sábado, 21 de novembro de 2015

Cavaco não convocou o Conselho de Estado convocou o Conselho dos Inimigos do António Costa, Cavaco criou uma tragédia cómica

«Constituição marada

O exemplar da Constituição de que Cavaco se serve foi comprado na Feira da Ladra a um vendedor de banha da cobra que costuma abastecer Belém. Estou em condições de afirmar que se trata de uma edição clandestina e apócrifa da lei fundamental. Cotejando a Constituição da República editada pela Imprensa Nacional com um exemplar da Constituição igual ao de Cavaco, que anteontem adquiri na dita feira, detectei uma grave disparidade no artigo 187.º, referente à formação do governo.
Constituição da República:
O Primeiro-Ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais.
Exemplar da Constituição marada de Cavaco:
O Primeiro-Ministro é nomeado pelo Presidente da República quando lhe apetecer, depois de ouvidas as entidades que bem lhe aprouver, especialmente as seguintes: grupos de constitucionalistas, politólogos, banqueiros e economistas que pensam como o Presidente da República; o Fundo Monetário Internacional; a Associação dos Comerciantes de Carnes Verdes e Afins do Distrito de Leiria; a Confederação dos Grémios da Lavoura; a Federação Nacional para a Alegria no Trabalho; o sr. João Salgueiro; as agências Fitch, Moody’s e Standard and Poor’s; o sr. Mariano Rajoy; o presidente do Automóvel Clube de Portugal; o Patriarca de Lisboa; o sr. Marques Mendes; a esposa do Presidente da República e demais pessoas da sua roda. Acessoriamente poderão ser ouvidos os partidos representados na Assembleia da República, com a condição de o Presidente da República previamente se munir de tampões para os ouvidos. O Presidente da República terá também em conta os resultados eleitorais, deduzindo porém, a título de sobretaxa, metade dos votos e dos deputados obtidos pelos partidos nefastos para a almofada financeira da Nação.» [In blog «Aspirina B»]

"A geringonça e a avantesma




José Pacheco Pereira no Público de hoje:
«A caracterização do eventual governo do PS como uma “geringonça” foi feita por Vasco Pulido Valente e repetida com evidente gozo por Portas, dando o mote para vários deputados do CDS que costumam repetir o chefe. Muito bem, não me parece que haja qualquer problema em aceitar a classificação, tanto mais que ela não é tão pejorativa como eles pensam. Mas proponho outra simétrica para o governo PSD-CDS, muito menos ambígua e que não há imaginação criadora que lhe encontre qualquer sentido positivo: a avantesma. A geringonça apareceu para que não nos assombre a avantesma. (...)
O governo minoritário do centro-esquerda do PS com a apoio parlamentar do BE e do PCP ainda é uma geringonça, mas quanto mais baixas forem as expectativas mais a geringonça se pode transformar numa máquina a sério. Ou talvez não. (...)
A geringonça é um frágil meio de combater a avantesma, mas hoje não há outro para reequilibrar o sistema político puxado violentamente à direita. Talvez o melhor exemplo dessa viragem à direita esteja no número de vozes que afirmam alto e bom som que preferem um governo de gestão sabendo bem de mais os estragos que isso trará à economia, à paz civil e à legalidade democrática. É que a avantesma alimenta-se do “único”, do “não há alternativa”, do direito natural e irrevogável de governarem, para si e para os seus.
Se gosta de ser enganado, junte-se ao exército dos mortos vivos, mas não se esqueça em Janeiro de 2016 de ir lá buscar a reposição dos 35%. Sim, porque para si, nem Passos, nem Portas, nem Albuquerque, iriam fazer essa coisa socratista de mentir para ganhar eleições.
É que a avantesma, mete medo e deve meter medo. Não me canso de dizer, é perigosa, muito capaz na defesa dos seus interesses, com enormes recursos, com muitas contas a ajustar, e muitas velhas e novas mentiras para dizer.
E deve-se ser implacável com a geringonça, para que não se parta por dentro, já que por fora vai respirar ácido sulfúrico.
Ou que esperam da avantesma que é do domínio do enxofre? Sim, daquele enxofre que vem na Bíblia.»" [Cit in blog «Entre as brumas da memória»]

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