sábado, 30 de abril de 2016

Os aparelhos ideológicos da alta burguesia


Louis Althusser analisou, com profundidade e poder de selecção e síntese, o conceito ideologia e os aparelhos ideológicos do Estado.

Se, por um lado a burguesia pode utilizar os aparelhos ideológicos do Estado, por outro lado criou os seus próprios aparelhos ideológicos, através dos quais difunde as suas mentiras como se fossem verdades. São poderosos aparelhos ideológicos os meios de comunicação social e as universidades. Mesmo em universidades estatais, há professores catedráticos e outros, que difundem as mentiras convenientes para a alta burguesia, mas as universidades privadas, em países onde têm muito dinheiro, como é o caso dos Estados Unidos, existem, por princípio, para difundirem as conclusões falsas que interessam à alta burguesia. Por exemplo, a desregulamentação das práticas financeiras é boa, por outras palavras, inventar novos crimes de burla é bom, mas para quem rouba, não para quem é roubado.
O neoliberalismo é uma ideologia criminosa como o nazismo. O neoliberalismo aparece na preparação e na execução do golpe de Estado fascista de Pinochet e também na sua consolidação.
As mais selváticas torturas até à morte foram praticadas pela dupla Pinochet-Milton Friedman. Tem especial relevo a tortura lenta, meticulosa, do cantor chileno Victor Jara, com o esfacelamento dos ossos das mãos, com as quais tocava guitarra, porque tanto Pinochet como Milton Friedman, sabiam que um cantor é perigoso a desmontar as falsidades dos aparelhos ideológicos do Estado fascista. Victor Jara foi torturado lentamente e assassinado, porque era uma ameaça para os parelhos ideológicos do Estado fascista. O crime compensa e Pinochet enriqueceu à custa dos seus bárbaros crimes, com dinheiro dos países da NATO, sempre prontos a realizarem práticas nazistas, como os Estados Unidos e os países da CEE.
Na União Europeia, o Eurogrupo é uma organização criminosa não eleita como era a Gestapo e também se dedica à tortura e ao homicídio. A Comissão Europeia e o chamado Banco Central Europeu também são organizações criminosas, como eram as SS nazistas, e que também se dedicam à tortura e ao homicídio.
Os aparelhos ideológicos da alta burguesia chamam «reformas» aos crimes de roubo, fraude fiscal, tortura e homicídio cometidos pela CE, pelo BCE e pelo Eurogrupo. As maiores vítimas destes crimes têm sido os gregos e a seguir os portugueses. Vítor Gaspar andou a roubar os portugueses e agora tem um tacho no FMI, uma organização criminosa, com sede em Washington, que existe apenas para cometer crimes. Sem os seus crimes, não se justificava a sua existência.
Durante o nazismo os criminosos estavam no poder, perderam a guerra e foram julgados e condenados nos Julgamentos de Nuremberga (1945-46). Os dirigentes do BCE, os elementos da CE e do Eurogrupo também seriam julgados e condenados pelos seus crimes se a Humanidade tivesse uma evolução positiva, a curto prazo. No entanto, a evolução da Humanidade anda muito por baixo, em 2016, e prevê-se o desenvolvimento dito «científico» da estupidez humana, estupidez humana essa que constitui a base da opressão das maiorias em Democracia, pela pequena minoria, que é a alta burguesia.




sexta-feira, 29 de abril de 2016

Jornalistas e comentadores fracos a Matemática

"Tantos pensionistas a ocuparem o partido do Estado. (Francisco Louçã) 

«De facto, não é esse o número do Pordata. O Pordata diz que há 3.627.161 pensões em pagamento (dados de 2014). É muita gente? Parece que sim, só que não são 3.627.161 pensionistas. Basta pensar um segundo e a razão é evidente: é que há muita gente que recebe mais do que uma pensão. Lembram-se do ex-presidente Cavaco Silva? Recebe três e o assunto foi bastante falado. Pois muitos dos pensionistas recebem mais do que uma pensão, cumprindo a lei (como Cavaco Silva cumpre a lei, assinale-se para evitar falsos debates). É o que acontece a quem tem pensão de velhice e, sendo viúva ou viúvo, também tem uma pensão de sobrevivência, mas aplica-se igualmente noutros casos em que há acumulação de pensões (mais uma vez, é o que acontece com Cavaco).

Por isso, em contas mais certas, o The 2015 Ageing Report da Comissão Europeia apresenta um número total de pensionistas que é realista porque informado: 2.552 mil. É só um milhão a menos do que as contas que são tão comuns na imprensa e entre vários autores pouco dados ao estudo. Um milhão a menos é muito engano junto.»"
[Cit in blog «Entre as brumas da memória»]

quinta-feira, 28 de abril de 2016

A revolução fascista brasileira e os seus argumentos

A revolução fascista brasileira apresenta o argumento de que deve haver dois pesos e duas medidas!!!





No Público de hoje


«(...) É aqui, portanto, que situo a atual crise política vivida no Brasil, da qual podemos sair mais ou menos fortalecidos do ponto de vista do progresso de uma democracia que ainda não comemorou a terceira década. Dessa crise, pode derivar a destituição de uma Presidente da República, sem que ela tenha cometido qualquer crime de responsabilidade, pressuposto situado nas entranhas da Constituição, sem o qual o processo de impeachment se reveste de grave atentado ao documento que inaugurou entre nós um estado democrático de direito. Sem argumento convincente, a ponto de o saber jurídico nacional estar fraturado, tentam enquadrar, na categoria de tais crimes, duas posturas de Dilma Rousseff que não representam qualquer atentado ao ordenamento jurídico brasileiro, porque não possuem a necessária previsão legal: as ditas pedaladas fiscais e a assinatura de decretos de suplementação orçamentária.
Ambas as condutas, constantes da denúncia assinada por três juristas, e aceita por Eduardo Cunha, um presidente da Câmara enredado em escândalos de corrupção, são práticas corriqueiras na Administração Pública do Brasil: governadores e prefeitos recorrem a elas todos os dias, sem contar que todos os anteriores presidentes da república as cometeram ao longo de seus respectivos mandatos. Só agora, num gesto de franco atentado à segurança jurídica prevista na mesma Constituição, um conjunto de forças políticas, judiciais e mediáticas resolveu transmutar em crime de responsabilidade o que era e continua a ser visto, em Estados e municípios, como conduta habitual. E o pior: recorrem ao texto constitucional para respaldar algo que o próprio texto repudia. Trata-se de inominável esquizofrenia.

