quinta-feira, 30 de junho de 2016

Portugal está apurado para as meias-finais do Euro 2016 de futebol

Portugal 1 - Polónia 1. Golo de Lewandowski para a Polónia e depois golo de Renato Sanches para Portugal.
No desempate por penáltis Rui Patrício defendeu um e Portugal marcou os cinco por esta ordem:
1) Cristiano Ronaldo
2) Renato Sanches
3) João Moutinho
4) Nani
5) Ricardo Quaresma.

Depois da defesa de Rui Patrício no quarto penálti da Polónia


coube a Quaresma marcar o penálti decisivo.

Com muita determinação e um bocado de sorte Portugal eliminou a Polónia.

O Brexit visto pelo dissidente francês Thierry Meyssan



«27 anos após a queda do Muro de Berlim

O Brexit redefine a geo-política mundial

Enquanto a imprensa internacional procura meios para relançar a construção europeia sempre sem a Rússia, e agora sem o Reino Unido, Thierry Meyssan considera que nada mais poderá evitar o afundamento do sistema. Entretanto, sublinha ele, aquilo que está em jogo não é a União Europeia, em si mesma, mas o conjunto das instituições que permitem a dominação dos Estados Unidos no mundo e a própria integridade dos Estados Unidos.

| Damasco (Síria)
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Favorável ao Brexit, a raínha Isabel II vai poder reorientar o seu país em direcção ao yuan.
Ninguém parece compreender as consequências da decisão britânica de sair da União Europeia. Os comentadores, que interpretam a política politiqueira e perderam desde há muito tempo a noção dos jogos políticos internacionais, focaram-se nos elementos de uma campanha absurda: de um lado os adversários da imigração sem contrôlo, e do outro, os pais do «homem do saco» assustando o Reino Unido com as piores desgraças.
Ora, as motivações desta decisão não tem nenhuma conexão com estes temas. A diferença entre a realidade e o discurso político-mediático ilustra a doença da qual sofrem as elites ocidentais: a sua incompetência.
Enquanto a cortina se abre diante dos nossos olhos, as nossas elites não conseguem compreender a situação em que o Partido comunista da União Soviética estava ao não encarar as consequências da queda do Muro de Berlim, em Novembro de 1989: a dissolução da URSS em Dezembro de 1991, depois a do Conselho de Assistência Económica Mútua (Comecon) e do Pacto de Varsóvia seis meses mais tarde, depois, ainda as tentativas de desmantelamento da Rússia, ela mesma, em que quase perdia a Tchechénia.
Num futuro muito próximo, assistiremos identicamente à dissolução da União Europeia, depois da OTAN, e, se eles não tiverem cuidado, ao desmantelamento dos Estados Unidos.

Quais os interesses por trás do Brexit ?

Contrariamente às bravatas de Nigel Farage, o UKIP não está na origem do referendo que ele acaba de ganhar. Esta decisão foi imposta a David Cameron por membros do Partido Conservador.
Para eles, a política de Londres deve ser uma adaptação pragmática às evoluções do mundo. Esta «nação de merceeiros», assim a qualificava Napoleão, constata que os Estados Unidos não são mais nem a primeira economia mundial, nem a primeira potência militar. Não têm portanto, mais, razão nenhuma para serem os parceiros privilegiados.
Da mesma maneira que Margaret Thatcher não hesitara em destruir a indústria britânica para transformar o seu país num centro financeiro mundial; da mesma forma estes Conservadores não hesitaram em abrir a via para a independência da Escócia e da Irlanda do Norte e, portanto, à perda do petróleo do mar do Norte, para fazer da City o primeiro centro financeiro off-shore do yuan.
A campanha do Brexit foi largamente apoiada pela Gentry e pelo Palácio de Buckingham que mobilizaram a imprensa popular para apelar ao regresso à independência.
Contrariamente ao que a imprensa europeia propaga a saída dos Britânicos da UE não se fará lentamente, porque a UE vai afundar-se mais rápido que o tempo necessário para as negociações burocráticas da sua saída. Os Estados do Comecon não tiveram que negociar a sua saída, porque o Comecon parou de funcionar uma vez desencadeado o movimento centrífugo. Os Estados-membros da UE que se agarram aos destroços, e persistem em salvar o que resta da UE, vão perder o tempo de adaptação necessário aos novos dados, com o risco de experimentar as dolorosas convulsões dos primeiros anos da nova Rússia: queda vertiginosa do nível de vida e da esperança de vida.
Para as centenas de milhares de funcionários, de eleitos, e de colaboradores europeus que irão, inevitavelmente, perder os seus empregos, e para as elites nacionais que são igualmente dependentes deste sistema, convinha reformar com urgência as instituições para os salvar. Todos consideram, erradamente, que o Brexit abre uma brecha na qual os Eurocépticos se vão infiltrar. Ora, o Brexit não é mais que uma resposta ao declínio dos Estados Unidos.
O Pentágono, que prepara a Cimeira da OTAN em Varsóvia, também não compreendeu que já não estava em posição de impôr aos seus aliados o aumento do orçamento de Defesa, e o apoio às suas aventuras militares. O domínio de Washington sobre o resto do mundo está acabado.
Mudamos de era.

O que é que vai mudar ?

A queda do bloco soviético foi, antes de mais, a morte de uma visão do mundo. Os Soviéticos, e os seus aliados, queriam construir uma sociedade solidária onde se colocava o máximo possível de coisas em comum. Eles acabaram numa burocracia gigantesca e com dirigentes esclerosados.
O Muro de Berlim não foi derrubado pelos anti-comunistas, mas por uma coligação(coalizão-br) das Juventudes comunistas e das Igrejas luteranas. Eles pretendiam refundar o ideal comunista descartado da tutela soviética, da polícia política e da burocracia. Foram traídos pelas suas elites, as quais após terem servido os interesses dos Soviéticos se precipitaram, com o mesmo ardor, para servir os dos Norte-americanos. Os eleitores do Brexit, os mais empenhados, procuram antes de mais recuperar a sua soberania nacional, e fazer pagar aos dirigentes oeste-europeus a arrogância de que fizeram prova ao imporem o Tratado de Lisboa, após a rejeição popular da Constituição Europeia (2004-07). Mas, também eles poderão vir a ficar decepcionados por aquilo que se vai seguir.
O Brexit marca o fim da dominação ideológica dos Estados Unidos, a da democracia de desvalorização das «Quatro liberdades». No seu discurso sobre o estado da União de 1941, o Presidente Roosevelt tinha-as definido como (1) liberdade de palavra e de expressão, (2) a liberdade de cada um honrar a Deus como lhe aprouvesse, (3) a liberdade da necessidade, (4) a liberdade do medo [de uma agressão estrangeira]. Se os Ingleses vão regressar às suas tradições, os Europeus continentais irão reencontrar as questões postas pelas revoluções francesa e russa sobre a legitimidade do poder e subverter as suas instituições, correndo o risco de ver ressurgir o conflito franco-alemão.
O Brexit também marca o fim da dominação económica-militar dos EUA; não sendo a OTAN e a UE mais que as duas faces de uma única e mesma moeda, mesmo se a construção da Política externa e da Segurança comum levou mais tempo a implementar que a do livre comércio. Recentemente, eu escrevi uma nota sobre esta política face à Síria. Nela, eu examinava todos os documentos internos da UE, quer fossem públicos ou não publicados, para chegar à conclusão que foram redigidos sem nenhum conhecimento da realidade no terreno, mas, antes, a partir de notas do Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão, ele próprio reproduzindo as instruções do Departamento de Estado dos EUA. Há alguns anos atrás, tive que efectuar a mesma diligência por um outro Estado e eu chegara a uma conclusão semelhante (salvo que que nesse outro caso, o intermediário não fora o governo alemão, mas o francês).

