domingo, 15 de novembro de 2015

O antigo informador da PIDE Aníbal Cavaco Silva e «grande estadista» da capa do Expresso vai de férias para a Madeira para empatar António Costa





«As eleições antecipadas estão aí - as presidenciais

Tudo indica que a demora de Cavaco Silva visa mais irritar António Costa e a esquerda do que ter efeitos práticos. Pelo menos, é isso que fica ao ler os editoriais e os artigos de opinião no Expresso.

Pedro Santos Guerrreiro fala já do futuro programa do governo, Ricardo Costa aborda "o nervosismo da direita" e o seu pessimismo que não se concretizou. Daniel Bessa sempre tão encostado à direita nos últimos anos já começa a deslizar suavemente, em tom cordato e distante, para a aceitar como real o acordo entre PS, PCP, Bloco e PEV ("Lançados os dados, os resultados não tardarão; cá estaremos para os conhecer"). Martim Avillez discute os pormenores do imposto sucessório, aquele tema tão caro aos pobres ricos: "E a habitação? É considerada riqueza (e portanto taxada) ou património cultural da familia"?  João Vieira Pereira dá conselhos ao futuro ministro das Finanças, Mário Centeno: "Escolha a sua própria equipa. Não deixe que seja o partido a impingir-lhe os secretários de Estado". Só Henrique Raposo fala ainda da incapacidade da esquerda em pensar em tempo de retracção e como transforma essa incapacidade em ódio - "A esquerda esta mergulhada em ira há vários anos". E não nota que até fez uma confissão: "O último mês deixou-me revoltado". O ódio é lixado.


Essa é a impressão que fica também do tom pouco institucional - até violento e quase irracional - que Passos Coelho adopta, como se já estivesse liberto das suas funções de primeiro-ministro. Pedir uma revisão constitucional que sabe que não vai acontecer é apenas uma forma de galvanizar a direita para o que aí vem: a desforra em Janeiro, como forma de retirar legitimidade a um governo de esquerda.

Para a direita, a batalha das legislativas já se perdeu. E as barricadas mudaram-se para a defesa de Belém. O Expresso é de novo o sinal disso. Pires de Lima ameaça Marcelo: ou alinha com a direita ou ver-se-á sem o seu apoio. Surgem dicas de que Santana foi de novo sondado. Uma sondagem pública e divulgada no maior jornal português. Passos Coelho marca o tema das presidenciais: sim ou não à dissolução do parlamento. Mas Marcelo quer o voto da esquerda porque sabe que o eleitorado PAF apenas lhe dá uns míseros 38% de votos, esperando que o Governo de esquerda - lá está - entre em ruptura, para marcar eleições antecipadas. À esquerda, o PS esboça apoio a Nóvoa e Marisa ataca os pés de barro de Maria de Belém, ex-avençada do BES enquanto estava na comissão parlamentar da Saúde. As nuvens começam a ganhar forma.

Esperam-se tempos acirrados.


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