Um exemplo, apenas, para que entendamos com clareza o que se passa: Dilma Rousseff é acusada de ter cometido crime por ter assinado seis decretos de crédito suplementar, que — é bom que se diga — não aumentaram os gastos do governo. Por sua vez, em prática exatamente igual, o governador de São Paulo, do mesmo PSDB que agora pede a saída de Rousseff, assinou, no ano passado, mais de três dezenas de decretos com o mesmo teor. Na São Paulo de Geraldo Alckmin, sim; na Brasília de Dilma Rousseff, não. Não é demais recordar que o atual vice-presidente, Michel Temer, também autorizou decretos semelhantes em vários momentos em que assumiu interinamente a presidência durante as viagens de Dilma ao exterior. Nem Alckmin, nem Temer foram questionados em suas condutas. Não é crime de responsabilidade. O mesmo não se diz em relação a Rousseff. Como se vê, falta ao atual processo de impedimento a luz radiante da legalidade, sem a qual cairemos, indefesos, no pântano da insegurança jurídica e do arbítrio. (...)

(O autor é Doutorando em Comunicação da Universidade de Brasília. Investigador do Núcleo de Estudos em Mídia e Política da Universidade de Brasília (NEMP-UnB) e do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra (CEIS20/UC)»
[Cit in blog «O Tempo das Cerejas 2»]

A colonização de Portugal pelo IV Reich da Alemanha ou o caminho para o desastre

Já aqui escrevi que a União Europeia é o que é, não é o que os europeístas dizem que é, nem é aquilo que devia ser. A União Europeia produz desgraça e distribui desgraça, por imposição.
«O trabalho liberta», diziam
e dizem os alemães, especialmente se for mal pago, ou melhor ainda, se for trabalho escravo.

"Destinos




José Pacheco Pereira no Público de 25.04.2016:
«Não sou muito da escola dos “projectos nacionais”, que regularmente pergunta qual é o destino nacional, ou que critica o défice desse “projecto”. Entendo que, na maioria das vezes, se trata de uma espécie de redacção mais ou menos laboriosa sobre o “destino” de Portugal, de que não resulta senão uma série de desejos ideológicos ou truísmos vulgares. Para além do mais, sempre pensei que a história não só não tem direcção, como é, na sua essência, imprevisível e, por isso mesmo é, na melhor das hipóteses, inútil.
Mas percebo a tentação de o fazer. Há momentos em que uma espécie de estagnação parece atingir-nos e em que apetece perguntar: mas para onde é que isto vai? quando parece que não vai para lado nenhum. Tenho consciência de que a melhor resposta é “sei lá!”, fugindo da infeliz tentativa de responder à pergunta doutra maneira. Mas, no fundo, para que servem as tentações que não seja para nelas cair…
A gente olha para o nosso país - e eu olho para a minha “pátria amada” – e vê como essa estagnação antecede uma tempestade, e não gosta do que vê. E não gosta do que se espera. (…)

A questão da “Europa”, não a Europa, mas aquilo a que hoje chamamos Europa, é a mais grave que Portugal defronta. Começa porque a soberania nacional está seriamente diminuída em aspectos cruciais para a independência de um país. O nosso parlamento está castrado de poderes orçamentais e muito do governo do país é feito de fora, pelo BCE e pela Comissão Europeia, em particular pelo Eurogrupo.
Esta governação alheia, muito para além de qualquer legislação europeia em vigor, assente em práticas abusivas cada vez mais consentidas sem contestação, atenta, como se viu no caso da banca, contra o interesse nacional. A “Europa” actua como um governo federal que não foi eleito por ninguém, que assumiu poderes nos países mais débeis como a Grécia e Portugal e não toca num cabelo dos poderosos. Não é pelos resgates, nem pela dívida, está muito para além disso. (…)
Não podemos continuar nesta economia de mediocridade, moldada por uma ideologia que serve apenas os poderosos e que escarnece dos mais fracos. Os que não tem offshores, não desbarataram milhares de milhões de euros, não pediram milhões à banca para a deixar “mal parada”, mas estão condenados pela “Europa” a pagar estes custos. Por isso repito: com a “Europa” como ela é hoje, não vamos lá.»" [In blog «Entre as brumas da memória»]  

Os troikanos e as troikanas acharam que os portugueses deviam ser tratdos como cães por Passos Coelho e ainda acham, são curéis como os nazis e tal como os nazis defendem a via única

«Irracionalidade?



Nós bem que avisámos, em 2011, quando PS e PSD tiveram a péssima ideia de criar o conselho das finanças públicas, assim com letras pequenas: para lá da ineficiente sobreposição com a sempre útil Unidade Técnica de Acompanhamento Orçamental junto da AR, criando empregos para economistas com mais do que duvidosa utilidade social, tal instituição serviria de púlpito para Teodora Cardoso repetir o consenso de Bruxelas.

Esta veio agora dizer duas coisas em sua defesa: “Sobre a ideologia há uma ideologia que tenho – o respeito pela racionalidade económica”, favorecendo “políticas da oferta” para lá das “políticas de procura”. Assim se demonstra que a sua ideologia é mesmo a irracionalidade económica (na realidade a racionalidade é outra, e de classe, mas finjamos que tal não importa). Vamos por partes.

Em primeiro lugar, a sua ideologia é como se fosse a irracionalidade económica porque, com a sua defesa do aprofundamento da contraproducente austeridade, Teodora Cardoso faz tudo para esquecer algo que o antigo Presidente da República lembrou na sua única intervenção decente em dez anos: o défice é uma variável endógena, fundamentalmente dependente do andamento assim sempre medíocre da economia.

Em segundo lugar, Cardoso ignora o INE, quando este indica que os empresários continuam a não investir o suficiente em primeiríssimo lugar, é o que respondem nos inquéritos, por causa das expectativas pouco entusiasmantes de venda, ou seja, da tal procura que não arranca de forma significativa num contexto assim de estagnação na melhor das hipóteses. E relembro que o investimento, em percentagem do PIB, caiu quase para metade desde que temos o Euro.

Em terceiro lugar, as “políticas da oferta” de Cardoso, as tais reformas estruturais, na linha da desvalorização interna, destinam-se a reduzir o salário directo e indirecto, por via dos cortes no Estado social e da transferência de direitos de trabalhadores para patrões cada vez mais medíocres, aumentando a desigualdade, diminuindo a procura e aumentando as insolvências. A banca que não se queixe da degradação dos seus activos.

