sexta-feira, 12 de junho de 2015

A «UNIÃO» EUROPEIA DESMASCAROU-SE E ADMITE QUE QUER DESTRUIR ESTADOS MEMBROS


Os alemães actuais não são nada melhores do que a geração do nazismo, são iguais, o Mal que eles são capazes de fazer a terceiros ficou clarificado em Auschwitz. Para a Alemanha o único limite conhecido é Auschwitz, o Templo do Mal Absoluto.



«Se a Zona Euro Pensa que Pode Chantagear a Grécia, Está muito Enganada


Tradução do artigo de Costas Lapavitsas no The Guardian, de 9 de junho, em que se diz, basicamente, o seguinte: «os credores estão-se marimbado para os interesses da Grécia, e o Syriza, que continua a ter grande apoio popular, não terá medo de considerar as alternativas.»
A interminável crise grega sofreu uma aceleração dramática na semana passada: o governo entregou uma lista de propostas e a troika (FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) respondeu com uma lista própria, que o lado grego rejeitou de imediato. Seguiu-se um debate no parlamento em Atenas, durante o qual o primeiro-ministro reiterou a rejeição, e, por fim, a Grécia não cumpriu o pagamento ao FMI agendado para 5 de junho, presume-se que agregando todos os reembolsos num único pagamento, a acontecer no fim do mês.
Ao cabo de cinco anos de falhanço catastrófico, paira no ar a sensação de que a crise está prestes a atingir algum tipo de desfecho, que talvez inclua entrar em incumprimento e sair do euro. Existe uma grande frustração no seio da população com aquilo que é visto como a atitude inflexível dos credores. Mas existe também uma preocupação profunda no que diz respeito às implicações do incumprimento e da saída.
As propostas do governo do Syriza representam um compromisso difícil de engolir, quando comparadas com as promessas eleitorais. Incluem aceitar objetivos fiscais apertados, cujo cumprimento dependerá do aumento do IVA em vários bens de consumo, a par de um aumento substancial da carga fiscal para os mais ricos, o que permitiria alguma redistribuição. Há também uma moderação quanto às políticas de privatização e nas pensões. Em troca, exige-se à troika a injeção imediata de liquidez e ainda um compromisso sério para reduzir a dívida grega e promover o investimento a longo prazo. Não há nada de revolucionário, nem sequer particularmente radical, nestas propostas.
A resposta dos credores da zona euro, a julgar por um documento «oficial» que foi parar às mãos da imprensa, foi impiedosa. Os objetivos fiscais são ligeiramente mais altos do que os do Syriza, mas surgem associados a um acréscimo substancial do IVA, incluindo aumentos de dez por cento na eletricidade — o que seria insuportável para as camadas mais pobres da população. Exige-se ainda a abolição de subsídios e medidas de alívio fiscal (incluindo as de que beneficiam agricultores e pensionistas de menores rendimentos) e cortes nas pensões. Por fim, impõem o fim da contratação coletiva, a proibição de aumentar o salário mínimo e um programa contínuo de privatizações.
São medidas semelhantes às propostas que o FMI tem feito, ao longo dos tempos, um pouco por todo o mundo. Representam um pensamento económico ultrapassado, que já deu mostras mais do que suficientes de que não funciona. O mais provável é que estas medidas gerem pouco crescimento, níveis elevados de desemprego e baixos salários. O que é ainda mais grave é que a troika não faz qualquer sugestão no que diz respeito à regularização da dívida ou futuro investimento.
O que está a ser oferecido à Grécia é um alívio temporário, com altos custos. Daqui a pouco tempo, será necessário regressar à mesa de negociações para lidar com questões de longo prazo, que requerem novos empréstimos, num valor que se situa, talvez, na casa dos 40 ou 50 mil milhões de euros.
O governo do Syriza teve toda a razão ao rejeitar estas propostas e lançar um aviso aos credores, ao falhar o pagamento ao FMI a 5 de junho. Mas a questão que se levanta neste momento é: e agora?
É bastante óbvio que os credores da zona euro não têm qualquer intenção de propor ao Syriza um acordo que lhe permita alegar uma migalha que seja de vitória. O Syriza representa um perigo demasiado grande para o statu quo europeu, e tem de sofrer uma lição. Será obrigado a aceitar as políticas de austeridade severa que se enraizaram na zona euro. No que diz respeito aos credores, não há outra opção para a Grécia.
Se o Syriza aceitar, estará a assinar a sua própria nota de suicídio, mas também, e isso é muito mais importante, a de todo o país. A Grécia necessita urgentemente de reduzir o peso da dívida, implementar um programa sustentado de investimento, aumentar a procura agregada, redistribuir rendimentos e riqueza, e fazer reformas profundas ao nível da economia, do estado e da sociedade. É cada vez mais claro que tudo isto é impossível dentro da zona euro, que insiste em manter as políticas falhadas do passado.
O Syriza chegou ao poder prometendo mudanças radicais, mas dentro do quadro da zona euro. A atitude dos credores está a tornar cada vez mais evidente que são objetivos incompatíveis. Na prática, o Syriza está a ser pressionado para afastar-se ainda mais do seu programa e aceitar um compromisso ainda mais penoso, compromisso esse que mais do que provavelmente não levará a Grécia de volta ao desenvolvimento, e muito menos a um desenvolvimento com justiça social.
Entretanto, a economia vai-se aproximando, uma vez mais, da recessão, a liquidez é extremamente escassa, o setor público adia pagamentos internos, e os depósitos estão a ser levantados dos bancos. Acima de tudo isto, um facto: o país não vai conseguir cumprir o serviço da dívida já neste verão. Que não restem dúvidas, estamos mesmo em crise.
A única força política que pode tirar a Grécia deste pântano continua a ser o Syriza, que mantém um enorme apoio popular. Se os credores insistirem na intransigência, o governo deve ponderar todos os caminhos alternativos. Aqueles que acham que vamos ceder à chantagem ou somos incapazes de lidar com a alternativa estão muito enganados. A Grécia pode e vai sobreviver.»

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