A
origem das ideias do igualitarismo comunista, muito remota, parece estar no
chamado Cristianismo inicial ou Cristianismo primitivo. Engels escreveu o livro
«Contribuição para a História do Cristianismo Primitivo».
Uma
origem mais próxima é o livro do pensador inglês Tomás More «Utopia» (1516),
publicado inicialmente em latim, no contexto do chamado Renascimento, em que é
imaginada uma sociedade ideal, sem opressores e oprimidos e com propriedade
colectiva, numa ilha imaginária, que teria sido descoberta pelo navegador
português Rafael Hitlodeu.
As
três fontes reconhecidas por Marx e Engels para a sua ideologia comunista são o
socialismo utópico (sobretudo francês), cujo nome tem as suas raízes na
«Utopia» de More; a Filosofia Clássica alemã, nomeadamente Hegel (dialéctica) e
Feuerbach (materialismo / ateísmo) e a Economia Política britânica, sobretudo
do escocês Adam Smith e do inglês David Ricardo.
No
século XIX Karl Marx (1818 – 1883) e Friedrich Engels (1820 – 1895) inventaram
uma nova ideologia que tinha por objectivo a construção de uma sociedade sem
classes. A obra mais assustadora para a burguesia foi escrita por Marx e
Engels, o «Manifesto do Partido Comunista» e publicada em 1848.
A
obra mais importante de Marx é considerada «O Capital» (1º volume 1867),
em que é feita a crítica mais profunda às desigualdades sociais provocadas pelo
capitalismo.
Marx
e Engels, tal como Jean-Jacques Rousseau foram apenas teóricos, nunca exerceram
o poder.
Lenine
(1870 – 1924) aplicou as ideias de Marx e Engels na Revolução de Outubro de
1917 na Rússia (segundo o calendário juliano, em Novembro segundo o calendário
gregoriano, que vigora na Europa Ocidental).
Lenine
e Estaline dividiram a Rússia em repúblicas unidas a que Lenine chamou União
das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Foram os criadores da República
Socialista Soviética da Ucrânia (sem a Crimeia).
Lenine
deixou o seu trabalho por completar na especificação dos critérios para a
criação das repúblicas soviéticas. Lenine criou a República Socialista
Soviética da Transcaucásia, sem grande sentido, porque englobava três etnias
muito distintas, da Arménia, da Geórgia e do Azerbaijão. Estaline corrigiu esta
contradição criando as Repúblicas Soviéticas da Arménia, da Geórgia e do
Azerbaijão. No entanto, Estaline omitiu o factor étnico na questão da República
Soviética da Ucrânia (sem a Crimeia) dentro da qual colocou populações de etnia
russa, que em 2014 se revoltam contra a decisão de Estaline.
No
aspecto económico Lenine com a NEP criou um sistema misto de empresas estatais
(as de maior dimensão) e privadas.
Estaline
aplicou à letra as teorias económicas de Marx, com a nacionalização e
colectivização de toda a economia. Estaline foi bem-sucedido na chamada
indústria pesada, o que lhe permitiu vencer a II Guerra Mundial.
Com
Estaline a Rússia (denominada União Soviética) atingiu o apogeu do seu poderio
e influência a nível planetário. Mesmo a Rússia czarista que derrotou Napoleão
Bonaparte teve uma influência no Mundo muito inferior à da Rússia (denominada
União Soviética) estalinista, que se tornou uma das duas superpotências
globais, a par dos Estados Unidos.
Foi
com Estaline, com o seu sucesso militar contra a Alemanha nazi, que a Rússia/União Soviética mudou o percurso da Humanidade ao lado dos Estados Unidos e do Reino Unido. Não
devemos esquecer que a Rússia/União Soviética aguentou o primeiro embate da Alemanha nazi,
apenas aliada com o Reino Unido bastante fragilizado, até à entrada dos Estados
Unidos na II guerra Mundial, mais concretamente de 22 de Junho de 1941 (ataque
da Alemanha nazi à Rússia/União Soviética) a 7 de Dezembro de 1941 (entrada, de facto, dos
Estados Unidos na II Guerra Mundial).
Foi,
porém, com Estaline que o conceito ditadura do proletariado, teorizado por Marx
e Engels, se mostrou, na prática, muito perigoso, com tremendos abusos do
poder.
Na minha opinião, o
regime marxista-leninista na Rússia / União Soviética não implodiu por qualquer
pressão externa, mas sim pela flagrante contradição entre as teorias de Marx e
Engels e a prática das suas tentativas de aplicação. Houve uma grande
diminuição das desigualdades sociais com o marxismo-leninismo-estalinismo na
Rússia /União Soviética, mas ao mesmo tempo houve abusos brutais em nome da
ditadura do proletariado teorizada por Marx e Engels. Mas não foram só os
abusos do poder em nome do conceito de Marx e de Engels «ditadura do proletariado»,
que levaram à implosão do regime, foram os fracassos da economia totalmente
estatizada e colectivizada. Houve diminuição das desigualdades sociais, houve a
criação de um Serviço Nacional de Saúde gratuito e a criação de um Sistema
Público de Ensino gratuito, mas o nível de vida da maioria da população
manteve-se significativamente inferior ao dos países mais desenvolvidos da
Europa capitalista, que também criaram um Serviço Nacional de Saúde gratuito e
um Sistema Público de Ensino gratuito.
Em 2014, sabemos que a
Revolução comunista na Rússia foi uma revolução falhada, como tinha sido uma
revolução falhada a Revolução Francesa de 1789 – 1799.
Em
2014, parece-me evidente que o capitalismo continua com as suas brutais
desigualdades sociais. Mas, a ideia de «ditadura do proletariado», teorizada
por Marx e Engels, na prática,
tornou-se uma ideia bastante perigosa.
Ora, o fracasso, na
Europa, dos regimes inspirados em Marx e Engels, não significa que a luta
contra as desigualdades sociais tenha terminado, essa luta continua, só que os
caminhos para criar uma sociedade mais justa exigem ideias novas e a
reformulação das ideias que surgiram com o objectivo de criarem menos
desigualdades sociais.

Concluo, José, face aos falhanços das revoluções francesas e russa que o que é preciso é um capitalismo de rosto humano onde as desigualdades sociais sejam menores que as actuais. Sim, porque isso de uma terra sem amos é uma ideia bastante perigosa...
ResponderEliminarJoão Pedro
Na minha opinião a Revolução Liberal Francesa de 1789 – 1799, a que Lenine chamou «A Grande Revolução», sobretudo com as ideias de Montesquieu expressas em «O Espírito das Leis» e de Jean-Jacques Rousseau em «Contrato Social» deu origem a um processo de longa duração que culminou nas democracias capitalistas mais avançadas da Europa, nomeadamente da Suécia, nos finais do século XX.
ResponderEliminarA Revolução marxista-leninista na Rússia, em Outubro de 1917, foi apresentada por Lenine como uma continuação da «Grande Revolução Francesa» (de 1789 – 1799), no aspecto da IGUALDADE. Houve uma tentativa na Rússia / União Soviética de aplicar o conceito de J-J Rousseau SOBERANIA POPULAR a uma DEMOCRACIA POPULAR em oposição à DEMOCRACIA CAPITALISTA OU DEMOCRACIA BURGUESA, mas falhou devido aos abusos do poder sustentados na ideia de Marx e Engels «DITADURA DO PROLETARIADO».
Eu acho que se deve lutar contra as desigualdades sociais, mas pondo, efectivamente, de lado a ideia de Marx e Engels «DITADURA DO PROLETARIADO».