quinta-feira, 28 de abril de 2016

Os troikanos e as troikanas acharam que os portugueses deviam ser tratdos como cães por Passos Coelho e ainda acham, são curéis como os nazis e tal como os nazis defendem a via única

«Irracionalidade?



Nós bem que avisámos, em 2011, quando PS e PSD tiveram a péssima ideia de criar o conselho das finanças públicas, assim com letras pequenas: para lá da ineficiente sobreposição com a sempre útil Unidade Técnica de Acompanhamento Orçamental junto da AR, criando empregos para economistas com mais do que duvidosa utilidade social, tal instituição serviria de púlpito para Teodora Cardoso repetir o consenso de Bruxelas.

Esta veio agora dizer duas coisas em sua defesa: “Sobre a ideologia há uma ideologia que tenho – o respeito pela racionalidade económica”, favorecendo “políticas da oferta” para lá das “políticas de procura”. Assim se demonstra que a sua ideologia é mesmo a irracionalidade económica (na realidade a racionalidade é outra, e de classe, mas finjamos que tal não importa). Vamos por partes.

Em primeiro lugar, a sua ideologia é como se fosse a irracionalidade económica porque, com a sua defesa do aprofundamento da contraproducente austeridade, Teodora Cardoso faz tudo para esquecer algo que o antigo Presidente da República lembrou na sua única intervenção decente em dez anos: o défice é uma variável endógena, fundamentalmente dependente do andamento assim sempre medíocre da economia.

Em segundo lugar, Cardoso ignora o INE, quando este indica que os empresários continuam a não investir o suficiente em primeiríssimo lugar, é o que respondem nos inquéritos, por causa das expectativas pouco entusiasmantes de venda, ou seja, da tal procura que não arranca de forma significativa num contexto assim de estagnação na melhor das hipóteses. E relembro que o investimento, em percentagem do PIB, caiu quase para metade desde que temos o Euro.

Em terceiro lugar, as “políticas da oferta” de Cardoso, as tais reformas estruturais, na linha da desvalorização interna, destinam-se a reduzir o salário directo e indirecto, por via dos cortes no Estado social e da transferência de direitos de trabalhadores para patrões cada vez mais medíocres, aumentando a desigualdade, diminuindo a procura e aumentando as insolvências. A banca que não se queixe da degradação dos seus activos.

Em quarto lugar, o país não tem instrumentos de política – monetária, cambial, orçamental, de crédito, industrial – por culpa desta integração também tão saudada por Cardoso e pelo seu Banco (o tal que não é de Portugal). Os poderes públicos, condenados aos exercícios de ficção económica dos PEC, têm assim muita dificuldade em estimular a procura, interna e externa, dirigindo-a para os sectores produtivos nacionais que interessam e gerindo decentemente, e não através da destruição das capacidades produtivas, o único constrangimento que conta, o externo, o de balança de pagamentos. Não é aliás por acaso que estamos globalmente estagnados há duas décadas, sendo que a nossa procura interna foi entretanto das que menos cresceu, o que não nos impediu de acumular uma dívida externa brutal. Esta integração económica e monetária tem sido muito racional.» [In blog «Ladrões de Bicicletas»]

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