Primeiras consequências no seio da U.E.

Actualmente, os sindicatos franceses rejeitam o projecto de lei sobre o Trabalho que foi redigido pelo governo Valls, com base num relatório da União Europeia, sendo este inspirado por instruções do Departamento de Estado dos EUA. Se a mobilização da CGT permitiu aos Franceses descobrir o papel da UE neste assunto, nem sempre eles se têm apercebido da articulação UE-EUA. Eles perceberam que invertendo as normas e colocando os acordos de empresa acima dos acordos de filial, o governo, na realidade, punha em causa a proeminência da Lei sobre o Contrato, mas, eles ignoram a estratégia de Joseph Korbel e dos seus dois filhos, a sua filha natural, a democrata Madeleine Albright, e a sua filha adoptiva, a republicana Condoleezza Rice. O professor Korbel assegurava que, para dominar o mundo, bastava que Washington impusesse uma reescrita das relações internacionais em termos jurídicos anglo-saxónicos. Com efeito, ao colocar o Contrato acima da Lei o Direito anglo-saxónico privilegia, no longo prazo, os ricos e os poderosos em relação aos pobres e aos miseráveis.
É provável que os Franceses, os Holandeses, os Dinamarqueses e outros, ainda tentarão separar-se da UE. Para isso, eles terão que enfrentar a sua classe dirigente. Mesmo que a duração deste combate seja imprevisível, o seu resultado não mais levanta qualquer dúvida. Seja como fôr, no período de turbulência que se anuncia, os trabalhadores franceses dificilmente serão manipuláveis, em contraste com os seus homólogos ingleses, actualmente desorganizados.

Primeiras consequências para o Reino Unido

O Primeiro-Ministro David Cameron, desculpou-se com as férias de verão para diferir a sua demissão para Outubro. O seu sucessor, em princípio, Boris Johnson, pode pois preparar a mudança de modo a aplicá-la instantaneamente após a sua chegada a Downing Street. O Reino Unido não esperará pela saída definitiva da UE para conduzir a sua própria política. Começando por se dissociar das sanções tomadas em relação à Rússia e à Síria.
Contrariamente aquilo que escreveu a imprensa europeia, a City de Londres não é directamente envolvida no Brexit. Tendo em conta o seu estatuto particular de Estado independente colocado sob a autoridade da Coroa, ela jamais fez parte da União Europeia. Claro, ela não poderá, mais, abrigar as sedes sociais de certas companhias que se irão transferir para a União, mas, por outro lado, ela poderá usar a soberania de Londres para desenvolver o mercado do yuan. Já em Abril, ela obteve os privilégios necessários, assinando para tal um acordo com o Banco Central da China. Além disso, deverá desenvolver as suas atividades como um paraíso fiscal para os Europeus.
Mesmo que o Brexit vá temporariamente desorganizar a economia britânica, à espera de novas regras, é provável que o Reino Unido –-ou, pelo menos, a Inglaterra--- se reorganize rapidamente, para seu total benefício. Resta saber se os mentores deste terramoto terão a sabedoria de fazer o seu povo beneficiar disso: o Brexit é um regresso à soberania nacional, mas não garante a soberania do povo.
O panorama internacional pode evoluir de formas muito diferentes, segundo as reações que se vão seguir. Mesmo que isso corra mal para alguns povos, é sempre preferível ligar-se à realidade, como o fazem os Britânicos, mais do que persistir num sonho, até que ele se desfaça.
Tradução
Alva
Thierry Meyssan
Thierry Meyssan Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación (Monte Ávila Editores, 2008).

[In «Red Voltaire», versão em português]

O imperialismo alemão - de Auschwitz à Troika e às troiquisses


Em Auschwitz os alemães escreveram «O TRABALHO LIBERTA». 

Em Auschwitz havia trabalho escravo, nomedamente no extermínio de homens, mulheres e crianças de todas as idades, em nome do conceito de Hitler «Não há alternativa», conceito que continua em vigor em 2016.
Schauble e Ângela Merkel não são nada melhores em termos éticos e morais do que Hitler, são absolutamente indiferentes ao sofrimento das pessoas a quem fazem mal, tal como Hitler e como o chefe do Campo de Extermínio de Auschwitz. 

"Saídas limpas, bons alunos, pressões e perseguições



«Qualquer pessoa com dois dedos de testa económica sabe que o que o Governo português está a fazer vai dar resultados positivos no défice. Controlar o défice público nunca foi um problema, excepto em situações de grave crise financeira internacional. É simples e claro. A austeridade é estúpida porque é mesmo assim. Chega, comprime a economia, reduz o défice externo e dificulta a correcção do défice público, mas, quando é retirada, descomprime a economia e, por essa via, etc., etc. Daí a pressão. Caso contrário, para quê fazê-la? Se tivessem a certeza de que as coisas irão dar mal resultado, ficariam calados. Essa pressão é clara.
Não foi por acaso que Schauble falou depois de o FMI ter estado em Portugal e que o FMI esteve em Portugal na véspera de uma cimeira europeia em que Schauble iria falar. Que esta gente sem escrúpulos faça disto, ainda se percebe, pois eles são só isso. Que essa gente tenha colaboradores internos solícitos, nas televisões e nos jornais, já se percebe menos.»


 «Entretanto, deve ser quase desesperante governar assim, sob indevidas pressões, de agentes externos, de colaboradores internos, mas tem de ser. E deve ser muito difícil para as pessoas, que podem não perceber bem o que se está a passar, serem assustadas quotidianamente desta maneira.
Que país é este? Ponham a mão na consciência. Muitos dos colaboradores internos porventura não saberão o que estão a fazer. Então, perguntem ao vizinho de baixo, ao homem do café, que eles talvez expliquem. Quando é que isto vai acabar? Quando é que Portugal vai dar a voz que deve dar nesta Europa todos os dias mais um bocado de pantanas. A conversa sobre as "multas", sobre outro "resgate", sobre o "corte dos fundos estruturais" são, simplesmente, conversas de perseguição, de pressão, de gente que tem determinados intuitos políticos, de indevido controle político. Pense-se nisso. E não se colabore.
»

Pedro Lains, A pressão" [Cit in blog «Ladrões de Bicicletas»]

Os anti-Brexit parece que gostariam de voltar ao voto censitário


A primeira Constituição portuguesa, a Constituição de 1822, instituiu o voto universal masculino.
A segunda Constituição portuguesa, a Carta Constitucional de 1826, instituiu o voto censitário masculino, só podiam votar os homens com, pelo menos, 100 mil réis de rendimento anual. 

