As troikas externa (Washington/FMI + «BCE»/Berlim +
«CE»/Berlim) e internas governo e todas as corjas que o apoiam + quem votou a
favor do escandaloso «Tratado Orçamental» fracassaram em Portugal.
Os dogmas da religião troikista são vários, o empobrecimento
e a privatização de tudo o que dá lucro e ainda a nacionalização de alguns
prejuízos dos privados.
A vida da maioria esmagadora dos portugueses está muito pior
do que antes das troikas.
Até um ex-deputado do PSD vê o desastre
que as troikas neoliberais trouxeram aos portugueses.
«– Insatisfeitos,
pessimistas e sem esperança. 96% acham que a situação económica do país é má.
Repito, 96%, um número daqueles que se costumam chamar “albaneses”. Só que
neste caso é bem português. Ou seja, quase todos os portugueses descrêem do
“milagre” económico que, com cada menos convicção, Passos Coelho, Portas e
Pires de Lima propagam por todo o lado.
Não lêem a imprensa económica, não lêem os blogues governamentais, não lêem os
comentadores do Observador, não acreditam no PSD e no CDS, mesmo quando deles
fazem parte. Nenhum país da Europa tem estes resultados, nem a Grécia. (...)
– Não acreditam em nada, nem em ninguém.
Nem nos políticos, nem na política. Quase que já não acreditam na democracia. Não
têm qualquer confiança no actual Governo. 85%, repito, 85%, não têm confiança
no Governo. Outro número “albanês”, mas bem português, acima de todos os outros
na Europa. (...)
– Cansados de um imenso cansaço, cansados
de um desesperante cansaço. Vão para férias, mas não vão ter férias. Podem
mergulhar no mar, mas quando se encostam à toalha para secar, a sua cabeça não
descansa. (Como é que vou pagar o carro em Setembro? Como é que vou pagar a
prestação da casa? Já não posso mais receber aqueles avisos da Autoridade
Tributária a explicar por um número infindo de artigos que o meu salário vai
ser penhorado. Como é que vou sobreviver com a conta bancária confiscada para
pagar o IRS? Como é que vou dizer à minha mulher que saio todos os dias de
manhã como se fosse para o emprego, mas há um mês que fui despedido? Será que
no meu serviço serei passado para a mobilidade especial? Vou ter de mudar de
casa, por que não posso pagar a nova renda que o senhorio me pediu. A nossa
filha entrou na universidade, mas onde é que vou arranjar o dinheiro para as
propinas? Como é que vou de novo abrir o café, quando devo dinheiro a todos os
fornecedores? E como vou continuar a ter o meu empregado de sempre na oficina
quando ninguém paga nada? (…)» (Pacheco Pereira cit. no blog «Entre as brumas
da memória»)
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