Foram
os gregos que inventaram a Democracia. Na cidade-estado de Atenas foi onde a
Democracia mais se desenvolveu, na Grécia Antiga. Considerando a época (século
V a.C.) foi um grande avanço para a Humanidade. No entanto, a Democracia grega era incompatível com o
conceito Direitos Humanos, era uma Democracia esclavagista.
O
pensamento iluminista europeu do século XVIII é muito diversificado, estando
grande parte dele disperso por artigos da «Enciclopédia», pelo que
recorro muito ao «Contrato Social»
de Jean-Jacques Rousseau, que sintetiza os principais aspectos políticos do
iluminismo e do conceito Direitos Humanos. Jean-Jacques Rousseau defendeu a
República contra a Monarquia, a
soberania popular, através voto livre universal (masculino) num ambiente de
liberdade de expressão de pensamento, e definiu alguns aspectos
fundamentais do conceito Direitos Humanos, ao
condenar total e absolutamente a escravatura, isto em pleno século XVIII, quando a escravatura só acabou nos finais
do século XIX.
Jean-Jacques
Rousseau foi um entre muitos iluministas que tinham as ideias que ele expôs no
«Contrato Social», mas por ser um livro denso e de síntese foi
considerado «a Bíblia da Revolução Francesa de 1789», ou por outras palavras a
síntese do pensamento político iluminista europeu do século XVIII mais avançado,
que foi a ideologia da Revolução Francesa de 1789, que foi fundadora da
Democracia Contemporânea em oposição à
Democracia grega esclavagista e ao Parlamentarismo da Inglaterra também
esclavagista e ainda em oposição ao iluminismo deturpado da fundação dos
Estados Unidos, deturpado numa questão fulcral, porque o iluminismo
norte-americano, importado da Europa, também
era esclavagista.
E
também não podemos esquecer o livro do iluminista mais antigo Montesquieu
(1689-1755) «O Espírito das Leis» (1ª ed. 1748) que ao defender a
separação dos três poderes do Estado legislativo, executivo e judicial, e a
supremacia do poder legislativo, foi também decisivo na Revolução Francesa de
1789. Esta ideia em 2014 é quase universal.
Durante
a Revolução Francesa de 1789-1799 Jean-Jacques Rousseau foi considerado um
herói nacional da França e em 11 de Outubro de 1794, pela Convenção, foi
realizada uma cerimónia grandiosa de trasladação dos seus restos mortais para o
Panteão da França, em Paris.
Ora,
J-J Rousseau foi um dos fundadores da
Democracia Contemporânea não esclavagista, em oposição à Democracia Grega
esclavagista, ao Parlamentarismo da Inglaterra esclavagista e à Democracia dos
Estados Unidos também esclavagista. É também um dos criadores do conceito
Direitos Humanos.
A escravatura foi
proibida pela I República da França (também conhecida por Convenção na 1ª
fase), em 4 de Fevereiro de 1794, em França, e também em todas as colónias
francesas.
Os
três conceitos síntese da Revolução Francesa de 1789 Liberdade, Igualdade,
Fraternidade, falharam todos no curto prazo, porque esta foi uma revolução
fracassada no curto prazo.
Montesquieu,
Jean-Jacques Rousseau e outros filósofos iluministas, nomeadamente em artigos
na «Enciclopédia» (1750 – 1772), como atrás foi referido, dirigida por d'Alembert e Diderot
lançaram as bases teóricas da Democracia Contemporânea. O pensamento
iluminista, aqui referenciado,o mais avançado, foi de tal maneira inovador, que deu origem à
Revolução Francesa de 1789 – 1799.
A
Revolução Francesa de 1789 – 1799 foi uma revolução falhada. Acabou com um
golpe de Estado dirigido por Napoleão Bonaparte, que viria a criar um novo tipo
de monarquia, em que ele foi o imperador. Napoleão Bonaparte é dos personagens
mais extraordinários da História da Europa e do Mundo. Foi a Revolução Francesa
de 1789 – 1799, que criou condições para a ascensão de Napoleão Bonaparte.
Depois de implantada a I República na França, em 1792, e da execução na
guilhotina do rei Luís XVI e da rainha Maria Antonieta, em 21 de Janeiro de
1793, praticamente toda a Europa entrou em guerra com a França, nomeadamente a
Inglaterra parlamentarista-monárquica. Neste ambiente de guerra, os chefes
militares competentes eram essenciais. Em 1793 Napoleão Bonaparte venceu os
ingleses em Toulon, mostrando capacidades de chefia militar invulgares, que lhe
permitiram uma ascensão rápida no exército da França revolucionária.
O
conceito liberalismo é utilizado para definir a Revolução Francesa de 1789 –
1799. Liberalismo é o «conjunto de ideias e doutrinas que defendem a liberdade
de consciência e procuram garantir as liberdades individuais, no campo da
política, da moral, da religião, da economia…» (segundo o «Dicionário da Língua
Portuguesa Contemporânea» da Academia das Ciências de Lisboa», Ed. Verbo,
Lisboa, 2001). É muito usual dizer a Revolução Liberal Francesa de 1789 – 1799.