«Uma modesta proposta euro-liberal


Agora que se confirma que um número significativo de intelectuais ditos de esquerda é euro-liberal, olhando de cima para a populaça ignara, acho que é altura de fazer uma proposta para os próximos referendos, incluindo o britânico, se o tal projecto medo vencer, garantindo resultados racionais e minimizando as emoções dúbias a que os de baixo são atreitos.

Antes, porém, devo notar que o liberalismo dominante só se conciliou com a democracia tardiamente, ao longo do século XX, sendo essa conciliação altamente forçada pelos de baixo e relutante, procurando muitos, desde cedo, pensar em entraves institucionais à perigosa expressão da soberania popular e dos direitos socioeconómicos que lhe estiveram associados. A UE é um desses eficientes entraves no continente.

No espírito da sua conservação, e em linha parcial com propostas e práticas liberais do passado, proponho a reinstituição do voto plural para os próximos referendos. Qualquer coisa deste género: todos têm direito a um voto, claro, estamos no século XXI, mas à medida que se sobe nos rendimentos, nos últimos três decis, tem-se direito a mais um voto por decil e o último percentil, lá bem cima, a mais um; os jovens, entre os 18 e os 40, a mais um; os que vivem em cidades a mais um; os que têm a licenciatura ou mais graus a mais um (um por grau adicional); os que recebem ou receberam dinheiros da UE a mais um (aqui há uma distorção ao espírito da tradição, mas é de euro-liberalismo que se trata).

Por exemplo, um jovem professor da London Business School, com consultorias na banca da City londrina, doutorado em finanças, teria direito a 11 votos. Um velho operário reformado de uma vila pós-industrial, perdida lá no norte de Inglaterra, teria direito a um e já seria bem bom. Isto poder ser adaptado e simplificado, claro. É fazer os estudos por país, parece que ainda há realidades nacionais distintas, garantindo que o resultado seja sempre o racional. Por exemplo, no sul da Europa, os jovens não são de confiar.

Em alternativa, é sempre possível promover golpes de estado, dos financeiros, como na Grécia do oxi, ou dos outros. Esta opção é tendencialmente só para o sul da Europa, claro.» [João Rodrigues in blog «Ladrões de Bicicletas»] 

quarta-feira, 29 de junho de 2016

O Brexit foi um duro golpe no imperialismo alemão

Quem perdeu em primeiro lugar com o Brexit foi o imperialismo da Alemanha, via Frankfurt e via Bruxelas.
Alguém bateu com a porta na cara à Alemanha.
As «exigências a 27» são as exigências da Alemanha.

Brexit - mais uma análise política

"As leituras eleitorais simplistas chegam para explicar o Brexit?


1. Assim que foram conhecidos os resultados do referendo à permanência do Reino Unido na União Europeia instalou-se uma narrativa que tratou de carregar nas tintas do nacionalismo, da xenofobia e do racismo (apresentados como as principais motivações do voto «Leave» e os grandes vencedores do referendo), sendo amplamente suavizado o significado político-económico dessa escolha (no que respeita à profunda desilusão, mal-estar e descrença no projeto europeu e na governação europeia).

2. Essa narrativa sobre as razões que conduziram à vitória do «Leave» parecia encontrar suporte sociológico na análise dos resultados a partir de variáveis como a idade, o nível de instrução ou as diferenças entre voto urbano e voto rural. Nesses termos (como o João Rodrigues já assinalou neste blogue), o Brexit foi interpretado como a escolha de um eleitorado envelhecido, desinformado, nacionalista, racista e retrógrado, provindo o Bremain de um eleitorado jovem, esclarecido, cosmopolita, adepto do multiculturalismo e progressista.

3. Sucede, contudo, que um inquérito muito difundido nas redes sociais («How the United Kingdom voted on Thursday... and why») desaconselha leituras eleitorais do referendo demasiado simplistas e lineares. Nessa análise, em vez de se tentar deduzir a motivação do voto a partir da sua distribuição segundo a idade, o contexto de vida ou o nível de escolaridade, colocou-se de modo muito direto a questão que verdadeiramente importa: «por que razão votou como votou?». E eis que a «narrativa xenófoba», nos termos em que foi formulada, perde aderência à realidade:


4. De facto, para metade (49%) dos eleitores do «Leave», a principal razão para votar Brexit decorre da perda de soberania política no contexto da pertença à UE. Um argumento bastante mais relevante que o da imigração, associado a apenas um terço desses eleitores (e não necessariamente relacionado com sentimentos xenófobos). Por seu turno, constata-se que a parcela mais relevante (43%) dos votantes no «Remain» não é propriamente entusiasta da UE. Apenas estima que os riscos e impactos decorrentes da saída são superiores aos da permanência. E que, para 31% dos apoiantes do «Remain», sair significa abdicar da situação de privilégio que o Reino Unido tem na UE, onde beneficia do acesso ao mercado único sem ter que submeter a Schengen nem às regras do Euro.

5. Quer isto dizer que a questão da imigração não é relevante? Não, não quer. Não só é relevante como é indissociável, para o melhor e para o pior, do próprio «processo europeu», nos moldes absolutamente trágicos em que o mesmo tem sido desenhado e conduzido, como de resto o João Ramos de Almeida já aqui assinalou. O que não se pode é agitar a questão da imigração (e da sua vertente xenófoba) como sendo a explicação essencial do resultado do referendo e muito menos fazê-lo para afastar os olhares e dissociar esse resultado do desastre europeu, no intuito de proteger e alimentar um otimismo cada vez mais infundado sobre a capacidade de a Europa se regenerar.

6. De facto, quando raspamos o «verniz sociológico» simplista (o tal das linearidades entre voto jovem e multiculturalismo ou entre voto grisalho e aversão aos imigrantes, por exemplo), surge uma teia de questões bastante mais complexa e que se presta pouco a leituras intuitivas. Um idoso que vota a favor do «Leave» tanto o pode fazer por considerar que a Europa deixou de constituir um espaço de internacionalismo progressista e solidário, como o pode fazer por um simples nacionalismo saudosista e xenófobo. Tal como um jovem tanto pode ter votado «Remain» porque continua a acreditar no projeto europeu, como o fazer apenas por não conseguir conceber um enquadramento diferente para a sua vida quotidiana (apesar de reconhecer o fracasso europeu e os danos que o mesmo produz). Como lembrava há uns dias o João Rodrigues, nacionalismos há muitos (e internacionalismos também)." [Nuno Serra in blog «Ladrões de Bicicletas»]

terça-feira, 28 de junho de 2016

O Brexit, o rasgar das vestes, e a contestação ao direito de voto

Para mim, o argumento mais interessante dos troikanos e das troikanas, foi o de que muitos dos que votaram a favor do Brexit não tinham esse direito, o que quer dizer que não deveriam ter o direito de voto. Assim, muitos troikanos e troikanas  desmascararam-se e assumiram que eram contra o direito de voto, assumiram que eram contra a Democracia, assumiram que eram a favor da Ditadura dos ricos sobre a 'escumalha pobre'.


