domingo, 30 de outubro de 2016

CGD - As imposições do BCE e o seu impacto político

"A insustentável leveza de António Costa




«No momento em que escrevo, o suspense que paira sobre a novela da Caixa Geral de Depósitos (CGD) não tem ainda o seu desfecho anunciado. Mas o pedregulho que o Governo tem no sapato já não lhe permite enfiar o pé sem deixar uma fractura exposta. Assim, um caso que deveria ser claramente secundário face à importância dos desafios que se colocam a António Costa e à sua equipa acabou por afectar seriamente a credibilidade política e ética do executivo.
A insustentável leveza com que o primeiro-ministro foi gerindo os percalços da nomeação da nova administração da CGD – deixando à rédea solta o seu ministro das Finanças e a já proverbial inabilidade que demonstrou em vários episódios – ameaça pôr em causa a imagem e a coerência de procedimentos que se esperaria de um Governo apostado em devolver esperança e justiça aos portugueses depois dos funestos tempos da troika. (…)
Temos, pois, o Governo isolado pela primeira vez, à esquerda e à direita, depois de um processo tortuoso e marcado por um inexplicável amadorismo, com o Ministério das Finanças crescentemente refém das exigências e regalias reivindicadas por António Domingues. O banqueiro passou assim da vice-presidência do BPI – onde não consta que tenha brilhado por uma genialidade ímpar, a não ser aos olhos de Mário Centeno… – para um estatuto régio que lhe permitiu, numa audição parlamentar, escusar-se a uma auditoria pretendida pelo Governo à anterior gestão da CGD. Aliás, durante esse processo fora notório o clientelismo selectivo de Domingues na escolha dos numerosos administradores não executivos, bem típico do Bloco Central, e que se expôs a uma humilhante reprovação do BCE devido à acumulação de cargos desses administradores noutras instituições ou à sua duvidosa competência bancária.
Que acontecerá agora? Ou Domingues renuncia ao cargo, ou o Governo corre o risco de ser desautorizado no Parlamento – e a história terá de voltar ao início, com todas as consequências desastrosas para a recuperação do banco público já mergulhado num pesadelo financeiro que os portugueses serão chamados a pagar por um preço ainda mais estratosférico do que aquele já anunciado. E que custará, por acréscimo, uma perda grave do capital de confiança e respeitabilidade do Governo.»
Vicente Jorge Silva" [Cit in blog «Entre as brumas da memória»]

A fome e o trabalho escravo são elementos fundamentais do pensamento da direita portuguesa

«Ódios?


Num dos países mais brutalmente desiguais do mundo dito desenvolvido, Manuel Carvalho ecoava há dias, num aparte de um artigo sem grande interesse sobre a CGD, um refrão que me interessa há muito: “os portugueses odeiam quem ganha bem e esse é um dos atavismos que nos colam irremediavelmente ao atraso”.

E quem expõe os mecanismos da desigualdade e propõe políticas para as reduzir, a partir da crítica às práticas odiosas que vigoram entre as elites, é o quê, segundo Carvalho? Adivinharam: “populista”. O que para esta gente é um insulto, devemos nós tomar como um elogio. Se os populismos e, já agora, os nacionalismos, são o novo espectro que não sai da cabeça das elites ditas liberais, então devemos ligá-los na direcção certa: a tal vontade colectiva nacional e popular de que dependem as transformações democráticas necessárias. 

Bom, reparem como a ideologia dominante gosta de se imaginar na oposição, de fora, contra o país: “os portugueses odeiam”. Pode ser que um dia isso se torne verdade. Pode ser. Numa cultura dominada e pervertida pelo poder do dinheiro concentrado, o diagnóstico diz pouco sobre “os portugueses”, mas muito sobre a ideologia dominante desde os anos oitenta e que inspirou as mudanças que demoliram grande parte da economia política do 25 de Abril, voltando a concentrar rendimentos no topo da pirâmide social depois do susto apanhado nas fases de democracia mais intensa e colocando o país nesta estagnação sem fim.

Apodar de atávica a preocupação de reconfigurar as instituições da economia para nelas inscrever princípios de justiça social é um velho truque neoliberal que qualquer leitor de Hayek identifica com facilidade. O debate aqui é entre os que querem regras que distribuam recursos de cima para baixo e os que querem regras que distribuam recursos de baixo para cima. Mais nada.

Enfim, se depender da linha dominante entre os que “transacionam ideias em segunda mão”, e a fórmula também é do grande pensador da direita intransigente no século XX, a economia política para os 1% continuará: de baixo para cima eternamente, irremediavelmente condenados?»

[João Rodrigues in blog «Ladrões de Bicicletas»]

O Manuel Carvalho não é propriamente um indivíduo inteligente, mas está do lado dos vencedores, na luta de classes de 2016, está do lado da minoria rica que socialmente domina mais de 90% da população.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Crítica a uma feminista mafiosa-troikânica

«De derrota em derrota até...


Tudo isto deve ser muito confuso.

Na sua crónica de hoje na Antena 1, Helena Garrido critica as recentes declarações do ministro alemão das Finanças, Schauble - quando opina sobre os maus resultados económicos do Governo de esquerda, apoiado por forças radicais - porque agora já se pode dizer que as coisas estão a correr bem. Mas - imaginem! - estão a correr bem porque o Governo está aplicar uma política de austeridade!

Ou seja:
1. Primeiro, quando o Governo foi empossado, evitou-se qualquer análise crítica à aplicação de um modelo recessivo de austeridade, por si defendida desde o início. Quando o Governo apoiado pela esquerda quis aplicar outra política e de reversão da austeridade, criticou-se que seria suicida, sublinhou-se a necessidade de reformas estruturais - semelhantes às aplicadas pelo governo de direita - porque a situação económica estava ainda fragilizada, embora sem nunca admitir o papel nefasto da política de austeridade na fragilização social, do tecido económico e até da banca.

