quinta-feira, 5 de novembro de 2015

PSD e CDS votaram contra a criação do Serviço Nacional de Saúde e querem acabar com ele com a ajuda de Francisco Assis e da restante ala direita do PS

«Reformas




Francisco Assis declarou hoje ao Público ser favorável a “um reformismo social democrata”, fórmula potencialmente ambígua no debate nacional, sobretudo quando não traduzida em propostas de política pública concretas, prática habitual em Assis.

Se Assis é a favor de um reformismo social democrata a sério, feito de reformas para robustecer o Estado social, na sua dimensão igualizadora de provisão pública, de acção colectiva no campo das relações laborais e de política económica de pleno emprego, favorecendo a redistribuição de rendimentos e de poder de cima para baixo, então não se percebe a sua dissensão em relação à proposta de um governo apoiado pelas esquerdas. Do pouco que felizmente se sabe das negociações em curso, um reformista social democrata, ou qualquer outro membro das consequentes tradições da esquerda, só pode, quanto muito, criticar as propostas pela sua timidez, embora talvez seja sensato calar essa crítica em nome do mais importante na presente conjuntura: iniciar um processo de sentido contrário ao que tem sido dominante.

Se Assis é a favor de um reformismo social democrata à maneira do Partido Social Democrata nacional, ou seja, de reformas neoliberais destinadas a erodir os freios e contrapesos sociais e laborais no cada vez mais medíocre capitalismo nacional, em modo troika, favorecendo a redistribuição de rendimentos e de poder de baixo para cima, então já se percebe a sua dissensão, mas não se percebe por que é que alguém que supostamente valoriza “as ideias” usa a fórmula “reformismo social democrata”.

Assis tem vagamente falado de reformas ao “centro”, quando sabemos que o centro do conflito político e ideológico nacional está hoje estruturalmente enviesado em favor do neoliberalismo (e não de um vago ultraliberalismo que Assis convoca para tentar dar uma de esquerda), graças sobretudo à dependência externa a que o país foi reduzido.

E quem diz Assis, diz a maior parte dos editorialistas, sobretudo económicos, ideologicamente preocupados com a “paragem” das “reformas” nas áreas da saúde, educação, trabalho, etc., talvez também preocupados com o destino de negócios que até podem dar boas receitas de publicidade e que dependem de idas ao pote dos activos públicos e/ou de transferência de custos sociais para os trabalhadores. Não é aliás por acaso que Assis é a nova estrela de certa imprensa cada vez mais dependente.

Definitivamente, reforma é a palavra cujo significado hegemónico mais tem de mudar.»
(In blog «Ladrões de Bicicletas»)

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