sábado, 28 de março de 2015

É NECESSÁRIO INVENTAR IDEIAS NOVAS PARA A ESQUERDA

A Esquerda colapsou globalmente, a nível teórico:
1)   A Internacional Socialista implodiu teoricamente e aderiu ao neoliberalismo
2)   O marxismo-leninismo tem um erro teórico terrível que é o conceito «ditadura do proletariado»
3)   O maoismo confundiu-se com o nazismo no Camboja e em Angola através de Savimbi
4)   O trotskismo não foi experimentado, mas acho que se Trotsky estivesse no lugar de Estaline a Rússia Soviética ou URSS tinha colapsado diante da Wehrmacht.

«Tempos excepcionais




Excertos de um importante texto de Manuel Loff, no Público de hoje.

«Vivemos tempos excepcionais. Um milhão de portugueses desempregados, muitos deles para o resto da vida. Um quarto de nós vive na pobreza, muitos em privação extrema, depois de 700 mil terem abandonado o país nos últimos cinco anos, depois de outros 700 mil o terem abandonado nos dez anos anteriores. (...)

Para criar uma alternativa há, antes de mais, que resistir. Não falo da “resiliência” dos portugueses que Passos apregoa, ofendendo os novos pobres, as mulheres, os homens e as crianças a quem ele roubou emprego e esperança. Falo de uma resistência que permite juntar forças para mudar. (...) Politicamente falando, e como sempre tem acontecido, quem anima e dá sentido a essa resistência está quase sempre à esquerda do PS, isto é, no PCP (a maioria) ou no Bloco de Esquerda, e não está nunca nos partidos do centrão. Vestidinhos de “alternativa responsável”, os socialistas que dirigem ou aspiram a dirigir o partido não fazem uma greve, porque são “negativas”, não organizam um protesto ou uma manifestação, porque são “inúteis”, jamais se comprometem com o mexilhão; limitam-se a dizer-lhe que, se quiser pôr aquela gente de lá para fora, só há uma solução: é votar neles, sem compromisso – e depois se verá. Tem-se chamado a isto o voto útil. (...)

Da situação excepcional que vivemos esperar-se-ia que saíssem alternativas excepcionais. A atomização dos dissidentes do Bloco, somada à sua disponibilidade para servirem de satélite do PS, só contribui para esse velho mito de como é inevitável a divisão da esquerda. Não é daí que virá alguma alternativa. A pergunta evidente é saber se o PCP e o Bloco podem, desta vez, interromper o círculo vicioso da desilusão e baralhar o cálculo perverso do voto útil no PS. Cada um deles tem expectativas próprias para as próximas eleições. Serão elas compatíveis com as de quem eles querem representar? Serão elas suficientes para transformar a resistência em mudança?» " (cit in blog «Entre as brumas da memória»)

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