haver democracia para lá do Estado-nação” não é bem a que é actualmente colocada pelo euro-cépticos. A questão, ou as questões, são, do meu ponto de vista, três:
1. Existe, hoje, de facto, democracia fora do Estado-nação?
A resposta é um rotundo não. Na União europeia, as instituições democráticas não têm poder e as instituições com poder não são democráticas. O Parlamento Europeu tem poderes à beira da irrelevância, o BCE tem um poder literalmente ilimitado e isento de qualquer escrutínio democrático e mesmo as chamadas regras europeias servem essencialmente para criar um território de arbitrariedade em que a bonomia das instituições europeias depende da submissão das instituições nacionais (essas, sim, democráticas) a um programa de “reformas estruturais” que ninguém sufragou. Não há democracia na Europa. Em bom rigor, não há sequer Estado de direito.
2. Existe uma possibilidade plausível de construção de uma democracia transnacional a partir da União Europeia?
A resposta é outro rotundo não. Não porque a União Europeia não tenha mudado. Tem mudado para pior, e vai continuar a mudar, também para pior. Não admira, aliás, que o Rui Tavares não se alongue particularmente sobre o seu plano para a democratização da União Europeia. É que não há plano, não há protagonistas, não há contexto, não há mobilização e não há sequer como. Os tratados da União estão blindados pela regra da unanimidade, já para não falar dessa regra chamada Alemanha. Não vai haver democratização da União Europeia nenhuma. Há anos que a crescente perda de soberania das democracias nacionais se faz com a promessa de democratização das instituições europeias. Em que se converteu essa promessa? No paleio da “ownership”, ou seja, na apropriação forçada pelos Estados-membros das reformas que Bruxelas impõe.
3. É possível proteger as democracias nacionais existentes enquanto aguardamos por essa democracia transnacional sonhada?
A resposta é um rotundo não e este “não” é provavelmente o mais importante. As instituições europeias em 2015 levaram a cabo um golpe de Estado na Grécia. Confrontadas com o resultado esmagador de um referendo que rejeitou as suas políticas, as instituições europeias arredaram esse momento democrático, recorrendo à chantagem da expulsão.
Esse ultimato coloca a toda a esquerda uma questão inevitável e inadiável: que posição ter perante esse cenário, que hoje sabemos ser possível, para não dizer provável? Uma esquerda que, como o Rui Tavares, divida o campo político entre “nacionalistas” e “cosmopolitas”, optaria por sacrificar os direitos dos seus cidadãos e a sua vontade democrática em nome da pertença à União Europeia, na esperança da sua transmutação futura? Só é possível responder “não” se se estiver, pelo menos, disponível e preparado para um cenário de ruptura com o Euro. E se a resposta for “sim”, então, meus amigos, olhem para a Grécia hoje.

É por estas razões que não partilho as ideias do Rui Tavares sobre Europa e Estado-nação. Mas, além disso, não tenho tanta pressa como ele em provocar uma fractura no campo político que está a reagir à austeridade. Faço política quotidianamente ao lado de gente que, tal como o Rui Tavares, não concebe a saída do Euro como uma possibilidade. E acho contraditório que esta linha na areia seja desenhada por quem tanto escreveu e falou sobre a unidade da esquerda. Basta observar que, se esta doutrina dos “aliados objectivos” tivesse presidido à actuação da esquerda portuguesa nos tempos mais recentes, Passos Coelho estaria hoje a governar o país.»

[In blog «Ladrões de Bicicletas»]

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O navio do europeísmo, maior que o Titanic, está a afundar-se num pântano



O navio do europeísmo está a afundar-se, quando os europeístas falam nas pós-verdades de Trump e omitem a barbárie que os europeístas praticaram contra a Grécia e também omitem que a ideologia que suporta o Tratado Orçamental da União Europeia é o neofascismo. A Política TINA [There INAlternative (Não Há Alternativa)] é um conceito objectivamente fascista.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Trump presidente = Trump candidato a presidente

«Depois das alterações climáticas e do Obamacare, página da Casa Branca elimina o espanhol

A página de Internet da Casa Branca deixou de estar disponível em espanhol. A Casa Blanca já só é The White House, avança o El País.


