sábado, 2 de julho de 2016

Um ollhar crítico para União Europeia dominada por Berlim

Não sou europeísta, nem consigo adivinhar o futuro.



No entanto, a opinião publicada nos mídia tradicionais, não fala, claramente, no ressurgimento do imperialismo alemão, o IV Reich, conhecido por «União Europeia», o Império dos Vencidos. E estou convencido que não irá longe.

Não sou europeísta pelas mesmas razões por que já fui. Eu fui europeísta quando isso siginficava o progresso de Portugal e dos portugueses.
Agora não sou europeísta, porque isso significa um retrocesso civilizacional em Portugal de alta magnitude.


«A grande preocupação da Alemanha



Em apenas uns dias, dois alemães mencionaram a situação de Portugal. O ministro das Finanças Schauble mencionou o risco de um novo resgate a Portugal (ver versão original) e, quase que por mimetismo, o director do próprio Fundo de Resgate veio corroborar as razões dessas declarações.    
Schauble disse que "Portugal cometeria um sério erro se não eles aderem àquilo a que se tinham comprometido. Terão de pedir um novo programa [de assistência financeira] e tê-lo-ao". Assim tal e qual: "eles". Klaus Regling foi mais elaborado: que "independentemente do Brexit", o "único país" com que está "preocupado" é Portugal.Porquê? Porque "está a reverter as reformas" e "Portugal está outra vez a tornar-se menos competitivo em resultado disso". "Temos que prestar atenção ao que vai acontecer". 

A descida do desemprego é, de facto, um mau sinal para quem comanda a política vinda da União Europeia. Todo o programa de ajustamento económico e financeiro de 2011 foi construído para provocar uma descida de rendimentos, mas igualmente uma subida do desemprego que 1) contribuisse para diminuir a procura interna e a procura de bens não transaccionáveis; mas sobretudo 2) que pressionasse a uma descida mais permanente do nível médio salarial, inclusivamente que os trabalhadores aceitassem uma descida dos salários nominais, por forma a injectar novas condições de produção aos sectores de bens transaccionáveis.

Não foi por acaso que o salário mínimo não subiu ao longo do PAEF. Não foi por acaso que toda a estratégia comunitária de emprego acenta na alteração das regras do subsídio de desemprego, com vista a se reduzir fortemente a protecção aos desempregados: 1) a subida desejada do desemprego tem de pesar menos nas contas públicas; 2) os desempregados estariam mais disponíveis para aceitar salários mais baixos; 3) a própria lei forçou-os a aceitar empregos mais "convenientes"; 4) as políticas activas de emprego, com apoios comunitários, traduz-se na subsidiação de empregos de baixos salários.Algo que foi de mão com a descida do peso dos salários nas contas das empresas. Não foi por acaso que o FMI quis em 2011 uma descida da TSU patronal entre 3 a 4% do PIB. Não foi por acaso que a troika quis em 2012 uma subida da TSU dos empregados de 11 para 18% dos salários (ou seja, uma quebra dos salários líquidos de 7%, de um dia para o outro).Não foi por acaso que cortaram tudo o que podia cortar por via fiscal.

Portugal está a reverter as "reformas". O desemprego parece atenuar-se. Os desempregados que vêm de novo se inscrever nos centros de emprego - novos desempregados - estão a ser cada vez menos.

Mas isso para a Alemanha não funciona. E quando os plebeus se revoltam, o chicote estala no ar.»
[João Ramos de Almeida in blog «Ladrões de Bicicletas»]  


«O único sítio onde Deus e o diabo estão juntos: os detalhes

Julho 01, 2016
1.O Reino Unido não é propriamente um país e uma democracia em que se repetem referendos tantas vezes quantas as necessárias até dar o resultado "certo". Quem anda para aí, lá e cá, a sugerir isso está a brincar com o fogo.

2.A chave para que o Brexit seja pouco traumático, para todos, insisto para todos, é negociar com o Reino Unido sem ter a tentação de punir os eleitores britânicos pelo modo como votaram. A história da União Europeia nesta matéria é péssima e tem um nome: Grécia. E esta será a pedra de toque para saber se se aprendeu alguma coisa ou não.