2. Depois, criticou-se o modelo seguido pelo Governo socialista - apoiado no consumo, alavancado por uma reposição de rendimentos - , que não ia dar resultado, que não estava a dar resultado, que o investimento estava a cair, que Portugal iria precisar de um segundo resgate, e que sabia-se lá o que iria acontecer depois das férias do verão. Para mais pormenores, tentem encontrar este número do Le Monde Diplomatique.

3. Agora, tudo está a correr bem, porque - pasme-se! - porque o Governo apoiado pela esquerda está, no fundo, aplicar uma política de austeridade, com o objectivo certeiro de reduzir o défice orçamental, e portanto, a austeridade funciona. Na verdade, a austeridade que se está a aplicar é fruto das imposições do Tratado Orçamental, veementemente vincadas pelas instâncias comunitárias, e que se está a tentar, a todo o custo e de forma mais justa, atenuar, progressivamente. E que, politicamente, talvez seja o caminho necessário para que os socialistas venham a perceber as limitações impossíveis de um tratado que antes apoiaram. Por seu lado, Helena Garrido não entende a necessidade de o ministro alemão ter que negar a realidade, ao aperceber-se que, a cada dia que passa, cai por terra o carácter fenixiano de uma política de austeridade. Os exemplos são úteis no contexto geral.

Era conveniente, pois, que os proeminentes colegas de profissão tivessem alguma seriedade na avaliação de tudo o que disseram no passado e do que se está a passar, sob pena de tudo isto se assemelhar àquelas práticas em que se vai apagando das fotografias as pessoas que vão caindo em desgraça. E antes que seja tarde, convinha perceber que, assim, vai ser difícil retirar a sua própria fotografia de um pensamento que se afunda.»

[João Ramos de Almeida in blog «Ladrões de Bicicletas»]

Numa sociedade dividida em classes a austeridade até funciona mais que bem para algumas pessoas, para algumas pessoas a austeridade tem sido excelente, nomeadamente para Fernando Ulrich, um dos apologistas da fome (para os outros é claro, não para ele), e de outros como ele.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

A lógica neoliberal ou a podridão ostensiva em Portugal como colónia do IV Reich

 «Gestores que não nos envergonhem




«Um dos argumentos que tem sido avançado por alguns comentadores para justificar o elevado salário de António Domingues como presidente do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos (423 mil euros por ano + prémios) tem sido o de que, se se pagar bem a um gestor, é menos provável que ele roube e, se lhe pagarmos muito bem, é muito menos provável que ele roube.
O pagamento de um salário elevado seria assim, essencialmente, não uma forma de compensar competências extraordinárias e muito menos uma forma de premiar resultados excepcionais, mas uma espécie de acção preventiva de racket… mas exactamente com o mesmo efeito do racket propriamente dito: pagar à cabeça a alguém para evitar os dissabores que esse alguém pode vir a causar caso não receba o pagamento. (…)
Nada indica que os salários elevados previnam os eventuais desvios à lei e à moral, tal como nada sugere que pagar salários menos principescos aos gestores promova o seu comportamento criminoso. E, mesmo que assim fosse, não seria de bom conselho que a República se vergasse à chantagem.
Posto isto, as razões em geral invocadas para justificar os salários de luxo de alguns gestores públicos são a justa retribuição de uma elevadíssima competência e a referência do mercado.
Penso que os salários pagos aos políticos deveriam ser mais elevados (ainda que o momento actual não seja propício nem para esse debate nem para adoptar essa medida) mas, mesmo assim, por razões de mercado a que não podemos fugir, acho aceitável que os salários dos gestores públicos excedam os dos políticos. O que me parece imprescindível é que os limites sejam claramente definidos no Estatuto do Gestor Público em vez da existência do actual subterfúgio, que define uma excepção que acaba por abranger praticamente todos os casos.
E o que me parece fundamental na nomeação de gestores públicos é que a escolha recaia não só sobre pessoas competentes mas sobre pessoas que reconhecem e assumem o papel específico de serviço público dessa função - e não são apenas seduzidos pelos salários de luxo. O que é preocupante no caso de António Domingues não é o facto de ter exigido o mesmo salário que auferia no BPI, mas o facto de ter exigido esse salário não para ficar a ganhar o mesmo que ganhava antes mas para o somar àquela que será a sua pensão de reformado do BPI.
As empresas públicas exigem gestores com maior abnegação e um grau superior de compromisso com a causa pública. Gestores de que nos possamos orgulhar e que não nos envergonhem.»
José Vítor Malheiros»

[Cit. in blog «Entre as brumas da memória»]

Governar contra os povos, do lado das multinacionais predadoras é tirania

A tirania das multinacionais começa a meter água, a supremacia das multinacionais sobre os Estados começa a ser posta em causa.

«O segredo, os direitos dos povos e... o Público


O direito à opinião é sagrado. O direito dos jornais a mudar de directores igualmente. E, por inerência, torna-se sagrado que esses directores tenham opiniões. Outra coisa é um editorial.

Um editorial é algo que, mesmo assinado por um director com o sagrado direito de poder expressar a sua opinião, condiciona o jornal. Ou melhor - mesmo que os jornalistas não entendam esta opinião como uma directriz - é algo que retrata o pensamento de quem faz opções, de quem dirige, de quem tem uma palavra final sobre o conteúdo do jornal. E é isso que me custa ver no Público.

Mas enfim, são tempos.


Resumindo: no editorial de hoje do Público, assinado por Diogo Queiroz de Andrade, a decisão de Juncker foi má porque a pôs à consideração dos representantes dos povos locais. Foi má porque ficou preso de decisões "populistas" (entenda-se, de acordo com a vontade dos povos). Foi má porque criou um precedente que porá de lado o TTIP. Foi má porque, ao fazer valer a decisão dos povos, a União Europeia deixa de ser um "parceiro credível"... Então perderam-se tantos meses a negociar - diga-se: sem dar cavaco a ninguém! - e agora só porque os povos não querem, perde-se tudo...