Depois das alterações climáticas e do Obamacare, página da Casa Branca elimina o espanhol

O novo presidente norte-americano, Donald Trump, deu mais uma "machadada" à comunidade hispânica dos Estados Unidos, que é a maior minoria do país, refere o El País na sua edição online.

"Além de não contar com qualquer hispânico na sua equipa, algo que não sucedia há quase 30 anos, a nova Administração encerrou as páginas em espanhol que o governo tinha nas redes sociais. De momento, não há também um interlocutor directo para assuntos relacionados com a comunidade hispânica, como teve a Administração Obama. A Casa Branca já só é The White House", sublinha o jornal espanhol.

Recorde-se que na passada sexta-feira, 20 de Janeiro, praticamente à mesma hora em que Trump tomou posse, a Casa Branca colocava online as prioridades da nova administração norte-americana,  com seis grandes pontos em destaque, nomeadamente mais emprego e crescimento, investimento em mísseis para o sistema de defesa, renegociação de acordos comerciais e redução da dependência do petróleo internacional.

Mas não só. Além de entrarem em linha as prioridades da Administração Trump, foi eliminado o link sobre as políticas relativas às alterações climáticas, bem como quaisquer directivas envolvendo o Affordable Care Act de Barack Obama – o chamado ObamaCare, salientava o The Washington Post.

"Temas destacados na Web de Obama, como as políticas sobre as alterações climáticas, Cuba ou o pacto nuclear com o Irão foram eliminados – e há outro botão que desapareceu: en español", sublinha por seu lado o El País.

Esse link, agora desaparecido, ligava a presidência à Web, em castelhano, e além de estarem traduzidos os assuntos da página principal em inglês, destacavam-se também interesses especiais da comunidade hispânica, como as acções executivas de Obama para regularizar temporariamente centenas de milhares de jovens sem documentação – o programa de acção diferida conhecido como DACA, diz ainda o jornal espanhol.

O El País destaca ainda que a versão em espanhol da conta da Casa Branca no Twitter está também paralisada. O último tweet foi deixado a 13 de Janeiro, ainda pelas mãos de Obama.

Além destas alterações, o website promove agora a linha de jóias da Primeira-Dama, Melania Trump. "Quem visitar o recém-remodelado website da Casa Branca, terá mais do que um simples resumo sobre os interesses e obras de caridade apoiadas por Melania – está também disponível uma lista das revistas onde fez capa, bem como pormenores sobre a sua linha de jóias", refere o mesmo jornal.


[In «Jornal de Negócios» net]

Quem vencerá uma guerra comercial? O IV império alemão não a vencerá quase de certeza

"Uma Nova Ordem




«Xi Jinping foi a estrela de Davos. Donald Trump tomou posse. Nenhum deles, nem nós, tem uma bola de cristal para ver o futuro. Mas se alguém definiu melhor o presente nestes últimos dias, essa voz não veio de Davos ou de Washington. Pertenceu a uma estilista, Miuccia Prada.
Não é para admirar: a moda ou a música antecipam tendências, muitas vezes antes de os políticos as descobrirem. Miuccia Prada diz que estes tempos são de regresso à "simplicidade". Depois de em Londres os estilistas terem apostado em propostas que evocam o deprimente mundo de Dickens, é o pragmatismo e a segurança que nivelam as ideias. Não há certezas e isso foi visível em Davos, onde o herói foi Xi Jinping, que declarou: "Ninguém será vencedor de uma guerra comercial." O Presidente chinês é o megafone da globalização económica que Davos representou e onde, como disse Jamie Dimon, o líder do JP Morgan Chase, "os multimilionários informam os milionários sobre a situação da classe média". É esse mundo, onde os transnacionalistas que já têm pouca necessidade da lealdade nacional, que está a vacilar e tremer.
Os que não foram convidados para esta festa global estão a ripostar. Não é por acaso que Trump nunca foi convidado para ir a Davos. E é também por isso que ele é um fruto da essência da cultura popular americana, onde os heróis vêm de fora do sistema, sejam as personagens interpretadas por John Wayne ou os detectives privados inventados por Raymond Chandler ou Dashiell Hammett: todos eles actuam nas margens da lei e jogam sujo com os opositores, mas têm um código de honra inviolável. Não traem os amigos nem querem fazer parte da elite. Por isso, para a maioria dos americanos não interessa se Trump é um Batman ou um Dirty Harry. O que eles desejam é um herói que os redima e os salve, mesmo que seja através do pecado. Que os proteja da globalização capitalista, onde os papéis dos EUA e da China parecem agora estar estranhamente invertidos. A nova ordem está aí: onde o herói mitológico moldará a realidade virtual. Ou não.»
Fernando Sobral" [Cit in blog «Entre as brumas da memória»]

