terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Diferentes caminhos políticos na Espanha


A Espanha está numa encruzilhada política e há diferentes alternativas. Afinal, há alternativas à ditadura de Berlim via Bruxelas (CE) e via Frankfurt (BCE).


O défice de três por cento foi mais ou menos calculado por moeda ao ar, absolutamente ao acaso!


«PEDRO SANCHEZ EM GRANDES DIFICULDADES 


Não está fácil a formação de um Governo em Espanha na actual composição parlamentar. Sanchez, muito pressionado pelos “barões”, tenta a quadratura do círculo: um governo com Ciudadanos e com Podemos. Mas Ciudadanos não aceitam pertencer a um governo em que esteja o Podemos, nem sequer abster-se. E Podemos, neste quadro, como diz Iglesias, nem tem que se pronunciar.


PP (Rajoy) votará contra um Governo PSOE/Ciudadanos e o mesmo fará o Podemos. Aliás, Rajoy já informou que o PP só participará em governos liderados por ele.


Uma aliança PSOE/Podemos precisa de mais 15 deputados (votos a favor ou abstenção) para passar. Tanto o PP como os Ciudadanos já declararam que votarão contra. Como os socialistas impuseram a Sanchez a recusa de aceitação da abstenção dos independentistas da Catalunha, tendo também um dos partidos catalães (Democracia e Liberdade) declarado que votaria contra tal aliança, restam os deputados da Izquierda Unida e do PNV…que não são suficientes.


Entretanto, multiplicam-se as pressões para a formação de um governo PP/PSOE ou, no mínimo, um governo PP/Ciudadanos com abstenção do PSOE. Pouco provável depois de tudo o que Sanchez já disse, a menos acontecesse algo que também não parece provável: a renúncia de Rajoy e a sua substituição por alguém menos ligado à corrupção.


Se esta última solução (muito do agrado dos “barões” do PSOE e já publicamente apoiada por Felipe Gonzalez) fosse posta em prática, Sanchez perderia a face e o PSOE o papel de partido alternativo, intensificando muito provavelmente a sua “pasokização”.


Daí que o mais provável seja a convocação de novas eleições, parecendo agora que os mais prejudicados com esta solução seriam o PSOE e os Ciudadanos.


Insistimos na “questão espanhola” porque estamos plenamente convencidos que somente uma solução à esquerda em Espanha poderia garantir algum alento à actual solução governativa portuguesa.


Sem a voz de um grande país que não tenha dúvidas em secundarizar o Tratado Orçamental relativamente à defesa do estado social (promessa que Sanchez não se tem cansado de repetir e, obviamente, também Iglésias) vai ser muito difícil a um país pequeno, como Portugal, resistir à chantagem de Bruxelas, internamente apoiada pela direita anti-patriótica do PSD e do CDS, mantendo-se a nossa governação no quadro do chamado plano A.


E há condições políticas para ameaçar pôr em prática o Plano B? Ninguém duvidará, sejam quais forem as intenções de quem governa, que estão sendo dados passos muito importantes para demonstrar a inviabilidade do Plano A. Ou dito de outra maneira: começa a ficar evidente aos olhos dos democratas que o Plano A pressupõe a inutilidade do voto popular, a aniquilação da democracia e a completa submissão a uma doutrina económica transformada em norma constitucional pelos agentes do capitalismo neoliberal de dominante financeira.


Não se trata, como alguém ainda ontem disse, de ver a União Europeia como uma URSS sem KGB. Trata-se de muito mais do que isso. Trata-se de impor a governação económica capitalista de acordo com uma determinada doutrina económica com exclusão de todas as outras. E isto é novo. Nunca isto tinha acontecido antes nem nos países capitalistas, nem nos países socialistas. Antes desta hegemonia do capital financeiro e do monetarismo, o que existia eram diferentes sistemas de organização das sociedades. Digamos, para simplificar, umas que só poderiam alicerçar-se na apropriação individual dos meios de produção e na livre iniciativa e outras na apropriação colectiva dos meios de produção. Mas não havia em nenhuma delas a obrigação constitucional de economicamente as gerir apenas e só de acordo com uma determinada doutrina económica. Em capitalismo havia várias experiências que coexistiam no tempo em diversos países ou que no tempo se sucediam em busca daquilo a que poderíamos chamar a eficiência do sistema. O mesmo se poderia dizer relativamente aos países socialistas, porventura com menos variantes, mas sempre com múltiplas experiências e com idênticos objectivos.


A situação com que hoje nos deparamos na Europa é nova e tem consequências políticas assustadoras. Deixá-la consolidar corresponderá a um dos maiores retrocessos civilizacionais dos tempos modernos. Por isso, é bom que todos nos vamos preparando para, mais dia, menos dia, termos de pôr em prática o plano B.» [J M Correia Pinto in blog «Politeia»]

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