quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Crítica a uma feminista mafiosa-troikânica

«De derrota em derrota até...


Tudo isto deve ser muito confuso.

Na sua crónica de hoje na Antena 1, Helena Garrido critica as recentes declarações do ministro alemão das Finanças, Schauble - quando opina sobre os maus resultados económicos do Governo de esquerda, apoiado por forças radicais - porque agora já se pode dizer que as coisas estão a correr bem. Mas - imaginem! - estão a correr bem porque o Governo está aplicar uma política de austeridade!

Ou seja:
1. Primeiro, quando o Governo foi empossado, evitou-se qualquer análise crítica à aplicação de um modelo recessivo de austeridade, por si defendida desde o início. Quando o Governo apoiado pela esquerda quis aplicar outra política e de reversão da austeridade, criticou-se que seria suicida, sublinhou-se a necessidade de reformas estruturais - semelhantes às aplicadas pelo governo de direita - porque a situação económica estava ainda fragilizada, embora sem nunca admitir o papel nefasto da política de austeridade na fragilização social, do tecido económico e até da banca.

2. Depois, criticou-se o modelo seguido pelo Governo socialista - apoiado no consumo, alavancado por uma reposição de rendimentos - , que não ia dar resultado, que não estava a dar resultado, que o investimento estava a cair, que Portugal iria precisar de um segundo resgate, e que sabia-se lá o que iria acontecer depois das férias do verão. Para mais pormenores, tentem encontrar este número do Le Monde Diplomatique.

3. Agora, tudo está a correr bem, porque - pasme-se! - porque o Governo apoiado pela esquerda está, no fundo, aplicar uma política de austeridade, com o objectivo certeiro de reduzir o défice orçamental, e portanto, a austeridade funciona. Na verdade, a austeridade que se está a aplicar é fruto das imposições do Tratado Orçamental, veementemente vincadas pelas instâncias comunitárias, e que se está a tentar, a todo o custo e de forma mais justa, atenuar, progressivamente. E que, politicamente, talvez seja o caminho necessário para que os socialistas venham a perceber as limitações impossíveis de um tratado que antes apoiaram. Por seu lado, Helena Garrido não entende a necessidade de o ministro alemão ter que negar a realidade, ao aperceber-se que, a cada dia que passa, cai por terra o carácter fenixiano de uma política de austeridade. Os exemplos são úteis no contexto geral.

Era conveniente, pois, que os proeminentes colegas de profissão tivessem alguma seriedade na avaliação de tudo o que disseram no passado e do que se está a passar, sob pena de tudo isto se assemelhar àquelas práticas em que se vai apagando das fotografias as pessoas que vão caindo em desgraça. E antes que seja tarde, convinha perceber que, assim, vai ser difícil retirar a sua própria fotografia de um pensamento que se afunda.»

[João Ramos de Almeida in blog «Ladrões de Bicicletas»]

Numa sociedade dividida em classes a austeridade até funciona mais que bem para algumas pessoas, para algumas pessoas a austeridade tem sido excelente, nomeadamente para Fernando Ulrich, um dos apologistas da fome (para os outros é claro, não para ele), e de outros como ele.

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