quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Uma opinião céptica sobre 2015

Hoje acaba 2015 e em 2016 já não estaremos sob a opressão do trio Passos Coelho, Paulo Portas + Cavaco Silva.

Há sempre olhares cépticos na Esquerda.

"O grande mal-estar continua




Um importante texto de Joseph E. Stiglitz.
«O ano de 2015 foi globalmente difícil. O Brasil entrou em recessão. A economia chinesa registou os seus primeiros solavancos sérios depois de quase quatro décadas de crescimento alucinante. A Zona Euro conseguiu evitar um desmoronamento à conta da Grécia, mas manteve-se numa situação de quase-estagnação, contribuindo para o que seguramente será visto como uma década perdida. Para os Estados Unidos, 2015 era suposto ser o ano que finalmente viraria a página da Grande Recessão que teve início em 2008, mas, em vez disso, a retoma norte-americana tem sido mediana. (…)
A estrutura económica desta inércia é fácil de compreender e existem remédios facilmente acessíveis. O mundo confronta-se com uma deficiência da procura agregada, resultante da conjugação de uma desigualdade crescente e de uma insensata vaga de austeridade orçamental. Os que estavam no topo gastaram muito menos do que aqueles que estavam no fundo – e, por isso, à medida que o dinheiro sobe, a procura desce. E países como a Alemanha, que mantêm excedentes externos de forma consistente, estão a contribuir significativamente para o problema-chave da insuficiência da procura global. (…)
A única cura para o mal-estar mundial reside no aumento da procura agregada. A ambiciosa redistribuição de rendimentos poderia ajudar, tal como uma profunda reforma do nosso sistema financeiro – não só para evitar que este penalize as restantes pessoas como também para conseguir que os bancos e outras instituições financeiras façam aquilo que é suposto fazerem: fazerem corresponder as poupanças de longo prazo com as necessidades de longo prazo em matéria de investimento.
Mas alguns dos problemas mundiais mais importantes exigirão investimento dos governos. Essas despesas públicas são necessárias em infra-estruturas, educação, tecnologia, ambiente e facilitação das necessárias reformas estruturais em todos os cantos do mundo.
Os obstáculos com que a economia global se confronta não têm as suas raízes na economia, mas sim na política e na ideologia. O sector privado criou a desigualdade e a degradação ambiental com que temos agora que contar. Os mercados não conseguirão, por si só, resolver estes e outros problemas críticos que criaram nem devolver a prosperidade. São necessárias políticas governamentais activas. (…)
Os optimistas dizem que 2016 será melhor do que 2015. Isso até pode vir a acontecer, mas só de forma imperceptível. Se não solucionarmos o problema da insuficiente procura agregada global, o Grande Mal-Estar vai continuar.»"
[Cit in blog «Entre as brumas da memória»] 

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Ventos de Espanha - o PSOE numa encruzilhada


«ESPANHA


O PSOE SEM SAÍDA



Dificilmente haverá em Espanha uma solução governativa idêntica à portuguesa. A grande vítima dessa ausência de solução à esquerda será o PSOE. A vítima e simultaneamente o grande responsável pelo bloqueamento desta solução governativa. Responsável porque o PSOE, apesar do grande peso eleitoral que durante décadas teve na Catalunha e até no país basco, não prescinde de uma linha política que admita, sequer teoricamente, pôr em causa o princípio da unidade de Espanha. A grande vítima porque, contrariamente ao que se supõe, há cada vez mais espanhóis que pretendem uma política verdadeiramente democrática (coisa que Espanha não tem) e de esquerda, nem que para isso tenham de aceitar o princípio do “direito a decidir”.

O Podemos, embora defendendo a continuidade da Catalunha em Espanha, aceita que os catalães tenham o direito de decidir se querem ou não ser independentes. Esta posição, juntamente com outras relativamente bem conhecidas entre nós – e que têm a ver com a rejeição das políticas de austeridade, a contestação das imposições de Bruxelas, etc, etc -, granjeou-lhe enorme popularidade na Catalunha, no País basco e na Galiza (as três nacionalidades históricas), e assegurou-lhe uma votação muito significativa no resto de Espanha, inclusive nas tradicionais “praças-fortes” do PP e do PSOE.

O PSOE não aceitando, por imposição dos seus “barões” regionais, dialogar com o Podemos, se este não abandonar o princípio do “direito a decidir”, vai seguramente cair numa de duas situações: ou se junta a outros votos de rejeição para impedir, à segunda e à terceira votação, a investidura de Mariano Rajoy por maioria simples, com vista à realização de novas eleições (imposição constitucional); ou, por inviabilização de qualquer tipo de aliança positiva à esquerda, acaba, por via das suas exigências, por deixar passar o governo do PP.

Tanto num caso como noutro as consequências eleitorais para o PSOE serão demolidoras. Se em 20 de Dezembro passado teve o pior resultado da sua história (pós transição), em novas eleições, a realizar em Março ou Abril próximos, terá seguramente uma derrota ainda maior, além de agravar a crise da Catalunha que, sem “os fundamentalismos espanhóis”, já estaria há muito resolvida.»
[J M Correia Pinto in blog «Politeia»]

As classes sociais em Portugal formam uma pirâmide, considerando as famílias que pagam IRS

O que define uma classe social é o rendimento, associado aos bens, tanbém chamados de património.
O IRS pretende matematizar os conceitos associados a classes sociais. Actualmente há 5 escalões do IRS.
Por ordem decrescente de rendimento podemos considerar
1)      Classe alta e média altaa partir do rendimento de 80 mil euros anuais por agregado familiar – 11 953 agregados familiares
A classe alta que tem milhões de euros de património e de rendimento anual não tem escalão próprio no IRS.
2)      Classe médiade 40 mil a 80 mil euros de rendimento anual por agregado familiar – 80 163 agreg. fam.
3)      Classe média inferiorde 20 mil a 40 mil euros – 364 541 agreg. fam.
4)      Classe pobre – de 7 070 a 20 mil euros anuais por agregado familiar – 1 158 540 agreg. fam.
5)      Classe bastante pobre até 7 070 euros – 3 493 574 agregados familiares
(Fonte para os números jornal «Público» pt)