"As pessoas gostam de se orgulhar das suas escolhas




«Ainda as urnas não arrefeceram e a discórdia e o azedume já se instalaram no RU e fora do RU, entre a esquerda e a direita, na esquerda e na direita, entre os tories e os labourites, entre os tories e entre os labourites, entre Bruxelas e Londres, em Cardiff e em Edimburgo, em Dublin e em Belfast, entre os leaves e os remains, entre os leaves que queriam sair e os que afinal não queriam, entre os remains que queriam ficar mas que sempre disseram que era melhor sair, entre os jovens e os velhos, os educados e os mal-educados, os citadinos e os camponeses, os londrinos e os outros todos, entre uns e outros e entre todos e os outros.
Era de esperar que, se se verificasse uma vitória do Brexit no referendo britânico, contra a expectativa da maioria dos peritos, o efeito fosse o de um terramoto de grau 8. Foi o que aconteceu. Só que, aparentemente, ninguém esperava que o Brexit ganhasse mesmo, a começar por muitos dos seus próprios apoiantes. (...)
E britânicos seriíssimos, formados em boas escolas, nascidos do pai e da mãe da democracia, dizem que o voto deles devia contar mais e que é uma injustiça que não conte porque são mais novos e têm mais educação e vivem em cidades e há uma quantidade de velhos com mais de 50 anos e com menos estudos e que até vivem no campo que votaram pelo Brexit e o voto deles conta a mesma coisa e já se viu tamanha injustiça? (…)
Há inúmeras lições a retirar deste referendo e existem para todos os gostos. Uma coisa a notar é o facto de uma maioria de cidadãos britânicos ter decidido votar num sentido contrário ao apontado pelas elites do país e pelas elites do resto do mundo. Chama-se democracia e é algo que pode ser extremamente irritante. (…)
Partindo do princípio de que as pessoas não são todas parvas e que sabem que as promessas não são todas sérias, parece mais plausível considerar a possibilidade de muitos britânicos não terem apreciado o tom de chantagem a que foram submetidos pelas suas elites, pelos patrões, pelos eurocratas, pelos banqueiros e até por Obama. É curioso ler depoimentos de votantes do Brexit e constatar que são raros os que esperam maravilhas. Pelo contrário, sabem que os esperam anos difíceis, mas esperam ter o benefício de controlar os seus destinos. Há aqui soberanismo xenófobo? Em certos casos sim. E em muitos outros há um desejo de democracia que a UE não consegue satisfazer nem consegue perceber. (…)
Penso que, se Juncker tivesse sido despedido pelo Parlamento Europeu em 2014, na sequência do LuxLeaks, isso teria mostrado que havia algum sentido de decência em Bruxelas e poderia ter dado um argumento ao Remain e alguma alma à UE. Mas até o Parlamento Europeu, que gosta de se considerar a “consciência democrática” da UE, preferiu chumbar o voto de censura contra Juncker apesar dos seus esquemas “controversos” de evasão fiscal, como que para provar que dali não viria a salvação.
Juncker já prometeu que o divórcio UE-RU não seria amigável. Há sede de vingança na UE. Juncker parece empenhado em mostrar que a UE é dirigida por pessoas pouco recomendáveis. Será assim tão estranho que tantos tenham escolhido sair?»
José Vítor Malheiros" [Cit in blog «Entre as brumas da memória»]

Brexit - o povo derrotou o jet-set, a classe trabalhadora venceu a burguesia

Os troikanos e as troikanas perderam. Rasgam as vestes nas televisões portuguesas, no «Libération», no «El País», etc. e tal. Esta pesada derrota da Alemanha e dos troikanos e das troikanas de outros países deixa-me muito contente. Os troikanos e as troikanas rasgam as vestes, roem as unhas, batem com a cabeça na parede, porque não querem acreditar que o Brexit venceu.

Esta tacanhez troikana mostra que eles não compreendem o Mundo em que vivem. Os franceses dessa esquerda traidora e irreconhecível estão a incendiar a própria França, mas quando o fogo chegar perto deles não compreenderão porquê.

«Tem os dias contados



O povo do Reino Unido decidiu Brexit. Foi um dia histórico porque marca o início do fim da UE.

Pelo que li, há uma grande correlação entre o voto pelo Sair e a condição sócio-económica dos eleitores. Nada para admirar já que o agravamento da desigualdade, a precariedade do trabalho, os empregos com salários de pobreza, a privatização e degradação dos serviços públicos, e de outros de interesse geral (transportes, energia), as dificuldades no acesso à habitação, etc. são o resultado da política neoliberal que os governos trabalhistas e conservadores aplicaram consistentemente nas últimas décadas. Os Tratados da UE, e as suas políticas ao serviço da finança, sempre foram apresentados como o caminho do progresso numa Europa perfeitamente integrada na globalização. As elites neoliberais do RU (conservadores, trabalhistas e outros, de mãos dadas), e a classe média sem dificuldades, estavam do lado do Ficar. Os eleitores "de baixo" não se enganaram quanto aos responsáveis pelo seu mal-estar ("It is the jet-set graduates versus the working class, the metropolitans versus the bumpkins—and, above all, the winners of globalization against its losers").

A imigração desregulada também faz parte do modelo fundador da UE: livre circulação de mercadorias, de capitais... e de trabalhadores. Porém, ao contrário do que previa a teoria económica do neoliberalismo, a desigualdade na UE agravou-se, entre países e dentro dos países. Os da periferia endividaram-se e, encurralados na zona euro sob tutela da austeridade germânica, vão perdendo os seus trabalhadores mais dinâmicos que, por salários muito mais baixos, concorrem com os trabalhadores britânicos (nos anos 50 do século passado, Gunnar Myrdal estudou bem estes processos). Outros, ainda mais periféricos e recém-chegados à UE, fornecem redes criminosas que trabalham na economia paralela do RU. Tudo isto agravado por uma política de laissez-faire no que toca à imigração das ex-colónias, o que permitiu a criação de enclaves étnico-culturais que suscitaram o discurso xenófobo. Recordando os anos trinta do século passado, a estrutura da crise é a mesma: políticas de esmagamento do trabalho e nomeação de bodes expiatórios, nessa altura os judeus, hoje algumas comunidades de imigrantes. Com a participação activa dos economistas (da esmagadora maioria).

O Labour está numa encruzilhada: ou Jeremy Corbin assume em definitivo os anseios das classes trabalhadoras, dos jovens precarizados e das regiões deprimidas, e ainda pode ganhar as eleições no Outono, ou o Labour expulsa Corbyn e iniciará um declínio inexorável. Aliás, o mesmo dilema espera os socialistas de outros países, com destaque para França, Espanha e Portugal.