Em quarto lugar, o país não tem instrumentos de política – monetária, cambial, orçamental, de crédito, industrial – por culpa desta integração também tão saudada por Cardoso e pelo seu Banco (o tal que não é de Portugal). Os poderes públicos, condenados aos exercícios de ficção económica dos PEC, têm assim muita dificuldade em estimular a procura, interna e externa, dirigindo-a para os sectores produtivos nacionais que interessam e gerindo decentemente, e não através da destruição das capacidades produtivas, o único constrangimento que conta, o externo, o de balança de pagamentos. Não é aliás por acaso que estamos globalmente estagnados há duas décadas, sendo que a nossa procura interna foi entretanto das que menos cresceu, o que não nos impediu de acumular uma dívida externa brutal. Esta integração económica e monetária tem sido muito racional.» [In blog «Ladrões de Bicicletas»]

A alta burguesia domina as outras classes sociais, porque a evolução da Humanidade não é o que deveria ser

A evolução da espécie humana não está tão avançada como seria de desejar.



Em Democracia a maioria dos eleitores é que decide. Logo, a alta burguesia consegue dominar as outras classes sociais, por ser mais esperta. É a estupidez humana que permite que uma pequena minoria oprima uma grande maioria.

Um troikano, cão de guarda dos interesses da alta burguesia e da Alemanha, escreveu no jornal «Público» que admirava os eleitores que votaram, nas últimas eleições contra os seus próprios interesses. Esse troikano disse que esses masoquistas votaram contra eles próprios, porque votaram a favor do país. Ora, o país, aqui é a Alemanha não é Portugal. O indivíduo escreveu isto, porque a estupidez humana ainda está num alto estádio de desenvolvimento, e ele pensa que se deve cultivar, cientificamente, a estupidez humana, no actual estádio de desenvolvimento da evolução dos seres humanos.

A fraude fiscal através dos offshores, por parte da alta burguesia é tão escandalosa, e só é possível, nas democracias, porque a maioria dos eleitores tal permite!!!

terça-feira, 26 de abril de 2016

Os grupos terroristas ocidentais: a Inquisição, a Máfia da Sicília e o Clube de Bilderberg

O Clube de Bilderberg, um grupo de ladrões (e ladras), torturadores e (torturadoras) e assassinos (e assassinas) tem consciência dos seus crimes porque proíbe as actas das reuniões. As acções criminosas que discutem não podem ser conhecidas, nem pelos seus contemporâneos, nem pelas gerações futuras. Esta organização terrorista, anti-Democracia, está por detrás dos crimes mais sórdidos da chamada Direita Ocidental - offshores, golpes de Estado, fraudes fiscais em larga escala, desvio de grandes fundos para offshores, luvas de alto valor, salários de fome, proibição dos direitos laborais, tortura, guerras e pela propaganda na comunicação social contra tudo o que é Esquerda.

Um dos momentos de glória do chamado Clube de Bilderberg, na guerra contra a Democracia, foi o planeamente do golpe de Estado fascista de Pinochet.




Esta organização terrorista, ao serviço da pequena minoria que é a alta burguesia, tem aterrorizado as classes sociais e os povos que pretende dominar.

«Diz-me com quem andas



A representante da Arrow Global na Assembleia da República, Maria Luís Albuquerque, e o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, foram convidados por Durão Barroso a participar no próximo encontro do Clube Bilderberg, uma dessas instâncias de articulação elitista para a reorganização supostamente pós-nacional e claramente pós-democrática do capitalismo a favor do tal 1%. Dada a companhia e dados os objectivos, seria um bom sinal se Fernando Medina declinasse o convite, assim contrastando com a pronta aceitação de Albuquerque. Neste último caso, já pode realmente aplicar-se o diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és politicamente, ou seja, o modelo de sociedade que defendes.» [In blog «Ladrões de Bicicletas»]


domingo, 24 de abril de 2016

O neoliberalismo é uma ideologia criminosa como o nazismo



O neoliberalismo defende o direito das instituições financeiras a inventarem novas fraudes bancárias, através da desregulamentação. O neoliberalismo defende a destruição do Estado, através da privatização de tudo o que dá lucro. O neoliberalismo defende a fraude através dos offshores. O neoliberalismo defende a morte pela fome e por ausência de cuidados médicos, é uma ideologia homicida.

sábado, 23 de abril de 2016

REVOLUÇÃO DE 25 DE ABRIL DE 1974 EM PORTUGAL – O IMPACTO PROFUNDO E A COLONIZAÇÃO ALEMÃ NO SÉCULO XXI


Em 25 de Abril de 1974, em Portugal, houve um golpe de Estado militar comandado pelo major Otelo de Saraiva de Carvalho, que graças ao apoio popular se transformou numa revolução. O objectivo número 1 era derrubar a ditadura fascista que tinha como primeiro-ministro o professor catedrático de Direito Marcelo Caetano e como presidente da II República ditatorial o Almirante Américo Tomás.
Foi o capitão Salgueiro Maia, já falecido, que conseguiu a rendição de Marcelo Caetano, no quartel da GNR do Carmo, em Lisboa, após uma barragem de tiros de metralhadora, e ameaça de demolir o quartel a tiros de canhão.

O golpe de Estado militar foi organizado pelo MFA (Movimento das Forças Armadas), constituído, maioritariamente por capitães do quadro.

As pessoas afectas ao PSD e ao CDS, em privado, e em público, cheguei a ouvir na  rádio, durante o governo de Passos Coelho, dizem que eles fizeram o golpe de Estado por terem medo de combater em África.

A Revolução de 25 de Abril de 1974 teve um impacto muito profundo em África. Deu a independência a Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Deu, directamente, origem ao colapso do regime do apartheid da África do Sul.

Deu também a independência a Timor-Leste, mas foi alvo de muito selvagem invasão e ocupação militar pela Indonésia, dizem que  por ordem dos Estados Unidos ou, pelo menos, com a concordância dos Estados Unidos, tornando-se uma colónia da Indonésia. Com muita luta, perseverança, e com o apoio de Portugal e muita sorte Timor-Leste conseguiu tornar-se independente da Indonésia.