3.É verdade que é mais fácil fazer concessões, mesmo com má vontade, ao Reino Unido pelo peso que tem em todos os aspectos da vida europeia. Mas, então aí surgirá um segundo critério, concessões e eventualmente revisão das famigeradas "regras europeias", algumas das quais não estão em nenhum tratado, que tem que valer para países cujo futuro económico e de bem-estar social depende de um maior grau de "liberdade" para as suas decisões políticas legitimadas pelo voto nacional: Portugal, Espanha, Itália e Grécia. Continuar a amarrar estes países à estagnação europeia, é idêntico à longa sucessão de actos de menosprezo pelo Reino Unido que ajudou a criar o caldo do Brexit.

4.A existência ou não de sanções contra Portugal e Espanha vai ser tão importante para o futuro da União como o Brexit. Se elas forem impostas, a fractura entre o Norte o Sul da Europa encher-se-á de hostilidade à União, de ressentimento e de injustiça, com consequências ainda difíceis de prever. Não é sequer o custo das sanções, embora também seja, é o papel de uma União intransigente e punitiva contra os seus elos mais fracos.

5.É a verificação de que as nações da União não são iguais entre si, coisa que nós sabemos, mas que é muito mais agressiva se se materializar num acto que todos percebemos ser imposto aos fracos e nunca teria sido, como não foi no passado, imposto aos fortes. Isto não é aplicar procedimentos legais, é pura injustiça.

6.Outra curiosidade seria saber se as políticas da União Europeias fossem, mesmo que vagamente, keynesianas, se todos estes convertidos federalistas e estrénuos defensores das imposições europeias não estariam em guerra contra esse Leviatã que os obrigaria a investir e a fazer políticas sociais? Duvido muito.

7.Até porque é interessante ver como aqueles que em tudo são contra o Estado não compreendem que o mais parecido com um Estado, ainda por cima um Superestado, é a própria União Europeia.

8.Eu leio com atenção os propagandistas menores do "pafismo", que ocupam a parte mais baixa da cadeia alimentar da opinião publicada, porque eles fazem e dizem aquilo que está na alma dos outros mais acima, mas que esses, por razões de carreira, de prudência e para passarem entre os pingos da chuva, não podem dizer mas desejariam dizer. E não me espanta que vários deles defendam as sanções para Portugal, como medida pedagógica e salutar contra os "excessos" da actual "geringonça". Nem sequer lhes passa pela cabeça que as sanções são para o último ano eleitoral do PSD-CDS, ou seja foi o seu querido governo que criou a situação de "défice excessivo" que pode ser sancionada. Não lhes importa os pormenores, porque quem vai passar dificuldades é o governo actual – e… os portugueses.

9.Não me surpreende o resultado espanhol. Basta olhar para a distribuição dos votos para perceber duas coisas: uma é que toda a direita votou no PP, que foi capaz de bipolarizar, encolhendo os Ciudadanos; a esquerda está profundamente dividida e o seu ponto frágil é o PSOE. Este é um dos aspectos da crise eleitoral induzida pela crise global pós -2008: o bipartidarismo rompeu do lado dos socialistas e a unidade reforçou-se à direita, embora globalmente os grandes partidos "de governo" percam votos. Os partidos novos que surgiram, como o Podemos, não estão suficientemente estabilizados para ultrapassarem os socialistas.

10.Se olharmos os resultados espanhóis do lado português, a grande diferença é a liderança de Costa no PS, mais até do que o PS, mas os partidos que apoiam o governo devem olhar com atenção para o que se está a passar. Se houver eleições em Portugal devido a uma crise governativa, a direita vai unida às urnas. Não se distraiam com o CDS, porque no momento decisivo irá atrás do PSD. E como concentra todos os votos numa bipolarização imperfeita tem sempre condições para ganhar, mesmo que não tenha para governar. Até ao momento em que os eleitores se cansem da instabilidade política e prefiram seja quem for, mesmo um partido tão corrupto como o PP de Rajoy.»
[In revista «Sábado»]

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