Tendo em conta que as políticas da UE não serão alteradas no essencial, já que isso é do interesse das elites alemãs e da tecno-burocracia de Bruxelas-Frankfurt, tudo se conjuga para que as tensões sociais e políticas se agravem nos próximos anos. O BCE bem pode continuar a proteger a moeda única nos mercados financeiros, mas seguramente não pode impedir novos referendos nem a eleição de governos de ruptura. O desastroso projecto da UEM tem os dias contados. Os ratos podem começar a abandonar o navio.» [Jorge Bateira in blog «Ladrões de Bicicletas»]

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Votação em Espanha - análise comparativa

26 de Junho de 2016
20 de Dezembro de 2015

[Quadros in blog «O Tempo das Cerejas»]

Brexit - mais outra análise

"«Many Thanks to the English Working Class»




N.B. – O facto de divulgar este texto de João Rodrigues não significa que assine por baixo tudo o que escreve. Mas, ao contrário da maioria esmagadora dos meus amigos, tenho mais dúvidas do que certezas a propósito do tema Brexit e julgo que pensar no que gente sensata escreve nunca causou danos colaterais.
«Peço desculpa ao leitor pelo título em inglês. Sei bem que o inglês e os anglicismos são uma praga evitável. Trata-se apenas de uma singela homenagem à maioria do povo britânico, que teve a coragem de votar pela mudança no referendo à União Europeia (UE).
Uma homenagem aos mais velhos, aos mais pobres, às classes trabalhadoras, aos de baixo. É que não é preciso ser instruído para dar uma lição. E que lição esta, a que foi dada às elites políticas, económico-financeiras, aos de cima, numa sociedade causticada pela polarização social e regional, feita de vencedores e de vencidos da globalização neoliberal, o outro nome da UE realmente existente neste continente. Não creio que aprendam alguma coisa, no entanto, a avaliar por tantas reacções arrogantes.
Quem faz esta homenagem vive, como o leitor, na Europa do Sul, neste rectângulo castigado pela austeridade imposta por Bruxelas, numa moeda única que nunca nos serviu, comandada por Frankfurt; vive numa economia estagnada há quase duas décadas, e endividada externamente em montantes recorde, uma combinação sem precedentes históricos. Tudo isto acontece também porque as elites portuguesas aderiram acriticamente à ideia do pelotão da frente, abdicando de instrumentos de política económica num processo nunca referendado. As elites portuguesas dominantes tiveram um papel crucial em transformar Portugal num indicador avançado da chamada estagnação secular, fenómeno que marca o capitalismo nas suas fases mais desiguais e financeirizadas.
Repare o leitor que durante a campanha do referendo britânico, a Europa do Sul, com o seu desemprego de massas, foi invocada por alguns defensores da saída, pelos que tinham boas razões para tal, como o melhor exemplo do que é a UE: uma ordem pós-democrática, que esvaziou a soberania dos parlamentos e que não a substituiu por nada que fosse competente e decente. Os britânicos levam a sério este problema. Chamam-lhe democracia e quiseram recuperá-la de forma mais integral, quiseram ter um maior controlo sobre a sua vida colectiva.
Não se esqueça o leitor que tiveram e têm de enfrentar o chamado projecto medo, comandado por economistas, os mesmos que garantiam antes da crise financeira, iniciada em 2007-2008, que vivíamos na grande moderação, que os mercados financeiros liberalizados eram o alfa e ómega do progresso e que o euro era a boa moeda para a UE (dois terços dos economistas britânicos inquiridos defenderam tal posição em 1999). Este referendo assinalou o merecido descrédito público da economia convencional. Garantiram e garantem que seria o caos. Esqueceram-se que, para os de baixo, o caos é há muito o outro nome das suas vidas.
O leitor sabe que agora é "ai", que as agências vão descer a notação; "ui", que a Grã-Bretanha vai ficar mais pobre por causa da desvalorização da libra. As agências de notação são irrelevantes para Estados monetariamente soberanos e que estão endividados na sua própria moeda. As taxas de juro relevantes são determinadas pelo Banco Central e nunca, repito, nunca, há problemas de insolvência para Estados deste tipo. Os que operam nos mercados no fundo sabem isso.
Quanto à desvalorização da libra, desde que esta seja controlada, e sê-lo-á, também pela acção das forças de mercado, enquadradas pela natural cooperação entre bancos centrais, pode ser um estímulo para a economia britânica, como foi durante a crise, ajudando-a num ajustamento há muito visto como necessário: desfinanceirizar, reduzindo o peso da City, e promover sectores mais produtivos. Para isso, ajudará a maior margem de manobra, por exemplo em termos de política industrial, obtida, a prazo, graças à saída da UE. Mas isso não é o mais importante: mais liberal ou menos liberal, será ainda mais o parlamento a decidir formalmente. O leitor sabe que isso se chama democracia e ainda se lembra como foi por cá, num breve período, antes de as regras do mercado interno fazerem sentir todos os seus efeitos, e sobretudo antes do euro. Pelo menos nessa altura convergíamos com as economias europeias.
E agora o leitor pergunta: e nós? Nós precisamos de aprender com o nosso mais velho aliado. O quê? Que o pelotão da frente não nos serve: precisamos de sair do euro de forma negociada, idealmente, e, entre outras, obter excepções às regras do mercado interno. Em suma, recuperar instrumentos de política industrial, comercial, cambial ou orçamental. Tudo numa UE de geometria variável, de menu, com menos poder de Bruxelas e mais poder dos Estados. Caso contrário, o nosso futuro será mais do mesmo: declínio das forças produtivas da nação, da energia vital de um país esvaziado. O leitor não quer isso, eu sei. Tem, temos, é de ter a coragem de querer o que tanta falta faz.»

João Rodrigues" [Cit in blog «Entre as brumas da memória»]

domingo, 26 de junho de 2016

Rajoy melhorou a votação, PSOE continua segundo partido e Unidos Podemos ficou em terceiro

















[Fonte: «El Mundo» net]

Rajoy melhorou a votação, mas o PP junto com o direitista Ciudadanos não consegue somar uma maioria absoluta.

A coligação Unidos Podemos ficou aquém das expectativas, porque não conseguiu ultrapassar o PSOE.

Sempre fui a favor do Brexit


Os maiores prazeres intelectuais-políticos que tive no século XXI foram a tomada de posse de António Costa com o apoio do BE + PCP + Os Verdes e o sucesso do Brexit. Fiquei muito contente com ambos.
O Brexit representa um profundo golpe no IV império da Alemanha, que desejo que caia, como caiu o III Reich, por imposição externa.
Os europeístas portugueses usam os mesmos argumentos dos portugueses que em 1580 desprezaram a independência de Portugal e apoiaram a tomada do poder em Lisboa do rei da Espanha Filipe II. Em 1580 muitos portugueses adoravam Filipe II e Madrid. Em 2016 muitos portugueses adoram Ângela Merkel e Berlim.