Curioso é que por uma lógica contra a lógica as Finanças em vez de usarem a ordem decrescente, usam a ordem crescente para numerar os escalões do IRS; no primeiro escalão vêm os mais pobres, têm que ser primeiros em alguma coisa, na pobreza; e no quinto escalão aparecem os mais endinheirados, que são, como vimos, a classe alta e a classe média alta.
«Num país sem classes

Segundo a sabedoria económica convencional, em Portugal não existem classes sociais, existindo quanto muito uma classe média. Existem, isso sim, “grupos de interesse”, sempre de natureza sindical e que condicionariam as possibilidades do imparcial Estado demoliberal. Mais nada. É claro que uma coisa é a sabedoria convencional e outra coisa é o capitalismo realmente existente, que não passa sem um Estado que também estruturou e estrutura o poder económico, sem um espaço para onde confluem as lutas de classes, onde estas também se manifestam, condicionando-as e sendo por estas condicionado. Um Estado de resto cada vez mais condicionado pelo poder da burguesia, ou pelo menos de certas fracções imbricadas com o exterior.

A diferença entre a sabedoria convencional e a realidade está bem exposta num artigo recente da Revista Crítica das Ciências Sociais - Representantes e dominantes: Os governantes e as relações de classe em Portugal - da autoria de Adriano Campos, Jorge Costa, João Teixeira Lopes, Francisco Louçã e Nuno Moniz: “Este artigo trata das ligações estabelecidas entre os detentores de capital e os grupos de governantes e ex-governantes, a partir de uma perspetiva crítica capaz de realçar o papel do Estado na estruturação do poder económico. É dado especial enfoque ao processo de cooptação, numa análise que engloba os dados referentes aos 776 governantes que ocuparam 1281 cargos nos 19 governos constitucionais (1976-2014).”

Entretanto, recupero uma crónica de António Guerreiro onde este discute o que se passa para lá da porta onde está escrito proibido a entrada a pessoas estranhas ao serviço, a empresa, neste caso ao serviço de uma informação com cada vez mais condicionamentos de classe: “Um ambiente de medo, de chantagem e de aniquilação pura e simples é a regra em muitos locais de trabalho. Mas em relação a um jornal tendemos a pensar que nunca se chega a um tal nível. No entanto, algo se transformou nas últimas décadas e os jornais tornaram-se completamente permeáveis às lógicas mais duras das relações de trabalho. Os jornalistas são hoje uma classe proletarizada a quem não é reconhecida a pertença ao universo profissional dos que gozam de autonomia intelectual.”»
(In blog «Ladrões de Bicicletas»)

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Davam-me jeito os 3 mil milhões de euros que o governo deu ao Banif


Há sempre uma maneira de nacionalizar os prejuízos de um banco privado. O governo de António Costa colocou num banco privado falido, o Banif, três mil milhões de euros…
Foi mais uma imposição dos estrangeiros de Bruxelas que obedecem a Berlim.
Eu sempre fui eurocéptico, não no sentido de ser contra a União Europeia e contra a moeda euro, mas no sentido de duvidar muito dos alemães e dos seus compadres que mandam na chamada «União» Europeia, agora apostados em empobrecer os portugueses e, ainda mais os gregos…

António Costa tenta ser uma alternativa à austeridade, mas no caso do Banif a dita «União» Europeia resolveu prejudicar Portugal.

Marcelo Rebelo de Sousa parece um Cavaco mais novo

«Com amigos como Marcelo, o SNS não precisa de inimigos



«Perante as desgraças ocorridas no Serviço Nacional de Saúde em consequência dos cortes determinados pelo Governo PSD/CDS veio Marcelo Rebelo de Sousa afirmar-se um defensor do Estado Social e lembrar que até votou a favor da Constituição.
Deixemos para depois tudo o que o PSD fez para torpedear a entrada em vigor da Constituição e as tentativas golpistas que fez para a revogar por via referendária e fiquemos para já por Marcelo e pelo SNS.
Era Marcelo o líder do PSD, em 1996 e 1997, quando decorreu a IV revisão constitucional. O Projecto do PSD propunha nada menos que a eliminação da gratuitidade tendencial do Serviço Nacional de Saúde (já a transformação da gratuitidade em tendencial tinha sido proposta pelo PSD na revisão de 1989 e aceite então pelo PS). Em 1996 o PSD pretendia acabar com a gratuitidade, mesmo que tendencial.
Essa proposta do PSD foi amplamente debatida na Comissão Eventual de Revisão em 25/09/1996 e foi aí rejeitada pelo PCP e pelo PS em 14/05/1997 após um debate em que o PSD (pela voz de Marques Guedes) a defendeu energicamente.
Em plenário, o CDS fez sua a proposta do PSD, que foi votada favoravelmente pelo PSD e pelo CDS e rejeitada pelo PCP e pelo PS, não tendo obtido a necessária maioria de dois terços.
Marcelo Rebelo de Sousa era líder do PSD, que pretendia eliminar da Constituição a gratuitidade tendencial do SNS. Tão amigo que ele é agora do Estado Social.»

António Filipe, deputado do PCP, ontem no Facebook.»
[Cit. in blog «Entre as brumas da memória»]

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Alguém se mexe dentro da Internacional Socialista contra a austeridade

«“Vamos fazê-lo como apoio ao programa anti-austeridade [do Governo português]. Estamos a criar uma coligação anti-austeridade por toda a Europa”, disse Jeremy Corbyn ao MorningStar.