domingo, 22 de janeiro de 2017

Trump apoia um acto de selvajaria do Estado de Israel que faz lembrar o nazismo

Já aqui expliquei noutros textos que uma das grandes aspirações da Direita do Estado de Israel é imitar os nazis, numa escala menor. Já o fizeram nos massacres de homens mulheres e crianças de Sabra e Shatila e na barbárie que é a construção de colonatos em territórios palestinianos.

Tentei explicar por quais razões a classe operária votou Trump, mas a classe operária já tinha votado em Hitler na Alemanha da década de 1930.

Actualmente procuro explicar Trump, com base em actos de exercício do poder concretos.

O pós-plágio, em Portugal há muito que vivemos no pós-plágio de «Esta Noite a Liberdade»

 "Melania no mundo do «pós-plágio»




Papagueou um discurso de Michelle Obama durante a campanha eleitoral, copiou um vestido de Jacqueline Kennedy para a tomada de posse do marido.

Que raio de mundo, este em que vivemos!"

[In blog «Entre as brumas da memória»]

A INFÂMIA INTELECTUAL NÃO PRESCREVE. A INFÂMIA INTELECTUAL DE MIGUEL SOUSA TAVARES QUE COPIOU PARTES DO LIVRO «CETTE NUIT LA LIBERTÉ» PARA O LIVRO EQUADOR NÃO PRESCREVE

A INFÂMIA INTELECTUAL MOSTRA-NOS OS FALSOS VALORES DE UMA ÉPOCA. A infâmia intelectual e as suas cumplicidades mostram-nos os falsos valores de uma época de maneira altamente vil e chocante. São estes praticantes e cúmplices da infâmia intelectual que andam a falar da ética e da moralidade. Certamente que é da ética e da moralidade da infâmia intelectual e das suas cumplicidades.

Os jornalistas portugueses, especialmente os das televisões, são especializados em ocultar as verdades inconvenientes, para os seus patrões e administradores, e para outros colegas jornalistas  e comentadores de televisão.
Há tempos escrevi o que se segue e que continua actual.


Enquanto estive a ouvir o moralismo de Miguel Sousa Tavares, lembrei-me de um «post» que tinha publicado sobre ele.

A RTP, a SIC e a TVI, que tanto criticam a Censura na Coreia do Norte, também fazem Censura, tipo Coreia do Norte. Fazem censura omitindo factos relevantes e depois mentem de má-fé como tem sido no caso de cópia, irrefutavelmente comprovada, de frases inteiras do livro «Cette nuit la liberté», por Miguel Sousa Tavares, para o livro «Equador». Que grande copianço, que grande plágio, do «moralista» Miguel Sousa Tavares. Parece que estamos na Coreia do Norte, porque a verdade sobre este estranho caso não pode ser divulgada.
Estive a ver o programa da «SIC Notícias» «Conversas Improváveis», às 23 horas, enquanto preparava este «post», em que participou o «moralista» Miguel Sousa Tavares e Francisco Louçã. Nesse programa insinuou-se, claramente, que Miguel Sousa Tavares não praticou plágio. Mas copiou parte de um livro como podemos ver neste blog. Mentir, mentir, mentir.


