segunda-feira, 21 de novembro de 2016

A Esquerda nos meios de comunicação social da Direita

«Uma faca de dois legumes


Estou a ver a RTP3 e já é a terceira vez que os notíciários são abertos com declarações do secretário-geral do PCP. Nunca isto aconteceu na comunicação social.

Isto pode ser muito interessante. Sendo o Bloco de Esquerda e o PCP parceiros do governo socialista, cujo apoio parlamentar é imprescindível, o seu pensamento é necessariamente tido em conta. E por isso os jornalistas são levados a ouvi-los cada vez mais.

Por um lado, é razoável que isso aconteça: é lá que está muita da informação. Mas ao fazê-lo, acaba por tentar-se a usual estratégia de suscitar diferenças para criar um debate, uma polémica. Implicitamente, a tendência da comunicação social é a de tentar prever em que altura, em que foco de desacordo se abrirá a brecha entre esses partidos e o Partido Socialista que possa - finalmente! - levar a uma ruptura do acordo que será a grande notícia.

Ora, este maior tempo de antena dado aos dois partidos pode ser um pau de dois bicos para a direita e para o pensamento dominante na comunicação social.

Sim, é possível que se alimente aquela tensão entre Governo e BE e PCP. Mas ao mesmo tempo está a dar-se um espaço na comunicação social aos dois partidos mais à esquerda no panorama político português que nunca teve nas páginas dos jornais, nas emissões de rádio ou de televisão. Mesmo quando defendiam ideias essenciais para a melhoria da vida dos portugueses.

Será que a direita, dominante na comunicação social, vai - ao arrepio da sua intenção - alimentar a notoriedade do Bloco e do PCP?»

[João Ramos de Almeida in blog «Ladrões de Bicicletas»]

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