“O Governo grego passou por um período terrível e o Banco Central Europeu tratou-o de forma vergonhosa. O caso mais interessante na Europa é agora o do Governo português e o seu programa anti-austeridade”, comentou ainda o líder trabalhista.» "
[In blog «Entre as brumas da memória»]

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

O natal dos neoliberais é o Natal da desumanidade absoluta, da ganância absoluta

«Feliz Natal


Pensando no bem comum, hoje precisamos que a política e a economia, em diálogo, se coloquem decididamente ao serviço da vida, em especial da vida humana. A salvação dos bancos a todo o custo, fazendo pagar o preço à população, sem a firme decisão de rever e reformar o sistema inteiro, reafirma um domínio absoluto da finança que não tem futuro e só poderá gerar novas crises depois duma longa custosa e aparente cura. A crise financeira de 2007 e 2008 era a ocasião para o desenvolvimento duma nova economia mais atenta aos princípios éticos e para uma nova regulamentação da actividade financeira especulativa e da riqueza virtual. Mas não houve uma reacção que fizesse repensar os critérios obsoletos que continuam a governar o mundo.

Papa Francisco, Carta Encíclica Laudato Si, 2015, p. 58. Leitura complementar: o artigo de Michel Lowy na Monthly Review sobre a natureza anti-sistémica da Laudato Si. Boas leituras natalícias.»
 (In blog «Ladrões de Bicicletas»)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

A Esquerda acordou em Espanha de um sono perigoso

«O vento de Espanha




«O bipartidarismo implodiu, mas não desapareceu. Há em Espanha uma sensação de ingovernabilidade, mas a chegada do Podemos serviu para que a questão da corrupção passasse a ser vista com outros olhos e a do Ciudadanos permitiu que a ilusão autonómica (sobretudo na Catalunha) tivesse de descer à terra. PP e PSOE ganharam, mas perderam.

Notícias do solstício de Inverno que chegou mais cedo a Espanha. Mas não deixa de ser curioso como Espanha e Portugal estão hoje ligados como ramos da mesma árvore ibérica, da mesma crise europeia, da mesma divisão Norte/Sul. O discurso vencedor de Mariano Rajoy parecia fotocopiado do de Passos Coelho na noite da vitória. Talvez cortesia do PPE, que manda um resumo para todos os partidos irmãos. Ganhámos, mas sem maioria, mas devemos ser chamados para governar.

Rajoy, como Passos Coelho, será. Mas que fará com a sua vitória, se a direita urbana, muito semelhante ao nosso PP (do Ciudadanos), não tem deputados suficientes para lhe dar conforto parlamentar? O PSOE, com o resultado mais magro possível, consolou-se à sua maneira. Mas ficou refém do Podemos, o único partido que efectivamente ganhou, e que agora vive um momento de decisões estratégicas leninistas: como ocupar o poder? PSOE e Podemos estão condenados a destruir-se pelo mesmo território, mas podem tentar um beijo de morte, para imitar a solução portuguesa, que é diferente: o PS continua a ter um poder superior ao BE ou ao PCP.

Nada disto é indiferente para Portugal e para a Europa. A via da austeridade como "solução única" sofreu mais uma derrota no sul. E a Espanha não é Portugal: é uma das economias musculadas da Europa. Se espirrar a contaminação é grande. É aí que António Costa, com a intranquilidade que os resultados de Espanha trazem, poderá ganhar espaço para uma situação melindrosa que tem de gerir. Como se viu no caso do Banif e se verá no problema do défice, da dívida, do OE de 2016 e no Novo Banco. Sem falarmos de outras minas e armadilhas que a "destruição criativa" de Passos Coelhos e dos magos teóricas do pretenso "liberalismo" que tentam enxertar na vida dos portugueses, deixaram como memória e herança.

A Espanha não poderá andar muito tempo numa crise de governação, porque a pressão das autonomias e a fórmula de ajuste externo em forma de ajuda aos bancos não esconde tudo. A grande Natália Correia dizia que "somos todos hispanos". Não se sabe. Mas agora estamos muito próximos de o ser.»

Fernando Sobral» (In blog «Entre as brumas da memória»)

Nazismo puro no Hospital de São José, em Lisboa, através de homicídio premeditado de jovem

A selvajaria dos tempos que correm é a expressão da barbárie que nos domina. Um homem de 29 anos foi vítima de homicídio premeditado por parte do Hospital de S. José por recusa de assistência em neurocirurgia, em Dezembro de 2015.


O MP prendeu José Sócrates que não matou ninguém. Quantos médicos vão ser presos por homicídio premeditado? Só se  for algum médico parente de José Sócrates…


É esta a «nova normalidade» imposta pela Troika, por Passos Coelho, Cavaco, Vítor Gaspar, Paulo Portas e Maria Luís Albuquerque.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Os contribuintes pagam os prejuízos de empresas privadas ou o neoliberlaismo em acção

"O dinheiro tem cheiro



«Portugal tem descoberto, nos últimos anos, que, pelo contrário, o dinheiro tem aromas de difícil remoção. Sentiu isso com o BPN, com o BPP e com o BES. Está agora a entender-se que o Banif não foi, em tempo próprio, sujeito a uma lavagem com sabão macaco. E que agora aí está, para que os portugueses paguem mais uma máquina de lavar roupa suja por mãos invisíveis. 

Não deveria ser uma sina. Mas começam a ser demasiadas ilusões estilhaçadas para um país tão pequeno. (…)

As eleições não podem explicar tudo. Ou podem? Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque e Carlos Costa não podem simplesmente dizer que Alice vivia no país das maravilhas do Banif e que, por isso, ficaram extasiados com o néon das suas cores. 

Vendido por um preço qualquer, a situação a que chegou o Banif representa a falência de um modelo ideológico que acreditava que a auto-regulação era a solução para todos os problemas. Agora, nem Hércules limparia tudo o que ficou escondido debaixo da cama de interesses que não são muito claros. 

Pode ter sido uma questão de romantismo medieval a inacção dos responsáveis do anterior Governo e do BdP até há pouco tempo. Só que o dinheiro, nesta era em que é escasso, sai caro aos portugueses e tem cheiro. Como mostra o FMI, quando, abrindo o coração, diz que a reestruturação da dívida deixou de ser um assunto tabu. O Banif foi vendido em saldo. Quase oferecido. Só que o assunto não morre aqui. O banco vive. As culpas não podem morrer solteiras.» 