Uma curiosidade da Censura que é praticada em Portugal é que é Estatal e Privada.
Há várias Comissões de Censura Estatal com nomes complicados, para darem a entender que praticam a Censura, em nome da «Liberdade», isto é, da Liberdade de Praticar a Censura.
Mas, hoje vamos tratar das Censuras de Tipo Feudal, isto é, das Censuras Privadas.

Quem lê os «media» tradicionais portugueses fica com a ideia de que os autores do livro «Cette Nuit la Liberté» fizeram grande copianço, pelo livro «Equador».
Neste caso de copianço ganha relevo especial a questão dos frangos.
Pelos vistos «Cette Nuit la Liberté» copia por «Equador» a questão dos frangos, sem especificar se os frangos são ou não frangos de aviário.
Ficámos a saber, que as Armas de Destruição Maciça do Iraque eram para destruir os frangos de aviário de «Sir Bhupinder Singh, chamado “ O Magnífico”, sétimo marajá de Patiala».





«Lord Mountbatten savait porquoi il avait été rappelé à Londres. Depuis qu’il avait quitté son commandement suprême interalliédu Sud-Est asiatique, il avait solvente répondu à l’invitation du Premier ministre soucieux de recueillir son avis dans les affaires concernant cette partie du monde. Au cours de la dernière visite, l’interêt de Clement Attlee s’était cepandant concentre suru n pays qui n’avait pas appartenu au théâtre d’ópérations sous son autorité, les Indes. Mountbatten avait tout à coup ressenti
“une impression très désagréable”. Sa prémonotion s’était montrée justifiée. Attlee avait en effet l’intention de le nomer vice-roi des Indes, de lui le donner ainsi le poste le plus élevé de l’Empire, la prestigieuse fonction d’une longue ligné d’Anglais qui avait présidé aux destinées d’un cinquième du genre humain. Mais ce n’était pas pour gouverner l’Empire des Indes que Clement Attlee avait choisi Louis Mounbatten. C’était por accomplir la mission la plus douloureuse dont pouvait s’acquitter un Britannique, organiser le retrait de l’Angleterre des Indes.
Ce prestigieux amiral de sang royal ne souhaitait pour rien au monde se voir confie cette tâche d’exécuteur. Dans le naif espoir d’obliger Attlee à renoncer à sa nomination, il avait subordonné son acceptation à tout un éventail d’exigences allant»
(page 22)


«Le seigneur incontesté des plaisirs de la chasse et de la chair avait été le père du chancelier de la Chambre des princes, Sir Bhupinder Singh, dit “Le Magnifique”, septième maharaja de Patiala. Avec sa stature colossale, ses cent trinte Kilos, ses moustaches relevées comme les cornes d’un taureau brave, sa splendide barbe noire, soigneusement enroulée et noué derrrière le cou à la vraie mode des Sikhs, ses lèvres sensuelles et l’arrogance de son regard, il paraissait être tombé d’une gravure mogole. Pour le monde de l’entre-deux-guerres, Sir Bhupinder incarna toute la splendeur des maharajas des Indes. Son appétit était tel qu’il pouvait avaler sans effort vingt kilos de nourriture chaque jour. Il dévorait volontiers deux ou trois poulets à l’heure du thé. Il adorait le polo et, galopant à la tête de ses “Tigres de Patiala”, il avait remporté sur tous les terrains du globe des trophées qui emplissaient son palais. Pour permettre ses prouesses, ses écuries abritaient cinq cents des plus beaux spécimens de la race chevaline.»
(page 238)






Miguel Sousa Tavares em todas as televisões, nos jornais e revistas, atacou violentamente os que o acusaram de plágio.
Este caso chegou a ir a julgamento. As pessoas que Miguel Sousa Tavares acusou, cujos nomes não foram divulgados, foram julgadas e, OBVIAMENTE, absolvidas. Mais, o Tribunal decidiu que os leitores deviam ler estes dois livros e avaliarem, por si, se houve ou não plágio.
OBVIAMENTE, QUE A DECISÃO DO TRIBUNAL NÃO FOI DIVULGADA PELAS TAIS TELEVISÕES. TAMBÉM NÃO FOI DIVULGADA PELAS REVISTAS, NEM PELOS JORNAIS DE MAIOR AUDIÊNCIA.

