domingo, 7 de agosto de 2016

A globalização beneficia as grandes multinacionais e castiga as classes assalariadas

A globalização, tal como é defendida pelos neoliberais pretende destruir, o mais possível, o poder dos Estados, substituído pelo poder das multinacionais, dirigidas por indivíduos que pensam que nunca morrem até ao dia em que morrem mesmo, como os outros.


"Globalização? Segue dentro de momentos…




«A globalização, tal como foi sonhada nos anos 80 após o "Big Bang" do sector financeiro britânico, está ferida de morte. A mensagem está a ser deixada em várias caixas do correio. Mas há quem ainda esteja demasiado distraído para o entender. Afinal, o fenómeno do Brexit é apenas um sinal disso, com o corte com a livre circulação de pessoas, algo que decorre da circulação planetária de dinheiro e de bens. A crise dos migrantes que afecta a Europa e a crescente robotização da indústria, que a curto prazo vai afastar as fábricas da Ásia, vai atirar milhões de "beneficiários" locais para o desemprego. O que levará a movimentos de nacionalismo económico. E a isso alia-se o patriotismo político que está a crescer desenfreadamente em diferentes países fulcrais para a continuação desta globalização como a conhecemos. Como é o caso dos Estados Unidos.
A pátria de todas as formas de globalização (da cultural de Hollywood à da economia digital representada pelas Microsoft, Amazon ou Facebook deste mundo) assiste a uma das suas cíclicas tentativas de se refocar em si própria. A lógica proteccionista que está a ser o íman da campanha de Donald Trump (prometendo uma América mais forte se afastar os emigrantes e voltar a garantir trabalho a todos os que, no sector industrial, foram excluídos pela deslocalização de fábricas) não é um mero fogacho. É o resultado de um sintoma extremamente forte que contagia a sociedade americana.
O ataque de Trump aos tratados de comércio internacional, que têm sido uma das linhas de força da presidência de Barack Obama (veja-se o esforço derradeiro que está a ser feito para que, à porta fechada, seja assinado o acordo EUA-Europa [TTIP]), mesmo que ele seja extremamente gravoso em termos de segurança alimentar para os europeus e dê às empresas uma força legal sobre os Estados que é bastante controversa, mostra como a fasquia da discussão está alta. E essa mensagem de Trump está a cativar os eleitores norte-americanos, castigados (sobretudo as suas classes médias) por uma globalização que lhes foi vendida como fascinante e que redundou em desemprego e salários estagnados. No fundo, o fim do "american dream".
A força da mensagem do agora candidato republicano a Washington é tal que está a contaminar o sector democrata que até aqui era um forte adepto dos tratados comerciais internacionais sob a direcção de Obama. Hillary Clinton, percebendo para onde corre a brisa eleitoral (e tendo em conta a necessidade de não perder demasiados votos em estados fundamentais como o Ohio, onde este é um tema-chave), também já questiona os benefícios do tratado com o México e com o Canadá (Nafta) e com os países da Ásia/Pacífico, outra das prioridades de Obama. Não é por acaso: nos últimos 15 anos desapareceram perto de cinco milhões de empregos no sector industrial americano, resultado da deslocação de empresas, sobretudo para o México e para a Ásia. Algumas estão a regressar, mas usam robôs para baixar os custos.
Esses americanos, cantados por Bruce Springsteen, estão zangados. E o discurso de Trump assemelha-se, para eles, ao de uma sereia. O medo dos novos tratados é real. E garante votos ao candidato republicano. Mas este sentimento, aliado ao fecho de fronteiras a que se assiste na Europa, tem um significado mais vasto. Que será claro a muito curto prazo.»

Fernando Sobral" [Cit. in blog «Entre as brumas das memória»]

O pior para os «bons» (e para as boas) é quando algumas verdades inconvenientes são ditas pelos «maus».


1 comentário:

  1. Multiculturalistas: uns hipócritas de alto calibre!
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    -» Exemplo 1: Muito blá, blá, blá... mas nunca vemos os multiculturalistas badalhocos a defender o legítimo Direito à sobrevivência das mais diversas Identidades... inclusive aquelas de 'baixo rendimento demográfico, inclusive aquelas economicamente pouco rentáveis!...
    -» Exemplo 2: Muito blá, blá, blá... mas nunca vemos os multiculturalistas badalhocos a falar dos holocaustos massivos que vitimaram Identidades Autóctones.
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    Mais: Quando se diz «todos diferentes, todos iguais...» isto é, todas as Identidades Autóctones devem possuir o Direito de ter o SEU espaço no planeta [nota: inclusive as de 'baixo rendimento demográfico'... inclusive as economicamente pouco rentáveis...], Nazis Económicos - desde há séculos com a bênção de responsáveis da Igreja Católica - proclamam logo «a sobrevivência de Identidades Autóctones provoca danos à economia...»
    [nota: os nazis económicos (nazis-à-USA) provocaram holocaustos massivos em Identidades Autóctones]
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    E mais: A vulgarmente designada Esquerda Multiculturalista (multiculturalismo badalhoco) não se preocupa com a construção duma sociedade sustentável (média de 2.1 filhos por mulher)... critica a repressão dos Direitos das mulheres... todavia, em simultâneo, para cúmulo, defende que... se deve aproveitar a 'boa produção' demográfica proveniente de determinados países {nota: 'boa produção' essa... que foi proporcionada precisamente pela repressão dos Direitos das mulheres - ex: islâmicos}... para resolver o deficit demográfico na Europa!?!?!
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    Ora, o multiculturalismo badalhoco teve triliões de oportunidades... optou por dedicar-se à bandalheira... vai ter que se aguentar: leia-se, vai ter que levar com aqueles que PURA E SIMPLESMENTE reivindicam o LEGÍTIMO Direito à sobrevivência da sua Identidade!
    -» Os separatistas-50-50 { separatismo--50--50.blogspot.com/ } não têm um discurso de negação do Direito à sobrevivência de outros... mais, os separatistas-50-50 não são anti-imigração... isto é, os separatistas-50-50 apenas reivindicam o legítimo Direito à Sobrevivência das Identidades Autóctones!... LEIA-SE: os 'globalization-lovers', UE-lovers e afins... que fiquem na sua... desde que respeitem os Direitos dos outros... e vice-versa!

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