Fernando Sobral" (In blog «Entre as brumas da memória»)





"Opinião

A política tem de começar a ser diferente da vigarice

A melhor notícia dos últimos dias foi ouvir António Costa dizer que a solução encontrada para o Banif iria ter um "custo muito elevado para os contribuintes".


1. Informações essenciais escondidas do Parlamento e do povo pelos partidos da direita para obter dividendos políticos e para evitar uma maior punição nas eleições. Falsas declarações prestadas por responsáveis políticos e por governantes com o objectivo de branquear a situação financeira. Mentiras em série produzidas activamente ou por omissão pelo governo PSD-CDS e pelo Banco de Portugal. Decisões urgentes adiadas por razões eleitorais apesar de isso causar graves prejuízos à banca, às finanças nacionais, ao Estado e a todos os portugueses. Pode-se dizer que é política, pode-se dizer que são as finanças, pode-se dizer que são os bancos, mas a verdade é que todas estas coisas parecem, cada vez mais, ser casos de polícia. Como se classifica um acto, praticado conscientemente, premeditadamente, por um grupo organizado de pessoas conhecedoras e com acesso a toda a informação, que se traduz na perda de milhares de milhões de euros para o Estado no desaparecimento de milhares de milhões de euros dos nossos bolsos (para não falar nos prováveis despedimentos)? Como se classifica a propagação sistemática de mentiras sobre o nosso património por parte daqueles que foram encarregados de o gerir com o máximo de prudência, de transparência, de sensatez e no mais rigoroso respeito da legalidade? Como se classifica o recurso a mentiras e a esquivas sistemáticas para obter um benefício político imerecido? Como se classifica uma negligência reincidente desta dimensão por parte de uma (duas? três?) das principais entidades reguladoras nacionais? 

A verdade é que é difícil classificar tudo isto porque toda a história do Banif, como outras antes dela, nos parece inverosímil de tanta negligência, de tanto descaramento, de tanto sectarismo político, de tanta irresponsabilidade, de tanto fanatismo ideológico, de tanto desprezo pelos cidadãos e pela democracia.
A verdade é que, ao longo dos últimos anos, cada vez mais, a política e as finanças (em particular a banca) foram-se tornando cada vez mais parecidas com casos de polícia e tornou-se cada vez mais difícil distinguir entre um ministro e um vigarista ou entre um banqueiro e um gangster. E isso é grave porque, se a realidade recente e a história nos confirmam que existem mil razões para não confiar em ministros e em banqueiros, a verdade é que vamos precisar de ministros e de banqueiros honestos e competentes.
É por isso que a primeira prioridade do Governo de António Costa e da esquerda que o apoia no Parlamento tem de ser devolver a credibilidade à acção política (apesar da herança do consulado do PSD e do CDS), devolver a credibilidade à acção governativa (apesar da herança do governo de Passos Coelho), devolver a credibilidade ao sistema financeiro (apesar do BPN, do BPP, do BCP, do BES, do Banif, do Montepio e do que mais adiante se verá) e devolver a credibilidade ao regime de regulação (apesar da inacção do Banco de Portugal e da CMVM), o que significará necessariamente reformar de forma profunda os procedimentos dos reguladores.
É preciso que o Governo actual e a esquerda que o apoia faça diferente e que mostre como é possível, necessário e benéfico fazer diferente. É por isso que a melhor notícia que tive nos últimos dias foi ouvir António Costa dizer que a solução encontrada para o Banif iria ter um "custo muito elevado para os contribuintes". Porquê? Porque, depois de quatro anos de falsidades e propaganda, cheguei a um ponto onde o que quero ouvir da boca do Governo não são boas notícias, mas apenas a verdade. Se pudermos ter um Governo que fala verdade, essa será a melhor notícia possível.
2. Manda a tradição que, nestes dias que antecedem o Natal, se desejem Boas Festas aos amigos e a todos os homens e mulheres de boa vontade e se exprimam votos para o futuro. Faço-o, pela primeira vez desde há alguns anos, com uma esperança nova, porque penso que este Natal pode ser o início de um tempo mais justo e mais feliz para todos, um Natal de verdadeiro renascimento, como há muito não ousávamos sonhar." (In jornal «Público»)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

O retrocesso civilizacional imposto por Passos Coelho, Por Cavaco, por Vítor Gaspar e por Maria Luís Albuquerque

«Banif e não só



«Há um prejuízo ainda não contabilizado gerado pela gestão de Passos Coelho e Paulo Portas, com Vítor Gaspar e Maria Luís Albuquerque, a troika e os ideólogos de serviço em algumas universidades portugueses que tornaram Portugal num laboratório pretensamente liberal.

Mas que nada tem a ver com aquilo que Adam Smith vislumbrava. O rebentamento do "caso Banif" e o que mais se verá a seguir mostram o pântano onde Portugal se foi atolando.

No passado recente Portugal contratou a sua pobreza futura. Não foi uma rosa que Passos legou: foram apenas os seus espinhos. A bomba de efeito retardado está a rebentar nas mãos do novo Governo e dos portugueses. O Banif há muito que deveria ter sido vendido, para evitar este sangramento em praça pública. A célebre "resolução" que Bruxelas e Frankfurt celebraram terá o fim das tristes ideias como Wokfgang Munchau demonstrava esta semana no "FT" quando falava do suicídio de um cliente de um banco italiano que transformou um caso financeiro, num social e político. E, como dizia ele, sendo assim, não há soluções de "resolução" que resistam. A Europa vai ter de mandar às malvas a sua política cega de austeridade. E foi isso que o PSD de Passos não quis ver. E ainda não quer ver. (...)

Afastando-nos dos EUA e aliando-nos apenas às opiniões da Alemanha. Portugal tornou-se periférico, empobrecido económica e culturalmente, e fornecedor de mão-de-obra qualificada para outros países europeus. Pagando os contribuintes portugueses o que os outros contratavam sem formar. Por detrás irrompeu um novo mundo de "negócios" à sombra do Estado, afastado o Dono Disto Tudo.»