Observação: Quem não sabe francês tem que seleccionar e copiar os textos em francês primeiro e depois usar o «Google tradutor».
Se usar o «Google translate» do blog ele não é perfeito. Se seleccionar língua portuguesa nada traduz, dizendo que o blog já está na língua portuguesa. Se traduzir para inglês ou espanhol (castelhano) ou outra língua, só traduz o que está na língua portuguesa, deixando o que está em francês, na mesma, isto é, na língua francesa.
Por outro lado o «Google Tradutor» não traduz textos fotografados, que são editados através de imagens.

Cópia é plágio, plágio é roubo de ideias, plágio é infâmia, plágio é corrupção infame.


 ISTO NÃO É PLÁGIO ? (Para quem não sabe ler a língua francesa)



«Luís Bernardo Valença, instalado confortavelmente num assento de uma carruagem de 1ª Classe, recosta-se e observa a paisagem alentejana ao mesmo tempo que vai rememorando as circunstâncias desta sua inesperada viagem. Estava em Lisboa e foi chamado a Vila Viçosa, ao palácio real, onde será convidado a assumir uma função absolutamente inesperada: a de Governador de S. Tomé.



Louis Francis Mountbatten, instalado confortavelmente no assento de um automóvel, recosta-se e observa a paisagem londrina ao mesmo tempo que vai rememorando as circunstâncias desta sua inesperada viagem. Estava em Zurique e foi chamado a Downing Street, residência do Primeiro-Ministro, onde será convidado a assumir uma função absolutamente inesperada: a de último Vice-Rei da Índia.Ambos são jovens bem parecidos com ambições e consideram absurdas as propostas que lhes são apresentadas.Assim se iniciam os livros «Equador», de Miguel Sousa Tavares, e «Fredom at Midnight», de Dominique Lapierre e Larry Collins.

Sousa Tavares, na bibliografia publicada nas últimas páginas notifica a consulta de La Pierre, Dominique e Collins, Larry – «Cette nuit la liberté», Éditions Robert Laffont, Paris 1975.

As parecenças poderiam ficar por aqui. Mas não ficam. Quem lê a forma como os livros se desenvolvem nota a olho nu variadíssimos pontos comuns. Não só de construção como até de linguagem.Uma observação mais atenta dá-nos conta de que há parágrafos inteiros que foram pura e simplesmente traduzidos, quase ao pormenor. Outros tiveram uns pequeninos toques: ligeiras alterações de nomes ou de números.

Assim se constituem as fraudes.

«Equador» foi um caso raro de marketing e de vendas. O que teriam a dizer sobre isso os pobres Lapierre e Collins.Considerámos a hipótese de fazer aqui, para os menos entendidos na língua inglesa, a tradução dos parágrafos originais. Seria tempo perdido: a tradução de Sousa Tavares é suficientemente razoável.Cada um de nós poderá verificar tranquilamente, pelos seus próprios olhos, as indiscutíveis semelhanças entre os dois livros. E ler, no original, o que o autor de «Equador» fez passar por seu, sem pudor. Imperdoável.Nas páginas de onde saíram estes nacos de prosa, outros há que poderiam merecer aqui menção honrosa. Mas isso seria tirar o prazer de quem pode, a partir de agora, lançar-se na «corrida à cópia», descobrindo a seu bel-prazer mais algumas pérolas da exploração de trabalho alheio.Na bibliografia adjacente à 1ª Edição de «Equador», Sousa Tavares apresenta 29 livros consultados. Esfregamos as mãos de contentamento: se em apenas um livro conseguiu retirar tudo o que aqui se publica, imagine-se o que iremos encontrar nos restantes 28...

A busca vai começar!Orgulhosamente, Sousa Tavares disse um dia: «Eu pus o país a ler!» E pôs. Nunca tantos portugueses terão lido os pobres Lapierre e Collins.BOM APETITE!



