segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

O DESILUMINISMO OU O OBSCURANTISMO NEOLIBERAL


O século XVIII foi um século de luta contra o obscurantismo. O século XVIII foi o século das Luzes, metaforicamente, que iluminaram a Humanidade, oprimida pela escuridão obscurantista imposta pelo clero e pela nobreza.
Muitos iluministas da primeira fase esperavam aproveitar o poder do rei para o influenciarem, para actuar contra o obscurantismo religioso e da nobreza. Podemos enquadrar Voltaire neste grupo, visto que ele se tornou, oficialmente, conselheiro do rei da Prússia Frederico II, mas deu-se mal. Ainda quando Voltaire estava na Prússia Frederico II mandou queimar em público um livro do próprio Voltaire. E Frederico II acabou por dispensar os serviços de Voltaire, que se estavam a tornar incómodos. Voltaire era um grande opositor do fanatismo religioso, defendia a tolerância e a liberdade de pensamento.
Os iluministas mais avançados como Montesquieu, que como vimos, no livro «O Espírito das Leis» defendia a separação os poderes do Estado, legislativo, executivo e judicial e a supremacia do poder legislativo, já faziam propostas que se fossem aplicadas implicavam uma ruptura revolucionária com o regime em que viviam. Mas, as propostas de Jean Jaques Rousseau no «Contrato Social» implicavam uma ruptura muito mais profunda, com a República a substituir a Monarquia, com o conceito SOBERANIA POPULAR , expressa através do voto universal em eleições livres, num contexto de liberdade de expressão de pensamento, e com a proibição da escravatura e a imposição da igualdade de todos os homens perante a lei.
A ideia de Montesquieu da separação dos poderes legislativo, executivo e judicial com a supremacia do poder legislativo foi uma das traves mestras das Constituições, assim como o conceito SOBERANIA POPULAR de Jean-Jacques Rousseau.
Em Portugal, a 1ª Constituição, a de 1822, consagra a separação dos poderes legislativo, executivo e judicial e a supremacia do poder legislativo e a SOBERANIA POPULAR, expressa através do voto universal, em eleições livres, num contexto de liberdade de expressão de pensamento.
A 2ª Constituição de Portugal, oficialmente chamada de «Carta Constitucional de 1826», outorgada pelo rei D. Pedro IV, que tinha abdicado do cargo de imperador do Brasil (D. Pedro I imperador do Brasil), perverte, parcialmente as ideias de Montesquieu (ao impor um quarto poder do Estado, chamado de poder moderador, que competia ao rei) e perverte o conceito de SOBERANIA POPULAR de Jean-Jacques Rousseau, ao impor o chamado voto censitário, que excluía do direito de voto quem não tivesse, no mínimo, um rendimento anual de cem mil reis.
Enquanto o século XVIII foi um século de luta contra o obscurantismo, o século XXI está a ser um século de vitória do obscurantismo. No século XVIII os iluministas lutavam contra a ideia obscurantista da inevitabilidade, imposta pelo clero, do tem que ser, do não há alternativa.
Foi o ministro de Hitler Joseph Goebbels que estabeleceu as normas base da manipulação da comunicação social ao afirmar que «uma mentira de tantas vezes ser repetida acaba por se tornar verdade» e que «um facto não noticiado não aconteceu». Joseph Goebbels suicidou-se em 1945 quando estava cercado em Berlim pelo exército da Rússia / União Soviética. No entanto, a alta burguesia do século XXI utiliza o poder que tem sobre os meios de comunicação social dominantes, para aplicar as ideias de Joseph Goebbels, para difundir mentiras chave em larga escala e para omitir verdades inconvenientes.
Os neoliberais no século XXI difundem as suas mentiras tão repetidamente, que se tornam «verdades». E silenciam as verdades inconvenientes através das Censuras Privadas.
As mentiras mais difundidas pelos neoliberais são as da «inevitabilidade» de tornar o trabalho assalariado, cada vez mais precário e cada vez mais mal pago. Os neoliberais defendem a ideia de que são precisas ditas «reformas» que tornem o trabalho assalariado cada vez mais precário, cada vez mais mal pago, cada vez mais inseguro, uma «reforma» dita «inevitável» pelos neoliberais é facilitar ao máximo os despedimentos.

O obscurantismo neoliberal é a característica mais marcante do século XXI até 2014. O neoliberalismo com  a sua ideia obscurantista da inevitabilidade tornou-se mais uma teologia.

1 comentário:

  1. Um trabalhador por conta de outrem paga de impostos ao Estado: 23,75% (pagos directamente pela entidade patronal, e que nem chega a ver no recibo de vencimento, embora seja ele que produz!), 33% sobre o vencimento que lhe aparece no verbete, 23% de IVA na maior parte das coisas que compra, imposto de circulação e ISP se tiver carro, IMI, uma miríade de taxas, taxinhas e taxonas disfarçadas das formas mais rascas e torpes que é possível imaginar no recibo da água, da electricidade, do gás, mais a trampa da fiscalidade verde associada às negociatas das ecotretas, e da fiscalidade sobre os bits e bytes para sustentar os calões da «coltura» que nos saíram em sorte, mais as taxas moderadoras, e as de acesso a tudo e mais alguma coisa…
    Nos últimos 3 anos os impostos não pararam de subir. Perante este quadro há quem chame a isto um governo neoliberal?!?!?!?... Quase 70% do produto do trabalho de quem trabalha por conta de outrem, é para sustentar um Estado de chulos, calões, ladrões e vigaristas, representado pelos mais de 62.000 políticos no activo neste país de 10.000.000 de almas. E isto não é um governo de esquerda num regime de esquerda?!?!?... Então quando é que teremos um governo de esquerda? Quando ficarem com 100% do que ganhamos?... ainda não chega? Fosga-se!
    José

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