Fernando Sobral» (In blog «Entre as brumas da memória»)

domingo, 20 de dezembro de 2015

Notas sobre a nova maioria e sobre a nova oposição em Portugal

Passos Coelho, Cavaco, Vítor Gaspar, Paulo Portas e Maria Luís Albuquerque trataram os portugueses como cães durante quatro anos e deixaram Portugal devastado. Desumanos, todos eles, arruinaram a maioria dos portugueses, enquanto mil famílias da alta burguesia não pagavam impostos. Se pudessem tinham acabado de vez com o subsídio de férias  e com o subsídio de Natal, no sector público e no sector privado e tinham tam bém acabado com o salário mínimo.
«Sinceridade à esquerda



Excertos de um texto de Manuel Loff no Público de 19.12.2015:

«Debate sobre o Estado da Nação na Assembleia da República. Paulo Portas, depois de anos nas vestes de ministro (mais ou menos irrevogável), decidiu voltar a vestir-se de director do Independente – perdão, de deputado da oposição – e quis dar conselhos a António Costa a propósito das greves marcadas pelos estivadores do Porto de Lisboa: “Não pode pedir ali aos camaradas da Intersindical para acabarem com o sindicalismo superagressivo?” Nem vale a pena discutir se Portas sabe que o sindicato que a convocou não é da CGTP porque o seu objectivo é sempre o de culpabilizar quem, no mundo do trabalho, se levanta para defender direitos. A novidade reside, sim, no facto de um Primeiro-Ministro socialista ter entendido a pergunta, não simplesmente como uma provocação, mas como “um insulto à Intersindical, ao PCP e ao Governo”. Mais: que tenha estendido ao universo sindical a tese de que não deve haver excluídos entre aqueles que configuram a representação da vontade democrática: “não aceito que a Concertação Social se faça com as confederações patronais e com uma [só] confederação sindical”, isto é, com a UGT e não com a CGTP (PÚBLICO, 17.12.2015). (...)

Quebrada a regra que impunha que o PS prolongasse indefinidamente a lógica de 1975, há quem se pergunte até que ponto esta viragem seja sincera, quer da parte do PS, quer da parte dos seus parceiros à esquerda. Ora a (in)sinceridade dos atores políticos é uma daquelas discussões que, colocada num campo estritamente moral/filosófico, foge ao essencial: importante é avaliar na prática o que fazem aqueles que participam nos processos de decisão. Não sei se os comunistas e os bloquistas acham sincera a mudança de atitude dos socialistas relativamente a eles, e vice-versa. Sei que a mudança só será real enquanto o cumprimento daqueles acordos se verificar e contribuir para reverter efectivamente o empobrecimento, a depressão social, o desrespeito pelos direitos. (...)

Neste novo quadro, como pode assegurar a sua própria viabilidade um governo que depende de apoios políticos exteriores à sua área política? Garantindo uma relação de confiança entre aqueles cujo apoio é necessário assegurar. Basta que seja verificável a afirmação “nós sabemos que podemos confiar naqueles com quem criámos esta solução de Governo” (Costa, PÚBLICO, 3.12.2015).

Mas não é esta a essência do Estado de Direito? Ou da própria democracia? Não depende a sua qualidade do grau de confiança nas relações jurídicas e sociais? Todos estes anos, desde 2010, de revogação unilateral, por parte do poder político e dos poderes económicos, de contratos, pensões, salários, prestações, direitos, não produziram uma perda de confiança na norma escrita, na palavra do poder? Esta nova experiência política, que não resolverá, seguramente, todos ou sequer a maioria dos problemas económicos e sociais, pode ao menos contribuir para fazer recuar este presidencialismo do Primeiro-Ministro que Cavaco inaugurou em 1985 e que todos os seus sucessores (Guterres menos que os demais) quiseram imitar. Esta arrogância de quem acusa sempre o mexilhão de resistir à onda sem se deixar esmagar. É essencial forçar quem governa a submeter-se à negociação com aqueles que representam interesses diferentes dos seus; com quem representa aqueles que, antes de se verem obrigados a cumprir, têm o direito de serem ouvidos. E de resistir.»» (In blog «Entre as brumas da memória») 

A fruta política espanhola - cotações em Andorra

«Espanha – Sondagem desta noite



A divulgação de resultados de sondagens para as eleições de amanhã estão proibidas desde há alguns dias, mas continuaram a ser conhecidas via Andorra, num divertido «mercado de frutas». Hoje, às 22h, foi conhecida a última, mostrada na imagem.

(Claro que é necessário interpretar as peças de fruta. Por ordem decrescente: PP, Podemos, PSOE, Ciudadanos, Isq.Unida.)» (In blog «Entre as brumas da memória»)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Feliz Natal – Música e poema de John Lennon por Céline Dion



Jogadores do Chelsea perderam de propósito para Mourinho ser despedido

A verdade é politicamente incorrecta. Mourinho tornou-se demasiado arrogante e foi despedido pelos jogadores, que perderam de propósito.
Mourinho ficou conhecido por conseguir motivar os jogadores. Falhou, neste aspecto no Real Madrid e agora no Chelsea. Não é muito conveniente para o negócio do futebol reconhecer que os campeões de Inglaterra perderam de propósito para despedirem o treinador.

«O Chelsea confirmou esta quinta-feira a rescisão de contrato com José Mourinho, poucos minutos depois de vários meios de comunicação social avançarem que o treinador português estava de saída do clube devido aos maus resultados em 2015/16. As reações à saída do treinador português não se fizeram esperar, principalmente nas redes sociais. Siga tudo!

Os adeptos parecem estar com José Mourinho. No inquérito Record, 55 por cento consideram que o Chelsea não o devia ter despedido. No site da BBC, a resposta é ainda mais conclusiva: 62 por cento discordam da decisão de Abramovich e apenas 38 por cento concordam.

