quinta-feira, 16 de junho de 2016

Valls, o PSF e Hollande esquecem que os franceses odeiam mais a «União Europeia» que os eleitores do Reino Unido (Inglaterra + País de Gales + Escócia + Irlanda do Norte)


Valls é um político de Direita, que encontrou lugar no PSF. Com Valls e Hollande o PSF está a converter-se ao neoliberalismo e a anular-se a si próprio, como foi o caso do PASOK.

«Coragem



“É um Primeiro-Ministro que leva a cabo uma política corajosa e que não foi necessariamente a política pela qual foi eleito”, com “reformas bem mais corajosas do que aquelas que levamos a cabo com a lei do trabalho”. Em visita recente a Atenas, o Primeiro-Ministro francês, Manuel Valls, expôs o programa euro-liberal com toda a clareza, tendo ainda pelos vistos dito que tinha “alguma inveja de Tsipras”.

Pudera, aceitando o protectorado e tendo ignorado o movimento popular, o do Oxi, assim desmobilizado pela desesperança mais do que natural, Tsipras consegue passar no Parlamento toda a legislação regressiva da troika e são milhares de páginas de privatizações maciças ou de redução dos direitos laborais e sociais, a tal política corajosa, a tal UE com a qual pelos vistos alguma esquerda britânica, totalmente desorientada, conta para proteger direitos dos de baixo.

Valls foi, por sua vez, obrigado a usar a figura do decreto para contornar a Assembleia e é confrontado por um notável movimento popular, esse sim corajoso e ainda em crescendo, como se viu esta semana em Paris. No fundo, Valls está só a revelar uma constante das elites francesas dominantes nas últimas décadas, como certa história crítica da integração tem sublinhado: a sua aposta na integração europeia é a aposta num mecanismo disciplinador das rebeldes classes trabalhadoras francesas.

Desculpem insistir nestes temas, mas por aqui e por ali ainda se escreve sobre questões europeias como se estas experiências não existissem, como se não estivessem perante nós. A verdade é que neste quadro estrutural europeu, as políticas social-democratas são uma rematada utopia. Por isso, é profundamente errado falar-se em social-democratização do que quer que seja no campo que conta, o das políticas públicas. Os ventos que sopram de Espanha, e aos quais ainda voltaremos, não estão desligados disto.» [João Rodrigues in blog «Ladrões de Bicicletas»]

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