«(...)Sir Buphinder Sing, O Magnífico, sétimo marajá de Patiala, não era o mais rico, mas era seguramente o mais imponente dos príncipes indianos, com o seu metro e noventa de altura e os seus cento e quarenta quilos de peso. Todos os dias, despachava vinte quilos de comida, incluindo três frangos com o chá das cinco, e três mulheres do seu harém, depois do jantar. Para satisfazer as suas duas principais paixões – o pólo e as mulheres – o seu palácio abrigava quinhentos puro-sangues ingleses e trezentas e cinquenta concubinas, servidas por um exército de perfumadores e esteticistas, destinado a mantê-las sempre apetecíveis para o apetite voraz de Sir Buphinder. Tinha também o seu corpo privado (sic) de especialistas em afrodisíacos, de modo a mantê-lo capaz de dar conta de tão ingente tarefa. Com o avançar dos anos, tudo foi sendo experimentado na dieta alimentar do marajá, para melhor estimular o seu apetite sexual: concentrados de ouro, prata e especiarias, miolos de macaco decapitado em vida e até rádio. Finalmente, Sua Exaltada Excelência haveria de morrer, prostrado à mais incurável das doenças: o tédio» (...).Miguel Sousa Tavares, «Equador», págs. 245 e 246, 1ª Edição, 2003



«(…) The acknowledged master of his generation in both fields was the Sikh Sir Bhupinder Singh, the Magnificent, the seventh Maharaja of Patiala (...). With his six-foot-four-inch frame, his 300 pounds (…). His appetite was such that he could consume twenty pounds of food in the course of a strenuous day or a couple of chickens as a tea-time snack. (…) To sustain those efforts, his stables harboured 500 of the world’s finest polo ponies. (…) As he came to maturity his devotion to his harem eventually surpassed even his passions for polo and hunting. (…) By the time the institution reached its fullest fruition, it contained 350 ladies. (…) Sir Buphinder opened his harem doors to a parade of perfumers, jewelers, hairdressers, beauticians and dressmakers. (…) Further to stimulate his princely ardours, he converted one wing of the harem into a laboratory whose test tubes and vials produced an exotic blend of scents, cosmetics, lotions and philters. (…) Recourse to aphrodisiacs was inevitable. His Indian doctors worked up a number of savoury concoctions based on gold, pearls, spices, silver, herbs and iron. For a while, their most efficacious potion was based on a mixture of shredded carrots and the crushed brains of a sparrow. When its benefits began to wane, Sir Bhupinder called in a group of French technicians whom he naturally assumed would enjoy special expertise in the matter. Alas, even the effects of their treatment based on radium proved ephemeral (…). His was a malady that plagued not a few of his surfeited fellow rulers. It was boredom. He died of it» (…).Dominique Lapierre e Larry Collins, «Freedom at Midnight», págs. 175 e 176. 2ª Edição, 2002



«Quanto ao marajá de Gwalior, esse, imaginou a mais curta e mais extraordinária das linhas férreas de toda a Índia: era um comboio miniatura, também com os carris em prata maciça, que tinha origem na copa do palácio e penetrava na sala de jantar, através da parede. Aí, sentado em frente a um comando cheio de botões, o próprio anfitrião fazia o comboio correr ao longo da extensa mesa, apitando e acendendo luzes e fazendo-o parar diante de cada convidado para que este se servisse do vagão-whisky, do vagão-Porto, do vagão-Madeira ou do vagão-tabaco».Miguel Sousa Tavares, «Equador», pág. 247, 1ª Edição, 2003



«The passion of the Maharaja of Gwalior (...) was electric trains. (…) It was laid out over 250 feet of solid silver rails set on a mammoth iron table at the centre of the palace banquet hall. (…) By manipulating his control panel, the prince could pass the vegetables, send the potatoes shuttling through the banquet hall, or order an express to the kitchens for a second helping for a hungry guest».Dominique Lapierre e Larry Collins, «Freedom at Midnight», pág. 171. 2ª Edição, 2002