Ele há coisas que fazem muita confusão que se defenda no século XXI... Mas enfim são tempos de guerra. E em tempo de guerra não se limpam armas, nem se olha a princípios democráticos. É melhor que tudo corra já, sem interferências estranhas, antes que o vento mude e tudo se torne impossível. E nessa questão, o Público escolheu esse lado da barricada, em que os povos não decidem.

É pena e quase criminoso, na minha maneira de pensar que é sagrada, também.»

[João Ramos da Ameida in blog «Ladrões de Bicicletas»]

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

As guerras quentes, em curso, contra a Grécia e contra a Venezuela


Eu aqui expliquei que era provável que o cancro de Hugo Chávez tenha sido induzido por um atentado biológico da CIA.
A Red Voltaire enumerou uma estranha lista de casos de cancro em chefes de Estado da América do Sul, mesmo muito estranhos.
A Grécia está debaixo de uma guerra quente, brutal como a ocupação nazi, dirigida por Berlim, via Frankfurt e via Bruxelas.
As máfias direitolas que dominam a comunicação social portuguesa levam o debate político para o servilismo a dois impérios: o IV império alemão e o actual Reich dos Estados Unidos.
A Grécia, sobretudo via Ângela Merkel e via Mário Draghi, está sob ataque continuado de uma guerra económica-financeira que faz mortos e feridos.

O Reich dos Estados Unidos está em guerra económica-financeira contra a Venezuela. Essa guerra económica e financeira de Washington contra a Venezuela está a agravar-se cada vez mais, causando casos de penúria muito graves. É o golpe de Estado dos bancos internacionais e das multinacionais. O Capriles, um fascista da nova vaga, às ordens das grandes empresas multinacionais tenta chegar ao poder como Mussolini o fez na Itália. O império dos Estados Unidos quer reconquistar a Venezuela, agora, custe o que custar.

domingo, 23 de outubro de 2016

CGD - Sol na eira e chuva no nabal para os privilegiados

Os que ganham pouco pagam as dívidas da banca, da responsabilidade dos que ganham muito. O BCE impôs salários altos na Caixa Geral de Depósitos. Este é o Mundo em que vivemos. Os mesmos que exigem pagamentos muito altos para os privilegiados são os que exigem pagamentos muito baixos para quem ganha o salário mínimo. No entanto, a tendência actual é para o aumento das desigualdades.

«Caixas



O Negócios assinalava ontem que o BCE exigiu “autonomia salarial na Caixa”, decorrendo também a política remuneratória da CGD, que conduziu a um salário de 423 mil euros anuais brutos e brutais para António Domingues, da “lógica privada da capitalização que evitou regras das ajudas de Estado”.

É sempre assim neste regime europeu: os cidadãos nacionais pagam, mas o soberano pós-democrático europeu manda. A capitalização é pública, mas tem de fingir que é como se fosse privada, ou seja, de “mercado”, uma ficção no sector financeiro atual ou uma realidade no passado recente, conduzindo à maior crise desde a Grande Depressão, sendo também grandemente responsável pelo brutal aumento das desigualdades associado.

Ainda não saímos da crise e o “sector privado”, que conduziu ao desastre, é a referência também para o governo ao nível das remunerações. Um sinal de que Caixa continuará a não ser banco, ou seja, o banco público, orientado por uma lógica de serviço público, de que precisamos. Graças às perversas regras europeias, tem de continuar a comportar-se como se fosse um banco privado.

Entretanto, a abismal desigualdade salarial em Portugal também reflete as desigualdades de poder entre o topo e a base da pirâmide empresarial, refletindo, por exemplo, o enfraquecimento dos freios e contrapesos sindicais. Os poderes públicos demitem-se de corrigir essa situação, prescindindo de usar os instrumentos ao seu dispor, incluindo a propriedade. Basta pensar que jamais passou pela cabeça de alguém ter representantes dos trabalhadores, dos consumidores e de outras partes interessadas no novo conselho de administração. E mesmo que passasse, o BCE jamais permitiria veleidades de democracia económica. No topo só são admitidas mudanças dentro da mesma elite de sempre.

A alimentar a “vergonha”, para usar a apta expressão de uma militante socialista justamente indignada num debate com António Costa, está uma ideologia de celebração dos grandes homens da gestão, que por definição merecem tudo o que obtêm. Os trabalhadores que fazem as empresas são reduzidos a peões num xadrez. É claro que quando há crises, os grandes homens fazem-se pequenos, não sabem nada de nada. Pouco importa, já ganharam o suficiente. Ideologia é também o outro nome para a ofuscação do que realmente se passa e do que teria de se passar: limitação dos salários do topo, incluindo por via de uma taxa marginal de imposto a convergir para os 100%, fixando um salário máximo, já que também há um salário mínimo.»

[João Rodrigues in blog «Ladrões de Bicicletas»]

sábado, 22 de outubro de 2016

A Alemanha depois da II Guerra Mundial - reedição



É curioso como as elites alemãs aderiram ao nazismo. Embora haja muitos defensores de Nietzsche que dizem que os nazis se apropriaram da Filosofia de Nietzsche, é inegável que Nietzsche odiava a democracia e a chamada piedade cristã. Ao odiar a chamada piedade cristã, subentende-se que defendia a crueldade.

As elites alemãs chegaram a acreditar que o III Reich iria durar mil anos. Enganaram-se.

Quer na I Guerra Mundial, quer na II Guerra Mundial, os alemães enganaram-se na análise prospectiva, das duas vezes, pensavam que iam ganhar e perderam.

Não estarão também a enganar-se agora na análise prospectiva que fazem da moeda euro?

A Alemanha durante a II Guerra Mundial chegou a dominar toda a Europa Ocidental continental, depois de derrotar os exércitos conjuntos da França e da Inglaterra na batalha de Dunquerque, na Bélgica. Parecia que ia mesmo ganhar a guerra nessa altura.

