sexta-feira, 5 de setembro de 2014

UCRÂNIA EM GUERRA

Le Monde é um jornal «independente» à sua maneira. Encontrei no blog «Entre as brumas da memória» uma série de vigarices sobre a Ucrânia deste jornal propagandista dos ideais da alta burguesia e do imperial-colonialismo da NATO, vigarices sobre omissões muito graves. Zero referências à organização do golpe de Estado fascista-nazi em Kiev pela NATO e pela União Europeia. Zero referências ao carácter fascista-nazi do regime de Kiev.
«The Independent» é independente dos inimigos da alta burguesia e dos inimigos do imperial-colonialismo da NATO, alinha na linha imperial-colonial de «Le Monde» e «Libération». Não vale a pena falar dos jornais que se assumem de direita. «The Guardian», o jornal europeu de grande audiência na net considerado aberto às opiniões contrárias ao imperial-colonialismo da NATO, fala no Batalhão Azov,

mas não no seu carácter, assumidamente, nazi.

No chamado Ocidente muitas pessoas precisam que os mídia lhes mintam, porque precisam de se enganarem a si próprias, conviver com uma verdade inconveniente é doloroso. O melhor é dizer e pensar que «Guantánamo é um campo de tortura e morte do regime comunista de Cuba», porque Guantánamo fica mesmo em Cuba.

«AINDA A UCRÂNIA





A RÚSSIA NÃO VAI ABANDONAR O LESTE RUSSÓFILO





Mesmo sem ter muita informação sobre o que se passa na Ucrânia parece evidente que as coisas não vão ficar assim. A Rússia vai tentar, embora não possa esperar muito mais tempo, que a Ucrânia se federalize com ampla autonomia das regiões federadas. Acontece que os guerreiros da NATO não estão pelos ajustes. Querem a presa por inteiro, embora estejam com dificuldades em encontrar entre os seus principais aliados europeus quem esteja disposto a morrer pela Ucrânia e, muito menos, a incendiar a Europa, por muito que isso custe às “teresas de souza”, aos “severianos teixeiras” e aos “rasmussens” espalhados por essa Europa fora carpindo a nostalgia de uma orfandade que não vêem como possa ser preenchida.


A Rússia tem contra si a acção concertada das grandes potências ocidentais, mais as “traições” daqueles que nestes momentos se apressam e aprestam a tirar partido da situação, susceptível de lhe causar dano económico, agora e no futuro próximo, e, internamente, de uma camada social gerada pelo desenvolvimento económico e social entretanto ocorrido que não será seguramente muito favorável à guerra, por mais que a “alma russa”, no recôndito das suas consciências, lhe segrede o contrário.


Todavia, não havendo hipótese de os interesses russos virem a ser tomados em conta pela via negocial, não só por essa ser a estratégia da NATO, mas também por o governo de Kiev ficar descredibilizado caso faça concessões, a Rússia vê-se confrontada com duas situações qualquer delas politicamente muito onerosa. Ou deixar aniquilar a sua influência no leste, entregando os russófilos e a Ucrânia em geral à extrema-direita nazi-fascista em aliança com a NATO ou intervir para impor pela força o que uns e outros não querem conceder pela via das negociações.


Não é crível que a Rússia queira anexar o Leste da Ucrânia. Resolvida a questão da Crimeia, que foi um simples e rápido reajuste de contas, à Rússia interessa uma Ucrânia federal com ampla autonomia das partes. Para isso, muito provavelmente, vai ter de intervir, logo que a extrema-direita cometa a primeira barbaridade. Só que a intervenção tem de ser rápida e eficaz. Uma guerra prolongada, do género guerra civil, não seria do interesse da Rússia.


Estes parecem ser os factores que estão a pesar na decisão da Rússia e não tanto o que diz Obama, Merkel ou Rasmussen. Depois de concluir que nenhum destes recua, à Rússia só se põe o problema da eficácia e da rapidez da actuação. Terá meios para isso? O futuro não muito distante o dirá….


Este post foi escrito em 16 de Abril, mas não foi publicado. Necessitava de certos “complementos” que não tive possibilidade de fazer por entretanto me ter ausentado. E depois, como tantos outros, foi ficando no “arquivo”…


Cerca de cinco meses depois a situação não difere substancialmente da que aqui se perspectivou. Mas há diferenças que devem ser assinaladas. Entre intervir directamente ou fazê-lo por intermédio dos separatistas, a Rússia optou claramente por esta segunda via. Ela tem teoricamente a vantagem de salvaguardar os princípios e simultaneamente preparar o terreno para uma solução negocial. À semelhança do papel desempenhado pela Alemanha (e pelo Papa Woytila) no desmembramento da Jugoslávia, mais tarde com o apoio dos próprios aliados tradicionais da Sérvia, também a Rússia apoiando e incentivando os separatistas do leste da Ucrânia aponta para uma das duas únicas soluções que politicamente pode aceitar.