O caso de Macau é diferente. Macau foi um pequeno território da China, que a própria China ofereceu a Portugal, como meio de agradecimento pelos serviços prestados pelos portugueses à China na luta contra os piratas que infestavam a costa chinesa. Macau voltou para a soberania da China, por meios estritamente diplomáticos, sem qualquer ameaça de tipo militar. Se a China quisesse ocupar militarmente Macau bastava-lhe, mandar entrar nesse território um pequeno destacamento, mas essa hipótese nunca foi posta, devido ao facto de ter sido a China que ofereceu o território de Macau a Portugal. A China reconheceu, formalmente, a soberania portuguesa em Macau no século XIX. Macau voltou à soberania da China, diplomaticamente e formalmente, em 1999.
O, actual, nome oficial de Macau é Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China.
Na Europa teve influência directa na queda do fascismo na Espanha. Os fascistas espanhóis mais inteligentes, perceberam que se queriam salvar as suas vidas tinham que abandonar o poder quanto antes. Assim os fascistas espanhóis renderam-se sem luta, com apenas uma condição: que todos os seus crimes fossem amnistiados, quer durante a guerra-civil de 1936-1939, quer durante o exercício da ditadura fascista-franquista. Eles perceberam que se houvesse uma revolução em Espanha semelhante à de 25 de Abril de 1974 em Portugal seriam todos mortos, as vinganças da guerra-civil e da ditadura iam cair sobre as vidas deles, que não seriam poupadas.

A nível interno nunca saberemos a verdade sobre a revolução que começou em 25 de Abril de 1974 e terminou com um golpe de Estado militar dirigido por oficiais próximos do PS, em 25 de Novembro de 1975. A verdade verdadeira é algo que não interessa a ninguém, nem sequer aos historiadores. A «verdade oficial» publicada em livros, jornais e revistas e a «verdade oficial» relatada em  entrevistas pelos personagens que já ficaram na História de Portugal, mas que ainda estão vivos, não corresponde aos factos relatados por pessoas fidedignas que conheço e que os testemunharam.

O homem forte da revolução do alto comando militar foi o então general (depois marechal) Costa Gomes, que conseguiu evitar uma guerra-civil semelhante à de 1832-1834 contra a ditadura do rei D. Miguel. Houve focos de guerra-civil, mas nunca chegou a haver uma guerra-civil generalizada como em 1832.
A Revolução de 25 de Abril de 1974 pôs fim à II República de Portugal (ditatorial-fascista) e iniciou a III República, que está programada na última Constituição de Portugal, a de 1976.
A Primeira Constituição de Portugal foi a de 1822, a segunda a de 1826, a terceira a de 1838, todas estas três monárquicas, a quarta a de 1911, que foi a primeira republicana, a quinta a de 1933 (que definiu uma república ditatorial) e a sexta a de 1976.

Socialmente representou uma pesada derrota da alta burguesia, que fugiu em peso para o Brasil. Mas foi uma derrota temporária.

O poder de hoje, de inspiração salazarista, sabe muito bem que não há alternativas teóricas ao poder dominante das altas burguesias. Passos Coelho fez o que pensa que Salazar faria no lugar dele, numa época, em que os fascismos passaram de moda.

Socialmente, estamos a voltar ao Portugal salazarista, pobre, e com altíssimas desigualdades sociais. Duas famílias da alta burguesia dominantes com Salazar, eram a família Melo e a família Espírito Santo. Ora, a família Espírito Santo acabou por ter uma gestão perigosa dos seus bens, que a levou a uma relativa ruína, com o colapso do BES.

O futuro de Portugal foi o regresso à pobreza e às desigualdades sociais do salazarismo. Foi nesse regresso que estiveram empenhados Passos Coelho, Paulo Portas e Cavaco Silva e os seus apoiantes, conhecidos por troikanos, amantes do empobreciemento acentuado e da Ditadura de Berlim.

A União Europeia é, de facto, hoje, o IV Império da Alemanha. Berlim manda na União Europeia, via Bruxelas (CE) e via Frankfurt (BCE).

Durante o governo Passos Coelho – Paulo Portas Portugal foi colonizado pela Alemanha, que impôs um retrocesso civilizacional de grande magnitude, muito do agrado de Passos Coelho, de Paulo Portas e de Cavaco Silva e dos troikanos.

O governo PS de António Costa, apoiado pelo Bloco de Esquerda, pelo PCP e por Os Verdes é um governo de resistência à ditadura desumana da Alemanha, via CE e via BCE. Espero que este governo resista à colonização alemã, cujo objectivo é o empobrecimento acentuado da maioria da população prtuguesa.

Os plutocratas contra Dilma Rousseff

«A história da crise política no Brasil, e a mudança rápida da perspectiva global em torno dela, começa pela sua mídia nacional. A imprensa e as emissoras de TV dominantes no país estão nas mãos de um pequeno grupo de famílias, entre as mais ricas do Brasil, e são claramente conservadoras. Por décadas, esses meios de comunicação têm sido usados em favor dos ricos brasileiros, assegurando que a grande desigualdade social (e a irregularidade política que a causa) permanecesse a mesma.
Aliás, a maioria dos grandes grupos de mídia atuais – que aparentam ser respeitáveis para quem é de fora – apoiaram o golpe militar de 1964 que trouxe duas décadas de uma ditadura de direita e enriqueceu ainda mais as oligarquias do país. Esse evento histórico chave ainda joga uma sombra sobre a identidade e política do país. Essas corporações – lideradas pelos múltiplos braços midiáticos das Organizações Globo – anunciaram o golpe como um ataque nobre à corrupção de um governo progressista democraticamente eleito. Soa familiar?
Por um ano, esses mesmos grupos midiáticos têm vendido uma narrativa atraente: uma população insatisfeita, impulsionada pela fúria contra um governo corrupto, se organiza e demanda a derrubada da primeira presidente mulher do Brasil, Dilma Rousseff, e do Partido dos Trabalhadores (PT). O mundo viu inúmeras imagens de grandes multidões protestando nas ruas, uma visão sempre inspiradora.

