quinta-feira, 31 de julho de 2014

CONTRA A CRIMINALIDADE DO COSTUME


"«A crise moral que atravessamos traduz-se nisto: condenamos carteiristas à cadeia em nome da Justiça e tratamos com deferência e apresentamos como exemplo organizações criminosas que operam em grande escala, como os bancos. Não é uma novidade, mas o facto de não ser uma novidade e de continuarmos a tolerar a situação só a torna mais grave. Continuamos a tratar com respeito governos que se apropriam de património público para o vender ao desbarato e que destroem monopólios do Estado para beneficiar interesses privados obscuros – como o Governo português está a fazer com a lotaria.

Por que respeitamos estes ladrões? Por que falamos de bancos e de organizações como a ONU, ou o FMI ou a FIFA ou tantas outras, como se fossem respeitáveis? Por que não exigimos que obedeçam aos padrões éticos e legais que exigimos aos outros? Apenas porque usam gravata e sabem usar talheres? Apenas porque ficaram ricos com o dinheiro que roubaram? Somos assim tão parvos?»
José Vítor Malheiros, no Público de hoje. " (Cit. in blog «Entre as brumas da memória»)

Já neste blog escrevi que a evolução da Humanidade, globalmente, está muito menos avançada do que o desejável e do que as aparências mostram. É este impasse no desenvolvimento ético da Humanidade que permite que nas democracias um pequeno grupo de ladrões, torturadores e assassinos mande com os votos da maioria dos eleitores.

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