Só quem não quiser ver é que não vê, foram os alemães que construíram Auschwitz. E os alemães actuais não são em nada melhores do que aqueles que construíram Auschwitz.

Foram os alemães que provocaram a crise da Zona Euro, para benefício próprio, ao vetarem uma rápida e eficaz ajuda à Grécia quando a crise norte-americana chegou à Europa, foram os alemães que declararam guerra total à Grécia de Tsipras, os alemães são maus, porque se não fossem maus não tinham construído Auschwitz.

O perigo alemão é o maior perigo que ameaça a Europa, em 2016, como era em 1939. Da Alemanha nunca virá nada de bom, os alemães tem um pacto com o Mal Absoluto, firmado na década de 1930, e que ainda está em vigor.

Hoje estão a decorrer na Espanha eleições legislativas

Gostaria que a coligação «Unidos Podemos» tivesse um excelente resultado e passasse a liderar a Esquerda espanhola.

Brexit - mais uma análise crítica

"Achavam que não?


«Todas as vezes que alguns europeus (nós nunca...) tiveram o privilégio de se poder pronunciar especificamente sobre políticas europeias quis-se despachar a crítica à integração europeia como xenofobia, tacanhez e iliteracia política. (…) Se não percebeu antes, não havia de ter percebido agora os motivos que levam a grande maioria das classes populares britânicas a mostrar tanto desamor europeu: o fundamental da política económica decide-se em Bruxelas, entre a eurocracia da Comissão, o BCE e a decisão voluntária dos próprios governos (de que tantos social-democratas fazem parte e dirigem) que há muito impuseram um euroconsenso da precarização do trabalho, da desregulação e privatização, da eliminação de direitos sociais. Enganaram-se os britânicos que julgaram que votar pela saída impediria a degradação das condições sociais e dos salários? É muito provável. Mas não tem sido precisamente a UE (isto é, o consenso neoliberal que nela vigora) a impor uma coisa e a outra? Em que ficamos: se não vale a pena partir, vale a pena ficar?
É verdade que as sondagens dizem que o sim à UE (o “Remain”) triunfou nas zonas urbanas com população mais rica e com mais formação escolar (a primeira característica propicia sempre a segunda, é essa a lógica da desigualdade social), o não (“Leave”) triunfou por maior diferença nas regiões urbanas e rurais da Inglaterra e do País de Gales mais deprimidas e mais envelhecidas - mas não foi unicamente a Inglaterra conservadora do Sul que votou contra, foi também o Norte maioritariamente trabalhista, desindustrializado e abandonado por Thatcher, Blair e Cameron, que votou “Leave”. É porque são ambos racistas e pateticamente temerosos da mudança? Não: o modelo social britânico revela-se hoje tão consolidadamente xenófobo, incómodo com o estatuto pós-colonial e multiétnico que resultou do fim do Império, quanto o francês, o alemão, o holandês, o belga, o italiano, ou o português – ou ainda se julgará que não, que o defeito está só lá? (…)
Uma das consequências mais evidentes do Brexit, e que a demissão de Cameron comprova, é a da recomposição da direita britânica, com o triunfo de uma velha tendência nacionalista que nunca desapareceu, obscurecida entre nós por essa perceção embevecida e algo bacoca que várias gerações das nossas elites têm mantido sobre um país cuja história se simplifica até à caricatura. Essa “Inglaterra” (nestes casos nunca se fala da Grã-Bretanha) que se descreve democrática e cosmopolita, feita de Oxfords e Cambridges, cerimoniais setecentescos, OO7 e primeiros-ministros de sotaque pedante, é, afinal, muito mais Trump que Obama, mais hooliganismo que fair-play, muito mais paroquial que cosmopolita. (…)
Por último, é tudo menos difícil perceber como o Brexit mostra à saciedade como a UE Schäuble, Juncker&Dijsselbloem, SA, mete água por todos os lados! Depois de anos da tensão a que sujeitou a Europa do Sul, o Brexit vem abrir uma brecha muito evidente que percorre toda a Europa do Norte, da França à Suécia, passando pela Holanda e pela Alemanha. Os mesmos que no Norte impuseram precarização, exploração, paraísos fiscais e segregação racista da mão de obra imigrante, prescrevem ao Sul do continente austeridade e desprezo. A Leste do Oder, a Sul do Danúbio, triunfam as mesmas direitas patrioteiras com que, como nos anos 30, o Ocidente diz querer conter a Rússia. Só boas notícias.
Desde há muitos anos que percebemos que a UE é daquelas coisas que nem precisa de um grande empurrão para cair ribanceira abaixo. Os seus líderes têm-se mostrado completamente eficazes para esse efeito.»

Manuel Loff" [Cit in blog «Entre as brumas da memória»]

Manuel Loff é um historiador de Esquerda, que é ultrajado pelo blog neofascista «Blasfémias». Os neofascistas do «Blasfémias» são dos tais que dizem que o verde é azul, que o vermelho é preto e que o branco é castanho.

Neofascistas são neofascistas, mas os neofascistas do «Blasfémias» dizem que não são neofascistas, são ardentes simpatizantes de Salazar, que amam com muito amor e respeito.


No blog neofascista «Blasfémias», blog que chama a toda a Esquerda «bovinidade», há um indivíduo que assina jmf1957, que ultraja Manuel Loff, através do artigo intitulado «Um é apenas intelectualmente desonesto; os outros nem sei classificar», datado de 18 de Agosto de 2012. Nesse texto, o tal jmf57 revela uma grande ignorância sobre o assunto, sobre o qual escreve, e notável estupidez.
A estupidez, de um modo geral, levanta o moral aos indivíduos da Direita, o que é interessante. Estes indivíduos são perigosos, mas é quando estão no poder.


Os  e as neofascistas do blog «Blasfémias», por mais que o desejem, não conseguem mandar os activistas da Esquerda para o Campo de Concentração do Tarrafal, como Salazar mandava.

sábado, 25 de junho de 2016

Croácia 0 – Portugal 1 – uma vitória num jogo com determinação, talento e sorte


Sou total e absolutamente contra os intelectuais que desdenham o futebol, por que esses desprezam, de facto, o povo, desprezam  os trabalhadores, desprezam a alegria do povo, desprezam a alegria dos trabalhadores, desprezam o momento presente, e têm a ilusão de que o futuro poderá ser melhor, mas é impossível adivinhar o futuro.
Há que aproveitar as alegrias do momento presente, porque o futuro pode ser muito pior, não sabemos.
O povo também tem o direito ao lazer, os trabalhadores também têm o direito ao lazer.

Uma arrancada de Renato Sanches, um passe para Nani, um passe para Cristiano Ronaldo, um remate forte e colocado de Cristiano Ronaldo e uma excelente recarga de Ricardo Quaresma que deu golo, tudo isto deu alegria a muita gente.      

