sábado, 22 de outubro de 2016

A Alemanha depois da II Guerra Mundial - reedição



É curioso como as elites alemãs aderiram ao nazismo. Embora haja muitos defensores de Nietzsche que dizem que os nazis se apropriaram da Filosofia de Nietzsche, é inegável que Nietzsche odiava a democracia e a chamada piedade cristã. Ao odiar a chamada piedade cristã, subentende-se que defendia a crueldade.

As elites alemãs chegaram a acreditar que o III Reich iria durar mil anos. Enganaram-se.

Quer na I Guerra Mundial, quer na II Guerra Mundial, os alemães enganaram-se na análise prospectiva, das duas vezes, pensavam que iam ganhar e perderam.

Não estarão também a enganar-se agora na análise prospectiva que fazem da moeda euro?

A Alemanha durante a II Guerra Mundial chegou a dominar toda a Europa Ocidental continental, depois de derrotar os exércitos conjuntos da França e da Inglaterra na batalha de Dunquerque, na Bélgica. Parecia que ia mesmo ganhar a guerra nessa altura.

Depois atacou a Rússia, na altura a principal república da União Soviética. As tropas alemãs chegaram às portas de Moscovo. Estaline nunca acreditou nos relatórios dos seus espiões, que estavam na Alemanha, e lhe mandavam relatórios dizendo que era óbvio que os alemães estavam a preparar um grande exército para invadir a Rússia. A incompetência inicial de Estaline foi desastrosa, nomeadamente para os judeus russos que foram chacinados.

Estaline acordou tarde, mas ainda a tempo. Curiosamente, o homem mais poderoso de toda a História da Rússia era natural, não da Rússia, mas da pequena república da Geórgia. O contra-ataque da Rússia foi devastador para os alemães. Estes não esperavam um poderio tão grande da União Soviética. O acordar da União Soviética e a entrada dos Estados Unidos na guerra é que decidiram o curso dos acontecimentos. Hitler mandou as suas tropas conquistar Moscovo, mas falharam. Estaline, no contra-ataque mandou as suas tropas conquistar Berlim e conquistaram mesmo. A superioridade esmagadora da União Soviética na frente leste e a superioridade esmagadora dos Estados Unidos na frente oeste ditaram a derrota total da Alemanha. Convém não esquecer, que depois de derrotados no continente, na batalha de Dunquerque, os ingleses conseguiram resistir no seu próprio território, até à chegada das tropas norte-americanas.

O marechal Keitel, comandante supremo das forças armadas da Alemanha, após o suicídio de Hitler, assinou a rendição incondicional da Alemanha.

Russos, norte-americanos e ingleses concordaram em destruir o Estado da Alemanha e em dividir o território alemão em zonas de ocupação, concedendo um bónus à França que também ficou com a sua parte. 








Estaline fez recuar a Alemanha para as fronteiras da Idade Média, para as fronteiras do século X (dez), isto é, para a margem esquerda dos rios Óder e Neisse. A chamada fonteira Óder- Neisse foi imposta pela força.

Estaline deu à Polónia a maior parte dos territórios da Alemanha, para leste da linha Óder-Neisse e para que a Polónia não ficasse demasiado grande deu a parte mais oriental da Polónia à Bielorrússia, com uma área parecida com a que deu à Polónia. Mais de 10 milhões de alemães, que viviam a leste da linha Óder-Neisse foram expulsos pelos russos, para oeste desta linha, casa a casa, das cidades e das aldeias.

No ano de 1949, as zonas de ocupação dos Estados Unidos, do Reino Unido e da França, foram juntas para formarem um Estado, com capital em Bona, com o nome de República Federal da Alemanha, de economia capitalista.





Formalmente, uma democracia de modelo europeu, com algumas semelhanças com a República Alemã de Weimar, excepto no tamanho.

Também no ano de 1949, a zona de ocupação da União Soviética foi transformada num Estado, com o nome de República Democrática Alemã. A organização económica e social baseava-se nas teorias de Marx e Engels, ambos de nacionalidade alemã, que, obviamente, publicaram os seus livros em alemão. Os alemães, obviamente, liam as obras originais de Marx e de Engels, não estavam sujeitos a eventuais problemas de tradução.




A organização política também e ainda se baseou nas teorias do russo Lenine. A capital foi estabelecida na parte oriental de Berlim, ocupada pelas tropas da URSS.

As zonas de ocupação de Berlim dos Estados Unidos, do Reino Unido e da França uniram-se e formaram uma cidade-estado no meio da República Democrática Alemã.

Esta cidade-estado enclave de Berlim foi organizada dentro do capitalismo e segundo o modelo das democracias da europa ocidental. No ano de 1961, esta cidade-estado enclave foi rodeada totalmente, por um muro, que ficou conhecido por Muro de Berlim, construído pela RDA.






Durante a chamada Guerra-Fria, em que havia equilíbrio de forças entre os Estados Unidos e a União Soviética, nomeadamente em bombas atómicas, formaram-se dois blocos militares, primeiro a NATO, formada pelos Estados Unidos e pelos países seus satélites, entre eles Portugal com a ditadura fascista de Salazar, e mais tarde o Pacto de Varsóvia formado pela União Soviética e pelos países seus satélites. De comum tinham as bombas atómicas e as ditaduras, na NATO destacaram-se as ditaduras fascistas de Portugal e da Grécia e no Pacto de Varsóvia todos os países eram ditaduras, estas inspiradas em Marx, Engels e Lenine.



As teorias de Marx, Engels e Lenine não resistiram ao teste da prática. O chamado regime comunista implodiu, por contradição entre a teoria e a prática, na União Soviética, tendo implodido também por contágio em todos os países europeus.
Não foi a queda do muro de Berlim que deu origem à implosão dos chamados regimes comunistas europeus, mas sim a implosão do marxismo-leninismo na União Soviética, onde a experimentação do marxismo-leninismo começou em 1917 (muito antes da experiência alemã oriental que começou apenas em 1949).

Por esse motivo a Alemanha Oriental, de regime marxista, foi absorvida pela Alemanha Ocidental, adoptando, por isso, o regime capitalista. E assim se formou a Alemanha de hoje. 
Curiosamente, Ângela Merkel, nasceu na Alemanha comunista, onde fez os seus estudos até à conclusão do doutoramento. Na Alemanha comunista não havia conflito entre o Estado e a Igreja Luterana. Lutero era considerado o homem da ruptura da Alemanha com a Europa ocidental. Ângela Merkel foi educada ao mesmo tempo nas teorias marxistas e no protestantismo luterano.

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