domingo, 11 de outubro de 2015

A nova maioria absoluta PS + BE + PCP é a realidade do voto

A realidade é aquilo que acontece mesmo, e a maioria absoluta dos votantes em 4 de Abril votou contra a coligação Alemanha à frente
do Coelho do Portas e do Cavaco.


Todas as máfias da direita germanófila se movimentam para anularem o PS. E já agora, a ala direita do PS está no PS porque não arranjou lugar no PSD e está na política para tentar obter ‘tachos’.


«Registo de uma semana boa

1. À direita, o pessoal está nervoso, muito nervoso. E isso é tão bom de sentir. Basta ouvir Paulo Rangel no "Expresso da Meia-Noite" ou ler os comentadores do Expresso, todos a ter de usar tantas palavras para excomungar um governo à esquerda que quase nem é preciso esforçarmo-nos para rebatê-las. Pressente-se o medo que os torna ridículos, como aquele alerta ao PS de que, se se meter com os comunistas, vai ser "expremido". "Não entendo o que ganha o PS com isso", disse Helena Garrido. José Gomes Ferreira já veio avisar que os mercados podem não gostar e que as taxas podem subir... Assim, sem peias, sem perceber que deu voz à chantagem contra a democracia e que a verdadeira soberania reina algures. Podemos votar se votarmos no que nos mandam. Como se ser capturado por uma ideologia de direita fosse o cartão necessário para entrar num clube privado, cheio de palmadas nas costas.

2. Mas há um argumento que é estranho e que - ainda por cima - é repetido à exaustão: o de que os comunistas não respeitam os tratados europeus. Porque é quase como dizer que os tratados europeus - quaisquer que eles sejam - são um fim em si mesmoComo se assiná-los fosse o sinal de que pertencemos a um dada grupo, a uma civilização e não fosse, antes, um meio instrumental para atingir certos fins, como um crescimento sustentável e uma vida melhor para todos. Se os tratados europeus criam obstáculos àqueles objectivos maiores, se calhar todos - mesmo o pessoal honesto de direita (a direita nem sempre defendeu o centro da Europa) - consigam fazer esse percurso intelectual e, quem sabe?, chegar à conclusão de que os tratados europeus - desde Maastricht - são estúpidos, do ponto de vista económico e até do ponto de vista dos objectivos comunitários. Quem sabe?

3. Mais estranho ainda é o argumento alegado pela coligação de direita sobre a reunião com o PS, ao estranhar que o PS não trouxera exigências para um acordo. Mas afinal não é a coligação que está em estado de necessidade, de ter de encontrar um acordo de Governo, porque não tem a maioria no Parlamento? Quem quer comprar uma casa, faz ofertas de preço.

4. Mas - mais que tudo! - sabe bem ver as novas caras de Pedro Passos Coelho e de Paulo Portas em minoria.

Até pode ser que nada se concretize, que as pressões sobre Costa sejam intoleráveis. A demissão de Sérgio Sousa Pinto é apenas o início de muitas que se seguirão. Antevejo já António Vitorino a precipitar-se contra um governo de esquerda. Mas a sensação de que é possível outro caminho, que a direita pode sair do Governo, que esta política de austeridade pode ser revertida, vale muito. Foi uma semana inédita e espero que continue.» (In blog «Ladrões de Bicicletas»)

«No fundo esta é a receita da Europa, desta União Europeia em que a "democracia" é um disfarce que serve para iludir um sistema cada vez mais centralizado, defensor do individualismo radical e moralmente duvidoso. (...)

Sendo Portugal um país periférico, perfeito para ser um laboratório da nova sociedade que se adivinha, mais pobre e nivelada culturalmente, transformando os cidadãos em consumidores, estes resultados eleitorais demonstram também que se está a atingir o zénite de uma transformação mais profunda. Em que o projecto social-democrata, assente nas pujantes classes médias pós-II Guerra Mundial, está em riscos de falir.

O modelo arquitectado na Inglaterra de Margaret Thatcher venceu: ideologicamente e culturalmente. (...)

Será sempre assim? É duvidoso. Porque em todas as épocas as hegemonias que pareciam eternas acabaram por implodir. Mas, para já, é este clima de "consenso" que prevalece e que motivou cerca de 80% dos portugueses que votaram nos partidos do chamado "arco do poder". Fingindo que a pobreza disfarçada que se tornou o paradigma deste novo Portugal pós-troika não é com eles. Mas, com esta dívida externa, é este jogo de xadrez que todos irão jogar.» (Fernando Sobral cit .in blog «Entre as brumas da memória»)

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