Depois atacou a Rússia, na altura a principal república da União Soviética. As tropas alemãs chegaram às portas de Moscovo. Estaline nunca acreditou nos relatórios dos seus espiões, que estavam na Alemanha, e lhe mandavam relatórios dizendo que era óbvio que os alemães estavam a preparar um grande exército para invadir a Rússia. A incompetência inicial de Estaline foi desastrosa, nomeadamente para os judeus russos que foram chacinados.

Estaline acordou tarde, mas ainda a tempo. Curiosamente, o homem mais poderoso de toda a História da Rússia era natural, não da Rússia, mas da pequena república da Geórgia. O contra-ataque da Rússia foi devastador para os alemães. Estes não esperavam um poderio tão grande da União Soviética. O acordar da União Soviética e a entrada dos Estados Unidos na guerra é que decidiram o curso dos acontecimentos. Hitler mandou as suas tropas conquistar Moscovo, mas falharam. Estaline, no contra-ataque mandou as suas tropas conquistar Berlim e conquistaram mesmo. A superioridade esmagadora da União Soviética na frente leste e a superioridade esmagadora dos Estados Unidos na frente oeste ditaram a derrota total da Alemanha. Convém não esquecer, que depois de derrotados no continente, na batalha de Dunquerque, os ingleses conseguiram resistir no seu próprio território, até à chegada das tropas norte-americanas.

O marechal Keitel, comandante supremo das forças armadas da Alemanha, após o suicídio de Hitler, assinou a rendição incondicional da Alemanha.

Russos, norte-americanos e ingleses concordaram em destruir o Estado da Alemanha e em dividir o território alemão em zonas de ocupação, concedendo um bónus à França que também ficou com a sua parte. 








Estaline fez recuar a Alemanha para as fronteiras da Idade Média, para as fronteiras do século X (dez), isto é, para a margem esquerda dos rios Óder e Neisse. A chamada fonteira Óder- Neisse foi imposta pela força.

Estaline deu à Polónia a maior parte dos territórios da Alemanha, para leste da linha Óder-Neisse e para que a Polónia não ficasse demasiado grande deu a parte mais oriental da Polónia à Bielorrússia, com uma área parecida com a que deu à Polónia. Mais de 10 milhões de alemães, que viviam a leste da linha Óder-Neisse foram expulsos pelos russos, para oeste desta linha, casa a casa, das cidades e das aldeias.

No ano de 1949, as zonas de ocupação dos Estados Unidos, do Reino Unido e da França, foram juntas para formarem um Estado, com capital em Bona, com o nome de República Federal da Alemanha, de economia capitalista.





Formalmente, uma democracia de modelo europeu, com algumas semelhanças com a República Alemã de Weimar, excepto no tamanho.

Também no ano de 1949, a zona de ocupação da União Soviética foi transformada num Estado, com o nome de República Democrática Alemã. A organização económica e social baseava-se nas teorias de Marx e Engels, ambos de nacionalidade alemã, que, obviamente, publicaram os seus livros em alemão. Os alemães, obviamente, liam as obras originais de Marx e de Engels, não estavam sujeitos a eventuais problemas de tradução.




A organização política também e ainda se baseou nas teorias do russo Lenine. A capital foi estabelecida na parte oriental de Berlim, ocupada pelas tropas da URSS.

As zonas de ocupação de Berlim dos Estados Unidos, do Reino Unido e da França uniram-se e formaram uma cidade-estado no meio da República Democrática Alemã.

Esta cidade-estado enclave de Berlim foi organizada dentro do capitalismo e segundo o modelo das democracias da europa ocidental. No ano de 1961, esta cidade-estado enclave foi rodeada totalmente, por um muro, que ficou conhecido por Muro de Berlim, construído pela RDA.






Durante a chamada Guerra-Fria, em que havia equilíbrio de forças entre os Estados Unidos e a União Soviética, nomeadamente em bombas atómicas, formaram-se dois blocos militares, primeiro a NATO, formada pelos Estados Unidos e pelos países seus satélites, entre eles Portugal com a ditadura fascista de Salazar, e mais tarde o Pacto de Varsóvia formado pela União Soviética e pelos países seus satélites. De comum tinham as bombas atómicas e as ditaduras, na NATO destacaram-se as ditaduras fascistas de Portugal e da Grécia e no Pacto de Varsóvia todos os países eram ditaduras, estas inspiradas em Marx, Engels e Lenine.



As teorias de Marx, Engels e Lenine não resistiram ao teste da prática. O chamado regime comunista implodiu, por contradição entre a teoria e a prática, na União Soviética, tendo implodido também por contágio em todos os países europeus.
Não foi a queda do muro de Berlim que deu origem à implosão dos chamados regimes comunistas europeus, mas sim a implosão do marxismo-leninismo na União Soviética, onde a experimentação do marxismo-leninismo começou em 1917 (muito antes da experiência alemã oriental que começou apenas em 1949).

Por esse motivo a Alemanha Oriental, de regime marxista, foi absorvida pela Alemanha Ocidental, adoptando, por isso, o regime capitalista. E assim se formou a Alemanha de hoje. 
Curiosamente, Ângela Merkel, nasceu na Alemanha comunista, onde fez os seus estudos até à conclusão do doutoramento. Na Alemanha comunista não havia conflito entre o Estado e a Igreja Luterana. Lutero era considerado o homem da ruptura da Alemanha com a Europa ocidental. Ângela Merkel foi educada ao mesmo tempo nas teorias marxistas e no protestantismo luterano.