De facto, como se escreveu no post “Voltando à Ucrânia”, de 26 de Março, a Rússia só aceitará uma das duas seguintes soluções. “Ou uma Ucrânia neutralizada à finlandesa (sem quaisquer veleidades de integrar a NATO) e federalizada com ampla autonomia das componentes federadas, nomeadamente as regiões do leste (…) ou, segunda alternativa, ver-se obrigada a ir em auxílio da população russófila ameaçada de marginalização e hostilizada pelas milícias nazi-fascistas de Kiev e da Ucrânia Ocidental, ficando, neste caso, a Ucrânia praticamente circunscrita ao território antes integrado na Polónia entre o fim da Primeira Guerra Mundial e o começo da Segunda”.


Aparentemente a Rússia tem dado sinais de que aceitaria a primeira que é aquela que tende a salvaguardar a integridade territorial da Ucrânia, tal como Staline a concebeu, depois da II Guerra Mundial, no interior da URSS. Mas pode ser empurrada para a segunda pelo fundamentalismo dos grupos que apoiam o primeiro ministro ucraniano, ou que este se esforça por cativar e também pela agressividade e expansionismo da NATO que não desiste de estender a sua esfera de influência a áreas potencialmente explosivas do leste europeu.    


A via escolhida pela Rússia tem, porém, múltiplos inconvenientes e poucas ou nenhumas vantagens relativamente à que resultaria de uma intervenção directa, eficaz e de curta duração, limitada aos objectivos pretendidos. Os inconvenientes maiores são os que resultam do arrastamento do conflito e da consolidação no interior da NATO da ideia de que pode opor uma resistência eficaz aos objectivos de Moscovo, favorecendo com o passar do tempo as teses mais belicistas da Aliança Atlântica. E vantagens não tem praticamente nenhumas, porque dificilmente seria concebível uma reacção ocidental diferente, para pior, da que está ocorrendo em consequência do apoio aos separatistas, que a NATO interpreta como simples “agentes de Moscovo”.


O recente acordo de cessar-fogo entre a Ucrânia e a Rússia, ou, mais correctamente, a aceitação por parte da Ucrânia das condições propostas pela Rússia para que possam ser encetadas negociações entre o governo de Kiev e os separatistas não significa que o conflito se esteja aproximando do fim. Kiev já não tem autonomia para negociar o que quer que seja. Neste momento depende exclusivamente do apoio ocidental e este, ou seja, a NATO, não enjeitará nenhuma hipótese de avançar no cerco à Rússia ao menor sinal de fraqueza de Moscovo.


Daí que a situação continue a ser potencialmente perigosa não tanto pelo que se vai passando no “teatro de operações”, mas por a liderança americana estar a ser vista internamente como uma liderança fraca. E não há nada que mais perigosamente comprometa a paz no mundo do que uma fraca liderança do imperialismo americano. Um líder fraco tende, nos momentos críticos, a ficar à mercê de influências nefastas. As oscilações de Obama a propósito da crise da Ucrânia, nomeadamente na sua recente passagem pelos países bálticos e as posições ai defendidas em clara violação dos acordos que levaram à reunificação da Alemanha e à extinção do Pacto de Varsóvia, deixam antever um Obama à deriva conduzido por “políticas de ocasião” de efeitos irreversíveis, a menos que, no seio da Europa, se erga uma voz capaz de travar a irresponsabilidade dos que encaram com normalidade um conflito com a Rússia.


Esta crise alimentada pelos extremismos reaccionários do Leste europeu e apadrinhada pela irresponsabilidade de Obama, é uma crise na qual a outra Europa tem muito a perder e nada a ganhar, por mais que a retórica que politicamente a acompanha nos tente fazer crer do contrário. Mas é também uma crise, qualquer que venha a ser o seu desfecho, que pode abrir uma brecha no “totalitarismo neoliberal” tal como ele tem sido interpretado e aplicado na União Europeia, principalmente na zona euro. Mas isso já terá de ser objecto de um novo post…» (In blog «Politeia»)

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