"Para mim és e serás sempre o melhor do Mundo". Foi desta forma queManiche, que viveu as algumas das melhores épocas com José Mourinho, comentou a saída do técnico português do Chelsea.

Rio Ferdinand, antigo central do Manchester United, voltou ao Twitter para falar sobre o técnico português. "José Mourinho saiu, mas nunca será esquecido por estas bandas. Levou o Chelsea à glória nunca antes vista no clube... mas acabou de forma amarga", escreveu.

O primeiro-ministro inglês, David Cameron, também não ficou indiferente ao despedimento de Mourinho. O jornalista da ITV Chris Ship citou um porta-voz do número 10 de Downing Street, que disse: "O primeiro-ministro fica triste sempre que alguém perde o emprego, mas ele gostava de sublinhar que há 740 mil vagas na economia do Reino Unido."» (In jornal «Record» net)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Um olhar curioso sobre o MRPP

«O MRPP, BATACLAN E A VERGONHA ALHEIA

SEGUNDA-FEIRA, 14 DE DEZEMBRO DE 2015


Para quem não acompanhe a sórdida e não menos entediante telenovela em que se transformou o MRPP, aqui vai um resumo rápido: o Garcia Pereira perdeu votos nas últimas legislativas e, como castigo, foi purgado por Arnaldo Matos com direito a humilhações públicas, insultos à família e uma média de quatro palavrões por editorial no jornal do partido.

Chega o educador da classe operária jubilado, Arnaldo Matos, expulsa a «cambada de catatuas» que dirigia o partido, decreta que Garcia Pereira é anti-comunista primário, social-fascista, traidor, entre outros epítetos, pondo em marcha uma lavagem de roupa suja que faria corar até o mais apolítico leitor. As semanas passaram e a verbosidade de Arnaldo Matos, sob vários pseudónimos, continuou a descer de nível: fraudes fiscais, exploração laboral, insultos de natureza sexual, muito ódio ao PCP, contínua condenação da CGTP, etc. Nada de novo para quem sabe o que é e sempre foi o partido de Durão Barroso.

Mas eis que no editorial deste sábado, Arnaldo Matos consegue deixar perplexos até quem julgava já conhecer o clube do MRPP. A propósito dos últimos atentados de Paris, Arnaldo Matos elogia a «espectacular coragem dos jiadistas» que, no passado dia 13 de Novembro, mataram 130 pessoas. «Não são fanáticos: são franceses patriotas em luta contra o imperialismo francês», acrescenta o líder do MRPP.

Mas o MRPP vai mais longe e diz-nos como entende a morte de uma centena de pessoas «que julgam ter o direito de se poderem divertir impunemente no Bataclan»: «atenção: não só não foi um massacre, como foi um acto legítimo de guerra».

Há muito sabemos que o MRPP não é um partido: é um instrumento para descredibilizar o símbolo que usurparam. Para o capital a utilidade do MRPP é directamente proporcional ao seus histerismo e obscenidade. Desta vez, ao elogiar o cobarde assassinato de trabalhadores franceses e das suas famílias, tenham, talvez, ido longe demais.» (In blog «Manifesto 74»)

A fascização da direita portuguesa diante dos nossos olhos


Durante quatro anos Passos Coelho, Paulo Portas, Vítor Gaspar e Maria Luís Albuquerque, agiram fora da lei, entraram em guerra aberta com o tribunal constitucional, e cortaram os rendimentos a muitos portugueses enquanto estimulavam a evasão fiscal da alta burguesia, mil famílias da alta burguesia não pagaram impostos.

Os ataques a António Costa são ataques fascistas. Passos Coelho, Cavaco, Paulo Portas, Vítor Gaspar e Maria Luís Albuquerque, durante quatro anos trataram os portugueses como cães e querem voltar a tratá-los como cães.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O financiamento do Estado Islâmico através da compra de petróleo




«¿Quién está comercializando el petróleo que se roba el Emirato Islámico?


  
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Basándose en las pruebas reveladas por el estado mayor de las fuerzas armadas rusas sobre la implicación del Estado turco en la comercialización del petróleo robado por el Emirato Islámico, las autoridades maltesas han emprendido una investigación sobre los barcos del grupo BMZ, de Necmettin Bilal Erdoğan –el hijo del presidente de Turquía–, que navegan todos bajo la bandera de Malta.
Y descubrieron que todos los barcos de BMZ (Mecid Aslanov,Begim AslanovaPoet QabilArmada Breeze y Shovket Alekperova) fueron comprados a una de las muy numerosas filiales maltesas de la firma Palmali Shipping & Agency JSC, cuya sede se encuentra en la importante ciudad turca de Estambul.
Ya en junio de 2014, en un artículo de la Red Voltaire, y posteriormente, en noviembre de 2015 y en una crónica de Mijaíl Leontiev para el canal 1 de la televisión rusa, el analista francés Thierry Meyssan revelaba que el propietario de Palmali Shipping & Agency JSC, el multimillonario turco-azeri Mubariz Mansimov-Gurbanoglu (ver foto), estaba organizando la llegada del petróleo robado del Emirato Islámico al mercado internacional [1], responsabilidad que al parecer estuvo ejerciendo hasta que el Consejo de Seguridad de la ONU adoptó, en febrero de 2015, la resolución 2199, texto que prohíbe todo comercio con organizaciones terroristas. A partir de ese momento, la familia Erdogan asumió la comercialización del petróleo robado del Emirato Islámico [2].
En el mismo artículo, Thierry Meyssan acusaba directamente a la transnacional Exxon-Mobil de estar comprando el petróleo robado del Emirato Islámico a Mubariz Mansimov-Gurbanoglu y de ponerlo después en el mercado, una segunda imputación que los medios de prensa internacionales no han querido mencionar. En varias ocasiones, el propio Thierry Meyssan también ha acusado a Exxon-Mobil de ser uno de los principales respaldos financieros y militares del Emirato Islámico [3].
Les autoridades maltesas están tratando ahora de comprobar si Mubariz Mansimov-Gurbanoglu efectivamente dejó de trabajar con el Emirato Islámico o si simplemente pasó a compartir el mercado con la familia Erdogan.
También según Thierry Meyssan, el barco Mecid Aslanov–ahora propiedad de la empresa de Necmettin Bilal Erdogan– descargó petróleo robado por el Emirato Islámico en el puerto francés de Fos-sur-Mer (France), en fecha tan reciente como noviembre de 2015, lo cual invalidaría las declaraciones públicas del presidente francés Francois Hollande contra esa organización terrorista [4].
En ese mismo artículo, Thierry Meyssan señala además que no sólo Francia sino también Chipre, Israel, Italia y Ucrania están utilizando actualmente el petróleo robado por el Emirato Islámico.
“Maltese ships owned by Turkish president’s son being implicated in ISIS oil trade”, David Lindsay, Malta Independent, 13 de diciembre de 2015.
[1] «Yihadismo e industria petrolera», por Thierry Meyssan, Al-Watan (Siria),Red Voltaire, 23 de junio de 2014. «Аналитическая программа "Однако" с Михаилом Леонтьевым», Михаи́л Лео́нтьев , 1tv (Россия), Сеть Вольтер, 30 ноября 2015 (disponible en anglés y alemán).
[2] «Vínculos de la familla Erdogan con el Emirato Islámico», Red Voltaire, 26 de julio de 2015.
[3] «Exxon-Mobil, proveedor oficial del Imperio», por Arthur Lepic,Red Voltaire, 16 de abril de 2004.
[4] «Las operaciones militares que se preparan en Siria y sus alrededores», por Thierry Meyssan, Red Voltaire, 14 de diciembre de 2015.»  [In «Red Voltaire»]

