segunda-feira, 4 de julho de 2016

Brexit - consequências em análise

Hitler dizia que o III Reich iria durar mil anos. Enganou-se. Adivinhar o futuro é impossível. Fazer previsões é fácil. Acertar nas previsões é que é difícil.

«BREXIT:CONSEQUÊNCIAS





PARA ONDE CAMINHA A UE?


As consequências da saída do Reino Unido da União Europeia são imprevisíveis no mesmo sentido em que o futuro o é. Todavia, percebe-se pelas múltiplas reacções dos principais responsáveis da União Europeia quais seria as consequências que eles gostariam que se verificassem e pelas quais estão dispostos a lutar.

Têm-se dito que os “burocratas de Bruxelas” têm saído incólumes dos múltiplos calafrios por que a União Europeia tem passado. De acontecimentos graves que estão na iminência de acontecer mas que acabam por não se verificar. Este comportamento, se bem analisarmos o que agora se está a passar, não vale apenas para as angústias que antecederam o que acabou por não acontecer. Ele continuará a ser o mesmo, manter-se- á inalterável, mesmo quando o terramoto se desencadeia à vista de todos.

É isso o que está a acontecer com o resultado do referendo britânico. Entre as declarações raivosas dos que culpam os ingleses por tudo o que aconteceu e deixam pairar a ameaça de retaliação e a linguagem dúplice (como sempre) da diplomacia germânica dando falsamente a entender que é preciso respeitar e compreender o voto britânico, a linha que está subjacente a uns e a outros, e que acabará por impor-se se não for derrotada pela luta dos povos europeus, é a de que é preciso tratar a situação decorrente do voto britânico com toda a normalidade, como se nada de importante tivesse acontecido.

À direcção política da União Europeia, nomeadamente ao seu poder hegemónico, não lhe interessa aprofundar, nem sequer ao de leve, as causas do voto britânico. É preferível deixar essa tarefa à comunicação social de serviço que se encarregará de fazer passar a mensagem nos quatro cantos da Europa e do mundo que a decisão britânica assenta em pressupostos xenófobos, se não mesmo racistas, no bom estilo de uma eficiente divisão internacional do trabalho.

Ou seja, a direcção política fará, como já está fazendo, depois de uma ou outra intervenção ressabiada de broncos como Claude Juncker ou de políticos na reforma, agora especializados na traficância, como Felipe Gonzalez,» (verdade seja dita, um terrorista assassino, um chefe de quadrilha, um chefe de quadrilha especializada em terrorismo homicida, em terrorismo homicida de Estado) «um discurso tranquilo tendente a deixar consolidar a ideia de que nada de muito importante aconteceu, algo que não interferirá no futuro da Europa, encarregando a dita comunicação social da tarefa de fazer o trabalho sujo. Ou seja, imputando aos britânicos, ao seu egoísmo nacionalista, a causa do que aconteceu.

Claro que a prossecução desta linha política, que tende a tentar resolver a “questão britânica” o mais rapidamente possível, tem em vista deixar tudo exactamente como agora está. E enganar-se-á quem pensar que vai ser no seio do Conselho Europeu que vozes dissonantes se vão erguer no sentido de uma reforma das políticas que mais têm afastados os cidadãos da “Europa”. Essas vozes, se efectivamente existirem, estão condenadas ao mais completo fracasso, já que elas não interessam aos poderes hegemónicos. Serão vozes marginais, de países sem peso político no seio da União, logo abafadas pela linguagem burocrática ou pela passagem da discussão ao tema seguinte, deixando o que antes foi dito como um desabafo de ocasião.

A luta contra a União Europeia, contra a política da União Europeia, tem de ser feita fora das instituições comunitárias, no plano nacional, com as características próprias de cada país e as queixas específicas de cada um, de modo a ir-se ao encontro do que  é hoje o sentimento dos cidadãos relativamente à Europa.

Se essa luta não for feita neste plano, se ingenuamente se continuar a acreditar que é em Bruxelas que os nossos problemas vão ser resolvidos e quem diz os nossos diz os de Espanha, da França, da Grécia ou de qualquer outro país, a linha política que tende a fazer de conta que nada de importante aconteceu não só acabará por impor-se, como vai contribuir para reforçar ainda mais o poder que hoje comanda os destinos da União Europeia.» [J M Correia Pinto in blog «Politeia»] 

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