Não foi por acaso que a I
República da França realizou uma grandiosa cerimónia de trasladação dos restos
mortais de Jean-Jacques Rousseau para o Panteão da França, em Paris, em 1794.
No «Contrato Social» Jean-Jacques
Rousseau defendeu a República contra a Monarquia e a SOBERANIA POPULAR, expressa através do voto universal em eleições livres, num contexto de
liberdade de expressão de pensamento, numa
sociedade sem escravos em que todos os homens deviam ser iguais perante a lei.
Referi o chamado iluminismo mais
avançado, revolucionário, que já não se contentava com reformas do regime, mas
que queria destruir o chamado Antigo Regime e criar um novo.
O iluminismo da primeira fase era
pragmático-reformista. Alguns iluministas da primeira fase, acharam, por
pragmatismo, que o mais fácil era aproveitar o poder do rei e influenciar esse poder, para que
fossem feitas reformas que promovessem o progresso, nomeadamente no Ensino,
retirando o poder ao clero de dominar o Ensino numa perspectiva obscurantista, retrógrada,
que bloqueava a investigação científica, nomeadamente através dos jesuítas,
adversários da investigação científica.
As monarquias europeias para
sobreviverem aceitaram a perda de poder do rei, deixando triunfar, de facto, o
conceito SOBERANIA POPULAR, expresso através do voto universal em eleições
livres, num contexto de liberdade de expressão de pensamento, na segunda metade
do século XX.
A democracia capitalista estruturou-se,
num processo de longa duração, com início teórico com o iluminismo
revolucionário do século XVIII. As críticas marxistas aos abusos dos
capitalistas e as lutas sindicais e as lutas das mulheres contribuíram para a
evolução da democracia capitalista. O aparente sucesso do
marxismo-leninismo-estalinismo foi um factor que levou os capitalistas a
fazerem cedências aos trabalhadores.
A implosão dos regimes
marxistas-leninistas na Europa, encorajou, acentuadamente, os capitalistas e os
políticos ao seu serviço, para procederem a um retrocesso civilizacional de
grande envergadura. É esse retrocesso civilizacional que a União Europeia quer
fazer, a União Europeia está empenhada
em reforçar os abusos dos capitalistas e a sua riqueza, a troco da diminuição
dos direitos dos trabalhadores.
A ideologia que está por detrás
deste retrocesso civilizacional que pretende enriquecer, cada vez mais, a alta
burguesia e empobrecer os trabalhadores, é o neoliberalismo. Este avanço do
neoliberalismo é um processo implacável para os trabalhadores, que têm que
empobrecer, segundo a alta burguesia e os seus lacaios. É este ambiente de
retrocesso civilizacional, imposto pelo neoliberalismo, que se vive em
Portugal. O neoliberalismo, em Portugal, tem beneficiado a alta burguesia e
penalizado as classes médias e as outras abaixo.
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