quinta-feira, 2 de junho de 2016

O Brexit pode vencer e dar um duro golpe no IV império alemão chamado hipocritamente de «União Europeia»

Em Junho de 2016 a «União Europeia» existe para o Mal, para espalhar o Mal, para fazer Mal, para nos fazer Mal, para nos ameaçar com mais Mal, em cima do Mal que já nos fez. Ou a União Europeia ou o Fim do Mundo. Eu prefiro o Fim do Mundo, porque a União Europeia, tal como é, o meio do imperialismo alemão impor as suas selvajarias auschwitzianas,  é pior que o Fim do Mundo, é o Mal em si.


Quando algo só existe para nos fazer Mal, nós temos que impedir o Mal de nos atingir, temos que reagir contra o Mal, porque o Mal é o Mal, e do Mal, obviamente, não sai nada de bom.

«Questionar os poderes



Coloquem aos poderosos cinco questões: Que poder deténs? Onde o obtiveste? Ao serviço de que interesses o exerces? Quem te controla? Como nos podemos ver livres de ti? Só a democracia nos dá esse direito. É por isso que ninguém com poder gosta da democracia e é por isso que cada geração tem de lutar para a manter, incluído tu e eu, aqui e agora. 

OCDE, FMI, BCE, Comissão Europeia, Banco de Inglaterra e a esmagadora maioria dos economistas apontam para as consequências mais ou menos desastrosas da saída do Reino Unido da UE. E, no entanto, o resultado do referendo ainda está em aberto, com sondagens a apontar para uma possibilidade de vitória do chamado Brexit.

Para lá de haver mais do que a narrativa económica convencional a influenciar o voto, vale a pena reflectir sobre o seu aparente descrédito e sobre as boas razões para tal. Como sublinha um antigo economista do FMI, estas instituições e a maioria da profissão foram as mesmas que andaram a vender antes da crise consensos como o da “grande moderação” ou o das virtudes da adesão ao Euro (dois terços dos economistas britânicos inquiridos defenderam tal posição em 1999). A globalização financeira, uma política monetária orientada para o combate à inflação e uma regulação pouco intrusiva teriam aberto uma nova era com menos instabilidade. Tudo o que era relevante na economia foi ignorado e, em larga medida, continua a sê-lo. O principal problema é o medo alimentado pela própria narrativa convencional, considera Mody.

Entretanto, a UE, em si mesma, é hoje só um lastro de onde emana depressão, deflação e uma elitista arrogância pós-democrática que só garante más decisões em matéria de política económica, num sentido muito amplo, pelo que é melhor ficar de fora, mobilizando ainda mais instrumentos de política, como argumenta Larry Elliot, editor de economia do The Guardian.

Obviamente, as grandes multinacionais, a principal força social por detrás da construção das tais instituições supranacionais pós-democráticas, incluindo o famigerado mercado único, que alimentam a tal arrogância, estão contra o Brexit, Sonae incluída. Já em 2012, Azevedo defendia o sucesso do Euro com outros da mesma fracção de classe. O que é bom para esta gente, não é bom para os povos. Sobre companhias estamos falados.

A esquerda queixa-se pelo facto de o Brexit ser dominado pelas direitas, de resto tal como o bloco pela permanência. Só se pode queixar de si, por ter abandonado um terreno nacional e popular onde está a democracia, em nome não se percebe bem do quê. A desgraça é que só um pequeno sector da esquerda permaneceu fiel à tradição eurocéptica que foi a da maioria da esquerda britânica antes da devastação de décadas que a conduziu a um estado de que não é certo que recupere.

De Jeremy Corbyn, o melhor que se pode dizer é que o seu corte com um eurocepticismo na melhor tradição democrática do saudoso trabalhismo de Tony Benn é apenas explicável pela necessidade de sobreviver à frente de um partido ainda europeísta, embora com consciência provável da sensatez de não se ter enredado na trapalhada monetária continental (se tivesse dependido apenas do criminoso de guerra e agora milionário Blair, outra teria sido a história, já agora).

Enfim, deixem-me ser optimista: os do consenso de Bruxelas-Frankfurt temem o que apodam de caos, gerado, entre outros, pelo Brexit e, já agora, pelas eleições espanholas, onde a dinâmica política aponta pelo menos para a emergência do Unidos Podemos como a segunda força política, ultrapassando o PSOE. Para os povos, para o contramovimento, para as democracias na escala onde existem, o suposto caos significa reconquista potencial de margem de manobra. O que eles vêem como caos é preferível à consolidação do que apodam de ordem, que implica vidas caóticas para cada vez mais pessoas. Incerteza e intervenção política deliberada numa conjuntura com as estruturas supranacionais do poder enfraquecidas ou a certeza estrutural do destino que as elites de mercado têm vindo a preparar para nós?» [João Rodrigues in blog «Ladrões de Bicicletas»] 

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