«(...)Também o marajá de Mysore vivia obcecado com as suas capacidades erectivas: a lenda prescrevia que o segredo do seu poder e prestígio entre os súbditos era a qualidade da ercção do seu príncipe, e, assim, uma vez por ano, durante as festas do Principado, o marajá exibia-se ao seu povo, sobre o dorso de um elefante e em pleno estado de erecção. Para isso também ele recorria a todo o tipo de afrodisíacos que os especialistas de ocasião pudessem recomendar. A sua ruína aconteceu quando fez fé num charlatão que lhe garantiu que o melor remédio para uma erecção sempre pronta era pó de diamante: Sua Majestade Elevadíssima arruinou o tesouro real a engolir chás de diamante em benefício do seu ceptro erguido. (...)»Miguel Sousa Tavares, «Equador», pág. 246, 1ª Edição, 2003



«(...)Until the turn of the century it had been the custom of the Maharaja of Patiala to appear once a year before his subjects naked except for that diamond breastplate, his organ in full and glorious erection. (…) As at the Maharaja walked about, his subjects gleefully applauded, their cheers acknowledging both the dimensions of the princely organ and the fact that it was supposed to be radiating magic powers… (…).

An early Maharaja of Mysore was informed by a Chinese sage that the most efficacious aphrodisiacs in the world were made of crushed diamonds. That unfortunate discovery led to the rapid impoverishment of the state treasury as hundreds of precious stones were ground to dust in the princely mills. (…)»Dominique Lapierre e Larry Collins, «Freedom at Midnight», pág. 168. 2ª Edição, 2003»



(In blog «freedomtocopy»)

A APOLOGIA ÉPICA DA INFÂMIA INTELECTUAL

«Equador : Miguel Sousa Tavares
"As ilhas são lugares de solidão e isso nunca é tão nítido como quando partem os que apenas vieram de passagem e ficam no cais, a despedir-se, os que vão permanecer. Na hora da despedida, é quase sempre mais triste ficar do que partir." in Equador

A Obra
"Quando, em Dezembro de 1905, Luís Bernardo é chamado por El-Rei D.Carlos a Vila Viçosa, não imaginava o que o futuro lhe reservava. Não sabia que teria de trocar a sua vida despreocupada na sociedade cosmopolita de Lisboa por uma missão tão patriótica quanto arriscada na distante ilha de S. Tomé. Não esperava que o cargo de governador e a defesa da dignidade dos trabalhadores das roças o lançassem numa rede de conflitos de interesses com a metrópole. E não contava que a descoberta do amor lhe viesse a mudar a vida. É com esta história admiravelmente bem escrita, comovente e perturbadora que Miguel Sousa Tavares inaugura a sua incursão na escrita literária. EQUADOR foi o fruto de uma longa maturação e investigação histórica que inspirou um romance fascinante vivido num período complexo da história portuguesa, no início do século XX e últimos anos da Monarquia."fonte: Oficina do Livro

O Autor
Miguel Sousa Tavares nasceu no Porto. Começou pela advocacia, que abandonou pelo jornalismo, daí chegando aos poucos à escrita literária. Em 2003, publica o seu primeiro romance, Equador, um bestseller, com mais de 250.000 exemplares vendidos em Portugal, editado na Holanda e no Brasil e com traduções em curso em várias outras línguas. Livros editados pela Oficina do Livro: Não te deixarei morrer, David Crockett (2001) - pequenos textos e contos; Anos Perdidos (2001) - edição de crónicas; Equador (2003) - o seu primeiro romance; O Segredo do Rio (2004) - conto infantil, reedição.fonte: Oficina do Livro

