terça-feira, 15 de novembro de 2016

A austeridade foi mesmo desastrosa para a União Europeia

«Conservador, ponderado e pessimista


Martin Wolf, colunista do Financial Times, dia 14/11/2016 na Fundação Gulbenkian:

* Em 2020 o PIB das economias avançadas será 20% inferior ao que teria sido caso se mantivesse a tendência anterior à da crise internacional de 2008.

* Apesar de nunca se ter assistido a um período tão longo de taxas de juro tão baixas nos países mais ricos, a recuperação das economias nunca foi tão lenta em anteriores recessões.

* Mesmo nos EUA, que recuperaram muito melhor do que a UE, a taxa de desemprego ainda é superior ao período anterior à crise.

* Nos EUA a retoma foi conseguida por via do crescimento da procura interna; por contraste, graças à estratégia da austeridade, a procura interna na UE caiu de forma acentuada a partir de 2011, tornando ainda mais difícil a recuperação.

* A crise na UE agravou os desequilíbrios das contas externas entre países deficitários e excedentários em 20%, tornando ainda mais graves os problemas que estiveram na origem da crise da zona euro (quanto maiores estas diferenças mais os investidores fogem das economias periféricas para as do centro).

* O esforço de ajustamento dos défices externos dos países da UE recaiu exclusivamente sobre os países com maiores problemas económicos, condenando-os a uma crise prolongada.

* As regras da UE retiraram espaço de manobra aos Estados nacionais, sem serem compensados pela criação de mecanismos de ajustamento económico à escala europeia; a probabilidade destes virem a ser criados no futuro próximo é nula.

* Mais cedo ou mais tarde será eleito como líder de um governo de um Estado Membro da UE com uma relevância decisiva alguém que desafiará a falta de liberdade de decisão política à escala nacional. Esse será o início da desagregação da UE.

Digamos que para alguém que é conhecido pela sua ponderação e razoabilidade, bem como pelo seu europeísmo convicto, este não é um diagnóstico optimista sobre a situação da UE.»

[Ricardo Paes Mamede in blog «Ladrões de Bicicletas»]

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