O
escocês Adam Smith (1723 – 1790) foi o principal teórico do liberalismo
económico, com a sua obra «Uma investigação sobre a natureza e a causa da
riqueza das nações» (1776). Afirmava Adam Smith que «a mão invisível do mercado» regulamentaria correctamente os preços
e os salários.
No
século XVIII o conceito liberalismo era um conceito revolucionário, que se
opunha ao absolutismo monárquico e à economia bloqueada por privilégios
feudais, que beneficiavam o clero e a nobreza, assim como nas primeiras décadas
do século XIX. O liberalismo foi apresentado como correspondendo às aspirações
da burguesia e das chamadas classes populares. A sua prática, porém, veio a demonstrar que beneficiava, preferencialmente,
a burguesia.
Os
historiadores europeus mais consagrados consideram que o acontecimento mais
importante de 1789 a 2014 na História da Humanidade foi a Revolução Liberal
Francesa de 1789, pelo que inaugurou uma nova Idade ou Era na qual ainda estamos
que é a Idade Contemporânea.
A
Revolução Liberal Francesa de 1789 foi uma revolução falhada na perspectiva dos
interesses globais das classes populares e
na questão dos Direitos Humanos, porque a proibição da escravatura (1794) foi
episódica, porque foi restaurada nas colónias da França, em 1802, por Napoleão
Bonaparte, mas foi bem-sucedida na liquidação dos privilégios feudais do clero
e da nobreza, na criação de um Sistema Público de Ensino [articulado em Primário,
Liceal (ou Secundário) e Universitário] e na criação do Código Civil, que
considerava todos os cidadãos iguais perante a lei.
A
Revolução Liberal Francesa e o desenvolvimento da Revolução Industrial acabaram
por dar origem a um tipo de capitalismo que beneficiava, abertamente, a
burguesia, o liberalismo evoluiu e
tornou-se um meio de opressão da burguesia sobre as classes assalariadas. A tal
«mão invisível do mercado», tão elogiada pelo escocês Adam Smith, acabou por
segurar um chicote, que chicoteava o proletariado.
Em
1848 a Europa Ocidental e Central foi abalada por um conjunto de revoluções
transnacionais, que começaram em França.
Nesta
altura estavam em actividade os filósofos alemães Marx (1818-1883) e Engels
(1820-1895) que viriam a marcar, profundamente, o século XX. Exactamente em
1848 Marx e Engels publicaram a obra conjunta «Manifesto do Partido
Comunista».
Lenine
dizia que a Revolução Liberal Francesa de 1789, a que ele chamou «a Grande Revolução»
tinha dois objectivos fulcrais que eram a Liberdade
e a Igualdade, oficialmente eram três: Liberdade, Igualdade, Fraternidade.
Ora,
para Lenine a Revolução Liberal Francesa
de 1789 falhou totalmente no objectivo Igualdade.
Para
Marx e para Lenine a Igualdade era mais importante que a Liberdade, e a
Fraternidade só era possível depois da Igualdade.
(Karl
Marx fez a melhor crítica de sempre às desigualdades do sistema capitalista,
mas a alternativa que propôs, foi aplicada na Rússia Soviética e não resistiu
ao teste da prática).
Pessoalmente,
acho que a Liberdade é tão importante
como a Igualdade.
A
ideia de Democracia desenvolveu-se no sistema capitalista. É certo que não foi
por decisão filantrópica da burguesia, mas fruto
das lutas dos trabalhadores assalariados, organizados em sindicatos, que
forçaram a burguesia a fazer cedências. Os direitos políticos das
mulheres foram ignorados pelos iluministas mais avançados, mas estes
iluministas ao defenderem a Liberdade criaram o ambiente teórico em que as
mulheres, usando a Liberdade, reivindicaram com sucesso os seus direitos
políticos.
A
implantação do marxismo-leninismo na Rússia e noutros Estados da Europa
Oriental, que proclamava uma sociedade sem classes, foi um factor de pressão
para que a burguesia nos países capitalistas da Europa, aceitasse a diminuição
das desigualdades sociais.
O modelo de Democracia que poderemos
considerar mais desenvolvido concretizou-se na Europa Ocidental, na segunda
metade do século XX, nomeadamente na Suécia e na Noruega. Ao lado da liberdade de expressão de pensamento e da soberania popular expressa através do
voto em eleições livres, desenvolveu-se o chamado Estado Social, com um Serviço
Nacional de Saúde universal e gratuito, um Sistema Público de Ensino universal
e gratuito, e com um serviço social de apoio aos desempregados e com direitos
laborais significativos para os assalariados.
Em
2014, parece-me que o objectivo da Esquerda não deve ser ressuscitar a ideia de
«ditadura do proletariado», mas inventar
um novo conceito de democracia, que ao lado da liberdade de expressão de
pensamento e do respeito pelos Direitos Humanos, exija uma grande redução das
desigualdades sociais. Parece-me necessária uma democracia política, baseada no
conceito de Jean-Jacques Rousseau de soberania
popular, expressa através do voto em eleições livres, num contexto de
liberdade de expressão de pensamento, associada a uma democracia económica e a
uma democracia social.
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