quinta-feira, 1 de setembro de 2016

As multinacionais a mandarem na justiça de acordo com o projecto do TTIP ainda não

«O fim do princípio da globalização?



Surpreendentemente, um membro do governo alemão foi portador de potenciais boas notícias: “As negociações com os EUA fracassaram, mesmo que ninguém o queira admitir”, afirmou Sigmar Gabriel, vice-chanceler e líder da cada vez menos relevante social-democracia alemã, a propósito das negociações em torno da famigerada Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP). A confirmar-se, será uma vitória para os povos dos dois lados do Atlântico.

Uma derrota que a Comissão Europeia (CE), dada a sua natureza tão pós-democrática quanto liberal, se recusa a aceitar, declarando que as negociações ainda estão em curso, sendo esta entidade que formalmente conduz estas matérias. Entretanto, o governo francês, também pressionado por uma opinião pública com amplos segmentos que não se deixam enganar pelas novas ficções do chamado comércio livre, um incómodo que a CE definitivamente não tem, até porque não existe um povo europeu, também já veio apelar ao fim das negociações no próximo ano eleitoral.

Apetece usar e baralhar para este propósito uma famosa citação de Churchill, um dos heróis dos que gostam de convocar uma certa “civilização ocidental”, e a unidade económico-política entre os dois lados do Atlântico, para ofuscar a realidade do imperialismo, de que o TTIP seria só uma peça recente: esta vitória dos povos não seria obviamente o fim da globalização, não seria sequer o princípio do fim, mas temos de o tornar o fim do princípio da globalização, isto é, o fim da ideia da integração económica crescente como destino político inevitável. Sim, desglobalizar é preciso.»
[João Rodrigues in blog «Ladrões de Bicicletas»]

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