Brexit ou o abanão - análise crítica

"O «Brexit» pode ser o abanão de que a Europa precisa




José Pacheco Pereira no Público de hoje:

«Mais do que uma vez disse que tinha “mixed feelings” em relação ao Brexit, era sensível a argumentos a favor ou contra a permanência do Reino Unido, embora estivesse convencido que no fim ganharia o “remain” por uma pequena margem. (…)
“Take our country back” é um slogan poderoso, entre outras coisas, porque é verdadeiro. O “país”, sob formas mais ou menos capciosas e nunca legitimadas pelo voto com a clareza que é precisa nestas matérias, tinha de facto sido “roubado”, como aliás acontece com muitos países da Europa, a começar pela Europa do Sul. (…)
No Reino Unido não votaram os anti-emigrantes contra os amigos dos emigrantes, porque o benefício que Cameron levou para a campanha, dado por uma Europa sem princípios, foi exactamente a excepção para o Reino Unido de poder retirar direitos aos emigrantes. No Reino Unido não votaram os velhos contra os jovens, o campo contra a cidade, os populistas emotivos contra os “racionais”, os que olham para o “futuro” contra os que olham para o “passado”. Votaram os escoceses a favor da independência da Escócia por via do sim à Europa, votaram os irlandeses do Norte que não querem uma fronteira externa da União ao lado da República da Irlanda, e votaram os mais pobres e mais excluídos, tirando o tapete ao Partido Trabalhista, e recusaram o voto a tudo quanto é grande interesse, a começar pelo capital financeiro e pelas grandes empresas que são, há muito, mais internacionalistas do que qualquer Internacional Comunista. Era uma combinação muitas vezes contraditória de intenções de voto? Era, mas as democracias são assim. (…)

A saída do Reino Unido pode ser muito positiva para a União Europeia, que, já se viu, se não muda “a bem” só pode mudar “a mal”. Claro que os países da União podem acantonar-se numa atitude revanchista contra o Reino Unido para lhe fazer “pagar” a ousadia. Não é impossível que isso aconteça, num remake do que se fez à Grécia com os brilhantes resultados conhecidos. Ou podem compreender que há um vasto conjunto de laços com o Reino Unido que nada impede serem mantidos, mesmo que o país não faça parte das instituições políticas da União. (…)
Se seguirem uma linha à grega de vingança, que é o que presumo passa pela cabeça de alguns gnomos europeus e pela burocracia, cujo comportamento teve um grande papel em alimentar o “Brexit”, os problemas da Europa só se agravarão. Uma negociação punitiva com o Reino Unido favorece a independência escocesa com os efeitos que isso tem em Espanha, e agravará nas opiniões públicas a reacção soberanista que tem crescido com a política de dolo das últimas décadas e com a transformação da política “austeritária” na vulgata imposta na Europa.
O que aconteceu no Reino Unido não é da mesma natureza da ascensão da Frente Nacional em França, embora a ecologia que a União Europeia está a criar seja propícia a estes movimentos. Por isso, o abanão inglês pode incentivar uma crescente contestação, à direita em França, na Hungria, na Polónia, e à esquerda em Espanha e em Portugal. Não adianta, como fazem os nossos europeístas, que nunca percebem nada do que se passa a não ser quando têm o fogo à porta, meter todos os movimentos de contestação ao actual estado de coisas na Europa no mesmo saco de “populistas e extremistas”. Mas deviam meter no mesmo saco as causas dessa ascensão, porque as causas são de sua responsabilidade: a engenharia política do “mais Europa” à revelia da vontade dos povos e feita com truques e sem democracia, a erosão das democracias que, verifica-se agora, funcionam apenas no espaço da soberania, o poder solitário de um país e dos seus aliados com políticas económicas e sociais de “austeridade” que levaram à estagnação económica da Europa, a captura pelo poder financeiro dos centros de poder, a mono política de ir atrás de salários e pensões enquanto se fecha os olhos aos paraísos fiscais, e o tratamento inaceitável dos refugiados (anote-se, muito pior do que o do Reino Unido) inscrito no acordo sinistro com a Turquia.
Continuem assim e o fim da União não vai ser bonito de se ver. O abanão do Reino Unido pode ser a última oportunidade de a mudança na Europa não ser convulsiva.»" [Cit in blog «Entre as brumas da memória»]

Diferentemente de Pacheco Pereira, eu penso que a chamada «União Europeia» não vai mudar para melhor, nunca, jamais, porque a Alemanha nunca deixará. Eu penso que irá mudar ainda para pior do que já está. Os alemães preferem o suicídio à cedência, como aconteceu com Adolf Hitler e com a família Goebbels e com parte da elite militar do alto comando do III Reich, oriunda das academias militares tradicionais, nomeadamente os generais Hans Krebs, Wilhelm Burgdorf  e Walter Krüger.

O III Reich e o IV Reich


A Alemanha, por sua iniciativa, nunca melhora as coisas, foi assim no III Reich, que afinal não durou mil anos e tudo indica que será assim na chamada «União Europeia, que, de facto, é o IV Reich da Alemanha. O que se passou em Auschwitz mostra do que os alemães são capazes. O que se passou e se passa na Grécia mostra do que os alemães são capazes.
A ameaça de multar Portugal e a Espanha mostra ao que isto chegou, sob a Ditadura de Berlim, via Frankfurt e via Bruxelas.
O Reino Unido já decidiu ir-se embora da chamada União Europeia e quem mais perdeu foi a Alemanha. O Reino Unido abriu a porta de saída, que outros, provavelmente, vão utilizar, seja a saída total da União Europeia, seja a saída da moeda euro.
O IV Reich da Aleamanha, tal com o III Reich, diz que só há um caminho, que «Não há alternativa»[em inglês TINA (There Is No Alternative)]. Mas há alternativa, há alternativas, em Democracia há sempre alternativas, só nas ditaduras é que «Não há alternativa». 

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Brexit - análise crítica

«BREXIT



 O QUE IMPORTA TER EM CONTA



Também acho que não vale a pena desenvolver grandes análises. A argumentação que antecedeu a votação do referendo britânico fala por si.

Creio, todavia, que a questão de fundo que determinou o voto na Inglaterra (ou seja, Reino Unido) foi a democracia. O nosso voto na Europa vale ou não vale alguma coisa? Não vou perder tempo a responder, invoco apenas o palavreado mil vezes repetido do sr. Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo, um agrupamento que nem sequer existe juridicamente, para se perceber o que vale o nosso voto.

Dir-se-á: essas queixas temo-las nós e outros como nós; não os ingleses. Sim, é verdade. Mas também é verdade que os ingleses têm outras queixas. E por que razão é que as nossas queixas hão-de ser mais importantes que as queixas dos ingleses?

O que os britânicos querem ou não fazer com a democracia é um problema deles. Independentemente de estarmos de acordo ou não. Essa ideia de que temos de nós a dizer o que os outros devem fazer com a democracia é uma ideia relativamente recente, posta em prática por Georges Bush, em cumprimento da cartilha neoliberal. Mas será preciso voltar a enunciar os mandamentos da filosofia neoconservadora para percebermos até que ponto ela se entranhou numa certa esquerda (e poucause…atenção às origens)? I

Este é o pressuposto objectivo. Que como todos os pressupostos tem antecedentes. Graves e consolidados antecedentes que fazem os povos desacreditar do actual projecto europeu. De um projecto que tendo sido apresentado como um projecto solidário e de cooperação recíproca se transformou num projecto de domínio hegemónico dos mais fortes contra os mais fracos.