As guerras quentes e frias de Outubro de 2016



«Jornal da mudança da ordem mundial #12

Em busca do bode expiatório

Em Berlim, a Alemanha, a França, a Rússia e a Ucrânia tentaram desbloquear os conflitos ucraniano e sírio. No entanto, de um ponto de vista russo, esses bloqueios só existem porque o objectivo dos Estados Unidos não é a defesa da Democracia, da qual eles se arrogam, mas, sim a prevenção do desenvolvimento da Rússia e da China através da interrupção das Rotas da Seda. Dispondo de superioridade convencional, Moscovo, portanto, tudo tem feito para ligar o Médio-Oriente e a Europa Oriental. Ao qual conseguiu chegar trocando o prolongamento da trégua na Síria contra a suspensão do bloqueio dos acordos de Minsk. Por seu lado, Washington continua a procurar descarregar a sua culpa para cima de um dos seus aliados. Depois de ter fracassado na Turquia, a CIA vira-se para a Arábia Saudita.

| Damasco (Síria)
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O conflito opondo os Estados Unidos à Rússia e à China evolui em dois tabuleiros : de um lado, Washington busca um eventual bode expiatório ao qual imputar a responsabilidade da guerra contra a Síria, do outro Moscovo que já ligou os dossiês sírio e iemenita, tenta, agora, ligá-los à questão ucraniana.

Washington em busca do bode expiatório

Para sair de cabeça levantada, os Estados Unidos devem atirar a responsabilidade dos seus crimes para um dos seus aliados. Têm três hipóteses : ou passar a batata quente à Turquia, ou à Arábia Saudita, ou aos dois. A Turquia está presente na Síria e na Ucrânia, mas não no Iémene, enquanto a Arábia está presente na Síria e no Iémene, mas não na Ucrânia.
A Turquia
Dispomos agora de informações fidedignas sobre o que realmente se passou a 15 de Julho último na Turquia; informações que nos forçam a rever o nosso julgamento inicial.
Em primeiro lugar, verificou-se que confiar a gestão das hordas jiadistas à Turquia, após o atentado que atingiu o príncipe saudita Bandar bin Sultan, não era pera-doce : com efeito, se Bandar era um intermediário obediente, Erdoğan persegue a sua própria estratégia de criação de um 17º império turco-mongol, o que o leva a utilizar os jiadistas fora da sua missão.
Além disso, os Estados Unidos não podiam deixar de punir o Presidente Erdoğan, o qual aproximava economicamente o seu país da Rússia quando ao mesmo tempo é militarmente membro da OTAN.
Finalmente, com a crise à volta do contrôlo do poder mundial, o Presidente Erdoğan tornava-se o bode expiatório ideal para sair da crise síria.
De um ponto de vista norte-americano, o problema não é a Turquia, indispensável aliado regional, nem o MIT (serviços secretos turcos) de Hakan Fidan que organiza o movimento jiadista no mundo, mas Recep Tayyip Erdoğan.
Por conseguinte, a National Endowment for Democracy (NED) primeiro tentou, em Agosto de 2013, uma revolução colorida (a "revolução dos pinguins"), organizando para isso manifestações no parque Gezi em Istambul. A operação falhou ou Washington reconsiderou.
Foi tomada a decisão de derrubar os islamistas do AKP nas urnas. A CIA organizou, ao mesmo tempo, a transformação do HDP num verdadeiro partido de minorias, como preparou uma aliança entre ele e os socialistas do CHP. O HDP adoptou um programa muito aberto de defesa das minorias étnicas (curdos) e das minorias sociais (feministas, homossexuais), e incluiu uma vertente ecológica. O CHP foi reorganizado tanto de forma a mascarar a sobre-representação de alevitas [1], no seu seio, como tendo em vista promover a candidatura do antigo presidente do Supremo Tribunal. No entanto, apesar do AKP ter perdido as eleições de Julho de 2015 acabou por não ser possível concretizar a aliança CHP-HDP. Por conseguinte novas eleições foram realizadas, em Novembro de 2015, mas elas foram grosseiramente manipuladas por Recep Tayyip Erdoğan.
Washington decidiu pois eliminar fisicamente Erdoğan. Entre Novembro de 2015 e Julho de 2016 deram-se três tentativas de assassinato. Contrariamente ao que foi dito, a operação de 15 de Julho de 2016 não era uma tentativa de golpe de Estado, mas, apenas de eliminação de Recep Tayyip Erdoğan. A CIA utilizou os laços industriais e militares turco-americanos para recrutar uma pequena equipa no seio da Força Aérea afim de executar o presidente durante as suas férias. No entanto, esta equipa foi traída por oficiais islamistas (estes são quase um quarto nas forças armadas) e o Presidente foi avisado uma hora antes da chegada do comando. Ele foi então transferido, sob escolta de militares leais, para Istambul. Conscientes das consequências previsíveis do seu falhanço, os conspiradores lançaram um golpe de Estado sem preparação e quando Istambul ainda estava pejada de pessoas nas ruas. Eles falharam como é evidente. A repressão que se seguiu não teve por fim prender apenas os autores da tentativa de assassinato, nem sequer os militares que se juntaram ao golpe de Estado improvisado, mas o conjunto dos pró-americanos : primeiro os laicos kemalistas, depois os islamitas de Fethullah Gülen. No total, mais de 70. 000 pessoas foram indiciadas e foi preciso libertar detidos de direito comum para aprisionar os pró-americanos.
A mania de grandezas do Presidente Erdogan e o seu delirante palácio branco, a sua falsificação das eleições e a sua repressão em todos os azimutes fizeram dele o bode expiatório ideal para os erros cometidos na Síria. No entanto, a sua resistência a uma revolução colorida, e a quatro tentativas de assassinato, fazem pensar que não será possível eliminá-lo rapidamente.
A Arábia Saudita
A Arábia Saudita é também tão indispensável para os Estados Unidos como a Turquia. Por três razões: primeiro pelas suas reservas petrolíferas de um volume e de uma qualidade excepcionais (muito embora já não se trate mais para Washington de as utilizar, mas simplesmente de controlar a venda), em seguida pela liquidez monetária de que disporia (embora as suas receita tenham caído 70%) e que permitiram financiar operações secretas fora do controle do Congresso, finalmente pelo seu contrôlo sobre as fontes do jiadismo. Com efeito desde 1962, e a criação da Liga Islâmica Mundial, Riade financia, por conta da CIA, os Irmãos Muçulmanos e os Naqchbandis, as duas confrarias de onde são originários todos os quadros jiadistas no mundo.
Contudo, o carácter anacrónico deste Estado, propriedade privada de uma família principesca estranha aos princípios comumente aceites de liberdade de expressão e de religião, força à tomada de mudanças radicais.
A CIA organizou pois, em Janeiro de 2015, a sucessão do rei Abdallah. Na noite da morte do soberano, a maioria dos incompetentes foram demitidos das suas funções e o país foi inteiramente reorganizado segundo um plano pré-estabelecido. Agora, o poder está repartido por três clãs principais: o rei Salman (e o seu filho querido, o príncipe Mohammed), o filho do príncipe Nayef (o outro príncipe Mohammed) e, por fim, o filho do falecido rei (o príncipe Mutaib, comandante da Guarda Nacional).
Na prática, o rei Salman (81 anos) deixa o seu filho, o vistoso príncipe Mohammed (31 anos), governar em seu lugar. Este aumentou o envolvimento saudita contra a Síria, depois lançou a guerra contra o Iémene. Além disso, lançou um vasto programa de reformas económicas e sociais correspondentes à sua «Visão para 2030».
Infelizmente, os resultados não são apresentáveis : o reino está atolado na Síria e no Iémene. Esta última guerra volta-se contra ele com as incursões de Hutis no seu território e as vitórias deles sobre o seu exército. No plano económico, as reservas petrolíferas de confiança chegam ao fim e a derrota no Iémene impede a exploração do «Crescente Vazio», quer dizer, a região a cavalo entre os dois países. A baixa dos preços do petróleo permitiu, é certo, eliminar muitos concorrentes, mas também foi secando o Tesouro saudita, que se viu forçado a contrair empréstimos nos mercados internacionais.
A Arábia nunca foi tão poderosa e tão frágil. A repressão política atingiu extremos com a decapitação do chefe da oposição, o Xeque Al-Nimr. A revolta não ruge apenas entre a minoria xiita, mas, também nas províncias sunitas do Oeste. No plano internacional, a Coligação árabe é por certo impressionante, mas mete água por todos os lados desde a retirada egípcia. A aproximação pública a Israel, contra o Irão, levanta um clamor no mundo árabe e muçulmano. Mais que uma nova aliança, ela ilustra o pânico que se apoderou da família real, agora odiada por todos.
Visto de Washington, chegou o momento de escolher os elementos que é conveniente salvar na Arábia Saudita, e desembaraçar-se dos outros. A lógica indicaria, pois, que se regressasse à anterior distribuição do poder entre os Sudeiris (mas sem o Príncipe Mohammed bin Salman, o qual se mostrou um incapaz) e os Chammars (a tribo dos olhos do rei Abdallah).
O melhor, tanto para Washington como para os súbditos Sauditas, seria que o rei Salman morresse. O seu filho Mohammed seria afastado do poder que voltaria ao outro príncipe Mohammed (o filho de Nayef). Enquanto o Príncipe Mutaib manteria a sua posição. Esta sucessão seria mais fácil de gerir para Washington se ela ocorresse antes da investidura do próximo presidente, a 6 de Janeiro de 2017. O coroado poderia então descartar todas as falhas para cima do defunto e anunciar a paz na Síria e no Iémene. É neste projecto que a CIA actualmente trabalha.
Na Arábia como na Turquia e nos outros países aliados, a CIA procura manter as coisas tal como elas estão. Para isso, limita-se a organizar, nos bastidores, tentativas de mudança de dirigentes, sem nunca tocar nas estruturas. O carácter cosmético destas modificações facilita a invisibilidade da sua actuação.

