quarta-feira, 20 de agosto de 2014

VIVA A MORTE EM LUGANSK! E VIVA O FASCISMO TRIUNFANTE EM KIEV GRAÇAS AOS EUA E À UNIÃO EUROPEIA


«Este fato determinou o crescimen­to político e cultural da “russofobia” (o ódio aos russos) que, em um país como a Ucrânia, dividiu o país em dois, com uma população majoritária e aberta­mente russófila nas regiões orientais, en­quanto nas regiões do oeste e do nordes­te se afirmou um fanático regionalismo, sabiamente explorado pelo partido neo­nazista Svoboda e demais grupos nacio­nalistas da direita e da extrema-direita.

Por que a crise explodiu?

É necessário lembrar que na época da União Soviética, a Bielorrússia e, em particular, a Ucrânia jogavam um papel muito importante no desenvolvimento do Comecon (Conselho de Mútua Assis­tência Econômica), cujas relações econô­micas não se fecharam com a queda da URSS.

Mesmo com a introdução da economia de mercado e com a metodologia liberal no comércio, as 147 indústrias que a UR­SS instalou na Ucrânia continuaram tra­balhando preferencialmente com os pó­los industriais da nova Rússia, que tam­bém foram liberalizados e privatizados.

Essa ligação bem como a dependência energética dos países europeus em rela­ção à Rússia foram sempre consideradas pelos EUA uma pedra nos sapatos. De fa­to, para a Casa Branca a questão da de­pendência energética europeia tornou­-se de extrema importância em termos geoestratégicos, já que os laboratórios das transnacionais estadunidenses en­contraram uma fórmula tecnológica pa­ra aproveitar os xistos betuminosos que abundam nos EUA.

Uma solução que dá aos Estados Uni­dos o título de potencial produtor de gás no mundo e que alimenta uma no­va perspectiva geoestratégica que dese­ja com veemência reconduzir os países da União Europeia à esfera de influência dos EUA através de um gradual proces­so de ruptura com a Rússia, que nos úl­timos anos voltou a assumir um papel de opositor qualificado à estratégia dos EUA no Oriente Médio, na África e, sobretudo, na Europa.

Oferta de gás

Nos últimos dois anos o presidente dos EUA, Barack Obama, tentou im­por aos líderes dos países europeus a questão da ruptura da dependência energética da Rússia com a proposta de se associarem aos EUA na exploração dos xistos betuminosos. Porém, ne­nhum país, a não ser a servente Grã­-Bretanha aceitou trocar o barato gás da Rússia pelo prometido gás betumi­noso dos EUA, cujo custo ainda é qua­se o dobro do que a Rússia vende com contratos decenais.

Por outro lado, se considerarmos que os principais países da União Europeia detêm um parque tecnológico que não depende das soluções estaduniden­ses ou até das japonesas e que, em ter­mos financeiros, o euro é o direto con­corrente do dólar em matéria de inves­timentos nas bolsas internacionais, é evidente que para a Casa Branca sub­sistem somente três setores que podem alimentar o estreitamento das relações de dependência dos países da União Europeia com os EUA: 1) a produção de foguetes; 2) a venda de aviões de guer­ra; 3) a questão energética.

De fato, a própria primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, admitiu que “o gás russo não é somente o mais barato, mas é o que permite aos países europeus adquirirem mais autonomia em relação aos EUA e aos fornecedores árabes”, dando também a entender que a Alemanha poderia rever o contrato de fornecimento do gás russo somente no fim do mesmo, isto é daqui a 12 anos.

É claro que os Estados Unidos não podem esperar todo esse tempo, in­clusive o Partido Democrático – que pretende impor Hillary Clinton como candidata nas próximas eleições pre­sidenciais. Por isso, as excelências da Casa Branca acreditam que a explosão dos conflitos regionais irá gerar uma latente situação de instabilidade polí­tica em nível mundial que obrigará a Rússia a assumir posições ofensivas, o que permitirá aos EUA se apresenta­rem como o extremo defensor dos pe­quenos Estados.

Dupla ofensiva

Poucos conhecem o que a CIA e os ser­viços secretos europeus fizeram na Ucrâ­nia nos últimos cinco anos, porém, to­do o mundo sabe como explodiu a revol­ta em Kiev, também intitulada “Rebelião Euro-Maiden”. Uma rebelião que deter­minou a ruptura dos equilíbrios étnicos e políticos na Ucrânia com o objetivo de provocar a fuga das populações russófi­las, que nas regiões orientais da Ucrânia são majoritárias.

Por isso, a guerra civil, mascarada com o termo “guerra ao terrorismo”, repete os passos que os sionistas israelenses de­ram em 1948 na Palestina, quando força­ram a saída de quase 2 milhões de pales­tinos, cujas terras, casas e locais de tra­balho foram ocupadas por imigrantes judaicos vindos de todo o mundo em fun­ção da grande campanha midiática arre­gimentada pelos grupos sionistas.


O líder dos separatistas russófilos, Ale­xander Zakharchenko, já anunciou que nos próximos dias os combatentes da “República Popular de Donetsk e a de Lugansk” vão realizar um contra-ataque com o objetivo de romper o cerco que o exército regular de Kiev está articulando com a ajuda de inúmeros assessores da Otan. Um contexto que empurra as ope­rações militares cada vez mais em dire­ção à fronteira com a Rússia, que a mídia ocidental – sob orientação dos oficiais da Otan – já acusa de estar preparando a in­vasão da Ucrânia com 24 mil homens.» (In «Brasil de Fato»

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