quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

As classes sociais em Portugal formam uma pirâmide, considerando as famílias que pagam IRS

O que define uma classe social é o rendimento e os bens.
O IRS pretende matematizar os conceitos associados a classes sociais. Actualmente há 5 escalões do IRS.
Por ordem decrescente de rendimento podemos considerar
1)      Classe alta e média altaa partir do rendimento de 80 mil euros anuais por agregado familiar – 11 953 agregados familiares
A classe alta que tem milhões de euros de património e de rendimento anual não tem escalão próprio no IRS.
2)      Classe médiade 40 mil a 80 mil euros de rendimento anual por agregado familiar – 80 163 agreg. fam.
3)      Classe média inferiorde 20 mil a 40 mil euros – 364 541 agreg. fam.
4)      Classe pobre – de 7 070 a 20 mil euros anuais por agregado familiar – 1 158 540 agreg. fam.
5)      Classe bastante pobre até 7 070 euros – 3 493 574 agregados familiares
(Fonte para os números jornal «Público»)

«Num país sem classes

Segundo a sabedoria económica convencional, em Portugal não existem classes sociais, existindo quanto muito uma classe média. Existem, isso sim, “grupos de interesse”, sempre de natureza sindical e que condicionariam as possibilidades do imparcial Estado demoliberal. Mais nada. É claro que uma coisa é a sabedoria convencional e outra coisa é o capitalismo realmente existente, que não passa sem um Estado que também estruturou e estrutura o poder económico, sem um espaço para onde confluem as lutas de classes, onde estas também se manifestam, condicionando-as e sendo por estas condicionado. Um Estado de resto cada vez mais condicionado pelo poder da burguesia, ou pelo menos de certas fracções imbricadas com o exterior.

A diferença entre a sabedoria convencional e a realidade está bem exposta num artigo recente da Revista Crítica das Ciências Sociais - Representantes e dominantes: Os governantes e as relações de classe em Portugal - da autoria de Adriano Campos, Jorge Costa, João Teixeira Lopes, Francisco Louçã e Nuno Moniz: “Este artigo trata das ligações estabelecidas entre os detentores de capital e os grupos de governantes e ex-governantes, a partir de uma perspetiva crítica capaz de realçar o papel do Estado na estruturação do poder económico. É dado especial enfoque ao processo de cooptação, numa análise que engloba os dados referentes aos 776 governantes que ocuparam 1281 cargos nos 19 governos constitucionais (1976-2014).”

Entretanto, recupero uma crónica de António Guerreiro onde este discute o que se passa para lá da porta onde está escrito proibido a entrada a pessoas estranhas ao serviço, a empresa, neste caso ao serviço de uma informação com cada vez mais condicionamentos de classe: “Um ambiente de medo, de chantagem e de aniquilação pura e simples é a regra em muitos locais de trabalho. Mas em relação a um jornal tendemos a pensar que nunca se chega a um tal nível. No entanto, algo se transformou nas últimas décadas e os jornais tornaram-se completamente permeáveis às lógicas mais duras das relações de trabalho. Os jornalistas são hoje uma classe proletarizada a quem não é reconhecida a pertença ao universo profissional dos que gozam de autonomia intelectual.”»
(In blog «Ladrões de Bicicletas»)

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