Mas o que muitos fora do Brasil não viram foi que a mídia plutocrática do país gastou meses incitando esses protestos (enquanto pretendia apenas “cobri-los”). Os manifestantes não representavam nem de longe a população do Brasil. Ao contrário, eles eram desproporcionalmente brancos e ricos: as mesmas pessoas que se opuseram ao PT e seus programas de combate à pobreza por duas décadas.
Aos poucos, o resto do mundo começou a ver além da caricatura simples e bidimensional criada pela imprensa local, e a reconhecer quem obterá o poder uma vez que Rousseff seja derrubada. Agora tornou-se claro que a corrupção não é a razão de todo o esforço para retirar do cargo a presidente reeleita do Brasil; na verdade, a corrupção é apenas o pretexto.
O partido de Dilma, de centro-esquerda, conseguiu a presidência pela primeira vez em 2002, quando seu antecessor, Lula da Silva, obteve uma vitória espetacular. Graças a sua popularidade e carisma, e reforçada pela grande expansão econômica do Brasil durante seu mandato na presidência, o PT ganhou quatro eleições presidenciais seguidas – incluindo a vitória de Dilma em 2010 e, apenas 18 meses atrás, sua reeleição com 54 milhões de votos.
A elite do país e seus grupos midiáticos fracassaram, várias vezes, em seus esforços para derrotar o partido nas urnas. Mas plutocratas não são conhecidos por aceitarem a derrota de forma gentil, ou por jogarem de acordo com as regras. O que foram incapazes de conseguir democraticamente, eles agora estão tentando alcançar de maneira antidemocrática: agrupando uma mistura bizarra de políticos – evangélicos extremistas, apoiadores da extrema direita que defendem a volta do regime militar, figuras dos bastidores sem ideologia alguma – para simplesmente derrubarem ela do cargo.
Inclusive, aqueles liderando a campanha pelo impeachment dela e os que estão na linha sucessória do poder – principalmente o inelegível Presidente da Câmara Eduardo Cunha – estão bem mais envolvidos em escândalos de corrupção do que ela. Cunha foi pego ano passado com milhões de dólares de subornos em contas secretas na Suíça, logo depois de ter mentido ao negar no Congresso que tivesse contas no exterior. Cunha também aparece no Panamá Papers, com provas de que agiu para esconder seus milhões ilícitos em paraísos fiscais para não ser detectado e evitar responsabilidades fiscais.


É impossível marchar de forma convincente atrás de um banner de “contra a corrupção” e “democracia” quando simultaneamente se trabalha para instalar no poder algumas das figuras políticas mais corruptas e antipáticas do país. Palavras não podem descrever o surrealismo de assistir a votação no Congresso do pedido de impeachment para o senado, enquanto um membro evidentemente corrupto após o outro se endereçava a Cunha, proclamando com uma expressão séria que votavam pela remoção de Dilma por causa da raiva que sentiam da corrupção.
Como o The Guardian reportou: “Sim, votou Paulo Maluf, que está na lista vermelha da Interpol por conspiração. Sim, votou Nilton Capixaba, que é acusado de lavagem de dinheiro. ‘Pelo amor de Deus, sim!’ declarou Silas Câmara, que está sob investigação por forjar documentos e por desvio de dinheiro público.”

Um artigo do New York Times da semana passada reportou que “60% dos 594 membros do Congresso brasileiro” – aqueles votando para a cassação de Dilma- “enfrentam sérias acusações como suborno, fraude eleitoral, desmatamento ilegal, sequestro e homicídio”. Por contraste, disse o artigo, Rousseff “é uma espécie rara entre as principais figuras políticas do Brasil: Ela não foi acusada de roubar para si mesma”.Mas esses políticos abusaram da situação. Nem os mais poderosos do Brasil podem convencer o mundo de que o impeachment de Dilma é sobre combater a corrupção – seu esquema iria dar mais poder a políticos cujos escândalos próprios destruiriam qualquer carreira em uma democracia saudável.
O chocante espetáculo da Câmara dos Deputados televisionado domingo passado recebeu atenção mundial devido a algumas repulsivas (e reveladoras) afirmações dos defensores do impeachment. Um deles, o proeminente congressista de direita Jair Bolsonaro – que muitos esperam que concorra à presidência e em pesquisas recentes é o candidato líder entre os brasileiros mais ricos – disse que estava votando em homenagem a um coronel que violou os direitos humanos durante a ditadura militar e que foi um dos torturadores responsáveis por Dilma. Seu filho, Eduardo, orgulhosamente dedicou o voto aos “militares de 64” – aqueles que lideraram o golpe.

Até agora, os brasileiros têm direcionando sua atenção exclusivamente para Rousseff, que está profundamente impopular devido a grave recessão atual do país. Ninguém sabe como os brasileiros, especialmente as classes mais pobres e trabalhadoras, irão reagir quando verem seu novo chefe de estado recém-instalado: um vice-presidente pró-negócios, sem identidade e manchado de corrupção que, segundo as pesquisas mostram, a maioria dos brasileiros também querem que seja cassado.
O mais instável de tudo, é que muitos – incluindo os promotores e investigadores que tem promovido a varredura da corrupção – temem que o real plano por trás do impeachment de Rousseff é botar um fim nas investigações em andamento, assim protegendo a corrupção, invés de puni-la. Há um risco real de que uma vez que ela seja cassada, a mídia brasileira não irá mais se focar na corrupção, o interesse público irá se desmanchar, e as novas facções de Brasília no poder estarão hábeis para explorar o apoio da maioria do Congresso para paralisar as investigações e se protegerem.
Por fim, as elites políticas e a mídia do Brasil têm brincado com os mecanismos da democracia. Isso é um jogo imprevisível e perigoso para se jogar em qualquer lugar, porém mais ainda em uma democracia tão jovem com uma história recente de instabilidade política e tirania, e onde milhões estão furiosos com a crise econômica que enfrentam.»


[ David Miranda in «The Guardian»]

A tragédia brasileira

«A TRAGÉDIA BRASILEIRA

UM ESPECTÁCULO DEGRADANTE



O espectáculo a que no domingo passado assistimos durante várias horas, em directo, pela televisão, a partir de Brasília, da Câmara dos Deputados da República Federativa do Brasil, foi um dos espectáculos políticos mais degradantes que nos foi dado presenciar em toda a vida.



Decidia-se a viabilização do impeachment, ou seja, da destituição da Presidente do Brasil com base em crime de responsabilidade previsto no art.º 85.º da Constituição Federal, tramitado nos termos do art.86.º do mesmo diploma e demais legislação ordinária aplicável.



A Presidente Dilma Rousseff é acusada de ter praticado vários crimes de responsabilidade, a seguir sumariamente identificados: a)“pedaladas fiscais”, que no jargão brasileiro significa contracção de empréstimos para suprir défices orçamentais; b) promulgação e publicação de alguns decretos destinados à concessão de créditos suplementares ao Orçamento de 2014 sem autorização do Congresso; c) negligência na fiscalização da Petrobras; d) maquiagem das contas da previdência; e) veto ao fim do sigilo das operações do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES); f) corte, em 2015, no gasto público de 8 600 milhões de reais, sem autorização do Congresso; e mais uns tantos crimes eleitorais (financiamento de campanhas), estes da jurisdição do Supremo Tribunal Eleitoral.