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Privilégios imorais das classes privilegiadas

Não pagar impostos ou pagá-los na Holanda são negócios altamente rentáveis. Os outros que paguem pelos que não pagam...
«As famílias que vivem em cima

Em Portugal, a única classe social que pode ser mencionada sem se perder a respeitabilidade no debate público ainda é a famosa, e convenientemente parda, classe média. É como se todos fizessem parte dela. O problema é que de vez em quando a inconveniente realidade, trazida pela mão de jornalistas atentas, impõem-se à sabedoria convencional: 1000 famílias que mandam nisto tudo (e não pagam impostos), título de um imprescindível artigo de Elisabete Miranda, ilustrando o chamado Estado fiscal de classe. Este não é o da tal média, sendo antes, uma vez mais, o Estado a que chegámos, sempre tão selectivamente permissivo, no capitalismo neoliberal realmente existente.» [In blog «Ladrões de Bicicletas»]

«Depois de ter passado sete anos à frente da Direcção-geral dos Impostos mergulhado num silêncio sepulcral, José Azevedo Pereira concedeu uma entrevista à SIC-Notícias (a segunda no espaço de poucos meses) que vale a pena ouvir.
Entre o muito que não diz mas insinua, e as conclusões que consente que se tirem sobre a manipulação política a que o Fisco terá sido sujeito durante o último Governo, há uma informação que deixou cair sem ambiguidade: em 2014, quando saiu da Autoridade Tributária, uma equipa especial por si chefiada tinha identificado cerca de 1.000 famílias ricas – os chamados "high net worth individuals" – que, por definição, acumulavam 25 milhões de euros de património ou, alternativamente, recebiam 5 milhões de euros de rendimento por ano.

Ora, "em qualquer país que leva os impostos a sério", este grupo de privilegiados garante habitualmente cerca de 25% da receita do IRS do ano (palavras de Azevedo Pereira). Por cá, os nossos multimilionários apenas asseguravam 0,5% do total de imposto pessoal. Ou seja, (conclusão nossa), como estamos em Portugal, onde estas coisas da igualdade perante a lei e a equidade tributária são aplicadas com alguma flexibilidade, os "multimilionários" pagam 500 vezes menos do que seria suposto.

Sem nunca se querer comprometer muito, Azevedo Pereira descreve que, em Portugal como no resto do mundo, estamos perante grupos de cidadãos que têm acesso fácil aos decisores políticos e grande capacidade de influenciar a feitura das leis. Mas se, como assinala e bem, este não é um fenómeno exclusivamente nacional, e lá por fora os ricos sempre vão pagando mais impostos, presume-se que em Portugal a permeabilidade dos nossos governantes e deputados tem sido bem maior (conclusão nossa).

A situação não é uma fatalidade, pode remediar-se "desde que haja  vontade política", sendo certo que o grupo de funcionários do Fisco que estava a trabalhar neste tema até 2014 foi entretanto desmantelado (palavras de Azevedo Pereira). 

Citando apenas meia dúzia de números elucidativos, e sem quebrar qualquer dever de confidencialidade, o antigo director-geral dos impostos prestou um importante serviço público. Só é pena que tenha demorado oito anos a começar a falar e que, oito anos depois, a Autoridade Tributária continue a ser uma estrutura opaca, que silencia informação estatística fundamental para se fazerem debates informados, e que subtrai do conhecimento geral todas as valiosas interpretações que adopta. Não é só o acesso privilegiado de um punhado de contribuintes ao poder que distorce a democracia e desvia milhões dos cofres públicos. A falta de transparência das instituições públicas também.» (In «Jornal de Negócios» net)

Portugal, como os outros países do Mundo tem uma sociedade dividida em classes

«O estado a que chegámos

Significa isto que «o Estado a que chegámos» não foi objecto de destruição, mas de reformatação (ver, na edição de Dezembro, o dossiê «Culpar e punir: a viragem caritativa e autoritária do Estado»). Ou seja, as escolhas políticas que elogiam o privado e o individual são de facto um empreendimento com sede no Estado para levar tão longe quanto possível a transferência dos recursos gerados pela sociedade para outras finalidades. Incompatíveis com o Estado social, estas aprofundam as desigualdades, a pobreza e o desemprego, e impedem o desenvolvimento económico e social. Este empreendimento implica várias substituições: da universalidade por particularismos, das protecções sociais por um assistencialismo caritativo, dos investimentos da sociedade em si mesma por um elogio da meritocracia e do indivíduo empreendedor, da autonomia por culpabilização e punição, e ainda da participação democrática por um simulacro de cidadania sem informação nem intervenção na decisão. A sociedade portuguesa passou demasiado depressa do «Estado Novo» para este «novo Estado» neoliberal.