Esta consolidação gerou consequências de muita ordem, de espécie diversa, algumas perversas. Como os fenómenos sociais antes de se produzirem não se podem levar ao laboratório para saber como se vão produzir, temos que partir do que acontece quando não somos capazes de prever com a devida antecedência o que poderá vir a acontecer.

E é nesta fase que estamos. E diz-me o conhecimento político que tenho das coisas que a presença da Inglaterra na União Europeia era por todos (quase todos) os que dela fazem parte e até dos que não fazem – uns por umas razões, outros por outas – a garantia de que ela nunca se transformaria numa Europa germânica. Garantia que nenhum outro país da União Europeia poderá dar. É certo que depois de alcançado o mercado único – construído e totalmente orientado na sua construção pela Inglaterra – os britânicos se foram gradualmente distanciando do projecto europeu nas suas demais vertentes. Isto lhes bastava e por aqui se ficavam, talvez por terem percebido mais cedo que os demais que o famoso “aprofundamento” dificilmente deixaria de se transformar num projecto de domínio, logo de potenciais conflitos. Nunca quiseram saber da moeda única, principalmente depois da experiência do SME, nem nunca morreram de amores por uma circulação indiscriminada de pessoas.

Se esta sempre foi a ideia de Europa que os ingleses perfilharam, pode dizer-se que ela se consolidou ainda mais depois da reunificação alemã, isto é, depois de não terem conseguido evitar a reunificação alemã.

E daqui parto para a derradeira consequência: como não acredito numa “Europa” sem os ingleses, como não acredito numa Europa entregue aos alemães, a Europa vai-se desmembrar a pouco e pouco, ficando o projecto que agora existe como um projecto falhado e falido. Isto tem consequências más, inevitavelmente, mas também tem consequências boas: vai pôr-se termo a um projecto irreformável que estava conduzindo países para a degradante situação de protectorados e largas, muito largas, camadas da população dos países europeus para a proletarização e precarização sem direitos nem perspectivas em consequência de uma cada vez mais desigual distribuição dos rendimentos entre o capital e o trabalho.

O fundamentalismo democrático esgrimido por uma certa esquerda contra o BREXIT, além de ser de matriz neoconservadora, goza da companhia da direita plutocrática “defensora da Europa e dos direitos sociais” , como ontem à noite na “Quadratura do Círculo”,  Lobo Xavier se encarregou de ilustrar, mostrando-se muito preocupado com a sorte dos trabalhadores ingleses que iriam (na altura ainda não se acreditava na vitória do “leave”) ficar sem a protecção da Europa.

Para terminar, Augusto Santos Silva está a ser entrevistado na RTP sobre este tema. Deveria pura e simplesmente reproduzir as palavras do Primeiro Ministro e não louvar-se nas do sr. Juncker, um imbecil.» [J M Correia Pinto in blog «Politeia»] 

Nas televisões portuguesas somos massacrados com os comentários dos inimigos do Brexit, que estão furiosos e querem guerra contra o Reino Unido, querem infligir sofrimento ao Reino Unido

Esta Ditadura dos europeístas nas televisões portuguesas é uma comédia trágica. Hoje saíram os britânicos, amanhã sairão outros e o Mundo não acabará. A favor do Brexit ninguém pode ir às televisões, foram todos excomungados os apoiantes do Brexit, por esta Inquisição anti-Brexit.
O IV inpério da Alemanha é que sofreu um grande abalo, mas  ainda não caiu.

A alegria da vitória do Brexit que eu partilho e a tristeza da Troika e dos troikanos e das troikanas


Em 1945 o III reich da Alemanha capitulou. A União Europeia de Hitler e Pétain caiu com estrondo.
Mas o ovo da serpente estava lá e dele saiu, no século XXI, uma nova serpente chamada União Europeia, às ordens de nova Ditadura de Berlim. A União Europeia de Hitler e Pétain foi substituída pela União Europeia de Ângela Merkel e de Sarkozy e depois pela União Europeia de Ângela Merkel e Hollande, a Ditadura de Hitler apoiada por Pétain foi substituída pela Ditadura de Ângela Merkel, apoiada por Sarkozy e Hollande.
A nova extrema-direita é a mais perigosa, porque está no poder, e é representada por Ângela Merkel e Hollande. A característica fulcral da extrema-direita é a Ditadura, o conceito «Não há alternativa», e o ódio à Democracia, tanto Ângela Merkel como François Hollande, na prática, são a favor da Ditadura do «Não há alternativa» e, por isso, estão contra a Democracia.
A Ditadura de Ângela Merkel e Hollande praticou e continua a praticar actos de grande selvajaria na Grécia e essa Ditadura selvática tem praticado selvajarias em Portugal e ameaça com mais selvajarias como multar Portugal.
A União Europeia dominada pela nova extrema-direita dirigida por Ângela Merkel deveria acabar, sim deveria acabar, mas parece que vai ser ainda pior do que já era.

Em Democracia há sempre alternativas. A Ditadura da nova extrema-direita europeia dirigida por Ângela Merkel é uma Ditadura cada vez mais perigosa. O mandamento número um desta nova extrema-direita dirigida por Ângela Merkel é o medo, a Ditadura alemã, via Frankfurt e via Bruxelas, em primeiro lugar quer meter medo, quer assustar e é nesta fase que estamos.

O Brexit venceu

















(In The Guardian)


O Brexit venceu e eu estou muito contente por isso, pertenço à parte da Esquerda que apoiou o Brexit, um grande passo em frente na luta contra a Ditadura de Berlim, via Frankfurt e via Bruxelas.
Ontem enganei-me nas previsões, quando previ a derrota do Brexit, e ainda bem, porque sempre fui um apoiante do Brexit.
Os troikanos e as troikanas perderam. A Troika saiu derrotada no referendo do Reino Unido.

Afinal não acabou o Mundo, como sugeriam os inimigos do Brexit.

Ontem liguei a televisão, corri todos os canais portugueses e só encontrei inimigos do Brexit.
Quando havia duas pessoas a comentar eram duas pessoas inimigas do Brexit, bastava uma… apoiantes do Brexit não tiveram direito de antena nas televisões portuguesas, os inimigos e as inimigas do Brexit sofreram uma pesada derrota.


(Foto in jornal O Globo net)


«Resultados por regiones

Escocia, Irlanda del Norte y Londres votaron mayoritariamente a favor de permanecer en la Unión Europea. Inglaterra y Gales, partidarios del ‘Brexit’.

Resultados por circunscripciones

En los alrededores de grandes ciudades como Londres, Manchester y Liverpool ha ganado el voto por la permanencia en la Unión Europea.

Madrid