A instrução deste processo pressupõe a prévia aceitação pelo Presidente da Câmara dos Deputados das acusações que qualquer cidadão pode formular nos termos da Constituição. Por ano, são às dezenas as acusações que chegam à Câmara apresentadas por alguns dos 200 milhões de habitantes do Brasil. Em todos os mandatos, depois de Color de Mello (primeiro impeachment na vigência da Constituição de 1988), houve pedidos de impeachment que nunca foram aceites.



O impeachment para ser instruído precisa de ser aceite pelo Presidente da Câmara dos Deputados, que actualmente está sob a presidência de Eduardo Cunha (PMDB), até há pouco pertencente à base governista. Tendo em carteira vários pedidos de impeachment contra a Presidente e havendo também contra si, pendente na Câmara, um pedido de cassação de mandato por corrupção, com provas aparentemente indiscutíveis, Cunha – o típico político brasileiro – jogou com as duas situações: se o PT se comprometesse a votar contra a investigação destinada a decidir sobre a cassação do seu mandato, ele não aceitaria o pedido de impeachment; se não se comprometesse, o pedido de impeachment seria aceite. Assim, tal e qual! Como o PT não se comprometeu, Cunha fez “negócio” com o PSDB: aceitaria os pedidos de impeachment contra a Presidente, se o PSDB e aliados votassem contra a instrução do seu processo de cassação. O negócio fez-se e o impeachment foi admitido.


Feito o “negócio”, começou a via sacra da Presidente. Cunha aceitou os pedidos e fez votar, contra a praxe constitucional em vigor, a composição da comissão instrutora à revelia das lideranças partidárias. Entretanto, a maioria da comunicação social, em guerra aberta contra o PT, encarregou-se de criar na opinião pública um clima muito desfavorável à Presidente; por outro lado, as entidades que conduziam a investigação de alguns processos de corrupção, como a famosa Operação Lava Jacto, nos quais está implicada grande parte da classe política brasileira, com a colaboração de magistrados judiciais filiados no PSDB ou simplesmente movidos por uma militância política invejável contra o governo, foram passando selectivamente para a comunicação social partes comprometedores dessas investigações para assim acentuar junto da opinião pública a ideia de que a corrupção no Brasil era no essencial comandada pelo PT. Embora nada houvesse contra a Presidente neste estrito domínio da corrupção, os sucessivos “vazamentos” de peças processuais criaram o tal clima propício a fazer prosperar qualquer acusação. Não havia corrupção da Presidente, mas havia os tais “crimes” acima referidos. E foi com eles que se fez o arremedo de instrução que domingo passado a Câmara decidiu viabilizar.



A viabilização do processo carece de aprovação pela Câmara dos Deputados por dois terços dos deputados e tem em vista o seu envio para o Senado onde será julgado. Este, por seu turno, terá de decidir por maioria simples (41 votos) se aceita ou não o processo; se não aceitar, nada acontecerá; se aceitar, a Presidente é imediatamente suspensa por 180 dias, prazo durante o qual o cargo será exercido pelo Vice-Presidente e no qual o processo terá de ser julgado pelo Senado; se o julgamento não ocorrer dentro desse prazo, a Presidente retoma as suas funções aguardando no desempenho destas o julgamento do Senado. A decisão condenatória do Senado, que implica a destituição da Presidente, tem de ser aprovada por dois terços (54 votos) para ter esta consequência.



Como é óbvio, a instrução de um processo desta natureza por um órgão político, só poderá ser uma instrução orientada por critérios políticos. O que no presente processo assume foros de profunda rejeição e repugnância por uma mentalidade criada e formada à luz dos padrões europeus é, por um lado, a vulgaridade do pretexto que serve de base ao impeachment e, por outro, a volatilidade dos votantes, sendo que a maioria destes é constituída pelos aliados de véspera.



A destituição de um Presidente da República, eleito directamente pelo voto popular, é um acto de extrema gravidade na medida em que opera a substituição da legitimidade democrática originária por uma legitimidade derivada, visto o novo Presidente retirar a sua legitimidade do voto do Congresso. É uma espécie de eleição indirecta que afasta o resultado da eleição directa. Assim sendo, só por factos gravíssimos ela se poderá justificar. A lei, em teoria, conta com a honorabilidade dos deputados e exige uma maioria qualificada para garantir a justeza do resultado.



O grave da situação a que no domingo assistimos é, insiste-se, a vulgaridade dos factos indiciados, relativamente aos quais quase nenhum votante do SIM se referiu e a volatilidade do voto. Ou seja, aqueles que ainda há um mês faziam parte da "base aliada"e votavam favoravelmente na Câmara as propostas por apresentadas pelo Governo, passaram, do dia para a noite, a renegar o que durante cerca de quinze anos tinham defendido.



Apesar de este procedimento já ser em si muito grave, terá de reconhecer-se que muitíssimo mais grave é no Brasil quase toda a gente achar isto perfeitamente normal. Essa a verdadeira tragédia brasileira! Essa a razão por que o espectáculo de ontem repugnou às mentalidades democráticas. Repugnou a ponto de causar vómitos não tanto a condução dos trabalhos por um corrupto pertinaz e desavergonhado, como o ar de felicidade incontida com que o Vice-presidente assistia na residência oficial à votação na Câmara, ele que tinha sido eleito como aliado na “chapa” de Dilma. Um acto público de traição como somente as personalidades completamente desprovidas de carácter e de valores são capazes de protagonizar. Esta, sim, a verdadeira tragédia brasileira. A completa ausência de valores que tudo faz parecer normal, absolutamente normal.