Moscovo tenta negociar em conjunto o Médio-Oriente e a Ucrânia

A Rússia conseguiu ligar os campos de batalha sírio e iemenita. Se as suas forças estão publicamente colocadas no Levante desde há um ano, no Iémene o seu envolvimento é oficioso desde há três meses e aí participam agora activamente nos combates. Ao negociar simultaneamente o cessar-fogo em Alepo e no Iémene, ela forçou os Estados Unidos a aceitar ligar estes dois teatros de operações. Nos dois países, os seus exércitos mostram a sua superioridade em matéria convencional face aos aliados dos Estados Unidos, ao mesmo tempo evitando uma confrontação directo com o Pentágono. Esta esquiva impede Moscovo de se assumir no Iraque, apesar dos seus antecedentes históricos neste terceiro país.
Todavia, a origem da querela entre os dois Grandes é fundamentalmente a interrupção das duas “Rotas da Seda” na Síria, e depois na Ucrânia. Logicamente, Moscovo tenta pois ligar os dois dossiês nas suas negociações com Washington. O que é tanto mais lógico quando a própria CIA já criou uma ligação entre os dois campos de batalha via Turquia.
Ao visitar Berlim, a 19 de Outubro, o Presidente russo, Vladimir Putin, e o seu Ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov, pretendiam convencer a Alemanha e a França, na ausência dos Estados Unidos, a ligar estes dossiês. Eles trocaram, pois, a extensão da trégua na Síria contra a suspensão do bloqueio ucraniano dos acordos Minsk. Esta troca não podia senão irritar Washington, a qual fará tudo o que estiver ao seu alcance para a sabotar.
É claro, no final Berlim e Londres alinharão com o seu suserano otaniano. Mas, do ponto de vista de Moscovo mais vale um conflito congelado que uma derrota (na Ucrânia, como na Transnístria, por exemplo), e tudo o que afecte a unidade da OTAN antecipa o fim do supremacismo norte-americano.
Tradução
Alva
[1] A religião alevita é a versão turca do alauísmo sírio.»