Sandra Monteiro, O Estado somos nós?, Le Monde diplomatique - edição portuguesa, Dezembro de 2015.

O Nuno Serra contribui para o dossiê com um artigo - “Do romance do empreendedorismo à miséria moral da caridade”: “Empreendedorismo e caridade são, neste contexto, duas faces de uma mesma moeda. E o regime de austeridade veio torná-lo ainda mais evidente.” O Nuno retoma, desenvolve e articula dois dos temas que tem explorado neste blogue: o «empreendedorismo» é só para disfarçar o vazio e a imoralidade do já têm sopa, que mais querem?»  (Cit. in blog «Ladrões de Bicicletas«)

A NATO é uma organização imperialista que promove guerras e é uma ameaça séria à paz mundial


«EL ARTE DE LA GUERRA

La OTAN sigue extendiéndose

La ampliación de la OTAN cumple dos funciones. Por un lado, cercar a Rusia y garantizar que los europeos del este no se unan a ella. Por otro lado, preparar la ampliación de la Unión Europea de manera que esta última no sea capaz de desempeñar un papel político sino exclusivamente económico. La absorción de Montenegro es la siguiente etapa.

 | ROMA (ITALIA)  
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El primer ministro Milo Dukanovic, dueño y señor de Montenegro desde hace 25 años.
La decisión «histórica» del Consejo del Atlántico Norte de invitar Montenegro a iniciar el proceso para convertirse en el miembro número 29 de la alianza atlántica constituye un nuevo paso en la estrategia de Estados Unidos y la OTAN para cercar a Rusia.
¿Qué importancia tiene para la OTAN Montenegro, el último de los Estados (desde 2006) formados como resultado del desmembramiento de la Federación Yugoslava, destruida por la propia OTAN mediante la infiltración y la guerra?
Para responder esa pregunta basta con mirar un mapa.
Más pequeño que la región italiana de Apulia –a sólo 200 kilómetros del otro lado del Adriático– y con apenas 630 000 habitantes –la sexta parte de la población de Apulia–, la posición estratégica de Montenegro es extremadamente importante. Tiene fronteras con Albania y Croacia (ya miembros de la OTAN), con Kosovo (de hecho ya prácticamente miembro de la OTAN), con Serbia y con Bosnia-Herzegovina (socio de la OTAN). Tiene dos puertos, Bar y Porto Montenegro, utilizables ambos con fines militares hacia el Mediterráneo. Fue en el segundo de estos puerto donde hizo escala, en noviembre de 2014, el portaviones italiano Cavour.
Montenegro resulta estratégicamente importante como depósito de municiones y de material de guerra en general. Hay en su territorio 10 grandes búnkeres subterráneos construidos en tiempos de la Federación Yugoslava, instalaciones donde aún quedan más 10 000 toneladas de munición antigua por liquidar o por exportar. También hay en Montenegro hangares fortificados para la aviación, que fueron bombardeados por la OTAN en 1999. A la restructuración de esas instalaciones están dedicándose desde hace tiempo millones de dólares y parte de ese dinero viene de la Unión Europea. De esa manera, la OTAN tendrá en Montenegro búnkeres donde, después de la modernización, podrá almacenar enormes cantidades de municiones, incluso nucleares, así como hangares para sus cazabombarderos.
Montenegro, cuya incorporación a la OTAN es ya prácticamente un hecho, es también candidato a entrar en la Unión Europea, 22 de cuyos 28 miembros son también miembros de la OTAN, bajo el mando de Estados Unidos.
Un papel importante en el acercamiento de Montenegro a la OTAN ha sido el de Federica Mogherini, quien visitó Montenegro como ministra de Exteriores de Italia en julio de 2014. En aquel momento, Mogherini recordaba que «la política de ampliación es la clave del éxito de la Unión Europea –y de la OTAN– en la promoción de la paz, de la democracia y de la seguridad en Europa» y felicitaba al gobierno montenegrino por su «historia de éxito». Así hablaba Mogherini del gobierno encabezado por el primer ministro Milo Dukanovic, un individuo al que la propia Europol (la policía de la Unión Europea) cuestionó en 2013 porque Montenegro se ha convertido en importante vía de tránsito del tráfico de droga proveniente de Afganistán (donde opera la OTAN) hacia Europa y en el más importante centro de lavado de dinero. Esta «historia de éxito» es muy similar a la de Kosovo, que demuestra que hasta el crimen organizado puede ser utilizado con fines estratégicos.
Veamos un recuento de la expansión de la OTAN hacia el este:
- En 1999, la OTAN absorbe los 3 primeros países del desaparecido Pacto de Varsovia: Polonia, la República Checa y Hungría.
- En 2004, la OTAN se extiende a otros 7: Estonia, Letonia, Lituania (3 Repúblicas ex soviéticas), Bulgaria, Rumania, Eslovaquia (ex miembros del Pacto de Varsovia) y Eslovenia (antiguamente parte de Yugoslavia).
- En este momento, a pesar de la fuerte oposición interna, duramente reprimida, se trata de absorber Montenegro, que precedería a otros «países aspirantes», como Macedonia, Bosnia-Herzegovina, Georgia, Ucrania y otros más a quienes que se les deja «la puerta abierta».
Al extenderse hacia el este, acercarse cada vez más a las fronteras de Rusia con sus bases militares y tropas, así como con su armamento nuclear, la OTAN abre en realidad la puerta a todo tipo de escenarios catastróficos para Europa y el mundo.
Traducido al español por la Red Voltaire a partir de la versión al francés de Marie-Ange Patrizio»    (In «Red Voltaire»)