sábado, 10 de outubro de 2015

Berlim ordenou à coligação Alemanha à Frente para criar o pânico social, começando com cortes nas reformas já atribuídas

Ordens para criar pânico social em Portugal, directamente de Berlim e via Bruxelas...

Berlim habituou-se, porém, a perder as guerras decisivas...


«A surpresa



«O PS não foi sozinho alternativa – e Costa não resolveu o problema. Ao contrário do que se assegurava há um ano, o pólo de atracção do protesto não foi António Costa. O PS ganhou apenas 180 mil votos (de 28% para 32,4%). Juntamente com a derrota de Sócrates em 2011, o PS continua com os seus piores resultados desde 1991 (segunda maioria absoluta de Cavaco). Os partidos do “arco da governação” (ou, pelos vistos, da NATO, segundo Cavaco...) continuam em queda: no seu conjunto (PS, PSD, CDS) obtêm o resultado mais baixo desde 1985. O problema, portanto, não está nos líderes, não estava em Seguro, nem sequer em Costa. Era bom que os cultores das lideranças, tão de moda, que parecem julgar que o mundo se resume a uma leitura de marketeiro, reconhecessem que os eleitores também votam em ideias, em atitudes, o que explica que um milhão de portugueses tenham votado no BE e na CDU sem que precisassem de sentir que votavam Catarina Martins ou Jerónimo de Sousa para Primeiro-Ministro. Os socialistas deveriam tentar perceber porque é que uma grande parte dos eleitores já não acredita (e de forma que parece consolidar-se) na alternância sem alternativa, no slogan de “só nós conseguimos pôr de lá para fora os que lá estão”, como ocorreu em 2005 (em seu favor) e em 2011 (contra o PS).

Afinal, isto virou mesmo à esquerda! E essa foi a surpresa destas eleições. Enganou-se quem, com a habitual ligeireza, desvalorizou o ciclo de maior contestação social dos últimos 30 anos, e achou que a esquerda “radical” bem podia sair à rua, convocada pela CGTP ou pelo Que Se Lixe a Troika!, porque, uma vez chegadas as eleições, todos voltariam ao redil e votariam nos “suspeitos do costume”. É ou não significativo que o BE tenha duplicado a sua representatividade depois de o terem declarado morto e, pelo contrário, quem, como o Livre, reclamava uma “esquerda de governo” e criticava a “esquerda de protesto”, tenha saído arrasado das urnas, perdendo metade dos poucos votos que obtivera para o Parlamento Europeu? É ou não significativo que a CDU, apesar do voto útil no PS e dos 260 mil novos eleitores do BE, tenha ganho mais apoio (sobretudo no Norte) pela 4ª eleição consecutiva?

Quem quis mudar a sério foi à esquerda do PS que confiou o seu voto: 1.113 mil votos (+315 mil), 20,7% de quem foi às urnas, constituem hoje um bloco sociopolítico (plural, como tudo na sociedade) de quem continua, apesar de toda a pressão das sondagens a favor do “voto útil”, a não confiar nos socialistas para fazer a mudança. (...)

Os que se mostram horrorizados com a possibilidade de um acordo de mínimos à esquerda denunciaram anos uma “esquerda do bota-abaixo” que, ao contrário de outros países, não contribui para a “governabilidade”. Deixaram-se surpreender com a frontalidade com que o PCP e o BE mostraram abertura para viabilizar um governo do PS para impedir o regresso da direita, não fazendo mais do que aquilo que disseram toda a campanha: que os seus votos não faltariam para procurar uma solução contra a continuação do que temos. O PS sabe que esse é o pressuposto básico de uma mudança. De um mínimo de esperança.»

Manuel Loff» (Cit. in blog «Entre as brumas da memória»)

«Leituras


«Escreve Rui Ramos sobre a hipótese de um governo de esquerda: "Talvez a Constituição não o impedisse, mas à luz da tradição política nacional e das expectativas dos eleitores seria um autêntico golpe de Estado". Pois é, só que um golpe de Estado (ainda para mais um "autêntico", que o homem não faz por menos) é o que é feito contra a Constituição. Quanto à tradição política nacional, cada um tem a sua, como, de resto, é até relativamente bem sugerido num livro chamado "A Segunda Fundação", de que Ramos não desconhecerá o autor.»

José Neves (facebook)

«Instalou-se em Portugal uma ideia perversa: que desde que um partido ou coligação fique em primeiro, transformando as eleições numa mera corrida, uma minoria tem direito a governar contra a vontade da maioria. Ora esta ideia é o oposto da democracia. Numa democracia representativa a maioria dos deputados representa a maioria dos eleitores. E nunca um governo pode governar contra a vontade da maioria dos que foram eleitos.»

Daniel OliveiraEm democracia manda a maioria

«No nosso sistema, cabe aos partidos interpretar o mandato que o povo lhes deu e agir no respeito desse mandato. O PS disse claramente que queria um mandato para governar diferente de e sem Passos Coelho. Ao afastar-se disto desrespeitaria o voto que pediu. Pode respeitar esse voto na oposição ou formando uma maioria nova. E é aqui que a história está a acontecer. (...) António Costa, Jerónimo de Sousa e Catarina Martins têm uma tarefa histórica em mãos. Ou a realizam com sucesso ou são esmagados por ela e fica tudo como dantes.»

Paulo PedrosoCom mandato para descontinuar governo de Passos Coelho, a nova maioria terá que formar-se em bases sólidas

«Ouvir António Costa na Soeiro Pereira Gomes a admitir um “trabalho sério” para “dar expressão institucional à vontade popular” é um acontecimento histórico. Em simultâneo, ouvir Jerónimo a garantir que o PCP em caso algum derrubaria um governo PS é outro. É possível que António Costa chegue a primeiro-ministro com o apoio do PCP e do Bloco de Esquerda? Para os fanáticos da série dinamarquesa “Borgen”, isto pode soar familiar. Birgitte Nyborg, líder do partido Os Moderados, não ganha as eleições, mas torna-se primeira-ministra por ser a única que tem capacidade de fazer um acordo de governo que garanta maioria no parlamento.»

Ana Sá LopesAntónio Costa poderá ser Birgitte Nyborg?» (Cit. in blog «Ladrões de Bicicletas»)

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