sábado, 30 de janeiro de 2016

O rendimento escolar é muito pior nos alunos das classes pobres

Há alunos muito inteligentes e com alto rendimento escolar, oriundos das classes pobres. Quase toda a gente conhece alguns. Eu conheço. Mas, os estudos estatísticos mostram-nos que são uma pequena minoria nessas clasees desfavorecidas. A grande maioria dos alunos e alunas das classes desfavorecidas tem maus resultados escolares.

«Escola pública e igualdade de oportunidades (I)


É de leitura imprescindível a brochura recentemente publicada no âmbito do Projecto aQeduto (uma parceria entre o Conselho Nacional de Educação e a insuspeita Fundação Francisco Manuel dos Santos), sobre a relação entre «chumbos», aprendizagens e perfis socioeconómicos dos alunos. Para quem ainda está convencido que os contextos socio-territoriais e o enquadramento familiar pouco contam nos processos e resultados educativos (lembram-se deste estudo, por exemplo?), a análise é demolidora. Até pelas comparações internacionais que permite estabelecer.

Um dos gráficos deste estudo vale por mil palavras, mostrando que a maioria (87%) dos alunos portugueses que chumbam no teste PISA de Matemática provêm de famílias de estratos sociais, económicos e culturais abaixo da média. Isto é, 9 em cada 10 alunos com resultados inferiores nos testes são oriundos de famílias de classe baixa e média-baixa.


Mas o estudo chega a outras conclusões fundamentais. Portugal é líder no chumbo de crianças no início do percurso escolar, com 23% dos alunos a repetir pelo menos uma vez até ao 6º ano e com 20% a chumbar no 3º ciclo. Aliás, Portugal é um país que se chumba muito, com cerca de 35% dos alunos com 15 anos (1 em cada 3) a ter já chumbado pelo menos uma vez no seu percurso escolar, verificando-se que os alunos que nunca repetiram obtêm resultados médios acima da média (530) e os alunos repetentes resultados médios muito baixos (411). O que equivale, segundo a OCDE, a mais de dois anos de atraso na escolaridade. Ou ainda a conclusão de que chumbar não melhora as aprendizagens: em vez de recuperar, os alunos tendem a distanciar-se dos seus pares.

Percebe-se pois o efeito nefasto das políticas seguidas nos últimos anos, orientadas para degradar, encolher e dualizar o sistema educativo português, contrariando o papel da escola pública como instrumento essencial de promoção da igualdade de oportunidades e de ruptura com as lógicas de seleção, exclusão e diferenciação. Lógicas que dificultam a mobilidade social, reproduzem as diferenças de estatuto socioeconómico e aprofundam as desigualdades.» [Nuno Serra, in blog «Ladrões de Bicicletas»]

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