Era mais que evidente para quem conhece minimamente os meandros da política brasileira que o SIM só em casos muito contados foi um voto ideológico. O SIM, os 367 votos que deram luz verde ao envio do processo para o Senado, era no essencial um voto negociado. Um voto em troca de favores de toda a espécie. Diz-se no Brasil – e este facto será fácil de confirmar – que nunca o aeroporto de Brasília recebeu tantos “voos executivos” como em 16 e 17 de Abril do passado fim de semana…


Com este acto, com a vergonhosa palhaçada que acompanhou a votação de domingo, a “democracia” brasileira desacredita-se aos olhos do mundo e, pior do que isso, será motivo de chacota em toda a América Latina. Os “catedráticos” que ainda há dias desmereciam do operário “semi-analfabeto” e exigiam que o Brasil fosse governado por gente culta, bem podem agora orgulhar-se da vergonhosa imagem que deram do Brasil a que eles pertencem e do Brasil que eles realmente querem "reconstruir"!


sexta-feira, 22 de abril de 2016

Director-adjunto da SIC vira ministro virtual devido a troca de fotografia pela União Europeia


https://3.bp.blogspot.com/-UNV6Rj1Dx9I/Vxpsupm3h7I/AAAAAAAAoVs/P--hGt6cVXsr0aVFw5cJTXGuVNOMS7qTwCLcB/s1600/gomesf.jpg


[In blog «O Tempo das cerejas 2»]

O neoliberalismo e o fascismo são duas ideologias associadas, como no Chile com a dupla Pinochet - Milton Friedman

Salvador Allende o presidente eleito em eleições livres, derrubado e assassinado pelo neoliberal Pinochet, que foi apoiado pelos países da NATO e da então CEE, os chamados defensores dos valores ditos ocidentais





O cantor chileno Victor Jara antes de ser torturado, nomeadamente com o esfacelamento das mãos, e assassinado, pelo neoliberal Pinochet

quinta-feira, 21 de abril de 2016

A revolução fascista brasileira quer demitir a Presidente Dilma Rousseff, porque cometeu o crime hediondo de ganhar eleições presidenciais livres.


Para os fascistas ganhar eleições livres é um crime, muitíssimo grave, isto é, um crime hediondo. É por isso que querem por a governar quem se fosse a votos em eleições directas livres nem sequer conseguiria 10% dos votos. 


A Direita portuguesa apoia o objectivo número um da revolução fascista brasileira que é a demissão da presidente eleita em eleições directas livres, e boa parte dos comentadores da Esquerda também, alguns chegam ao descaramento de quererem mandar no pensamento de Dilma, como acontecia no tempo da Inquisição e do tráfico negreiro, isto é, querem que Dilma adira ao fascismo, considere um crime muito grave ter ganho as eleições presidenciais livres e se demita.!!!!!! Isto mostra bem a podridão que vai na comunicação social portuguesa, quer entre os jornalistas quer entre os comentadores.

«After the impeachment vote against Brazilian president Dilma Rousseff, attention is shifting to her accuser-in-chief, who is charged with greater crimes – but looks more likely to escape justice.


Lower house speaker Eduardo Cunha, an evangelical conservative and conspiratorial mastermind, started and steered the drive to remove the country’s first female leader from power as a means of reducing the risks to himself from investigations by a congressional ethics committee and prosecutors for alleged perjury, money laundering and receipt of at least $5m in bribes.» (In «The Guardian»)

A União Europeia é aquilo que é, não aquilo que os europeístas dizem que é, nem aquilo que devia ser, é uma desgraça, produtora de desgraças

A União Europeia é aquilo que é, uma ditadura implacável, por ordem de Berlim, via Frankfurt e via Bruxelas. A União Europeia é o contrário do que devia ser, um espaço para promover o bem-estar colectivo e individual, aproximando o nível de vida dos países menos desenvolvidos, do nível de vida dos países mais desenvolvidos.


A União Europeia é aquilo que é, uma ditadura implacável às ordens de Berlim, via Frankfurt e via Bruxelas que promove o empobrecimento e o desemprego em larga escala. Os países «ajudados» pela Troika (CE + BCE + FMI), em vez de serem ajudados são arruinados, neles, a CE, o BCE e o FMI provocam um brutal empobrecimento da maioria das pessoas, provocam falências e desemprego, fome e desespero.

Também na imprensa aparecem uns textos mostrando que o rei vai nu na União Europeia, como este de Ana Sá Lopes no jornal «i», a seguir.



Ana Sá Lopes 20/04/2016
Ana Sá Lopes
Política

ana.lopes@ionline.pt


A Comissão Europeia vota Passos. E agora?

Toda a gente sabe que o governo PS apoiado pelo Bloco e PCP, vulgo geringonça, não acabou com a austeridade.
Não acabou porque não podia acabar – o “rigoroso respeito pelos compromissos europeus” não deixa, pura e simplesmente. De resto, é curioso ver que quem criticou o governo por ter feito aumentos miseráveis nas reformas são precisamente os mesmos que acusaram o mesmo governo de se preparar para “gastar à fartazana”.
O papel que a Comissão Europeia publicou na segunda-feira – com dados recolhidos até Fevereiro – é um manifesto estrondosamente ideológico cuja publicação parece ter sido destinada a “ameaçar” um governo que vai apresentar o Programa de Estabilidade no Conselho de Ministros de amanhã. O que quer a Comissão? Voltar aos tempos da troika ou, no mínimo, aos do governo PSD/CDS. Está tudo lá escrito, embora envolvido em duvidosos argumentos que só alegadamente são “técnicos”.
A “Europa” fez desaparecer a democracia interna de cada país ou, pelo menos, dos países mais vulneráveis. A humilhação imposta à Grécia depois do referendo foi um ato de vendetta contra um projeto alternativo. É muito provável que o mitigado projeto alternativo português – uma geringonça com o PS no governo e o Bloco e o PCP na oposição – venha a ser alvo, senão das mesmas tentativas de vingança, de algumas muito parecidas. Ler o relatório das sumidades da Comissão é um bom princípio para perceber como funcionam aquelas cabeças – que não se inibem de dizer que Portugal estava em muito melhores condições quando estava sob a gestão da troika.
Como as regras europeias ilegalizaram, na prática, a esquerda,
vai ser interessante assistir às cenas dos próximos capítulos. Enquanto o PS é um partido adaptável – a sua base de apoio oscila entre a esquerda “alegre” e os sociais-democratas que até se podiam rever num PSD menos liberal –, o Bloco não o é tanto e o PCP não o é de todo. Os próximos meses arriscam-se a ser muito duros.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

BCE recusa a Centeno divulgação de correspondência sobre o Banif


«Diogo Cavaleiro | diogocavaleiro@negocios.pt | 20 Abril 2016, 00:01

BCE recusa a Centeno divulgação de correspondência sobre o Banif
REUTERS

  • O Ministério das Finanças está proibido, pelo BCE, de divulgar a correspondência de e-mails em que o Banif foi tema. A decisão partiu de Frankfurt, que argumenta ter o direito de proteger trocas de ideias.
O Banco Central Europeu recusa que o Ministério das Finanças divulgue, junto da comissão de inquérito ao Banif, a troca de correspondência entre as duas entidades que tenha o banco como tema. Sobre os documentos oficiais ...» (In «Negócios» net)

A questão que se coloca é esta: e se Centeno divulgar, vem a Lisboa tropas alemãs prendê-lo?!

