O
livro «A Riqueza da Nações» do escocês Adam Smith ressuscitou do século
XVIII, para aterrorizar os trabalhadores do século XXI, é a Bíblia do culto das
desigualdades e da opressão das maiorias por uma pequena minoria. Desse livro
saiu «a mão invisível do mercado» que chicoteia as costas dos trabalhadores. O
factor Trabalho entra em 2015 debaixo de um ataque de grande magnitude,
realizado pelo Capital e pelos seus lacaios.
É
difícil de perceber como a maioria das populações nas democracias vota nos seus
carrascos, mas vota mesmo nos seus opressores. A implosão ideológica da Internacional Socialista com a sua conversão à
religião neoliberal é um dos factores mais determinantes neste retrocesso
civilizacional que atinge as democracias da União Europeia. E viva a fome, e viva
o desemprego e viva o colapso dos direitos laborais e viva a alta burguesia… e viva o empobrecimento das classes mais desfavorecidas e das classes médias... e
viva o inevitável... e viva o não há alternativa…
«Esta
convergência dos dois pólos do centro político tradicional em relação às
questões fundamentais que determinam a crise tem produzido grande devastação
económica e social, que tem sido especialmente acentuada na periferia mas que
não deixou as economias do centro intocadas. Há actualmente mais de 26 milhões
de desempregados no espaço da União Europeia, dos quais 18,5 milhões na zona
Euro. O desemprego jovem atinge 54% em Espanha, 50% na Grécia, 34% em Portugal.
A pobreza, absoluta e relativa, tem alastrado a um ponto que julgávamos já
impossível na Europa. A crise eterniza-se, sem fim à vista, enquanto os
direitos dos cidadãos não param de reduzir-se.
Toda
esta devastação e todo este sofrimento eram e são evitáveis. Não são o
resultado de um qualquer deus ex-machina,
mas de escolhas políticas.» (Alexandre Abreu in blog «Ladrões de
Bicicletas»)
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