Os Prémios
"A tradução italiana do romance Equador - "Equatore" (edição Cavallo di Ferro: http://www.cavallodiferro.com/) - venceu a 25ª edição do prémio literário Grinzane Cavour para o melhor romance estrangeiro publicado em Itália. Considerado o mais prestigiado prémio para a literatura estrangeira publicada neste país, este galardão foi em edições anteriores atribuído a algumas das mais importantes figuras das letras mundiais, como Günter Grass, Carlos Fuentes, V.S. Naipul, Manuel Vasquez Montalban, Doris Lessing, Toni Morrison, J.M. Coetzee ou Mario Vargas Llosa.Este reconhecimento vem corolar a ampla e favorável recepção da crítica italiana ao romance de Miguel Sousa Tavares. Publicado em Outubro de 2005 pela editora Cavallo di Ferro, o livro vai a caminho da 3ª edição, e o autor já tinha sido convidado, com mais 3 autores, para participar na Feira do Livro de Turim, onde Portugal é o país convidado."fonte: Oficina do Livro
1 comentários LIGAÇÕES A ESTE ARTIGO »

Isto prova a ignorância boçal destes italianos, o que indicia uma decadência profunda da Itália.


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CRIME DE PROTECÇÃO À INFÂMIA INTELECTUAL E AO PLÁGIO, ATRÁS PROVADO NEST «POST», COMETIDO PELO MESMO PODER JUDICIAL QUE TEM JOSÉ SÓCRATES PRESO ILEGALMENTE

«Impala paga 100 mil euros a Sousa Tavares após acusação de plágio

Tribunal dá razão ao escritor, que processou a revista Focus por um texto publicado em 2006

Por: Redação / FC    |   14 de Abril de 2010 às 18:10
 O escritor Miguel Sousa Tavares vai receber uma indemnização de 100 mil euros do grupo Impala após acusações de plágio feitas num texto publicado na revista «Focus» em 2006. 

Segundo fonte da editora Leya (que publicou o romance Equador), o responsável pelo texto, Frederico Duarte de Carvalho, foi ainda condenado pelo Tribunal Cível de Lisboa ao pagamento de mais oito mil euros por ser o autor de um blogue onde o texto foi reproduzido, informa a agência Lusa. 

O texto referido intitulava-se «Esta Noite o Equador» e relatava a acusação feita pelo blogue freedomtocopy.blogspot.com, que garantia que o livro «Equador» tem partes plagiadas do livro de 1975 «Esta Noite a Liberdade», de Dominique Lapierre e Larry Collins. Também era referida a opinião de William Fisher, um especialista norte-americano em propriedade intelectual, que defende dever-se «considerar plágio quando há cópia textual de parágrafos» e que «factos históricos e ideias não estão protegidos» mas que quando alguém usa as mesmas figuras de estilo (...) é violação dos direitos de autor». 

Sousa Tavares já reagiu, dizendo que «foi feita justiça», considerando, no entanto, que só «em parte [foram] reparados os danos da difamação» de que foi alvo. Isto, para além de faltar «identificar o autor do blogue», que o escritor garante saber quem é, mas que se escusa a nomear. Apesar de ter pedido 250 mil euros de indemnização, considera os cem mil euros um valor «justo». 

A Lusa tentou obter uma reacção da Impala, mas até ao momento não foi possível.»

QUEM NÃO SOUBER LER FRANCÊS, QUE LEIA A TRADUÇÃO INGLESA E VEJA A BÁRBARA DIMENSÃO DO CRIME DE PROTECÇÃO À INFÂMIA INTELECTUAL E AO PLÁGIO, PRATICADO PELO MESMO PODER JUDICIAL QUE TEM NA CADEIA JOSÉ SÓCRATES ILEGALMENTE, COMO FAZIAM SALAZAR E A PIDE.


Ao não julgar os bárbaros e selvagens crimes cometidos pelo poder judicial nos Tribunais Plenários fascistas-salazaristas-marcelistas, a III República assumiu ter em funções o mesmo poder judicial do fascismo salazarista-marcelista, que continua a praticar os mesmos crimes de abuso de poder. O poder judicial fascista-salazarista-marcelista devia ter sido julgado como foram julgados os nazis em Nuremberga. E não devemos esquecer que o marechal Keitel foi julgado também na qualidade de juiz em tribunais militares.
Foi sobretudo pela sua actividade de juiz, que o marechal Keitel do III Reich da Alemanha foi condenado à morte e executado pelos Estados Unidos.