O crime organizado na Comunicação Social - Rede Globo, Folha de S. Paulo, SIC e outras instituições do género

«Que felizes que eles devem estar


A tradição ainda é o que era




Há 52 anos»

[In blog «O tempo das cerejas 2»]

terça-feira, 19 de abril de 2016

A revolução fascista brasileira tem por objectivo colocar os mais corruptos no poder

«O deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) lembrou os militares de 1964 e o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, comandante do DOI-Codi entre 1970 e 1974. Trata-se de um dos militares mais temidos da ditadura e que torturou a própria Dilma Rousseff. » 

Um dos mais sórdidos criminosos da ditadura fascista brasileira, o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que devia ser julgado como foram os nazis em Nuremberga, foi muito elogiada pelos corruptos que destituíram Dilma Rousseff, por ela não ser corrupta.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

O nazismo ou o Estado, as Autoridades e a Comunicação Social nas mãos de criminosos que foram julgados e condenados à morte




Nos Julgamentos de Nuremberga, de 1945-46, os líderes nazistas que não fugiram ou que não se suicidaram foram condenados à morte e executados por enforcamento. O Führer Adolf Hitler optou pelo suicídio, assim como o chefe da Comunicação Social Josef Goebbels.


Depois da derrota do III Reich da Alemanha convencionou-se, erradamente, que o Estado, as instituições do Estado, as Autoridades e a Comunicação Social não se dedicavam ao Crime Organizado. Ora o BCE, a chamada Comissão Europeia, o Eurogrupo, o corrupto e o ladrão que estão a dirigir com relativo sucesso a revolução fascista brasileira, porque conseguiram maioria de 2/3 na Câmara de Deputados, o ditador da Turquia Erdogan, a Rede Globo, a SIC, e outras pessoas e instituições semelhantes, dedicam-se ao Crime Organizado.

O Crime Organizado está prestes a tomar o poder no Brasil, logo após a destituição da Presidente da República eleita, em eleições directas, Dilma Rousseff.


«A família brasileira está salva






Golpistas, recolham suas indignações seletivas e suas panelas. O país está em paz. Encaminhou-se a consumação do golpe. Guardem o que sobra da brutalização das falas e dos gestos para outros momentos, porque daqui a alguns anos teremos outro golpe, e depois mais outro, até o fim dos tempos. 

Está tudo dominado. Ninguém mais precisa ter medo das cotas, do ProUni e das fortunas que mantêm milhões de vagabundos viciados em Bolsa Família. Salvaram-se reputações, interesses e brioches. Recolham o medo que um dia sentiram do avanço do comunismo, da nova classe média e do filho da empregada que vai virar doutor e pode ter a petulância de querer tratar dos nossos reumatismos.

A família brasileira, tão exaltada nos discursos do golpe na Câmara, estará em breve sob a liderança do grande chalaça. O líder Michel Temer foi o que sobrou para a direita enrustida. A direita que andou de mãos dadas com Bolsonaro e com Zé Agripino (onde andam Zé Agripino e Aloysio Nunes Ferreira, se já podem sair dos esconderijos?) tem agora a quem seguir. 

A direita, tão agarrada a lições bíblicas - citadas à exaustão na falação na Câmara -, passou trabalho mas venceu, depois de abandonar Aécio e os tucanos avariados pelas pesquisas sobre as eleições de 2018. Vai seguir a orientação do autor de uma carta infantil com queixas de que Dilma nunca olhou direto nos seus olhos e nunca ligou para suas carências afetivas. 

Mas o medíocre Michel Temer, Cunha e seus asseclas desmoralizaram o jornalismo brasileiro. Nunca se viu tantos jornalistas sob a saia de golpistas. Vergonhosamente, nunca se viu tão pouco jornalismo.

Desde ontem, os golpistas e seus cúmplices (inclusive os camuflados) podem acalmar suas almas. Já podem até jogar Eduardo Cunha ao mar. Podem dormir em paz porque o Brasil e a Lei de Responsabilidade Fiscal, sem pedaladas, estarão daqui a pouco sob a austeridade de Michel Temer e de Armínio Fraga. 

Liberais, defensores de normas e leis que os favoreçam, adoradores do livre mercado que ontem votaram em nome de Deus e da família, durmam em paz.  Indignem-se com a corrupção e continuem aplaudindo corruptos impunes. Economizem os discursos duplos, as duas caras, a falsa defesa da democracia. Cuidem bem da fala dos seus oráculos adesistas. 

Comemorem, abram champanhe, reabram contas secretas, voltem a superfaturar metrôs, roubem a merenda das crianças paulistas e enterrem a Lava-Jato antes que chegue mais perto das suas casas, dos seus governos e dos seus ninhos. Peçam para que os delatores parem de delatar Aécio Neves. Leiam a Constituição onde lhes interessa, declamem o Hino, vistam a camiseta da Seleção dos 7 a 1.

Percorram o Brasil com Janaína Paschoal em sessões de exorcismo. Gritem o nome do procurador-geral da República, de Gilmar Mendes e do juiz Moro. Elejam o japonês da Federal como o mais votado deputado brasileiro de todos os tempos. Reexaminem com cuidado, sabedoria e critério a Previdência Social, o SUS, o FGTS, os direitos trabalhistas. Façam o arrocho sem parcimônia.  

O governo será de Michel Temer, do Lobão, do Paulinho da Força, do Caiado, do Abel das Galinhas, dos investidores estrangeiros e dos seguidores dos patos da Fiesp. Eles conseguiram o que velhos protagonistas e figurantes da velha direita do golpe que derrubou Jango nunca imaginaram. A nova direita venceu e tomará o poder sem votos, sem farda e sem tanques. 

Golpistas sobreviventes de 64 devem estar espantados com o que viram ontem, enquanto Eduardo Cunha votava pelo golpe e rogava aos céus para que Deus tenha misericórdia do Brasil. Com tanta proteção, não há quem possa conspirar contra a família brasileira.

Moisés Mendes, jornalista brasileiro» [Cit. in blog «Entre as brumas da memória»]