[In «Red Voltaire»]

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

A Direita portuguesa quer arruinar as classes médias e as outras abaixo, mais ainda do que já aruinou

"Geringonça 2.0



«A direita não perde uma oportunidade para afirmar que continuamos em austeridade. "À la esquerda", como gosta de dizer Assunção Cristas. Não se entende o argumento. Estamos a falar dos mesmos partidos, PSD e CDS, que aplicaram a austeridade quando foram Governo e a queriam prolongar caso vencessem as eleições. Para a direita, a austeridade é coisa boa. O empobrecimento é uma solução para o país. A crítica não faz por isso sentido. A menos que se refira ao "tipo" de austeridade. Ou seja, à la esquerda tira-se alguma coisa aos ricos para dar aos pobres, à la direita tira-se aos pobres para dar aos ricos. Deve ser isso. (…)
Mais decisiva para a situação atual é a opção europeia de atacar os défices públicos de forma a salvar os prejuízos privados. Ainda recentemente, numa entrevista, o Presidente Obama afirmou que as políticas de austeridade estão na origem do fraco crescimento na Europa. Nos Estados Unidos, aplicou-se com sucesso a receita oposta, isto é, investimento público.
A incongruência da posição europeia está à vista nas consequências imediatas, não há aliás nenhum país europeu que esteja bem, nem a Alemanha, ainda mais numa perspetiva futura. A extraordinária evolução tecnológica das últimas décadas abre todos os dias novos e promissores campos por explorar. Com uma Europa estagnada, o grosso dos investimentos na inovação estão a ser feitos nos Estados Unidos e na Ásia. A Europa perdeu a corrida da internet, da robótica, da impressão 3D, dos carros elétricos, da inteligência artificial. O Velho Continente não lidera nenhuma revolução tecnológica. E, no entanto, temos excelentes cientistas, gente extremamente criativa, uma juventude com elevada formação. Faltam investidores. (…)
Num cenário tão hostil, pressionado por uma Europa política e economicamente retrógrada e, por outro lado, por um país empobrecido a solicitar mais e mais despesa, o Governo de António Costa tem conseguido um surpreendente equilíbrio. Impossível sem a posição solidária dos partidos à sua esquerda que têm dado uma notável lição social e política face a uma direita cada vez mais radical e destrutiva.
Acertadas as contas falta agora cumprir o futuro. Veremos se em 2017 a geringonça consegue ir além da reposição de rendimentos. Até porque sem um "upgrade" o acordo à esquerda arrisca a perder-se nas trapalhadas do dia a dia.»

Leonel Moura"  [Cit in blog «Entre as brumas  da memória»]

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Matança de civis no Iémene pela coligação de amigos dos Estados Unidos




«A Coligação reconhece ter atingido uma cerimónia fúnebre em Sanaa



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A Coligação árabe (cujo Quartel-general é dirigido por oficiais israelitas) reconheceu ter bombardeado a cerimónia das exéquias do ministro do Interior dos «rebeldes» iemenitas, causando mais de 150 mortos.
Num primeiro momento, a Arábia Saudita tinha negado qualquer responsabilidade da Coligação e afirmou que nenhuma operação tinha sido realizada em Sanaa naquele dia. Num segundo momento, a Arábia Saudita reconheceu o bombardeio especificando que ele sido levado a cabo sem o seu conhecimento.
Não se fica a saber o que é pior para o Príncipe Mohamed Ben Salman, príncipe herdeiro da Arábia Saudita e verdadeiro comandante-em-chefe desta guerra: ter sido enganado pelo Ministro do Interior, o General Jalal al-Rouichene, que havia sido nomeado pelo Presidente Abd Rabu Mansour Hadi com o seu acordo e o traiu para se juntar aos Hutis; ter atacado uma cerimónia de luto e morto civis; ou fingir que não controla a sua Coligação?
Tradução
Alva»

[In «Red Voltaire»]

A Direita portuguesa, da UE e mundial sonha com a restauração da escravatura, o trabalho à peça ou à jorna está muito próximo da escravatura

«Novas praças de jorna


A emergência da erradamente intitulada "economia colaborativa" é anunciada como um admirável Mundo novo (...) À boleia de um deslumbramento tecnológico, que o discurso político utiliza amiúde, são impostas políticas que nada trazem em termos de ganhos da produtividade. O trabalhador, apresentado como empreendedor independente fica, de facto, nas mãos dos apetites de plataformas monopolistas, vendendo o seu trabalho na estrita medida das "tarefas" que surgem e colocado em concorrência selvagem com os seus companheiros de trabalho. Mais do que um futuro promissor, assistimos a um real regresso ao passado, ao trabalho à jorna ou à peça. Sem direitos coletivos (que ancoram os individuais), sem possibilidade de qualquer negociação séria.

Manuel Carvalho da Silva, Praça de jorna na palma da mão, Jornal de Notícias.

[Cit. in blog «Ladrões de Bicicletas»]

domingo, 16 de outubro de 2016

As selvajarias da Troika e dos troikanos e das troikanas contra os portugueses


A Troika (CE+BCE+FMI) veio para Portugal para arruinar os portugueses.
Falências de empresas e de famílias e individuais, fome, desemprego, trabalho tanto quanto possível próximo do trabalho escravo.
As confederações patronais, em todo o Mundo, defendem o regresso à escravatura, porque o trabalho escravo não é pago. Como não conseguiram tal reforma estrutural, que é a reintrodução da escravatura, aproximam o mais possível as condições de trabalho do trabalho escravo.
Passos Coelho, Cavaco Silva, Paulo Portas, Vítor Gaspar e Maria Luís Albuquerque governaram à maneira do Far-West, sem Lei, a roubar. Roubaram os portugueses e as portuguesas que lhes apeteceu, porque quando o governo é contra a Lei, governa criminosamente.

