segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Goebbels ao ataque nas televisões

"Vale tudo?

«Primeiro Jornal da SIC de hoje, exibe-se uma peça sobre os gastos obrigatórios no início do ano escolar no ensino público e no ensino privado. Duas repórteres, Patrícia Mouzinho e Catarina Neves, colocam-se numa grande superfície de papelaria e material de escritório (deve ser a Staples, pelo aspecto).
A primeira repórter começa: "Diz a Constituição da República Portuguesa que o Estado deve assegurar o ensino básico universal, obrigatório e gratuito. Mas na hora da verdade logo no arranque do ano lectivo as famílias enfrentam sempre gastos não só com os livros, mas também com o material escolar".
Posto isto, cada uma com o seu carrinho de compras, decidem verificar os custos do material escolar pedido pelas escolas para o 1º ciclo. Uma parte para as compras com uma lista de material escolar (excluindo livros) pedida por um colégio privado (26 objectos); a outra faz o mesmo a partir de uma lista semelhante exigida por uma escola do ensino público (29 objectos). A primeira repórter (a da lista do colégio privado) avisou que ia optar por objectos de marca branca, enquanto a segunda (a do ensino público) revelou que optaria sempre pelos artigos de marca mais caros.
No final compararam as contas de cada uma das excursões aquisitivas e viu-se que a repórter que levava a lista do colégio privado pagou 33,81 euros pelos 26 objectos pedidos, enquanto a que levava a lista do ensino público (29 objectos) tinha um total de 109,64 euros para pagar...
No final concluem que há que escolher muito bem os materiais porque podem ser até três e quatro vezes mais caros.

Pelo meio passaram para os espectadores menos atentos, de forma subliminar, duas ideias fundamentais: o ensino público fica muito mais caro que o privado; e a Constituição não serve para nada, é uma anedota, já que determina que o ensino deve ser gratuito e é mais caro no público que no privado... Exactamente as ideias que os ARREBENTAS que nos desgovernam se esforçam por fazer passar para propagandear a privatização total do ensino...
Isto em termos de jornalismo não só é de uma nulidade absoluta como vai contra todas as regras profissionais estabelecidas. Já em termos de manipulação é de grau máximo e de um descaramento e falta de seriedade absolutamente confrangedoras...
Ó Patrícia Mouzinho e Catarina Neves, tenho vergonha de que vocês usem a mesma Carteira Profissional de Jornalista que eu e tantos outros camaradas que se esforçam por exercer o jornalismo com seriedade e sentido de serviço à cidadania...»

José António Pimenta de França (jornalista da Lusa, via facebook)" (Cit. in blog «Ladrões de Bicicletas")

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