domingo, 8 de novembro de 2015

Crítica à crítica ou a ideia errada de que a norma de pronúncia de Lisboa está correcta

«Entregues a Deus?




«Cavaco Silva atribuía a Nossa Senhora os sucessos nas avaliações da troika, Cristas pedia aos agricultores para rezarem por chuva, Passos andava de crucifixo em campanha e, agora, o novo ministro da Administração Interna culpa o diabo pelas cheias em Albufeira. Portugal é uma reunião da IURD com um dízimo ao cubo. Não é por acaso que o principal candidato a Presidente da República fazia homilias ao domingo e que até os comunistas apostam no padre para PR.
A partir do momento em que um ministro da Administração Interna vem atribuir a culpa dos estragos de umas cheias ao demónio, tudo é possível, incluindo o exorcismo da Constituição. O ministro da Administração Interna vai propor presentes a Deus para dominar o temporal. Calvão acha que um presente de 14 milhões de euros é natural e que uma cheia é obra do demónio. (...)
O que já me parece mais estranho é que o ministro da Administração Interna encomende a Deus as vítimas das cheias. É verdade que este Governo misturou o Ministério da Cultura com a Igualdade e a Cidadania, mas não acredito que este seja um Ministério da Administração Interna das Almas. Ver um ministro encomendar o paraíso para alguém é um passo em frente para este ministério que, com o antecessor, apenas metia cunhas para vistos Gold de residência.
Quando o ministro Calvão da Silva afirma que o senhor de "oitentaianos",» (O homem será atôr e a mulher atríz, e terá o mstrado, tirado num dia de friu, junto ao riu Tejo, num dia trenze, a comer um chóriço... e o ôtro disse que foi no dia treuze na torre Áiffel) «que morreu em Boliqueime, "entregou-se a Deus, com certeza que lhe reserva um lugar adequado", no fundo está a dizer que o senhor fez o que fez a malta que aceitou o convite de Passos para este Governo de quinze dias. De certa forma, é impossível não ter a certeza que Deus nos reserva um lugar adequado, quando o Sérgio Monteiro vai liderar a venda do Novo Banco. Aleluia!»

João Quadros» (Cit. in blog «Entre as brumas da meória»)

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