E foi isso que aconteceu. E é isso que o PSD e o CDS querem que volte a acontecer, tal como a comunicação social troikânica, televisões, rádios, jornais, revistas, quer através de jornalistas troikânicos, quer através dos habituais comentadores troikânicos, nomeadamente Medina Carreira, acusado de grave crime contra o Fisco e ilibado pela corrupção dominante.

A guerra económica ou guerra das sanções dos EUA e da UE contra a Rússia, contra o Irão e contra a Síria









«Jornal da mudança da ordem mundial #10

As «sanções económicas» ou a guerra de colarinho branco

Os Estados Unidos e a União Europeia lançaram uma guerra não declarada contra a Síria, o Irão e a Rússia, a das «sanções económicas». Esta táctica terrível matou mais de um milhão de Iraquianos nos anos 90, sem despertar alarme das opiniões públicas ocidentais. Ela é hoje em dia pacientemente posta em em acção contra os Estados que recusam ser dominados pela Ordem mundial unipolar.

| Damasco (Síria)
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No passado, a estratégia de guerras convencionais significava o cerco de uma cidade ou de um Estado. Tratava-se de isolar o inimigo, de o impedir de usar os seus recursos, de o submeter pela fome e, no fim, de o vencer. Na Europa, a Igreja Católica condenou firmemente esta táctica como criminosa já que ela mata primeiro os civis, e só depois os beligerantes.
Hoje em dia, as guerras convencionais incluem «sanções económicas», que visam os mesmos objectivos. De 1990 a 2003, as sanções decretadas contra o Iraque pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas mataram mais de 1 milhão de civis. De facto, tratava-se na verdade de uma guerra conduzida pelos banqueiros em nome da instituição encarregue de promover a paz.
É provável que vários Estados que votaram por estas sanções não tenham percebido nem a escala nem as consequências das mesmas. É certo que quando certos membros do Conselho de Segurança pediram o levantamento das mesmas os Estados Unidos e o Reino Unido se opuseram a isso, carregando assim a plena responsabilidade do milhão de mortos civis.
Depois de numerosos altos-funcionários internacionais terem sido despedidos pela sua participação no massacre do milhão de civis iraquianos, as Nações Unidas reflectiram sobre a maneira de tornar as sanções mais eficazes em relação aos objectivos anunciados. Quer dizer, para se assegurar que elas atingiriam apenas os responsáveis políticos e militares e não os civis. Falou-se, pois, de «sanções personalizadas». No entanto, apesar de muitas pesquisas na matéria, jamais se puseram em acção sanções contra um Estado que atinjam apenas os seus dirigentes e não a sua população.
O efeito dessas sanções está ligado à interpretação que os governos fazem dos textos que as definem. Por exemplo, a maioria dos textos propõem sanções sobre produtos de duplo uso civil e militar, o que deixa uma grande margem de interpretação. Uma carabina(rifle-br) pode ser interdita para exportação para um País determinado porque tanto pode servir para a caça como para a guerra. E, uma garrafa de água pode ser bebida tanto por uma mãe de família como por um soldado. Por conseguinte, os mesmos textos podem levar –-segundo as circunstâncias políticas e a evolução da vontade dos governos--- a resultados totalmente diferentes.
A situação é tanto mais complicada quanto às sanções legais do Conselho de Segurança se juntam as sanções ilegais dos Estados Unidos e da União Europeia. Com efeito, se Estados ou Instituições inter-governamentais podem, legalmente, recusar comerciar com outros, não podem estabelecer sanções unilateralmente sem entrar em guerra.
O termo «sanção» sugere que o Estado que é o seu alvo cometeu um crime e que foi julgado antes de ser condenado. É o que se passa com as sanções decretadas pelo Conselho de Segurança, mas não com as decididas unilateralmente pelos Estados Unidos e pela União Europeia. Trata-se pura e simplesmente de actos de guerra.
Desde a guerra contra os Britânicos, em 1872, Washington dotou-se de um Gabinete, o Office of Foreign Assets Control, que está encarregado de conduzir esta guerra de colarinho branco.
Actualmente, os principais Estados vítimas de sanções não o são como resultado da acção das Nações Unidas, mas exclusivamente dos Estados Unidos e da União Europeia. São a Síria, o Irão e a Rússia. Quer dizer, os três Estados que se batem contra os jiadistas apoiados pelos Ocidentais.
A maior parte destas sanções foram tomadas sem relação directa com a guerra actual contra a Síria. As sanções contra Damasco estão sobretudo relacionadas com o seu apoio ao Hezbolla libanês e ao asilo que tinha concedido ao Hamas palestino (o qual depois se juntou aos Irmãos Muçulmanos e o combate). As sanções contra o Irão foram pretensamente tomadas contra o seu programa nuclear militar, apesar de este ter sido encerrado pelo aiatola Khomeini, há trinta anos. Elas continuam em vigor apesar da assinatura do acordo 5+1, destinado a resolver este problema que não existe. As acionadas contra a Rússia sancionam a incorporação da Crimeia, depois desta ter recusado o golpe nazi de Kiev qualificado como «revolução democrática» pela OTAN.
As sanções actuais mais duras são as que foram tomadas contra a Síria. Um relatório feito pelo gabinete do Coordenador das Nações Unidas na Síria, financiado pela Confederação Helvética e tornado público há quatro meses, mostra que a interpretação norte-americana e europeia dos textos leva a privar uma maioria dos Sírios tanto de certos cuidados médicos como de recursos alimentares. Muitos dispositivos médicos são proibidos porque são considerado passíveis de uso duplo, e é impossível pagar as importações de alimentos através do sistema bancário internacional.
Muito embora a situação dos Sírios não seja tão catastrófica como a dos Iraquianos nos anos 90, trata-se de uma guerra conduzida pelos Estados Unidos e pela União Europeia, através de meios financeiros e económicos, exclusivamente contra a população vivendo sob a protecção da Republica Árabe Síria com o objectivo de a matar.
Tradução
Alva

Documentos anexados