sábado, 23 de abril de 2016

REVOLUÇÃO DE 25 DE ABRIL DE 1974 EM PORTUGAL – O IMPACTO PROFUNDO E A COLONIZAÇÃO ALEMÃ NO SÉCULO XXI


Em 25 de Abril de 1974, em Portugal, houve um golpe de Estado militar comandado pelo major Otelo de Saraiva de Carvalho, que graças ao apoio popular se transformou numa revolução. O objectivo número 1 era derrubar a ditadura fascista que tinha como primeiro-ministro o professor catedrático de Direito Marcelo Caetano e como presidente da II República ditatorial o Almirante Américo Tomás.
Foi o capitão Salgueiro Maia, já falecido, que conseguiu a rendição de Marcelo Caetano, no quartel da GNR do Carmo, em Lisboa, após uma barragem de tiros de metralhadora, e ameaça de demolir o quartel a tiros de canhão.

O golpe de Estado militar foi organizado pelo MFA (Movimento das Forças Armadas), constituído, maioritariamente por capitães do quadro.

As pessoas afectas ao PSD e ao CDS, em privado, e em público, cheguei a ouvir na  rádio, durante o governo de Passos Coelho, dizem que eles fizeram o golpe de Estado por terem medo de combater em África.

A Revolução de 25 de Abril de 1974 teve um impacto muito profundo em África. Deu a independência a Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Deu, directamente, origem ao colapso do regime do apartheid da África do Sul.

Deu também a independência a Timor-Leste, mas foi alvo de muito selvagem invasão e ocupação militar pela Indonésia, dizem que  por ordem dos Estados Unidos ou, pelo menos, com a concordância dos Estados Unidos, tornando-se uma colónia da Indonésia. Com muita luta, perseverança, e com o apoio de Portugal e muita sorte Timor-Leste conseguiu tornar-se independente da Indonésia.



O caso de Macau é diferente. Macau foi um pequeno território da China, que a própria China ofereceu a Portugal, como meio de agradecimento pelos serviços prestados pelos portugueses à China na luta contra os piratas que infestavam a costa chinesa. Macau voltou para a soberania da China, por meios estritamente diplomáticos, sem qualquer ameaça de tipo militar. Se a China quisesse ocupar militarmente Macau bastava-lhe, mandar entrar nesse território um pequeno destacamento, mas essa hipótese nunca foi posta, devido ao facto de ter sido a China que ofereceu o território de Macau a Portugal. A China reconheceu, formalmente, a soberania portuguesa em Macau no século XIX. Macau voltou à soberania da China, diplomaticamente e formalmente, em 1999.
O, actual, nome oficial de Macau é Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China.
Na Europa teve influência directa na queda do fascismo na Espanha. Os fascistas espanhóis mais inteligentes, perceberam que se queriam salvar as suas vidas tinham que abandonar o poder quanto antes. Assim os fascistas espanhóis renderam-se sem luta, com apenas uma condição: que todos os seus crimes fossem amnistiados, quer durante a guerra-civil de 1936-1939, quer durante o exercício da ditadura fascista-franquista. Eles perceberam que se houvesse uma revolução em Espanha semelhante à de 25 de Abril de 1974 em Portugal seriam todos mortos, as vinganças da guerra-civil e da ditadura iam cair sobre as vidas deles, que não seriam poupadas.

A nível interno nunca saberemos a verdade sobre a revolução que começou em 25 de Abril de 1974 e terminou com um golpe de Estado militar dirigido por oficiais próximos do PS, em 25 de Novembro de 1975. A verdade verdadeira é algo que não interessa a ninguém, nem sequer aos historiadores. A «verdade oficial» publicada em livros, jornais e revistas e a «verdade oficial» relatada em  entrevistas pelos personagens que já ficaram na História de Portugal, mas que ainda estão vivos, não corresponde aos factos relatados por pessoas fidedignas que conheço e que os testemunharam.

O homem forte da revolução do alto comando militar foi o então general (depois marechal) Costa Gomes, que conseguiu evitar uma guerra-civil semelhante à de 1832-1834 contra a ditadura do rei D. Miguel. Houve focos de guerra-civil, mas nunca chegou a haver uma guerra-civil generalizada como em 1832.
A Revolução de 25 de Abril de 1974 pôs fim à II República de Portugal (ditatorial-fascista) e iniciou a III República, que está programada na última Constituição de Portugal, a de 1976.
A Primeira Constituição de Portugal foi a de 1822, a segunda a de 1826, a terceira a de 1838, todas estas três monárquicas, a quarta a de 1911, que foi a primeira republicana, a quinta a de 1933 (que definiu uma república ditatorial) e a sexta a de 1976.

Socialmente representou uma pesada derrota da alta burguesia, que fugiu em peso para o Brasil. Mas foi uma derrota temporária.

O poder de hoje, de inspiração salazarista, sabe muito bem que não há alternativas teóricas ao poder dominante das altas burguesias. Passos Coelho fez o que pensa que Salazar faria no lugar dele, numa época, em que os fascismos passaram de moda.

Socialmente, estamos a voltar ao Portugal salazarista, pobre, e com altíssimas desigualdades sociais. Duas famílias da alta burguesia dominantes com Salazar, eram a família Melo e a família Espírito Santo. Ora, a família Espírito Santo acabou por ter uma gestão perigosa dos seus bens, que a levou a uma relativa ruína, com o colapso do BES.

O futuro de Portugal foi o regresso à pobreza e às desigualdades sociais do salazarismo. Foi nesse regresso que estiveram empenhados Passos Coelho, Paulo Portas e Cavaco Silva e os seus apoiantes, conhecidos por troikanos, amantes do empobreciemento acentuado e da Ditadura de Berlim.

A União Europeia é, de facto, hoje, o IV Império da Alemanha. Berlim manda na União Europeia, via Bruxelas (CE) e via Frankfurt (BCE).

Durante o governo Passos Coelho – Paulo Portas Portugal foi colonizado pela Alemanha, que impôs um retrocesso civilizacional de grande magnitude, muito do agrado de Passos Coelho, de Paulo Portas e de Cavaco Silva e dos troikanos.

O governo PS de António Costa, apoiado pelo Bloco de Esquerda, pelo PCP e por Os Verdes é um governo de resistência à ditadura desumana da Alemanha, via CE e via BCE. Espero que este governo resista à colonização alemã, cujo objectivo é o empobrecimento acentuado da maioria da população prtuguesa.

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